segunda-feira, 25 de março de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA


                                      



A páscoa é uma festa exclusivamente judaico-cristã. A própria etimologia da palavra vem do verbo hebraico pasah פסה que quer dizer “passar sobre”, “poupar”. Esta palavra vem do Velho Testamento na ocasião do Êxodo quando Deus fala a Moisés: “Mas o sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu o sangue, passarei por cima de vós” (Ex 12.13). Desse verbo hebraico vem a palavra hebraica pesah פסה e, dessa palavra, os gregos transliteraram para pascha πάσχα. Deus ordenou os judeus que celebrassem o episódio da saída da terra do Egito através do derramamento do sangue de um cordeiro, pois Deus veria apenas o sangue desse cordeiro nos umbrais das portas como expiação e redenção para não punir com morte os primogênitos (Ex 12.13,14). Os judeus passaram a celebrar no dia 14 do mês de Nisan essa festa que celebra a libertação através do sangue de um cordeiro. A festa começava ao entardecer ou depois do pôr do sol (15 de Nisan). O sacerdote aspergia o sangue dos cordeiros sobre o altar do holocausto e a refeição da Páscoa ocorria na tarde anterior (14 de Nisan). A refeição começava pelo chefe da casa que oferecia uma dedicação de uma taça de vinho e todos bebiam; depois, comiam um prato preliminar antes da refeição oficial. A parte mais importante era quando chegava o haggadah da Páscoa, pois o chefe da casa narrava a história do Êxodo do Egito segundo Dt 26.5-11.

Esses episódios demonstram que a páscoa tinha como objetivo falar de uma forma simbólica da pessoa, vinda e do sofrimento do Messias, pois Jesus Cristo foi chamado por João Batista de “O Cordeiro de Deus que Tira o Pecado do Mundo” (Jo 1.29; 36) e reconhecido pelo apóstolo Paulo como “O Nosso Cordeiro Pascal” (1 Co 5.7). O evangelista Marcos tenta dar essa pista quando descreve a Ceia com seus apóstolos (Mc 14.12) chegando a dizer que era quando se fazia o sacrifício do Cordeiro Pascal. O evangelista João também demonstra que Jesus era um tipo do Cordeiro Pascal do Velho Testamento quando lembra a páscoa no episódio da prisão e sofrimento de Jesus (Jo 18.28; 19.14). Jesus foi identificado como esse cordeiro porque ele seria aquele que, através de seu sangue, poderia fazer Deus passar por cima do seu juízo àqueles que confiassem no sacrifício desse Cristo e no seu sangue puro como aconteceu com os israelitas no Egito pondo o sangue do cordeiro nos umbrais das portas. Ao que parece, Jesus foi morto exatamente quando se matava o cordeiro do sacrifício da Páscoa em Jerusalém, na tarde 14 de Nisan (Mc 14.12; Jo 19.14). Antes, Jesus Cristo fez a refeição da páscoa com seus discípulos e ali ele instituía a Ceia que lembraria o seu sofrimento em prol da humanidade.

Portanto, diante desse background, o que significa o verdadeiro sentido da Páscoa? Como uma festa exclusivamente de origem judaico-cristã pode ter símbolos tão desassociados do seu significado e até não inteligentes como um coelho e um ovo? Quando se coloca um coelho e um ovo como símbolos da Páscoa, mesmo que se tenha uma explicação de um surgimento pagão ou de uma história qualquer, no mínimo esse conceito se torna obtuso. Alguns chegam a dizer que o real sentido da Páscoa é somente a ressurreição de Cristo; porém, pelo que foi supra demonstrado e pela própria Escritura fica incompleto o significado da Páscoa se apenas a ressurreição for enfocada, apesar de que ela é muito importante e sem ela nada tem sentido e não existiria fé, pois é o ápice e a ratificação da Vitória de Cristo na cruz (1 Co 15.14). Não obstante a ressurreição ser muito importante, a ênfase da Páscoa não é a ressurreição, mas a morte sacrificial de Cristo como redenção no lugar daqueles que respondem com as mãos fazias da fé, como dizia o teólogo e pregador Charles Spurgeon. Nós encontramos o real sentido da Páscoa na cruz, no sacrifício de Cristo como um cordeiro indefeso e mudo como profetizou o profeta Isaías: “mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos trás a paz estava sobre ele e pelas suas pisaduras fomos sarados... Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Is 53.5,7). A páscoa significa que Deus escolheu redimir alguns da humanidade através de um sacrifício universal, eterno e histórico – o sacrifício de Cristo na cruz sendo concluído pela sua ressurreição. A páscoa é a demonstração da misericórdia de Deus e da sua graça em providenciar uma eterna salvação ao homem que tem uma natureza completamente caída, egoísta e uma tendência prazerosa ao pecado e à transgressão, mesmo sabendo que tal prática traz destruição, caos existencial e conseqüências espirituais. O apóstolo Pedro percebeu esse sentido pascal quando escreveu que alguns são resgatados do fútil procedimento que seus pais lhe legam, porque não são por coisas corruptíveis como dinheiro que se pode ser resgatado, mas pelo precioso sangue, como de um Cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo (1 Pe 1.18,19).

A resposta em trocar os símbolos verdadeiros da Páscoa pelos símbolos obtusos de um ovo e de um coelho é pela tendência do homem de fugir daquilo que o incomoda. Um ovo e um coelho não falam nada, não tipificam nada, exceto um compromisso às crianças de comprar em forma de chocolate, ficando melhor para usar comercialmente. Os verdadeiros símbolos da Páscoa incomodam porque falam de nossa pecaminosidade e que esse pecado é universal, ou seja, em todas as épocas e em todos lugares ele acontece. Na verdade, os homens se escondem de Deus e de sua mensagem porque não querem admitir as suas frustrações éticas, psicológicas, existenciais, sociológicas, científicas (porque a ciência não explica tudo, como por exemplo, o início de tudo) e principalmente espirituais, pois o homem quanto mais busca Deus por si mesmo encontra um abismo de contradição e fracasso.

A Páscoa tem uma mensagem universal porque trata de algo universal que é o pecado e fala de um Deus Eterno que foi ofendido e deseja que todos possam usufruir a sua misericórdia através de Cristo na cruz, pois assim todas essas frustrações são eliminadas porque somente em Cristo pode-se realizar existencialmente e espiritualmente, pois a sua morte trata de coisas essenciais como culpa, sentido e amor perfeito. Somente Cristo pode oferecer solução para a culpa humana dando sentido de vida ao homem, que foi criado à sua imagem e semelhança, satisfazendo-o com um amor perfeito, porque “Deus prova o seu próprio amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A INCOMPATIBILIDADE DE 1Tm 3.1-7 PARA A ORDENAÇÃO FEMININA




A responsabilidade de um estudioso da Palavra de Deus é analisar ou, pelo menos, criar um pensamento crítico diante de algumas tendências que são vistas como perigosas e sérias. Creio que tudo que foge de uma interpretação exegética dentro de uma hermenêutica saudável, traz prejuízos à igreja de Jesus Cristo. Não foi à toa que por causa de uma simples colocação e interpretação de um verbo do novo testamento como justificare em latim trouxesse uma má interpretação à doutrina da justificação pela fé na idade média, trazendo, com isso, várias heresias como o pelagianismo e outras mais.


