terça-feira, 13 de dezembro de 2022

UMA ANÁLISE DO TEXTO DO FILÓSOFO LUIZ FELIPE PONDÉ NA FOLHA DE SÃO PAULO “POR QUE EXISTE O MAL? ESTA REFLEXÃO É UM XEQUE-MATE NO CRISTIANISMO”


 

            O texto do filósofo Luiz Felipe Pondé “Por que existe o mal? Esta reflexão é um xeque-mate no Cristianismo” da Folha de São Paulo de 12 de dezembro é, no mínimo, muito pretencioso e arrogante. Afirmar que esse assunto encerra ao ponto de dizer com a metáfora “xeque-mate no Cristianismo” é entrar no círculo até da ingenuidade.

            Primeiro, porque o Cristianismo não existe por causa de uma ideologia, mas por causa do Cristo que traz o seu nome e que ressuscitou conforme os escritos dos apóstolos e historiadores da época, e vive para sempre. Segundo, Pondé esquece que há milhares de filósofos, teólogos, cientistas, matemáticos, físicos cristãos em grandes universidades do mundo que abonam o Cristianismo e creem nas palavras de Cristo como essenciais à vida.

         A tentativa de Pondé em evidenciar o Cristianismo com base no mal não é nova. Agostinho de Hipona, no ano 386, na sua obra De Ordine Confissões, já refutava essa tentativa de desqualificar o Cristianismo por causa do “problema do mal” com base no famoso paradoxo Trilema de Epicuro que se resume: “Se Deus é onisciente e onipotente, então, ele tem conhecimento de todo o mal e pode acabar com o mal, e se ele não o faz, ele não pode ser bom. Se Deus é onipotente e bom, então, ele tem poder para acabar com o mal e deseja acabar com o mal, porque é bom, e se não o faz, ele não é onisciente. Por último, se Deus é onisciente e bom, então, ele sabe de todo o mal que existe e quer acabar com ele, e se ele não o faz, ele não é onipotente”.

          Na verdade, o paradoxo de Epicuro que muitos ateus até usam para questionar a existência de Deus não vai contra a sua existência em si, mas contra a sua bondade. Negar a existência de Deus por questionar a sua bondade seria como negar a existência de Shakespeare por achar que ele foi péssimo escritor. Depois, o paradoxo de Epicuro se desmancha ao conhecermos mais sobre os atributos de Deus, incluindo sua providência. Deus é onisciente, onipotente e totalmente bom, porém, precisamos saber o que significa “o bom”. Se Deus é a realidade última, o Criador de todas as coisas, o que dá sentido a todo conhecimento, o legislador final, então “o bom” só pode ser relacionado a ele mesmo. “O bom” para Deus é exatamente a sua glória e isso chegou ao ápice dessa glória quando Jesus Cristo morreu na cruz como promessa do Velho Testamento de propiciação pelos pecados da humanidade. Por isso, Jesus falou em João 13.31-32: “Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele; se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e glorificá-lo-á imediatamente”. Logo, Deus foi glorificado no mal mais cruel que pudesse existir no mundo, a morte de seu Filho Unigênito totalmente santo e inocente. Por isso que não acho inteligente defender o mal existente afirmando que “não existe o mal, mas ausência do bem”. Isso é falacioso e não é inteligente. Com esse argumento, eu negaria qualquer coisa. Por exemplo: aquele que afirma que "não existem trevas, mas ausência de luz", poderia dizer também que não existe luz, mas ausência de trevas. Também, poderia dizer: não existe a matéria, mas a ausência do nada; não existe a mentira, mas a ausência da verdade. Jesus mesmo chegou a ensinar sobre a distinção clara entre o bem e o mal (Lucas 6.9). Portanto, esse argumento não é inteligente e não explica esse problema.

            Diante disso, se Deus é a realidade última e supremo Criador, ele pode tirar vida ou permitir o mal terreno moral ou natural para chegar ao supremo “bem”, a sua glória. Portanto, Deus é onipotente para extinguir todo mal existencial, mas ele não quer no momento. Além disso, a onipotência, onisciência e a bondade de Deus precisam ser vistas em amenizar o mal moral no mundo e em sustentar toda a existência física. Se Deus não amenizasse o mal moral na humanidade e sustentasse todas as coisas, todos destruiriam uns aos outros ou seriam exterminados, pois ele é o que dá respiração e sustenta todos átomos e células do universo (Atos 17.25). Todos os dias, sol e chuva estão à disposição de todos como Jesus falou: “para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”. Portanto, a onipotência, onisciência e a bondade de Deus, mesmo sem demonstrar a sua plenitude, no momento, não deixam de revelar-se no mundo.

