quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O ESPÍRITO SANTO HABITAVA MESMO NO CRENTE DO VELHO TESTAMENTO? UMA RESENHA DA PALESTRA DA HABITAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NO VELHO TESTAMENTO PELO DR. MAURO MEISTER





Algumas doutrinas teológicas são possíveis de discordância sem afetar diretamente a ortodoxia e, acredito, sem afetar a amizade. Dentre elas, temos a doutrina dos batismos, dos dons espirituais, predestinação, perda ou não da salvação e, dentre essas, temos a doutrina da habitação do Espírito Santo no crente do VT.

Assistindo ao congresso Fiel sobre o Espírito Santo, deparei-me com a palestra do meu amado mestre Dr. Mauro Meister sobre a habitação do Espírito Santo no crente do VT; inclusive, parabenizo-o pela eloquência e fervor que defendeu esse tema. No entanto, não pude deixar de perceber algumas falhas hermenêuticas e exegéticas que pretendo demonstrar nesse texto. 

Meu objetivo é unicamente o temor de que se propague uma doutrina com muitos questionamentos, falhas e falta de base bíblica, pois o próprio mestre disse que é uma doutrina com base apenas em dedução. Porém, qual o valor de uma doutrina apenas por dedução? Quem é que julga se a dedução está correta ou não? Uma dedução é muito instável. Por exemplo, a dedução dos reformados é diferente da dedução dos pentecostais; diferente da dedução dos luteranos; que são diferentes dos wesleyanos. Na verdade, uma doutrina que é baseada em dedução será muito fácil desfazê-la. Basta buscar falácias no silogismo dessa dedução e desfazê-la. No entanto, precisamos demonstrar que há base bíblica em qualquer doutrina, pois entre uma doutrina que se baseia apenas em uma dedução e uma que esteja firmada nas Escrituras, o cristão prudente e sábio deve escolher a segunda opção.

No primeiro estudo foi demonstrado que a revelação de Deus é progressiva e que em todo tempo (VT e NT) houve graça, fé, perdão dos pecados, santificação e regeneração. Até aí, estamos completamente juntos sem nenhuma discordância. Porém, o Dr. Mauro usou a seguinte dedução lógica: se houve perdão dos pecados por causa do arrependimento; se houve santificação; se houve zelo e amor pela Palavra como citou alguns salmos; se houve regeneração; se houve desejo de estar na presença de Deus é porque o Espírito Santo habitava no crente do VT, pois, segundo ele, isso só acontece quando o Espírito Santo habita no crente. Ele ainda afirma que a mansidão de Moisés era uma demonstração do fruto do Espírito e, com isso, ele conclui que o Espírito Santo habitava em todo o crente do VT. 

Ele afirmou ainda que, se o Espírito é onipresente e está em todo lugar, a palavra habitação significa apenas “o tipo de ação do Espírito porque Deus age como quer e onde quer” e não significa “estar dentro ou fora da pessoa”.

Não precisa ser um bom aluno de Filosofia para perceber que o Dr. Mauro Meister usa um argumento circular. Por exemplo, ele parte do pressuposto que a regeneração, a santificação, o fruto do Espírito somente podem estar no crente se o Espírito Santo estiver habitando na pessoa e usa como base para isso o seu próprio argumento inicial. No entanto, não foi dada nenhuma evidência bíblica para afirmar tal coisa, isto é, a evidência de que o Espírito Santo só operaria essas coisas se estivesse habitando no crente.

O Espírito Santo é totalmente soberano sem que precise estar habitando no crente para regenerá-lo, já que ele faz isso sem habitar porque o incrédulo não tem o Espírito Santo; ele é soberano para santificar o crente do VT, para dar dons, para que seu fruto se manifeste sem que precise habitar no crente do VT. 

Psalm 139:7-8   7 Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?  8 Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também;

Da mesma forma, que houve regeneração, perdão de pecados, santificação sem que Cristo tivesse morrido, pois os crentes do VT criam no Messias que viria e os sacrifícios eram apenas sombras para que respondessem com fé no Messias prometido.

Romans 3:24-26  24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,  25 a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;  26 tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

Notemos que Paulo afirmou que Deus tolerou os pecados até a vinda do verdadeiro Cordeiro de Deus que morreria pelos seus eleitos. Ora, se Deus agiu diferente na redenção do VT, que é fundamental, pois o Espírito somente viria se ele fosse glorificado (Jo 16.7), por que não agiria na habitação do seu Espírito no VT? Portanto, essa dedução não procede.