A Igreja deve estar fundamentada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, que foi revelado na Palavra de Deus. Parece que isso é uma redundância, pois falar que os líderes da Igreja de Cristo devem fundamentar-se na Palavra de Deus poderia ser algo sem nexo, mas o que vemos nas cartas pastorais de Paulo a Timóteo e a Tito, é que eles deveriam atentar para a Palavra de Deus primeiramente (1 Tm 4.12,13; 2 Tm 2.15; 4.1-3; Tt 2.1). É sinal que a tendência de um pragmatismo teológico e litúrgico era uma tentação desde aqueles tempos.

A igreja tem uma grande tentação de optar pelas experiências e deixar de analisar o que a Palavra de Deus diz. Vejo vários motivos para isso: Primeiro por uma falta de preparação teológica adequada para analisar ou fazer uma exegese com erudição ou até mesmo com um estudo minucioso da Palavra de Deus, por isso que Paulo disse a Timóteo 2.15 que manejasse bem a Palavra da Verdade; segundo, porque muitos líderes não têm tempo de debruçar-se diante de um estudo exaustivo da Palavra de Deus. Alguns acham que um pastor ideal é aquele que gasta tempo com visitas e atividades outras na igreja, negligenciando o estudo cauteloso e sistemático das Escrituras. Embora que sejam importantes, deve-se colocar em primeiro lugar a preparação e o estudo das Escrituras; terceiro motivo é porque são pressionados por outros que aderem a ondas e passam a ter como base experiências sem nenhuma base sólida da Palavra de Deus. Por isso que existem igrejas, onde há curas, expulsão de demônios, mas mesmo assim há ovelhas morrendo de fome dentro de seu próprio aprisco; quarto, pela tentação da quantidade em detrimento da qualidade. Pensam alguns: é melhor ter uma igreja com muitas pessoas mesmo com um método ou prática questionada pela Palavra que com poucas pessoas com uma base sólida.
G. K. Chesterton escreveu: “Nosso mal hoje é ter humildade no lugar errado. A modéstia deixou de atuar sobre o órgão da ambição. A modéstia reside agora no órgão da convicção; onde nunca deveria estar. O homem deveria duvidar de si mesmo e ter certeza da verdade. Isso foi completamente invertido”. Vejo que hoje muitos líderes estão duvidando de algumas verdades teológicas para dar lugar aos seus pontos de vista, a experiências e a ondas de avivamento.

Hoje em dia não se diz mais: “vamos ver o que a Bíblia diz”, mas “vamos ver o que aquela igreja grande faz e usa”, ou “vamos fazer porque dá resultado”. Estas frases infelizmente são um reflexo de uma igreja decadente, que se não for cuidada, mais tarde será uma igreja de cristãos nominais, tendo a Bíblia como algo facultativo.
Pensando nisso, quero trazer uma exegese de 1 Timóteo 3.1-7 e a sua total incompatibilidade com a ordenação feminina.

Sabemos que Paulo estava escrevendo uma carta pastoral a seu filho na fé, Timóteo. Portanto, tudo que iria instruir serviria aos demais líderes das igrejas. Paulo começa mostrando que a palavra que iria falar era fiel e verdadeira πιστος ὁ λόγος. Portanto, estava levando Timóteo a levar a sério, talvez porque iria falar de bispos na sua epístola.

A palavra bispo

É necessário, portanto, que o bispo seja…

A palavra bispo επισκοπος episkopos quer dizer supervisor, alguém que observa, dá assistência. Foi usada apenas 5 vezes no Novo Testamento; 4 foram usadas para os líderes homens das igrejas, (At 20.28; Fl 1.1; 1 Tm 3.2; Tt 1.6,7), 1 usada para Cristo (1 Pe 2.25). Vemos, algumas vezes, que os apóstolos usavam a palavra similar presbítero πρεσβυτερος presbyteros como At 20.28. A Septuaginta demonstra que todas as ocorrências dessa palavra eram para líderes, e esses, homens, sendo usada até para o próprio Deus no NT (1Pe 2.5). Paulo, quando chamou os líderes de Éfeso em Atos 20.17, eram todos homens pela expressão μετακαλεσατο τους πρεσβυτερους metekalesato tous presbiterous a declinação do artigo é masculina e não dá espaço a mulheres mesmo que a palavra fosse usada para as duas declinações. Da mesma forma, na oração δει ουν τον επισκοπον dei oun ton episkopon a palavra episkopon está com o artigo masculino (1Tm 3.2). Paulo já define para quem está falando, até porque, não há esta palavra relacionada a mulheres em nenhuma parte da Bíblia, seja no NT, seja no VT (na Septuaginta, que era muito usada no tempo de Jesus). A expressão verbal grega é necessário que seja δει... ειναι dei.. einai demonstra algo que é indispensável e deve ser uma característica visível, pois os líderes deveriam ser analisados. O verbo ειναι einai de ειμι eimi está no infinitivo presente. Tempo verbal que atesta uma ação habitual, demonstrando que essas características devem ser constantes e para todos os tempos, já que se tratava de princípios para a igreja de Jesus. Não se podem fazer exceções ao episcopado, pois essas características seriam necessárias e indispensáveis à liderança de Cristo.

As qualificações

Paulo, então, fala que é necessário… Esta expressão serve para critério daqueles que aspirarem ao episcopado. Isto quer dizer que se alguém dissesse ter algum chamado, teria que passar pelo crivo dessas qualificações. Vejamos algumas, pois me dedicarei somente àquelas que digam respeito ao problema de ordenação de mulheres:

Esposo de uma só mulher

Muitos eruditos admitem que essa expressão é difícil. O problema implica se Paulo está defendendo que o bispo seja casado ou se está evidenciando o sexo. A palavra grega ανηρ anër quer dizer tanto varão como esposo. Εm todo caso, o sexo fica já definido, mas mesmo assim, há uma dúvida se Paulo queria enfatizar o gênero ou ao casamento monogâmico. A expressão μιας γυναικας ανδρα mias gunaikas andra é usada por Paulo, pelo menos três vezes: quando fala outra vez a Diáconos (1 Tm 3.12); quando escreve a Tito (1.6) e quando falava aos bispos nessa passagem. Portanto, essa expressão revelava uma característica importante àqueles que queriam o episcopado e ao diaconato. É interessante que Paulo usou a mesma expressão a diáconos. Se defendemos que o diaconato feminino foi liberado por Paulo (1 Tm 3.11), (creio nisso), então, essa expressão se torna clara como uma admoestação à monogamia que não era um costume entre os gentios. Porém, creio que a expressão grega μιας γυναικας ανδρα diz muito mais que uma admoestação à monogamia, pois havia presbíteros solteiros ou viúvos como o caso de Paulo. No entanto, é perfeitamente legítimo e exegético afirmar, pelo genitivo qualitativo μιας γυναικας mias gynaikas, que o bispo não fosse um homem conquistador ou um defraudador de mulheres. De qualquer forma, Paulo não deixa de tratar de gênero, pois ele fala de homens com mente liberal em relação ao casamento, pois o contexto da época permitia os homens a terem várias mulheres e não o contrario. Em todo caso, podemos aceitar esses dois princípios: seja que tenha uma só esposa, como também alguém que não seja aproveitador, tentado seduzir mulheres autenticando o assunto do gênero.