            Dito isso, precisamos analisar algumas expressões do filósofo Pondé: 

Primeiro, ele se baseia na citação de Albert Camus: “a pura e simples indiferença do universo e da natureza para com o nosso sofrimento já é vivida como um mal para nós”. Essa declaração não leva em conta a existência do Deus único e bondoso que não está indiferente, mas cada episódio e mal natural que ele permite é um convite para a humanidade olhar para cima, para ele. Seria como um grito de Deus à humanidade para que se arrependam e saibam que há algo maior que essa vida e maior que tudo que nós mesmos conceituamos como bom. Jesus ensinou isso em Lucas 13.1-5.

            Pondé também afirma que “o Cristianismo criou um problema mais grave do que as demais religiões para responder à questão por que o mal existe?”. Ele conclui que isso se deve porque “o Cristianismo inventou que Deus é amor, que Deus é bom e todo-poderoso, e aí ferrou tudo” e que foi obrigado a criar um outro princípio que foi chamado de “Satanás”. Notemos que cai no mesmo paradoxo trilema de Epicuro que escrevi acima e que não preciso falar mais. No entanto, precisa-se dizer que não foi o Cristianismo que “inventou” que Deus é amor. Jesus Cristo se expôs em público aos olhos de todos na época e isso foi exposto pelos evangelistas como o grande amor de Deus revelado na sua morte como expiação pelos pecados daqueles que cressem em seu nome. Por isso, o evangelista João escreveu: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Da mesma forma, os seus outros atributos são demonstrados, tanto em suas obras registradas nas páginas dos relatos da Bíblia, quanto na própria natureza em que há Design Inteligente manifestado em informação de altíssimo nível, antevidência e complexidade irredutível. 

            Ele ainda cita Dostoievski: “não há resposta que perdoe a Deus pelo sofrimento de uma criança inocente. Se ele existe, ele é cruel ou fraco”. Para responder a isso precisa-se pensar o conceito de inocência e sobre a natureza de Deus como a causa única e Criador. Se o conceito de inocência for a ausência de atos pecaminosos momentâneos contra o próprio Deus, poderemos até entender esse conceito, mas se pensarmos que em uma criança está toda a sua mais cruel natureza pronta para transgredir todas as leias do próprio Deus e dos homens, não há inocente na terra. Devemos lembrar que Herodes, Nero, Hitler e todos os tiranos sanguinários foram criancinhas lindinhas “inocentes”. Portanto, Deus não tem ninguém por inocente, exceto aqueles a quem ele mesmo justifica em Jesus Cristo. Depois, se Deus é a causa última, Criador e Juiz único do universo, toda morte é porque ele quer, seja do mais simples pardal que cai (Mateus 10.29), seja de qualquer ser humano (Jeremias 13.16). Por isso, Deus não é cruel nem fraco, mas cumpre seu plano diante da sua grandeza fazendo tudo para a sua glória. Da mesma forma, o personagem Satanás não veio de um mito, nem veio da boca de um poeta romântico, porém, veio da boca de Jesus Cristo; e, se Jesus é o que reivindica ser, Satanás não é uma invenção nem um mito, mas uma realidade. 

            Enfim, ele conclui que “o argumento a partir do mal é um xeque-mate no Cristianismo”. Na verdade, usando a metáfora acima, o Rei ainda está exposto e não é o do Cristianismo. Há saída, com folga, para o xeque. Jamais seria um xeque-mate; porém, há uma declaração de xeque-mate exposta agora e que o convido a sair dela. Jesus Cristo veio e fundamentou o Cristianismo como uma construção cuja Pedra Fundamental é ele mesmo com uma promessa de que as portas do Inferno não prevalecerão contra a sua igreja. Se a sua igreja é cristã e está dentro da identidade do Cristianismo, nada a destruirá. No entanto, os homens citados pelo filósofo já passaram, morreram; suas ideias são questionadas e suplantadas. As palavras de Cristo e o próprio Cristo, não, são eternas, Cristo está vivo, o Cristianismo está vivo. 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