O que não se pode dizer é que houve regeneração, santificação sem o Espírito Santo. Isso não. Mas dizer que somente se o Espírito habitasse seria limitá-lo em sua obra e na sua soberania, já que temos uma grande base bíblica no VT que seria no futuro, no NT, e não no VT.

Precisamos também perceber que o argumento do Dr. Mauro é contraditório quando ele conceitua a habitação do Espírito. Ele começa dizendo que o Espírito Santo está em qualquer lugar e, se ele está em qualquer lugar, claro que um dos lugares que ele poderia estar é dentro do crente. Ele fala isso para dizer que a habitação não seria “estar dentro ou fora”. No entanto, se o Espírito está em qualquer lugar e pode estar dentro do crente, qual o problema de afirmar que o Espírito Santo habita dentro dele? Por que dizer que a habitação do Espírito não pode ser “fora e dentro do crente”? Esse argumento tem uma lógica vulnerável. Além do mais, existem fortes evidências que o Espírito Santo habita, sim, DENTRO do crente e não vem de dedução. 

Precisamos, antes, entender que a habitação do Espírito significa Deus habitando com glória. Não sabemos com profundidade a diferença entre a onipresença de Deus e quando a Bíblia fala que a presença de Deus estava na nuvem, sobre a Arca da Aliança, na sarça ardente, nos anjos conversando com Abraão. Uma coisa é Deus estar por causa de sua onipresença, outra coisa é Deus estar por causa da presença do Espírito. Quando alguém afirma que a habitação do Espírito não é estar dentro do crente, vai até os limites de uma heresia, pois Paulo escreve:

1 Corinthians 6:19  19 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?


η ουκ οιδατε οτι το σωμα υμων ναος του εν υμιν αγιου πνευματος εστιν ου εχετε απο θεου και ουκ εστε εαυτων

Esse texto demonstra de uma forma indubitável que o Espírito habita DENTRO e não diz respeito apenas à ação. Primeiro, que Paulo fala de corpo σωμα e isso não é metáfora. Depois, ele fala de santuário ναος, uma palavra usada para o Santo dos Santos onde estava a presença de Deus DENTRO do templo. Além disso, Paulo usa a expressão adverbial εν υμιν “em vós” com ênfase, pois a expressão vem antes do nome αγιου πνευματος - του εν υμιν αγιου πνευματος.

Portanto, Paulo ensina que os corpos são o lugar onde o Espírito de Deus habita DENTRO do crente, pois é o santuário do Espírito Santo. Ora se Deus estava DENTRO do Santuário de quatro paredes, não estaria dentro do crente? Qualquer interpretação que não seja essa, infringe várias regras de interpretação, de exegese, e até de interpretação textual.

Paulo ainda fala aos romanos:

Romans 8:9  9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.


υμεις δε ουκ εστε εν σαρκι αλλ εν πνευματι ειπερ πνευμα θεου οικει εν υμιν ει δε τις πνευμα χριστου ουκ εχει ουτος ουκ εστιν αυτου

Paulo usa tanto a expressão habitar em vós οικει εν υμιν, como o verbo “ter” εχει. Fica claro que implica em estar dentro dos corpos como Paulo falou acima. Alguém poderia argumentar que isso demonstra que o crente do VT teria que ter o Espírito Santo porque, senão, ele não seria de Cristo. Porém, precisamos pensar que o que caracterizava a entrada do crente na aliança do VT era a circuncisão, mas no NT era o Espírito Santo. 

Genesis 17:9-10  9 Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações.  10 Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado.


Romans 2:28-29  28 Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne.  29 Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.

Paulo usa a expressão εν πνευματι “no Espírito” e pode se referir ao Espírito Santo. Ele ensina que o judeu verdadeiro é aquele que faz a circuncisão “no Espírito”. No NT, o crente faz parte da aliança quando o Espírito santo habita. Paulo ensinou isso aos Filipenses também:

Philippians 3:3  3 Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.

Alguém poderia perguntar: então, os crentes do VT confiavam na carne. Não. Eles criam da mesma forma que os crentes do NT. A diferença é que os do VT usavam uma “sombra” na cerimônia da circuncisão; os do NT teriam o cumprimento da promessa tendo a habitação do Espírito Santo em seus corpos.

Galatians 3:14   14 para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.