Pode-se perceber que Paulo mudou os verbos de  (é necessário ser) para apenas um imperativo do verbo ειμι eimi – sejam quando falava a diáconos (1Tm 3.12). Paulo falou os verbos δει... ειναι dei... einai… tanto a Timóteo como a Tito para as escolhas de presbíteros e, nessa escolha, Paulo não abriu espaço a mulheres como abriu ao diaconato quando afirma (1Tm 3.11) γυναικας ὡσαυτως “da mesma sorte, quanto às mulheres...”. No caso dos bispos, Paulo jamais escreveu dessa forma. Mesmo assim, há uma passagem que possivelmente Paulo fala do diaconato de uma mulher em Romanos 16.1. A expressão grega não é um verbo como as traduções ditam, mas um substantivo sendo diaconisa ou serva da igreja. Porém quando se trata de presbíteros ou bispos não há referências a mulheres. Portanto, Paulo quando falou do diaconato usou um verbo ser ειμι eimi  no imperativo, incluindo mulheres também (v.11), mas, com respeito ao episcopado ele usou a forma verbal δει... ειναι dei… einai que significa uma regra sem exceção e sem nenhuma referência a mulheres como fez com os diaconos.

No caso dos diáconos, ele fala na parte que destaca dos homens, separando totalmente das qualificações femininas ao diaconato, deixando mais enfático que ele tinha a intenção de falar somente de homens em 1Tm 3.1-7.

Apto para ensinar

Essa expressão é uma grande dificuldade àqueles que advogam a ordenação de mulheres. O adjetivo torna a discussão mais complicada para aqueles que têm a Bíblia como regra de fé e conduta. Como Paulo, na mesma epístola, admoestou peremptoriamente que não permitia que mulher ensinasse, nem que usasse autoridade sobre o homem (1 Tm 2.12) (A expressão grega diz respeito a um ensino com uma autoridade de homem como diz a expressão exercer autoridade de homem) e incluiria as mulheres ao ensino autorizado logo depois? Na verdade, Paulo estava refutando uma espécie de heresia feminista na igreja de Éfeso, levando à confusão de papeis entre os homens e as mulheres. Não podemos dizer que foi por causa do contexto da época, pois ele se baseou na criação, firmando-se na criação do homem como primeiro formado, sendo logo depois a mulher (1 Tm 2.13,14). É bem verdade que Paulo não estava trazendo uma proibição absoluta de ensino à mulher, mas um ensino com autoridade como se fosse um homem, ou seja, na posição de um presbítero, pois sabemos que ele, falando a Tito, disse que as mulheres mais maduras fossem mestras do bem e instruíssem às mais novas a serem boas donas de casa (Tt 2.3,4). Também, vemos Priscila junto com Áxila explicando o Caminho de Deus a Apolo (At 18.26); mas, mesmo assim, Tanto Paulo como Lucas não usaram o verbo διδασκω didaskö, mas os verbos instruir ao autocontrole σωφρονιζω söphronizö e explicar, expor εκτιθημι ektithëmi. Isto quer dizer que esse ensino é instrutivo, supervisionado e administrado por um επισκοπος episkopos. Então, Como Paulo, que havia acabado de falar que não permitia uma mulher exercer autoridade de homem, agora se referiria a mulheres para ensinar na posição de liderança? Seria não somente uma contradição, mas uma insensatez e contradição aberta de seus ensinos para qualquer que sejam as interpretações da passagem.

E que governe bem a sua própria casa, criando os filhos sob a disciplina, com todo respeito

Esta exigência de Paulo deveria fechar a questão, se não, vejamos: o verbo grego para governar é προιστημι proistëmi  usado sete vezes no NT para lideranças da igreja. Dessas sete, três passagens com particípio são usadas com o verbo no masculino como uma expressão adjetiva e qualitativa (1 Tm 5.17; Rm 12.8; 1 Ts 5.12) e as demais, pelo contexto dá para entender que é a homens. Isso se completa se entendermos que Paulo exige do Bispo e presbítero que governe bem a sua casa. Ele precisa Ter essa qualificação. Diante disso, há um sério problema à ordenação de mulheres, pois como adequar essa exigência que Paulo falou que é necessário a mulheres? Paulo não deixou espaço para uma condição se não for homem. Ele disse que é necessário que o bispo governe bem a sua casa. Como conciliar uma ordenação feminina com esse princípio, já que ele teria que ser analisado explcitamente, tendo o próprio Paulo ensinado que o homem é o lider da mulher desde a criação na própria epístola (1Tm 2.12,13)? Àqueles que aceitam a ordenação feminina, pelo menos, têm que admitir, se forem honestos, que Paulo está falando somente aos homens.

Pois se alguém não sabe governar bem a sua própria casa como governará a igreja de Deus?

Esta expressão é um forte argumento e muito contundente, pois quando ele faz essa pergunta retórica ele coloca todos aqueles que não governam bem e principalmente os que não têm o papel de governo de um lar ou casa como desqualificados para o episcopado. Seria uma falta de consenso dizer o contrário e uma quebra de princípio hermenêutico. Paulo usa uma expressão condicional de certeza e fato para usar uma pergunta retórica ει δε... πως... Paulo aqui usa a ajuda da lógica aristotélica em afirmar algo através de uma pergunta trazendo ao contexto da discussão: COMO ALGUÉM PODE CUIDAR DA IGREJA DE DEUS SE NÃO GOVERNA A SUA CASA? Pois se Paulo excluiu aqueles que não governam bem, seria lógico excluir aqueles que não têm o papel de governar. Mesmo assim se alguém refuta que Paulo está falando somente aos casados, como explicar a questão da autoridade, pois o bispo teria que ter autoridade a ponto de saber governar a sua própria casa. Como se iria observar isso em uma mulher? Realmente qualquer pessoa sensata já se convenceria que esse texto mão dá espaço à ordenação feminina, pois precisaria ter essa qualificação sendo demonstrada, mas como fazer isso em uma mulher? Isto quer dizer que o padrão de cuidado para a igreja é saber cuidar bem de sua casa, que exclui completamente as mulheres pelo contexto geral das Escrituras.

É necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora

Essa expressão não faria sentido para esse assunto se não houvesse o pronome pessoal masculino αυτον auton (ele), sendo usado somente para ênfase. No texto Majoritário esse pronome aparece, ou seja na maioria dos manuscritos gregos. Isso demonstra mais claro ainda que a intenção de Paulo ao falar sobre o episcopado era à liderança masculina da igreja.