A DECADÊNCIA DO HUMOR NO JESUS DE GREGORIO DUVIVIER – UMA ANÁLISE DA CRÔNICA DE DUVIVIER NA FOLHA DE SÃO PAULO

 



            A crônica de Gregório Duvivier na Folha de São Paulo com o tema “Desculpem meu aramaico” é o retrato da falência do humor brasileiro e da contradição daqueles que se autointitulam de esquerda. A falência do humor porque jamais o humor deve causar tristeza, ignorância, desapontamento e, principalmente, total desrespeito a Jesus Cristo trazendo uma caricatura bizarra e descaracterizada dos parâmetros das fontes que o retratam, a Bíblia. Contradição porque na tentativa de demonstrar total revolta pela injustiça de quem paga INSS desempregado, cala-se diante de total morticínio, miséria e caos em países como Venezuela, Cuba e Coreia do Norte. 

            A crônica de Duvivier tem o seu valor literário em demonstrar claramente o que está por trás da alma de uma geração ateísta ignorante que resolveu obstinadamente fechar os olhos para as evidências históricas e científicas. As evidências históricas da existência de Jesus Cristo são tantas que diante de outras histórias antigas e de outros personagens da mesma época tornam-se exageradas. Por exemplo, existem cerca de 4000 cópias do Novo Testamento, sendo que vários manuscritos do 2o e 4o séculos ainda estão nos museus. Comparando com As Guerras Gaulesas de César dos anos 58-50 a.C; a história romana de Lívio nos anos 50 d.C.; a história de Tácito de 100 d.C não passam de 9 a 35 manuscritos. Não bastasse o número de manuscritos espalhados pelo mundo, há vários manuscritos de terceiros chamados de “Pais da Igreja”, lecionários e historiadores como Eusébio de Cesareia e Flávio Josefo do 1o século.

            Diante dessa enxurrada de testemunho, o humorista ateu ainda tenta zombar da pessoa de Jesus como se ele tivesse sido um mito ou apenas um homem comum. No entanto, se a razão for evocada nesses humoristas, com certeza, a pessoa de Jesus deve, no mínimo, ser considerada respeitosa diante dos seus escritos e da sua reivindicação como o Eterno Filho de Deus. 

            Fica evidente que ele e seus colegas tentam passar uma visão de um Cristo que quer falar a sua igreja atual que ele não é preconceituoso diante do que se coloca no contexto atual como o homossexualismo e o relacionamento aberto. Porém, no tempo Jesus Cristo, o homossexualismo era mais acentuado que nos tempos atuais. As festas ao deus Baco, deus do vinho, à Ártemis, à deusa Diana de Éfeso levavam a uma cultura completamente homossexual. Porém, Jesus Cristo jamais endossou esse comportamento. Ao contrário, Jesus ensinou o modelo da Criação: “Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher” (Mt 19.4). 

            Gregório fala dos 4 Evangelhos em um tom de ironia como se os escritos sinóticos fossem uma constatação de total inutilidade e, como conclusão, minar a sua autenticidade e importância. Gregorio não sabe e nem percebe que os 4 Evangelhos autenticam o testemunho um do outro porque autores diferentes escreveram em épocas diferentes, em lugares diferentes, com características diferentes. Isso autentica de forma exponencial mais ainda do que se fosse um só.

            No que diz respeito às contradições, Gregorio e seus colegas humoristas tentam passar, também, que são mais éticos e solidários que aqueles que propagam o cristianismo. Claro que há os exploradores e os “genéricos” em toda esfera social. Também, não se pode fechar os olhos aos exploradores da fé que se aproveitam dos débeis para entesourar patrimônios. Porém, facilmente se percebe que Gregorio e seus colegas não estão preocupados com a justiça social e com a ética humana. Primeiro, porque eles não têm nenhuma base para essa ética, já que são ateus. E isso se demonstra como uma constante entre ateus porque jamais houve um só prêmio Nobel da Paz a qualquer cético ou ateu no mundo, mas somente a teístas. Depois, jamais esses humoristas de esquerda lutaram pelas injustiças em países comunistas e socialistas que pessoas comem ratos, cães das ruas e juntam lixo para se alimentarem.