ινα εις τα εθνη η ευλογια του αβρααμ γενηται εν χριστω ιησου ινα την επαγγελιαν του πνευματος λαβωμεν δια της πιστεως

Esse texto já demonstra em si que o Espírito Santo não habitava no crente do VT, pois Paulo fala que receberíamos a “promessa do Espírito” την επαγγελιαν του πνευματος. Fica claro que, se havia promessa, era porque não tinha chegado até antes. Se os crentes do VT tinham o Espírito da mesma forma que os crentes do NT têm, a palavra promessa seria completamente desnecessária e inútil. Da mesma forma os verbos estão no subjuntivo aoristo dando ideia de possibilidade futura. Portanto, nesse texto já se demonstra que o Espírito Santo não habitava no crente do VT.

No segundo estudo, Dr. Mauro enfoca o que ele chama de “dificuldades”, mas elas não foram explicadas. Ele, apenas com base no seu argumento circular, tenta interpretar todos os textos que trariam dificuldades; porém, quem analisa os textos de uma forma mais exegética, pode perceber que a sua interpretação não condiz com eles e nem com o todo Bíblico.

Antes de analisarmos esses textos especificamente, precisamos perceber que tanto a promessa da habitação do Espírito como a sua plenitude são profetizados para o futuro, para o NT. Como aceitar que o Espírito Santo estaria no crente do VT se todas as promessas estão para o futuro? 

Isaiah 44:3  3 Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes;

O profeta Isaías profetiza que Deus derramará o seu Espírito sobre a sua posteridade sobre os seus descendentes. O verbo יצק yatsaq (derramar), no imperfeito qal demonstra futuro. Os rabinos da LXX perceberam isso ao interpretarem esse verbo como “por sobre” no futuro ἐπιθησω το πνευμα μου.

Notemos que a promessa desse derramar é futura, e não temos permissão de pensar que um evento é presente se os verbos estão no futuro.

2 Samuel 7:12-13   12 Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino.  13 Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.

Essa profecia do profeta Natã a Davi tem seu cumprimento no Messias que é o descendente de Davi. Deus disse que ele não tinha casa, mas habitavam apenas em tabernáculo. No entanto, esse descendente viria e faria CASA para Deus no futuro.

2 Samuel 7:5-6  5 Vai e dize a meu servo Davi: Assim diz o SENHOR: Edificar-me-ás tu casa para minha habitação?  6 Porque em casa nenhuma habitei desde o dia em que fiz subir os filhos de Israel do Egito até ao dia de hoje; mas tenho andado em tenda, em tabernáculo.

Notemos que seria no futuro que o próprio Deus faria casa, e essa casa se referia aos corpos dos crentes do NT (1Co 6.19; 2Co 6.16). Quanto ao tabernáculo, referia-se às cerimônias do Santuário onde Deus se manifestava e falava com Moisés.

Análise dos textos que trazem dificuldade

Precisamos pensar que existem textos de difícil interpretação na Bíblia. No entanto, chega-se a essa conclusão depois de perceber que não existe clareza no próprio texto ou no seu contexto imediato ou bíblico. Porém, os textos que foram apresentados pelo Dr. Mauro se tornaram em dificuldade, não por causa deles em si, mas porque ele não quis aceitar o que está no próprio texto. Vejamos:

1) 1 Samuel 16:14-15  14 Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava.  15 Então, os servos de Saul lhe disseram: Eis que, agora, um espírito maligno, enviado de Deus, te atormenta.

Todos os verbos do hebraico e do grego da LXX não deixam dúvida que o Espírito de Deus SAIU de Saul. Jamais o sentido significaria que ele estava deixando de ser rei porque, mesmo depois desse evento, ele continuou sendo rei e o próprio Davi reconhecia que Saul AINDA era ungido do Senhor.

1 Samuel 24:6  6 e disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do SENHOR.

Deus tinha realmente rasgado seu reino, mas ainda não tinha dado a Davi. Deus não tirou a unção de Saul de rei, apenas recusou o seu reinado levantando outro depois de sua morte. O texto afirma que o Espírito de Deus saiu de Saul, pois Deus o rejeitara. A ironia de dizer que ele não habitava, mas apenas era hóspede de Saul é uma metáfora verdadeira. Até mesmo no NT a atuação do Espírito Santo não garante que ele habite no crente:

Matthew 7:22   22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?

Jesus não demonstra que essas pessoas estavam profetizando do diabo ou de si mesmo, mas em seu nome. No entanto, ele não as conhecia. Portanto, no VT, o Espírito Santo era momentâneo para fins de uma determinada obra, pois a promessa seria para o porvir.

2) Psalm 51:10-11  10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.  11 Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito.