Conclusão

Minha intenção não foi de mostrar uma superioridade sexual, ou seja, dizer que os homens têm mais capacidade ou que não existam mulheres valorosas, santas e cheias do Espírito; mas de fazer-nos pensar mais sobre os papéis que Deus nos concedeu ao criar-nos e que os homens por causa do preconceito, pecado distorceram esse papel que se completam. Creio que se o objetivo de ambos forem a glória de Deus, então se alegrarão em cumprir a sua Palavra com zelo e dedicação. Buscar “fazer a vontade de Deus” fora da sua Palavra ou mesmo em dúvida desta é farisaísmo e está fora daquilo que Deus colocou como padrão aos seus servos. Entendo a tentativa das mulheres buscarem uma igualdade social e mostrarem seu valor, mas igualdade é diferente de papel. Deus nos fez iguais, mas com papeis diferentes, com características diferentes. Se fôssemos iguais não haveria complemento, mas por que somos diferentes, podemos dizer que precisamos um dos outros; homem e mulher se completando em amor na sua função que Deus lhes deu.

É bem verdade que existem mulheres em campos missionários que abrem igrejas, mas a falta de obreiros não nos dar base de passar por cima de princípios das Escrituras. Pode-se ter plenamente um entendimento de mulheres realizarem a ceia e batismo nesses lugares, mas que seja por falta de obreiros ou debaixo de uma autoridade maior masculina. Jesus deu ordenança a todos na grande comissão, mas não se pode excluir todo um contexto de liderança e advertências apostólicas com respeito a esse assunto, assim como o “fazer discípulos” inclui todo um contexto escriturístico para saber o que se vai ensinar.

Portanto, as pastoras modernas devem explicar exegeticamente esse texto, bem como a total falta de evidências entre os pais da Igreja do primeiro século da ordenação feminina.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A CRÔNICA DOS BICHOS




Aconteceu, numa floresta bem distante, um grande problema no reino animal. O Rei desse reino era um Leão chamado Lelu; seus assistentes eram os lobos, hienas, raposas e macacos, mas a maioria era composta de lobos, hienas e raposas.

Houve uma crise no reino depois que souberam que alguns lobos comeram algumas aves da propriedade da Sra. Tartaruga. O principal acusado foi um perigoso lobo que trabalhava no Reino do Leão Lelu. Esse lobo foi visto por um macaco pegando as aves da propriedade da Sra. Tartaruga e então esse lobo contou tudo que sabia aos papagaios, responsáveis pelas notícias na floresta. Com isso, por causa da grande repercussão na Floresta, foi sugerido abrir uma comissão de sindicância no parlamento do Reino do Leão Lelu. O Rei Lelu, junto com os outros bichos começaram a agir para que não tivesse essa comissão. Começou-se a ver benefícios a alguns bichos para que votassem contra, porém, por causa da grande repercussão dos papagaios, até os lobos, hienas e as raposas aceitaram.

Foi aberta a CPF (Comissão Parlamentar da Floresta). O problema era que no parlamento do Reino do Leão Lelu havia macacos, alces, renas; mas os lobos, que eram a maioria, queriam dirigir a própria CPF. Alguns macacos, que eram da oposição, diziam: “como pode isso?” Os lobos julgarem os próprios lobos? Isso não deu resultado. Escolheram para presidir a CPF lobos e como relatores, raposas. Os poucos macacos choravam de ver tanta disparidade e mediocridade, mas os lobos passavam a língua nos focinhos e as hienas riam do restante da bicharada. Foi aí que um lobo disse tudo que sabia, inclusive envolvendo o Rei Lelu. Enquanto isso, o rei Leão Lelu viajava pelo Reino, rindo para os burros e cavalos que não podiam pensar muito. Os burros e jumentos faziam passeata protegendo o Leão Lelu e a sua popularidade estava ainda alta.

O problema disso foi que, para surpresa de alguns bichos, o Leão Lelu não era bem um Leão, mas um lobo também vestido de Leão, pois as denuncias deram a entender que o Leão Lelu, pelo menos aceitou os outros lobos comerem as aves da Sra. Tartaruga.

Bem, o Reino ficou um caos de moralidade. Os papagaios falavam todo dia sobre a CPF que os lobos presidiam e, enquanto isso, os burros e jumentos, que eram muitos, prometiam votar ainda no Leão Lelu. O problema é que, antigamente, o reino era governado por uma Raposa e ela quase acabou com as árvores do Reino e então, a bicharada escolheu um Leão, mas no fundo era um lobo.
O Resultado é que a CPF, como se espera, foi um fiasco. Os lobos acusados fazem chantagem aos outros lobos e raposas buscando sair da punição do STF (Supremo Tribunal da Floresta), composto de Corujas, mas existiam também Urubus, pois estavam dando Habeas Corpus àqueles que eram acusados para falarem o que quiserem na CPF.

Diante desse desespero, o Leão Lelu pediu ajuda a Tigre Dente de Sabre e a um famoso Mamute, os animais mais antigos e ferozes os quais tentaram defender o Rei Leão Lelu.
Afinal, a bicharada não espera nada dessa CPF, mas pelo menos que os burros e cavalos saibam votar, pois o Leão Lelu diz que vai se candidatar a Rei novamente junto com alguns lobos, crocodilos ou até mesmo entre uma leoa. 

sábado, 24 de novembro de 2012

RESPOSTA A GUSTAVO IOSCHPE NO SEU ARTIGO: “QUEM SÃO OS PROFESSORES BRASILEIROS?”




Falar da Educação mexe com toda a estrutura da sociedade em suas mais vastas dimensões, já que ela é monolítica. Tratando-se de professores, muito mais, pois todos, um dia na vida, já passaram pelas mãos de um ou alguém se fez de um. A própria palavra “professor” vem do latim que quer dizer “aquele que ensina, cultiva uma arte ou dedica-se em algo”, como a palavra usada na Grécia διδάσκαλος / didaskalos que quer dizer aquele que ensina, ou que é um mestre. De uma certa forma, as palavras vieram da informalidade, passando, depois, para a formalidade, pois todos precisam passar por um educador ou professor, nem que seja na informalidade.

O texto do economista Gustavo Ioschpe da revista Veja (21/abr/2012) é muito bom para análises econômicas, mas muito deficiente no que diz respeito ao que ele se propõe a comentar – educação e quem realmente é o professor brasileiro. Ele começa seu texto de uma forma bem otimista, pois ele questiona o que chamou de “versão propalada aos quatro ventos”. Ele coloca pesquisas que demonstram que os professores não escolheram a profissão como uma “caída de paraquedas na carreira”, mas que a maioria escolheu por amor à profissão. Demonstra que os dados levam que os professores são mais idealistas e não são derrotados; coloca dados que a maioria dos professores está satisfeito com a profissão quando entrevistados que no início de sua carreira e afirma, também, que somente 10% querem abandonar a carreira.

Não obstante tudo isso, Gustavo Ioschpe coloca toda a responsabilidade do problema educacional no que diz respeito ao ensino-aprendizagem nas costas do professor. Ele afirma: “Essa satisfação é curiosa, porque os professores estão falhando na sua tarefa mais simples, que é transmitir conhecimentos e desenvolver as capacidades cognitivas de seus alunos”. Para isso, ele aponta pesquisas entre os próprios professores. Ele escreveu: “Só 32% deles concordariam em dizer ‘meus alunos aprendem de fato’. Dois terços dos professores admitem que só conseguem desenvolver entre 40% e 80% do conteúdo previsto no ano. Só um terço coloca esse patamar acima de 80%”.