            Portanto, Gregorio Duvivier termina com uma frase obscena dada ao seu “Jesus” que, segundo ele, está em aramaico. Eu termino esse texto dizendo uma frase verdadeira de Jesus Cristo: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo” (Mt 12.36)

domingo, 6 de outubro de 2019

OS PARADIGMAS DIGITAIS, FELIPE NETO E SEUS PERIGOS: UMA ADVERTÊNCIA E ANÁLISE SOBRE A SUA ENTREVISTA NO ESTADÃO

    

       A sociedade sempre se pautou em paradigmas. Desde quando o homem passou a conviver em sociedade, ele sempre os buscou, seja para informação, seja para diversão e, mais perigoso, seja para modelos éticos.
Os primeiros a influenciar o mundo foram os gregos com seus modelos da poética, da Filosofia e da arte. Com a invenção da imprensa, obras poderosas de poetas e escritores começaram a ter profunda influência na sociedade. Logo depois, com o desenvolvimento da tecnologia, a televisão trouxe como paradigmas artistas e atores que, facilmente, posicionavam-se acerca de assuntos até fora de seu escopo epistemológico. No entanto, com o advento da tecnologia digital e das redes sociais, os paradigmas passaram a ser os chamados YouTubers ou “influenciadores digitais”. A partir daí, o perigo aumenta porque esses influenciadores trazem suas éticas e influências a adolescentes e crianças de uma forma perigosa.
Um dos youtubers que mais se destacam, nesse momento, e mais perigoso é chamado Felipe Neto. Ele tem mais de trinta e quatro milhões de inscritos em seu canal e é dono de empresas que gerenciam cinco mil canais. 
Felipe Neto tem sido alvo de muitas polêmicas e disputas com famosos a quem ele chama de “reacionários”. Ele se destacou, atualmente, com a polêmica de comprar quatorze mil livros com temas lgbt para distribuí-los na feira do livro no Rio de Janeiro.
É difícil mensurar a tamanha influência desse youtuber e dos perigos que ele representa à sociedade. Ele tem atraído jovens e crianças a seu canal com vários perigos à família brasileira, a ponto da psicóloga Marisa Lobo fazer um alerta aos pais sobre sua “péssima influência”
[https://www.opiniaocritica.com.br/noticia/638/psicologa-faz-alerta-aos-pais-sobre-o-youtuber-felipe-neto-qpessima-influenciaq].
Não é difícil perceber o quanto seu conteúdo é danoso a crianças e adolescentes. Para vermos alguns, apenas, Felipe Neto, por exemplo, faz um vídeo com sua namorada na famosa brincadeira que ele propaga “casa, mata ou trepa”. Nesse vídeo, ele fala nomes de personagens que a sua própria namorada escolheria para “casar, matar ou trepar” [https://youtu.be/vqW5ZDKB8CE]. Superficialmente, pode-se pensar que seria apenas uma brincadeira, mas para adolescentes e crianças, falar a alguém que “treparia” ou mataria traz muitas sugestões danosas, já que o sentido implica em relação sexual e agressão. Mais sério ainda, quando essa brincadeira é escrita para crianças em livros como demonstrados no site abaixo.
Em outro vídeo, Felipe Neto coloca o tema “coloquei Deus contra o diabo”. Nesse vídeo, ele joga um game em que Deus luta contra um dragão e ele fica afirmando “mata Deus, mata Deus, mata Deus”. [https://youtu.be/MOIwM1BJhSY] Alguém pode pensar que sua intenção seria apenas uma brincadeira de game, porém, como um influenciador a adolescentes e crianças, ele traz uma perspectiva de total irreverência à pessoa de Deus e à religião cristã. O próprio Felipe Neto demonstra que não simpatiza muito com o cristianismo e com a religião. Em uma entrevista ao jornal Estadão, Felipe Neto chega a afirmar que o problema do Brasil é o “movimento ultra-direita reacionário voltado para uma implementação de uma teocracia”. Em outra parte da entrevista, o repórter pergunta a ele se a “religião evangélica é uma ameaça à diversidade”. Ele afirma: 

“Se a religião se mantiver dentro do templo, da igreja, da Mesquita, da sinagoga, do terreiro, seja do que for, ela pode até representar problemas, mas ao menos estará limitada ao seu ambiente de livre manifestação religiosa. Agora, quando a religião decide se envolver com política, o resultado é sempre desastroso, porque busca o reacionarismo, a imposição e a opressão.” [https://brasil.estadao.com.br/blogs/inconsciente-coletivo/todos-os-algoritmos-levam-a-felipe-neto/]