Segundo o Dr. Mauro Meister, o verso 10 explica o verso 11 demonstrando que somente uma pessoa que tem o Espírito Santo deseja um coração puro e um espírito inabalável. Portanto, ele conclui que a expressão “nem me retires o teu Santo Espírito” quer dizer outra coisa. Uma espécie de temor que Deus tire o seu reino assim como tirou de Saul.

Mais uma vez houve o uso do argumento circular, pois a conclusão de que o verso 10 acontece somente se o Espírito habitar não tem nenhuma base nas Escrituras, embora que Davi ficou cheio do Espírito desde a sua unção como rei. Também está mais que provado que Saul continuou rei e ainda ungido mesmo depois que o Espírito Santo saiu dele. Afirmar que Davi estava apenas com medo de perder o seu reinado é minimizar a espiritualidade de Davi como se ele estivesse apenas interessado no poder de ser rei. A interpretação simples e textual é que Davi estava temendo acontecer da mesma forma que aconteceu com Saul. O Espírito Santo saiu dele, mesmo continuando rei de Israel, e vindo um espírito maligno da parte de Deus.

Davi estava temendo ser rejeitado por Deus e ser julgado pelo abandono de Deus que traria como juízo a retirada do Espírito Santo da sua vida. O que nós temos como base é que Deus retirava o seu Espírito e a sua glória daqueles a quem ele rejeitava no VT. Podemos ver isso desde Gênesis:

Genesis 6:3  3 Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos.


1 Samuel 4:21  21 Mas chamou ao menino Icabô, dizendo: Foi-se a glória de Israel. Isto ela disse, porque a arca de Deus fora tomada e por causa de seu sogro e de seu marido.


1 Samuel 16:14-15  14 Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava.  15 Então, os servos de Saul lhe disseram: Eis que, agora, um espírito maligno, enviado de Deus, te atormenta.


3) Ezekiel 36:26-27  26 Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.  27 Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.

O terceiro texto falado foi esse texto de Ezequiel. Mais uma vez o verso 27 foi interpretado conforme o verso anterior. Novamente o texto foi colocado à luz de um argumento circular, pois depende apenas de que aceitemos que o crente não tinha o Espírito Santo e de uma má interpretação do que vem a ser a expressão “coração de pedra”.

O texto do verso 27 é bem claro em afirmar que Deus porá o seu Espírito, no futuro. Tanto o verso 26 como o verso 27 demonstram que é somente no futuro. Nenhum espaço para dizer que é no presente.

Mas o que dizer da expressão “coração de pedra” e “coração de carne”? Quase todos os comentaristas interpretam essa expressão como um coração endurecido em contraste com um coração de carne, mais flexível e sensível a Deus. Daí, pergunta-se: como essa promessa de coração de carne seria somente para os crentes do NT? Se fosse assim, Deus não teria se agradado de nenhum do VT, pois um coração de pedra é algo que Deus se entristece por ser insensível à sua voz e mandamentos.

No entanto, pelo contexto no verso e de outras passagens, a expressão designativa “de pedra” se refere à “lei cerimonial”. Notemos que em outra passagem deixa mais claro isso:

Ezekiel 11:19-20  19 Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne;  20 para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.

A expressão pedra está sempre relacionada à Lei no VT e não à dureza de coração. Podemos ver isso em várias passagens que a palavra pedra se refere à lei, porém, não há em nenhuma passagem do VT que a palavra pedra fosse usada para dureza de coração além dos dois textos de Ezequiel em questão.

Exodus 24:12  12 Então, disse o SENHOR a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá; dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que escrevi, para os ensinares.


Exodus 34:1  Então, disse o SENHOR a Moisés: Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nelas as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas, que quebraste.

Portanto, segundo esse texto, o coração de carne era para que eles andassem nos estatutos do Senhor, pois, antes, o povo tinha "um coração de pedra" porque dependia da Lei cerimonial para percepção das coisas espirituais como sacrifício de animais, o sacerdote, o tabernáculo, as festas etc. No entanto, Deus dá a promessa que quando ele desse o seu Espírito, o seu povo não precisaria mais de cerimônias porque o Espírito Santo daria entendimento de uma forma espiritual sem que precise de cerimônia. Podemos ver textos que Paulo teve esse entendimento:

2 Corinthians 3:3  3 estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.

Notemos que Paulo usa uma expressão semelhante e o mesmo adjetivo grego usado na LXX λιθινος “de pedra” de Ez 11.19-20 e Ez 36.26-27. Paulo interpreta exatamente a expressão de Ezequiel, pois não tem outra no VT referindo-se a isso. Paulo estava ensinando que não precisaríamos mais de cerimônias, pois essas “tábuas de pedra” se referiam à Lei cerimonial que o Espírito Santo a substituiria no futuro, pois Ezequiel coloca os verbos no futuro.