Partindo ainda da sua lógica econômica, ele chega a uma conclusão que o “problema do sistema educacional” é o professor. Ele afirma que o professor sai da universidade, passa em um concurso e “fracassa”, pois seus alunos não aprendem. Ao invés desse professor voltar a estudar, ele continua e isso por que não existe “sanção” ao “professor ineficaz”. No restante do texto, Gustavo tenta mostrar o grande dilema do professor em saber que ele é bom e que os seus alunos não estão aprendendo. Ele termina selando suas críticas afirmando que “os professores criaram uma leitura de mundo à parte e completa para se blindarem contra o próprio insucesso”. Ele afirma, pois, que “na área da saúde, seria ridículo dizer que um pesquisador de laboratório não pode criar um remédio porque nunca atendeu pacientes com aquela doença ou que um medico só poderia realmente tratar do doente se tivesse passado um tempo considerável internado no hospital. E afirma, para a minha surpresa, que para ele é “iniciativas disparatadas melhorar a educação dobrando os salários dos profissionais da área. A maioria dos professores não está com a dignidade abalada”.

Precisamos, primeiramente, entender a tamanha falta de sensibilidade para com a profissão do professor do economista Gustavo Ioschpe. Ele não é professor e, segundo consta no seu currículo, não existe nenhuma especialidade na área da educação, exceto de participação de órgãos não governamentais (Veja na Wikipédia), pois, para minha surpresa, não consta seu nome no currículo na plataforma Lattes.

Realmente Gustavo tem que se defender da blindagem e, nesse caso, a blindagem vem dele, pois ele mesmo sabe que está entrando em um terreno que não tem especialização, nem vivência. Ele não percebe que a lógica do pesquisador de laboratório tem uma falácia, pois este não está tratando de pessoas, mas de coisas e fórmulas químicas, que criam remédios. No entanto, eles não podem medicar com os remédios que eles fabricam porque eles NÃO são médicos. Da mesma forma, o médico não precisa passar pelas mesmas coisas que o doente, mas ele precisa estudar em hospitais e residências específicas para chegar a diagnósticos precisos. Isso é totalmente diferente de um economista que se baseia apenas em dados de pesquisa para ter a coragem de afirmar que “os professores criaram uma leitura de mundo à parte e completa para se blindarem contra o próprio insucesso”.

Temos que pensar que os dados precisam ser interpretados e eles podem ser usados de uma forma falaciosa também. Por exemplo: o autor afirma que é falsa que as condições objetivas da carreira de professor não são satisfatórias e que a “ideia que o professor precisa correr de um lado para o outro, acumulando escolas e horas ‘insanas’ não resiste à apuração dos fatos”. Ele, então, dá os “fatos” dizendo que 57% trabalham somente em uma escola; só 6% do total em 3 ou 4 escolas; 28% lecionam 40 horas e só um quarto tem jornada acima de 40 horas por semana.

No entanto, não se sabe em quais escolas foram feitas essas pesquisas e nem em qual lugar do Brasil, pois a pessoa mais simples da Nação saberia que esses dados não condizem com a realidade brasileira e, principalmente, quando nos referimos ao Nordeste ou aos lugares mais pobres da Nação. Mesmo assim, o que não se percebe é que Gustavo, ao dizer que 57% trabalham em um só escola, não toca nos 43% que negaram. E, se ele acha esse número satisfatório para defender a satisfação objetiva da carreira do professor, é mais uma razão para ele ser um bom economista, mas, só isso.

A outra falácia é quando ele traz uma pesquisa para afirmar que o problema de aprendizagem está no professor. Ele afirma: “só 32% deles concordariam em dizer ‘meus alunos aprendem de fato’”. Isso é uma falácia porque a pergunta foi feita se os alunos aprendem de fato. No entanto, existem várias razões ou causas que levariam um estudante a ser deficiente na aprendizagem. Começando pela sua família desestruturada, uma má alimentação, falta de estrutura, como sala de aula inadequada, livros didáticos, e outras coisas. Ou seja, os professores poderiam ter dito até 1% e mesmo assim a causa não estar nos próprios professores. A aprendizagem inclui vários fatores para acontecer e não somente a prática de ensino. Por isso, Vygotsky afirma que a história da sociedade e o desenvolvimento do homem estão totalmente ligados, de forma que não seria possível separá-los. Ele ainda afirma que a aprendizagem sempre inclui relações entre pessoas. [1]. Da mesma forma, para Jean Peaget, a aprendizagem acontece na medida em que participamos ativamente dos acontecimentos, assimilamos mentalmente as informações sobre o ambiente físico e social e transformamos o conhecimento adquirido em formas de agir sobre o meio. Desta maneira, a aprendizagem, para esses teóricos, não começa na sala de aula, mas muito antes. Portanto, alguém que coloca toda a responsabilidade nas costas de um professor, ainda não sabe o que é apredizagem nem o que é educação.

Na realidade, existem professores ganhando muito mal e sempre na espera que seus salários estejam no dia, pois o atraso é uma realidade para muitos professores do Brasil e principalmente do Nordeste. Existem professores que suportam alunos indisciplinados que apontam dedos, xingam, ameaçam e somente podem pedir por favor. Existem professores que precisam trabalhar em outras áreas porque o seu salário não é o bastante, ficando somente a madrugada para preparar aulas. Logo, como o autor tem a coragem de afirmar que “as iniciativas são disparatadas em melhorar a educação dobrando os salários dos profissionais da área”? E que “a maioria dos professores não está com a dignidade abalada”? O autor demonstra desconhecimento da realidade e prática da educação brasileira.

O economista Gustavo Ioschpe curiosamente não toca que o professor é a única profissão que ele não somente trabalha no seu lugar de trabalho. Ele leva provas, trabalhos e artigos para casa para correção, usa seus fins de semana para preparar suas aulas e passa horas na internet para reservar filmes e slides aos seus alunos quando têm essas ferramentas. Gustavo Ioschpe não fala também que muitas professoras são mães de famílias que deixam seus filhos ainda bebês em casa para cuidar dos filhos dos outros e mesmo assim não são reconhecidas como deveriam.

Portanto, gostaria de responder ao nobre economista que seria melhor fazer seus comentários nas páginas de economia, pois educação ficou muito a desejar porque  uma nação que não reconhece seus professores não pode crescer.

[1] TAILLE, Yves de L., OLIVEIRA, M. K., DANTAS, H., Piaget, Vygotsky, Wallon: Teorias psicogenéticas em discussão. Pág. 23-36, São Paulo, ed. Summus, 1992

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

AS DIFERENÇAS DOS VERBOS GREGOS NO DIÁLOGO DE JESUS E PEDRO EM JOÃO 21.15-17





No mundo da Erudição e dos estudiosos da Bíblia paira uma mania e um perigo: quando um livro é escrito ou um escritor traz uma tese, geralmente os outros eruditos seguem sem questionar, sem falar nos estudantes de teologias e seminaristas. Um exemplo disso é a exegese truncada e defeituosa de Jo 21.15-17 dizendo que não há diferença de significado entre os verbos ἀγαπάω agapao e φιλέω phileo. Apesar de respeitar as interpretações de alguns autores, inclusive da Editora Vida Nova, bem como Luiz Sayão que fez um breve apanhado dessa exegese na revista Enfoque, tem-se que afirmar que a negação das diferenças de significado desses dois verbos consiste em lapsos de exegese, bem como erros sutis de hermenêutica.