Na minha opinião, essas declarações são gravíssimas porque ele coloca a religião como a raiz do problema da sociedade e do Brasil. Foi essa mentalidade que levou a ideologia comunista marxista a matar vários cristãos e judeus com base na famosa frase de Karl Marx, “a religião é o ópio do povo”. Foi essa mentalidade que Hitler teve para exterminar seis milhões de judeus por entender que judeus são o problema do desenvolvimento da raça ariana. Segundo a escritora Laurence Rees, no seu livro “O Holocausto: uma nova história”, ela traz uma carta de Hitler quando tinha trinta anos ao seu amigo Adolf Gemlich. Ela escreve no segundo parágrafo do primeiro capítulo de seu livro:

“Nessa carta, datada de 16 de setembro de 1919 e dirigida a um colega soldado chamado Adolf Gemlich, Hitler aponta de modo inequívoco quem ele julga responsável não só por sua difícil situação pessoal, mas pelo sofrimento de toda a nação alemã. “Existe, vivendo entre nós”, escreveu Hitler, “uma raça não alemã, estrangeira, que não se dispõe e não é capaz de abrir mão de suas características […] E que mesmo assim desfruta de todos os direitos políticos de que nós dispomos […] Tudo o que leva os homens a se esforçarem para obter coisas mais elevadas, como a religião, o socialismo ou a democracia, é para ele apenas um meio para um fim, para satisfazer sua cobiça por dinheiro e poder. Suas atividades produzem uma tuberculose racial entre as nações”.

Notemos as semelhanças com as palavras de Felipe Neto quando ele fala das religiões e de evangélicos. A diferença é apenas que Felipe Neto falou mais suave em relação a Hitler. No lugar de “tuberculose racial entre as nações”, ele a qualifica como “problemática e desastrosa”. Na verdade, Felipe Neto desconhece que as melhores universidades do mundo foram fundadas por religiosos que se intrometeram na política, que os países mais desenvolvidos como USA, Alemanha, Suíça e Reino Unido foram fundados por religiosos que se intrometeram na política. Claro que não se esperaria um analfabeto saber isso, mas, no mínimo deveria ter pesquisado, já que ele é apenas um estudante de internet.
Em um outro vídeo com o título “Felipe Neto vazou na net”, ele começa advertindo que é para maiores de treze anos e fala de seu “pinto” com maior naturalidade por causa de algumas fotos vazadas na internet. Nesse vídeo, ele fala de seu órgão sexual diante de risos e comentários de membros adolescentes de seu canal afirmando que “gostaram de ver” e de outros admirados das fotos vazadas na internet [https://youtu.be/TKmz8n_mUTc].
Independente de saber e entrar no detalhe de como essas fotos vazaram de alguém tão familiarizado com as redes sociais, está claro que esse vídeo está sendo visto por milhares de adolescentes e crianças que são facilmente familiarizadas com conteúdo impróprio e levadas à curiosidade sexual de seu “influenciador”. Rogério Betin, em seu canal traz uma descrição de como há vários vídeos de Felipe Neto bloqueados quando ele ativa o modo restrito. Ele é um dos que demonstram os perigos desse influenciador às famílias brasileiras. [https://youtu.be/8igM5JumnHc].
Segundo Felipe Neto, aqueles que aplaudiram o discurso de Bolsonaro na ONU e os 58 milhões que votaram em Bolsonaro vem de sintoma de “falta de educação e de uma mente intelectual tão mal formada que se torna presa fácil para o reacionarismo as teorias da conspiração”. Na verdade, Felipe Neto tenta se blindar diante de entrevistas e diante de seus membros analfabetos e incautos que todos aqueles que o criticam são “reacionários, ignorantes e homofóbicos”. Portanto, ele se esconde diante da defesa do movimento LGBT para buscar apoio de suas ideias e objetivos. 
Felipe Neto não tem nenhum estudo de graduação ou pós-graduação. Critica sempre Olavo de Carvalho por não ter formação nenhuma, mas ele mesmo é completamente analfabeto em compreensão, estudo e formação. Analfabetismo implica não somente deixar de ler palavras, mas deixar de perceber contradições e incoerências em discurso, o que se chama na educação, segundo Magda Soares, de “Letramento”. Felipe Neto é analfabeto por não compreender que ele mesmo está dentro de suas acusações a religiosos e extrema-direitistas chamando-os de reacionários. Ele não percebe que ele está sendo completamente reacionário, cheio de preconceito a religiosos e completamente injusto ao generalizar aqueles que votaram em Bolsonaro. Ele chega a afirmar nessa entrevista que ele não tem amigos bolsonaristas porque “ele costuma se cercar por pessoas racionais”. Ele chama o presidente Bolsonaro de “desse indivíduo” demonstrando um certo nojo e gloria-se de não ter qualquer pessoa a seu redor que seja seu fã. 
Independente da opção ideológica e independente se alguém concorda com o presidente Bolsonaro ou goste dele, precisa-se perceber a sua total contradição em criticar o reacionarismo de extrema-direita fazendo da mesma forma com desprezo ao presidente, às pessoas e à religião. 
Mais grave ainda é a mídia trazer uma entrevista com perguntas tão capciosas e com o tema tão sugestivo de que ele tenha razão, pois o tema é “Todos os algoritmos levam a Felipe Neto”. O Estadão coloca na boca de uma pessoa completamente despreparada, incauta, analfabeta, sem base moral, completamente desautorizada por alguns psicólogos e educadores para insinuar que ele tem razão. Alguém que tem, apenas, como currículo bobagens em um canal de youtube e que tem como feito social apenas uma compra de 14 mil livros lgbt para distribuição. Realmente, a nossa mídia está na UTI. Não somente a mídia, mas os paradigmas dessa mídia, uma mídia segundo Felipe Neto. 