Paulo repete essa ideia escrevendo aos Romanos:

Romans 7:6  6 Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra.

Paulo ensina que fomos libertos da Lei cerimonial e do seu juízo e que não servimos mais na caducidade da Letra. Isso se refere às leis cerimoniais que caducaram diante de algo superior que é o Espírito Santo no crente do NT.

Portanto, a expressão “coração de carne” é apenas uma repetição do que Deus estava falando que daria um “espírito novo”. O profeta estava falando que Deus iria trocar o método de cerimônias da Lei de pedra para a habitação do seu Espírito.

É nesse contexto que devemos entender a palavra de Jesus à mulher samaritana quando o pergunta onde se deveria adorar. Os judeus e samaritanos disputavam o lugar de adoração. A mulher, percebendo que Jesus era um profeta, perguntou-lhe:

John 4:19-20  19 Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.  20 Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.

Jesus lhe responde a forma de adorar a Deus a partir daquele momento:

John 4:21-23  21 Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.  22 Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.  23 Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.

Jesus deixou bem claro que seria naquele momento pelos tempos verbais e advérbios:
ερχεται ωρα - ερχεται ωρα και νυν εστιν (vem a hora e agora é). Ou seja, Jesus disse que chegou hora (presente do indicativo) e seria naquele momento και νυν εστιν. Claro que se fosse antes, os tempos verbais seriam outros, mas Jesus disse que seria naquele momento quando a adoração não seria mais em Jerusalém e nem em Samaria.

Segundo Jesus, o Pai busca os verdadeiros adoradores que o adorem, a partir daquele momento, pelo contexto, em Espírito e em verdade. Agora, os crentes não precisavam de um templo, de uma cerimônia ritualística de sacerdotes, mas do Espírito Santo que iria testificar essas verdades nos seus corações.

4) Matthew 3:11   11 Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

Outro texto citado é exatamente quando se refere ao batismo no Espírito Santo. Segundo o Dr. Mauro Meister, essa promessa se referia apenas ao poder do Espírito Santo que viria no Pentecostes para testemunho. Partindo disso, ele cita o texto de At 1.8 e “sereis minhas testemunhas”.

Mas vem uma pergunta imediatamente: afinal de contas, Deus deixou o crente do VT sem o seu poder do Espírito Santo para testemunhar? Sendo que Deus já tinha dito que o seu povo seria uma nação sacerdotal e que testemunhasse a toda a terra? 

Exodus 19:6  6 vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.

Como Deus daria seu Espírito ao crente do VT e não a sua plenitude? Realmente essa conclusão não é lógica e merece total rejeição nessa interpretação. O que temos que aceitar é exatamente o que a Escritura ensina e afirma claramente que seria somente no porvir.

Como explicar que Jesus soprou sobre os seus discípulos dizendo que recebessem o Espírito Santo? 

John 20:22  22 E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

O verbo λαβετε está no imperativo aoristo demonstrando uma ação única e que não se repete. Como os discípulos receberam o Espírito Santo se eles já tinham? Se alguém responder que eles não tinham se convertido, cai por terra quando Jesus afirma várias vezes que eles já eram salvos (Lc 10.20; Jo 6.70,71).

O batismo no Espírito Santo era não somente para receber poder para testemunho, mas também incluía vida e vivência cristã, pois seria a plenitude do Espírito falada por Paulo:

Ephesians 5:18  18 E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,

O que o Espírito Santo agia de uma forma soberana fora do crente, agora, ele estaria dentro do crente e habitando nele. Isso também foi profetizado por Joel no futuro, e correspondia à vinda do Espírito Santo ao povo de Deus para encher e habitar em todo crente.

Joel 2:28-29  28 E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões;  29 até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.

Pedro explica que essa passagem se cumpriu somente no Pentecostes e a promessa era sobre toda a carne. Demonstrando que não seria mais somente em alguns como sacerdotes, profetas e reis; mas sobre toda a carne. Seja como for, temos que aceitar que esse “toda a carne” se refere a todas as pessoas crentes que creem no Senhor Jesus e seria uma expressão inútil se o crente do VT já tivesse o Espírito Santo:

Acts 2:39  39 Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.

Fica claro que Pedro estava evocando a promessa de Joel para aqueles crentes a partir daquela ocasião e que ela estava se cumprindo somente nos crentes do NT.