Toda língua tem palavras com suas denotações e conotações diversas. Apesar de que no português o verbo amar não tem vários significantes, mesmo tendo vários significados, nas outras línguas, não é assim. Para os gregos eles tinham, pelo menos quatro significantes para o que traduzimos para amar: ἀγαπάω agapao, φιλέω phileo, ἐράω erao e στέργω stergo. Para os gregos o uso dessas palavras tinham acepções especiais e distintas, dentro do significado semântico da época. Por exemplo: o verbo φιλέω queria dizer ter afeição, incluindo sentimentos. Segundo o Dr. W. Gunther no Dicionário Internacional de Teologia do N.T. ele afirma que "as idéias que se vinculam com φιλέω phileo não têm ênfase claramente religiosa". Para os gregos o verbo φιλέω phileo leva um significado de um gostar mais subjetivo, instável, amigável. Para o verbo ἀγαπάω agapao, a literatura secular grega denota como tratar com respeito, dar boas vindas, estar contente com. Todas essas acepções demonstram objetividade e prática. Há ocasiões que o significado é alguém favorecido por um deus (cf. Dio. Cris., Orationes 33, 21, citado pelo DITNT, Editora Vida Nova Vol. 1). Há ocorrência do substantivo ἀγάπη como título à deusa Ísis (P. Oxy. 1380, 190; século II d.C.). O que se pode notar claramente pelas acepções do grego secular é que os significados eram claramente distintos em suas essências. Um demonstrava significado mais subjetivo, de amizade; o outro, mais prático e relacionado a deuses. Se os escritores que escreveram o NT usavam a língua grega, tem-se que esperar que eles atentavam para as diferenças de significados, pois, caso contrário, eles entrariam numa confusão semântica.

F. F. Bruce, defendendo as palavras como sinônimas no seu comentário de Jo 21.15-17, demonstra que em Gn 37.3 na LXX é usado o verbo ἀγαπάω agapao, mas no verso posterior v.4 é usado φιλέω phileo. Com isso ele chega a uma conclusão que o texto de João 21 as palavras são sinônimas também. No mesmo parágrafo do comentário, ele escreve: "o verbo ἀγαπάω agapao em si não denota necessariamente um amor mais sublime; isto só ocorre quando o contexto o deixa evidente" (BRUCE, F. F. João, Introdução e Comentário, Vida Nova pág. 345). Seguindo o conselho do Mestre F. F. Bruce é que se discorda dele mesmo, porque o contexto e a análise exegética demonstram que em João 21.15-17 os verbos têm significados diferentes. Essa alusão de Gn 37.3,4 não é decisiva para se dizer que em João 21.15-17 os verbos ἀγαπάω e φιλέω têm significados semelhantes. Primeiro que os rabinos eruditos que escreveram a LXX poderiam ter interpretado o verbo ´aheb no verso 4 como uma afeição além do significado do verso anterior, pois isso era normal da tradução rabínica da LXX. Segundo, mesmo que tenha o mesmo significado, não desfaz o contexto exegético de João 21.15-17. Na linguagem, embora que possa até haver um significado pelo outro, deve-se ter todo o cuidado e não pensar que todas as vezes que algumas palavras diferentes vierem num mesmo texto são sinônimas. Apesar de que para a nossa língua uma palavra possa parecer sinônima, o público alvo primitivo da língua original via claramente a diferença. Por exemplo, temos as advertências de Paulo aos Gálatas 5.19, 20 onde ele escreve μοιχεία (moicheia), πορνεία (porneia), ἀκαρθαρσία (akartharsia), ασελγεἰα (aselgeia) e que todas essas palavras nos idiomas ocidentais quase têm o mesmo significado. Não obstante haver palavras que os evangelistas usaram uma pela outra como o verbo μοιχέω (moicheo) derivado do substantivo μοιχεία (moicheia) em Mt 5.28, em Gálatas ele coloca como distinto, pois o que para nós quase não tem diferenças, para o público grego havia distinções consideráveis. No outro verso de Gálatas Paulo dá mais um exemplo: θυμοί (thumoi), ἐριθεία (eritheiai), διχοστασία (dichostasia), αἱρέσις (hairesis). Na língua portuguesa essas palavras quase não têm diferenças em significado, pois todas elas dizem respeito a contendas e divisões. Porém, o que para nós o significado não tem quase diferença, para o público alvo havia uma considerável distinção de significado. Portanto, deve-se ter muito cuidado ao dizer que duas palavras têm a mesma denotação num texto, exceto se o contexto e a gramática confirmarem claramente, que não é o caso de João 21.15-17.

Um dos argumentos, até infantil, usado é que Jesus falou em aramaico e no aramaico não há diferenças nos verbos. Embora que não se possa provar essa declaração, pois não se saberia quais as palavras que Jesus e Pedro usaram especificamente no diálogo em aramaico, o texto inspirado é o texto que João escreveu na língua grega. Não obstante que Jesus tenha falado em aramaico com Pedro, é irrelevante saber quais as palavras em aramaico, porque o inspirado foi o texto final escrito em grego koinê e nesse há diferenças muito óbvias.

Quem mais explorou o verbo agapao ἀγαπάω foi o evangelista João. Ele demonstra que esse amor é uma prática sacrificial completamente objetiva em prol de alguém (Jo 3.16; 15.12,13; 1 Jo 4.10). João sabia que os dois grandes mandamentos falados por Jesus eram com esses verbos na LXX (Mc 12.29-31), mostrando com isso a supremacia em relação a phileo φιλέω. Quando João cita φιλέω phileo separadamente como em 5.20 do amor do Pai para com o Filho; 16.27 do amor do Pai para com o homem, não implica dizer que todas as vezes que esse verbo vier seja sinônimo de apapao ἀγαπάω. Inclusive pode-se pensar também que João queira mostrar uma afeição da parte do Pai para com o Filho e para com aqueles que os seguem, já que Deus é um ser pessoal. É difícil pensar que João, tendo demonstrado o amor de Deus sacrificial e gracioso em ἀγαπάω agapao, agora queira colocar uma palavra que demonstre um amor humano, instável e afetivo no lugar do que ele mesmo escreveu. Se isso foi um estilo de João, por que ele não usou φιλέω phileo por ἀγαπάω agapao nas suas epístolas? Todo escritor usa uma forma estilística com o objetivo de embelezar sua obra. Se esse foi o caso, por que João não usou nas epístolas onde mais falou de amor? Outro fator importante: usar o verbo φιλέω phileo separadamente é diferente de usá-lo como sinônimo de ἀγαπάω agapao no mesmo contexto. Dessa forma nenhum escritor usou no NT, exceto João. Será que todos os outros escritores eram tão incultos que somente João usou esse estilo para essas duas palavras e esse somente no diálogo de Jesus e Pedro?