Textos que dificultam essa interpretação

Diante de tanta dificuldade exposta, há textos que demonstram de uma forma tão clara que o Espírito Santo só habitou no crente do NT que não deveria ter nenhuma dúvida sobre esse assunto.

1) John 7:37-39  37 No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.  38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.  39 Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.


τουτο δε ειπεν περι του πνευματος ου εμελλον λαμβανειν οι πιστευοντες εις αυτον ουπω γαρ ην πνευμα αγιον οτι ιησους ουδεπω εδοξασθη

Notemos que Jesus evoca a Escritura do VT para falar do Espírito Santo numa linguagem de fluir das águas. Jesus estava no último dia das festividades do Tabernáculo que um sacerdote buscava água no tanque de Siloé e levavam até o altar. 

Jesus traz para si o cumprimento de várias passagens do VT (PV 11.25; 18.4; Ez 47.1-12; Zc 14.8). Todas essas passagens demonstram que se referiam para o futuro e Jesus trouxe a sua interpretação para cumprimento presente “como diz a Escritura”. 

João faz um comentário e interpreta imediatamente a expressão de Jesus afirmando que ele se referia “ao Espírito que haviam de receber” εμελλον λαμβανειν – expressão futura. Ele não para por aí, ainda explica para tirar toda dúvida que o “o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”. As expressões gregas ουπω γαρ ην πνευμα αγιον não deixam dúvidas que até antes não “estava” ην (verbo ειμι – ser ou estar) que foi traduzido para “fora dado”. Essa interpretação é respaldada por dois grandes exegetas do NT comentando esses versos William Hendriksen e F. F. Bruce:

Com certeza, a terceira pessoa da Trindade existia por toda a eternidade e fez sentir sua influência muito antes do Pentecostes; no entanto, o Espírito ainda não estava presente... porque Jesus ainda não tinha sido glorificado. [1]

A melhor versão da penúltima oração do versículo 39 é simplesmente: o Espírito ainda não era. Isto não quer dizer que o Espírito não existia ainda; já o vimos agindo (p. Ex. Em 1.32). Significa que o Espírito não estava presente da mesma maneira como Jesus prometera, ou que o Espírito até este momento não fora dado aos seguidores de Jesus. [2]

Tanto Hendriksen como F. F. Bruce reconhecem que o texto dá uma base inequívoca que Jesus estava falando do Espírito Santo que estaria somente no NT. Portanto, esses textos demonstram com clareza que o Espírito Santo no VT não habitava no crente.

2) John 16:7-8  7 Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.  8 Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:

αλλ εγω την αληθειαν λεγω υμιν συμφερει υμιν ινα εγω απελθω εαν γαρ εγω μη απελθω ο παρακλητος ουκ ελευσεται προς υμας εαν δε πορευθω πεμψω αυτον προς υμας και ελθων εκεινος ελεγξει τον κοσμον περι αμαρτιας και περι δικαιοσυνης και περι κρισεως

Esse é outro texto que demonstra de uma forma clara que os crentes do VT não tinham o Espírito Santo. Jesus começa dizendo que “convém” que ele vá συμφερει o sentido é de “levar juntamente”, ter uma conivência ou acordo. Demonstra compromisso e acordo que ele primeiro seja glorificado. Depois, João usa a conjunção condicional de dúvida εαν. Isso quer dizer que é um fator imprescindível que ele morresse, ressuscitasse para que o Espírito Santo viesse, e essa vinda era para a habitação no crente. O texto demonstra uma condição sem a qual jamais o Espírito Santo viria, deixando claro que o Espírito Santo somente viria depois da morte de Jesus Cristo.

Mas o que dizer do verso posterior? Pode-se perguntar: o Espírito Santo não convencia no VT? Sim. A diferença é que, agora, no NT, o Espírito iria evocar a pessoa de Jesus Cristo. No VT, o Espírito usava as cerimônias que falavam de Cristo de uma forma bem obscura. No NT, o Espírito apresenta Jesus diretamente; por isso a palavra grega ελεγξει que quer dizer “convencer, provar por meio de documentos”. Portanto, exatamente por esse motivo que Jesus afirma: 

John 16:9-11  9 do pecado, porque não crêem em mim;  10 da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;  11 do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

Notemos que todos esses motivos demonstram a pessoa de Jesus como o centro do que o Espírito iria convencer.