Apesar de Paulo ter usado φιλέω phileo também em 1 Co 16.22, então, por que Paulo não usou φιλέω phileo por ἀγαπάω agapao em 1 Co 13 e em outras passagens no mesmo contexto? será que Paulo não tinha esse estilo para ἀγαπάω agapao e φιλέω phileo? Deve-se lembrar que o verbo usado separadamente não é a mesma coisa que usá-lo num mesmo contexto. Portanto, esses poucos versos que φιλέω phileo é usado no Evangelho de João não são decisivos para desfazer as diferenças de significado na interpretação de Jo 21.15-17. O Dr. William Hendriksen, um dos mais respeitados exegetas reformados do NT, admite as diferenças desses verbos. Ele afirma que as diferenças deles estão entre devoção e apenas emoções. Hendriksen, comentando o verso 16 diz: "Pedro dá a mesma resposta de antes. Ele ainda não ousa afirmar que possui o amor de teor mais elevado" (Comentário do NT, pág. 927, Cultura Cristã). Realmente quando se analisa o texto de uma forma mais profunda, não se tem alternativa, se não, dar aos verbos significados diferentes.

ANÁLISE TEXTUAL

João 21:15  Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? 


Σιμων Ιωνα, αγαπᾳς με πλειον τουτων

Simão conhecia muito bem o que Jesus ensinou sobre amor. Um amor de alguém dar a vida por outra pessoa e um amor de orar pelos inimigos (Jo 15.13; Mt 5.44). Os apóstolos traduziram por ἀγαπάω agapao esse amor. Portanto, Pedro sabia muito bem o que Jesus perguntava. Na construção grega Jesus amplia o significado do verbo ἀγαπάω agapao, pois a locução comparativa é composta de um adjetivo neutro πολυ polu na forma comparativa formando uma expressão adverbial, pois modifica o verbo ἀγαπάω agapao. A pergunta de Jesus é se Simão o ama mais que aqueles que estavam ali, logo Jesus identifica a qualidade do amor que pergunta, pois a frase é adverbial modificando o verbo ἀγαπάω agapao. Portanto, πλειον τουτων pleion touton justifica o uso de ἀγαπάω agapao, pois é um amor superior. Pedro sabia sobre o "amarás ao Senhor teu Deus de todo coração" e Jesus evoca um amor superior que não poderia ser como a resposta de Pedro. O Dr. Werner de Boor, em seu comentário do Evangelho de João, afirma: “Ao perguntar, Jesus usou o termo pleno e vigoroso para amor que tem força suficiente para expressar também o amor de Deus.  Pedro não ousa aplicar essa palavra ἀγάπη agape para sua posição perante Jesus" (Comentário Esperança, pág. 209, Editora Esperança). Assim, Jesus repete mais uma vez  se Pedro o ama com o verbo ἀγαπάω agapao. Pedro responde com um sim categórico, mas  com um conceito diferente do que Jesus lhe perguntou. Pode ser que Pedro, quando disse: “tu sabes”, queira se referir ao episodio da negação de Cristo; mostrando com isso que Jesus era testemunha que seu amor era apenas como uma amizade, não como o mandamento dito pelo seu Mestre.

João 21:17  17 Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas?

 λεγει αυτῳ το τριτον, Σιμων Ιωνα, φιλεις με? ελυπηθη ὁ Πετρος ὁτι ειπεν αυτῳ το τριτον: φιλεις με?

João declara que Jesus pergunta a Pedro pela terceira vez, e dessa vez usa o verbo φιλέω phileo. Caso se diga que os significados são sinônimos, estar-se-ia colocando Jesus num dialogo redundante e sem sentido. Por que Jesus perguntaria três vezes a Pedro a mesma coisa? Se alguém argumenta que seria uma forma de Jesus demonstrar a Pedro que ele não o amava necessariamente, apesar de ser um estilo não inteligente, esse argumento aumenta as evidências das diferenças de significado dos verbos, pois Pedro responde três vezes que o ama, só que φιλέω phileo e pela tristeza Pedro não tinha a intenção de responder com satisfação.

O argumento mais forte e decisivo é exatamente o comentário do próprio evangelista João ao afirmar que Jesus pergunta pela terceira vez. João declara que Pedro ficou triste e afirmou o motivo: “Porque Ele lhe disse: Amas-me?”. O próprio autor do livro repete novamente o verbo na expressão que Jesus falou: φιλεις με? “phileis me?”. O autor demonstra que a razão da tristeza de Pedro foi exatamente a expressão que Jesus falou, pois João a repete. Fica óbvio que Jesus estava levando Pedro a refletir sobre o amor objetivo de entrega e de devoção em contraste com uma simples afeição e amizade como traduz o Dr. Hendriksen. Portanto, Pedro se entristeceu porque Jesus não perguntou com o mesmo verbo das duas perguntas, αγαπᾳς με agapas me? Agora, Jesus pergunta com o mesmo verbo que Pedro lhe respondia φιλεις με phileis me?

Alguns argumentam que por existirem algumas outras palavras sinônimas no texto como βοσκω bosko e ποιμανω poimano; αρνιον arnion e προβατον probaton; οιδα oida e γινωσκω ginosko, dizem que é um sinal que ἀγαπάω agapao e φιλέω phileo querem dizer a mesma coisa. Segundo o Dr. Hendriksen, o motivo de Jesus falar cordeiros e ovelhas demonstra uma generalização da sua igreja, que inclui cuidado com todas as faixas etárias. Embora que pareça a mesma coisa, para os ouvintes era importante ter essas diferenças, como também os verbos βοσκω bosko – alimentar e ποιμανω poimaino – pastorear podem demonstrar um ministério completo de pastorear incluindo o cuidado de suprir e alimentar. As diferenças dos verbos οιδα oida e γινωσκω ginosko demonstram diferenças semânticas no próprio NT, pois οιδα oida significa um conhecimento mais abrangente (Mt 15.12; Jo 13.7; 16.30), γινωσκω ginosko, mais prático (Lc 10.22; Jo 7.27). Se fosse apenas um estilo, João teria colocado na segunda resposta de Pedro γινωσκω ginosko, mas não foi o caso. Portanto, Pedro poderia estar afirmando que Jesus tanto sabia οιδα (oida) todas as coisas como também sabia na prática γινωσκω (ginosko) por causa da sua negação. Pedro não ousou declarar que o amava no amor mais completo e perfeito de entrega, mas apenas em afeto. Pedro sempre leva a triste lembrança da sua negação e que Jesus o cura levando a enfrentar uma realidade: Embora que Pedro tenha sido falho no amor para com o seu Mestre, ele o ama com um amor eterno. Portanto, esses aparentes sinônimos não desfazem as diferenças de significado.

Realmente tem-se que admitir que a negação das diferenças de significado dos dois verbos empobrece a cena e leva até ter uma noção de um Jesus com um diálogo não inteligente, repetitivo, pois Pedro termina suas respostas sempre dizendo que ele sabia todas as coisas. Dizer que Pedro estava dizendo que amava a Jesus com um amor Pleno é classificar Pedro como arrogante e ainda não tratado.
Sente-se pelos exegetas que vão pelo caminho de uma exegese que elimina a beleza de um texto e que obscurece a beleza da língua grega e da mensagem que Deus queria realmente falar aos povos de todas as nações, deixando de ouvir os gritos do próprio texto que realmente havia uma intenção diferente para os verbos gregos.

IN DEFENSE OF CELIBACY OF CHRIST: AN ANALYSIS OF FRAGMENT FOUND SUGGESTING THAT JESUS ​​WAS MARRIED





A new debate on celibacy of Jesus Christ was opened after the book best seller by Dan Brown called "Da Vinci Code." This time, the debate was who brought the researcher Karen King, a professor at Harvard Divinity School, Cambridge (Massachusetts). She revealed the discovery of a fragment in Coptic language (ancient Egyptian language) the size of a credit card that reveals the following sentence: "Jesus said to them: my wife ...". In his lecture in Rome, she admits she would not be a proof that Jesus was married. However, it shows that it was a discussion among Christians of the second century on this topic.

We need know that old documents are not synonymous with authentic, as heresies and heretics are also old. The reason is that in the first century there were many heretics and their writings were also passed at that time. Until scribes who were responsible for making copies of the Scriptures tried to corrupt them. Pickering cites in his book The identity of the New Testament Text a quote from Metzger:

Metzger says: Irenaeus, Clement of Alexandria, Tertullian, Eusebius, and many other Church Fathers heretics accused of having tampered with the Scriptures in order to provide support for their particular viewpoints. In the middle of the second century, Marcion eliminated their copies of the Gospel according to Luke, all references to the Jewish background of Jesus. A Harmony of the Gospels Tatian contains several textual changes that gave support to the view or ascetic sect encratita.[1]

At that time, several documents were rejected by the Christian church for not bringing the apostolic signature, nor be consistent with the scope of the rest of Scripture. Because of this, several documents were written on behalf of the apostles, being called "Pseudoepígrafos." Even so, the church, in the early second century, had already closed the canon, although it was not officially organized. Because of this, every document that was not the Scriptures, already recognized by the Church, was rejected.

Besides, according to Dr. Pickering, "from 50 AD now has many Jesus'es, and many Marias. '" Therefore, as evidence that this text refers exactly to Jesus Christ and not the other? Anyway, even if it was, could not undo the testimony of thousands of manuscripts, writers, historians in various places without even mention Jesus as married.

The main focus of heresies that tried to undermine Christianity was in Egypt. William Burgon says:

Rather, the early Christians of Alexandria were probably heavily influenced by the heretics who grew up there and that are known to have corrupted the New Testament text, by Basilides, for example, and Valentinus and his disciples.[2]

So not only had old documents that were ignored and considered apocryphal and heretical, as there were those who tried to omit portions of Scripture or make a canon to support their own heresies as in the case of Marcion. Therefore, a single snippet that says the opposite of other scriptures should not bring any bother to anyone.

Against this is still the testimony of several writers and historians of the early second century would never have referred to Jesus as married or having a wife. Among them are: Papias, Justin, Irenaeus, Hippolytus, Eusebius, Chrysostom and Jerome. All they quoted Scripture and confirmed from the years 100 to confirm its authenticity which, by omission and inference that Jesus was never married.

Another difficulty against Coptic fragment is that since the fourth century versions of the New Testament had circulated in Egypt by name or Menphitic Dialectic of Lower Egypt. If there was any doubt about the celibacy of Christ, the Gospel would not be so accepted in Egypt, and even to translating the vernacular of the region. So if these are translations of Greek copies, then had the release of the Gospels long. The own version, from the original Greek for the Egyptian language of the time demonstrates its authenticity and worthy of acceptance by the Egyptian church.

EVIDENCE OF THEOLOGICAL CELIBACY DE JESUS

The internal evidence about the celibacy of Jesus Christ is only by inference theological and the total omission of the stories of the apostles and prophets. In fact, Jesus would come as "the Lamb of God who takes away the sin of the world" (Jn 1:29, 36). He would come with one purpose: to be the redeemer and the means of salvation for His elect, the Church. Isaiah's description leaves no room for marriage or having a family, since the description of a lamb is suffering:

Isaiah 53:2-4 2 He grew up before him like a tender shoot, and like a root out of dry ground no form nor comeliness; watched him, there is no beauty that we should desire him. 3 He was despised and rejected by men, a man of sorrows and acquainted with grief: and as one from whom men hide their faces he was despised, and we esteemed him not. 4 Surely he has borne our infirmities and carried our sorrows about yourself, and we did esteem him stricken, smitten of God and afflicted.

Although the text does not explicitly celibacy of Jesus shows that he, like lamb and silent sufferer, have a mission of suffering and dedication to redeem himself, since he would be the most rejected of humans and without any appearance.

However, it is noteworthy that marriage is not an obstacle to faith, as some thought monks. However, the purpose of Christ was specific as redeemer of his church, and his bride herself.

The apostles identified that the Church was the very Bride of Christ. This showed that it came with one purpose: to rescue a bride who is not the child of man, but his church whom he called "Bride of the Lamb."

Paul wrote:

Ephesians 5:25-27 25 Husbands, love your wives, even as Christ also loved the church and gave himself up for her 26 to make her holy, having cleansed her by the washing with water through the word, 27 and to present to himself a glorious church, not having spot, or wrinkle, or any such thing, but holy and without blemish.

In this text, Paul uses the image of a bride to teach that Christ came to love his church is his bride, demonstrating his main purpose in coming into the world - redeem it. Paul infers through this text that the marital relationship of vacuum was filled by Christ in his mission to redeem his church.

In several passages that John was an eyewitness reports that the church is the bride of Christ:

John 3:28-29 28 You yourselves are witnesses that I said to you I am not the Christ, but I was sent as his forerunner. 29 He that hath the bride is the bridegroom; friend of the bridegroom, who stands and hears him, rejoices greatly because of the bridegroom's voice. For this joy is fulfilled in me.

Revelation 21:2 2 And I saw the holy city, new Jerusalem, coming down out of heaven from God, adorned as a bride adorned for her husband.

Revelation 21:9 9 Then came one of the seven angels which had the seven vials full of the seven last plagues, and talked with me, saying, Come, I will show thee the bride, the Lamb's wife;

Revelation 22:17 7 The Spirit and the bride say, Come! He that heareth say, Come! Let him who thirsts come, and whoever wishes to receive for free the water of life.

So perhaps still can find other fragments heretics, but will be difficult to breach the barrier and historical testimony of the apostles and prophets manuscripts scattered in museums around the world. The testimony of the manuscripts is very important since been found in several different places, demonstrating that the authority of the autographs in Greek was a reality and its acceptability as truth is incontrovertible.

[1] PICKERING, Wilbur N. The identity of the New Testament Text. Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1980, p. 41
[2] Burgon, John William. The last twelve verses of the Gospel According to S. Mark. Ann Arbor: The Sovereign Grace Book Club, 1959, p. 25-26