Conclusão:

Precisamos entender que todo desvio de doutrina será um foco de uma heresia maior. O motivo é porque a pessoa sempre irá tentar interpretar os textos claros com outra interpretação. Daí, a necessidade de entendermos que mesmo uma doutrina em que nós podemos sentar juntos sem prejuízo da fé, ela pode causar muitas heresias e distorções. Principalmente quando se trata da pessoa do Espírito Santo.

Meu objetivo foi trazer um maior esclarecimento e colocar a discussão na mesa para que possamos perceber que a Escritura é clara quando afirma que o Espírito Santo não habitava no crente do VT.

[1] HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: João. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 358

[2] BRUCE, F. F. João: introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1985, p. 163










quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A IMPORTÂNCIA DE VOTAR CONTRA O PT PARA O EQUILÍBRIO POLÍTICO DA NAÇÃO






Diz o ditado popular que “time que está ganhando não se mexe”. Esse ditado popular parece muito lógico. Concordo com esse ditado. Não sou contra o continuísmo nem contra a permanência no poder de um governante ou de um partido desde que haja motivos que assim fundamente essa permanência.

Não voto no Aécio por que eu simpatizo com o PSDB, nem por que eu acho que o Aécio é um paradigma de honestidade no Brasil. Nem levarei em conta a sua capacidade e preparo diante de uma total inabilidade de ideias e de linguagem da candidata Dilma; também, não votarei nele por seu programa de governo ser mais dinâmico ou mais crível que o da candidata Dilma. A minha questão é mais profunda e quero compartilhar com aqueles que estiverem ao alcance desse texto.

O PT começou como um partido diferenciado, que tinha como ideal ser diferente daqueles partidos que, até então, estavam no poder. No entanto, Lula como líder desse partido demonstrou que o seu grande objetivo já não era a sociedade, mas o poder. E para isso, tudo seria permitido. Lula, apesar de não ter estudado, foi o que mais levou à risca a máxima de Maquiavel, “os fins justificam os meios”.

Partindo disso, uma série de eventos que demonstram que o Brasil está, mesmo em uma forma embrionária, em perigo de ter a sua democracia implodida por lideres que farão tudo pelo poder. Para exemplo disso, quero apontar alguns fatores que devemos ficar preocupados.

O primeiro é o Foro de São Paulo. Essa organização foi fundada pelo PT e dirigida por Lula com o objetivo de tratar do domínio dos partidos de esquerda e comunistas na America Latina. Essa reunião era para trazer uma visão unificada, comunista e neoliberal da política, levando em conta que qualquer coisa poderia ser feita para chegar ao poder. Não é a toa que as Farcs faziam parte dessa organização (Veja aqui). As FARCS é uma organização criminosa, terrorista e narcotraficante da Colômbia que desde 1990 fazia parte do Foro, sendo impedida apenas em 2005 (veja aqui).

O que se questiona é o que uma organização terrorista e assassina, responsável por tráfico de drogas estava fazendo no Foro de São Paulo dirigido pelo PT? Isso só tem uma resposta: que os princípios do Foro se coadunavam com os deles, ou seja, “os fins justificam os meios”. Não importa o que seja feito, contanto que os partidos de esquerda que trazem as ideias socialista e comunistas estejam no poder.

Isso se torna mais claro, quando percebemos corrupção de alto nível nesse governo e até denúncias de mortes, como aconteceu com o ex-prefeito Celso Daniel. Diante de tudo isso, percebe-se uma certa imunidade ao ex-presidente Lula diante de graves denúncias, como por exemplo a do “mensalão”. É impossível que o presidente Lula que está à frente de toda decisão do partido, que encabeça reuniões do partido quando percebe ameaças nas pesquisas, que dá conselhos a presidentes de esquerda do Foro e diga que nada sabia do que era combinado em gabinete próximo ao seu em Brasília. O líder do Partido, o líder da nação, o cérebro do Foro de São Paulo simplesmente afirma que não sabe de nada. E pior, o Brasil e as autoridades se calam diante da mais patética desculpa que se ouviu e viu em todos os tempos.

Por que não se faz nada contra o Lula e Dilma? Por que os pedidos de impeachment são ridicularizados? Por que não se faz nada diante de denúncias sérias de crime de tráfico de influência de Rosemary Noronha que viajava no mesmo avião do ex-presidente? Se houvesse essas denúncias no governo de FHC ou de outro, com certeza, talvez, eles já teriam sido, no mínimo, levados a uma CPI. No entanto, não vemos isso com o presidente Lula no caso do mensalão, nem com a Dilma no caso da Petrobras. Como dirigentes de uma empresa da importância da Petrobras decidem e compram algo sem a presidente da República saber de nada, sendo que seriam decisões que teriam consequências gravíssimas para o Brasil e para seu governo? Isso está fora de uma reflexão inteligente.

O segundo fator de preocupação foram duas tentativas de comprar parlamentares para que seus objetivos sejam feitos. O primeiro, já foi falado que foi o mensalão e seus lideres foram condenados pelo STF. O segundo, mais recente, foi o chamado “Petrolão”, que dava, segundo denúncias da Policia Federal, 3% ao PT e a outros partidos para que seus objetivos políticos sejam concretizados. Afinal de contas, o Brasil esperará a terceira tentativa?

Os opositores e militantes costumam refutar esse quadro dizendo o seguinte: “Aécio também é corrupto”; “houve também o mensalão do PSDB em Minas”; “Aécio fez um aeroporto para beneficiar sua família”. Embora que eu ache que o PT suplantou todo partido quando se fala em corrupção, e a prova está nas prisões de seus líderes pelo STF, precisamos entender que a democracia é o povo sendo soberano nas escolhas de seus governantes. O voto servirá para denunciar, afastar, repreender, exonerar, fazer mudar de ideias políticas etc. Quem está no governo é o PT. Esse partido tem demonstrado que não tem escrúpulos para chegar a seus objetivos. Então, o voto contra o PT servirá para repreendê-lo, dizer que ele não pode fazer o que quer com o dinheiro público; que não se deve fazer da forma como eles têm feito e idealizado no Foro de São Paulo. Caso não haja essa repreensão pelo voto do povo, estaremos dando uma procuração para o PT fazer o que bem entender com o dinheiro público sem nenhum escrúpulo moral, pois ele saberá que os seus eleitores não o terão no que diz respeito à corrupção ou a qualquer decisão moral.

Mesmo que se pense em trazer o partido ou o candidato de volta na eleição seguinte, o voto popular deve ser a única forma (note: a única!) que se possa coibir uma tentativa ditatorial de poder usando meios mais baixos e simulados da política.

Se o Aécio agiu errado em fazer um aeroporto que beneficiasse sua família, se o PSDB também foi corrupto, precisamos perceber que o voto é um atenuante do mal na Polis. No momento, o PT e a Dilma estão no Poder e eles devem ser, no mínimo, repreendidos pelo voto deixando-os sem governar, pelo menos um mandato, pois essas denúncias demonstram os mesmos objetivos do Foro de São Paulo. No entanto, caso o Aécio seja eleito, e aja da mesma forma, deve ser repreendido e exonerado também com o nosso voto. É assim que uma nação de direito democrático e madura deve agir.

Não pense que o PT, Dilma e Lula têm amor aos pobres, miseráveis e doentes do Brasil. Se tivessem, há muito tempo, as obras de transposição do Rio São Francisco estariam feitas que abrangem 4 Estados do Nordeste, e não somente em datas recentes das eleições para fazer propaganda do seu governo no Nordeste. O bolsa família tem, apenas, como propósito de prender os mais pobres, como o ex-presidente sempre fala e ensina a seus correligionários que “o povo pensa com o estômago e não com a cabeça”,

O terceiro fator preocupante é uma grande investida contra a família de modelo judaico-cristão. O PT por ser um partido com ideias neoliberais e comunistas, aproximam-se dele partidos que têm como objetivo de liberar o aborto; descriminalizar as drogas; de fazer leis esdrúxulas para homossexuais com a desculpa de eliminar a discriminação contra eles. Esses partidos precisam de pessoas que tenham a mesma afinidade ideológica acerca da família e da vida.

Portanto, o povo brasileiro deve abrir os olhos, pois, caso contrário, vão sofrer a mais dura consequência por uma má escolha. Se o Aécio fizer um mau governo, se entrar pelos caminhos do PT e seus lideres, então, devemos rever as novas propostas de outros dirigentes para que o Brasil tenha um equilíbrio político e um atenuante do mal político no Brasil. O atenuante é exatamente frear com o voto; parar todo dirigente que queira fazer do Brasil sua propriedade; de buscar o poder pelo poder e não o melhor para a sociedade. Dessa maneira, o PT precisa ser freado, repreendido e ensinado que quem manda no Brasil é o povo.


Concluo lembrando uma máxima de Aristóteles: “a politica não deveria ser a arte de dominar, mas sim a arte de fazer justiça”. Precisamos perceber que a política que tem como alvo principal o poder deve ser repreendida pelo nosso voto e demonstrar que quem está no controle é o povo.