terça-feira, 21 de maio de 2019

A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA NO GOVERNO BOLSONARO


            O presidente Bolsonaro, junto com seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, decidiram reduzir verbas para os cursos de Filosofia e Sociologia. Diante disso, houve uma discussão atípica no Brasil sobre o valor da Filosofia e da Sociologia. Talvez no Brasil ou no mundo não houve o momento mais necessário para demonstrar a importância da Filosofia como agora. 
            Muitos, aproveitando-se do momento, até fazem chacotas ou ironias afirmando que, se houvesse uma greve de filósofos, o Brasil pararia. O que se pôde notar, e até se percebe no governo Bolsonaro é a profunda falta de conhecimento do que venha a ser a Filosofia e a sua importância. Acham, na sua ignorância, que a Filosofia é somente para estudos acadêmicos e para a docência, não servindo para mais nada.
            Como se não bastasse a ignorância com respeito à importância da Filosofia, as Ciências Humanas foram denegridas pela influência do professor de filosofia Olavo de Carvalho. Ele tem falado a seus alunos, sendo os filhos de Bolsonaro incluídos entre eles, que as universidades humanas estão cheias de analfabetos funcionais, que ele escolheu não estudar nessas universidades porque viu que ele não aprenderia nada com os professores e que as universidades de humanas não têm muita importância no Brasil, e que não há, no Brasil, nenhum filósofo ou nenhuma obra filosófica reconhecida. Para dificultar mais ainda, há os exageros de feministas e alunos que demonstram com nudez suas ideologias nos pátios das universidades de Humanas. 
            Não precisa ter uma mente muito crítica para perceber que isso é falso e perigoso. Falso em afirmar que a maioria dos estudantes é analfabeta funcional sem nenhuma pesquisa científica séria que se embase e que é totalmente inconcebível que estudantes universitários que escrevam ou defendam seus trabalhos de fim de curso sejam analfabetos. É mais fácil relacionar analfabetismo a quem nunca cursou uma universidade, ou nunca apresentou seu trabalho para ser analisado por seus pares em uma banca de avaliação. Depois, quando se generaliza que as universidades de humanas são inoperantes por causa de abusos de alguns estudantes, cai-se no mesmo erro da esquerda em atribuir à polícia erros dos que se envolvem em milícias e no crime organizado. 
Mais sério ainda é que um professor autodidata com ideologias místicas, com uma linguagem carregada de palavras de baixo calão e que nunca entrou em uma universidade seja um consultor do presidente da república na área da educação, embora que ele negue. A consequência é o que se espera: escolhas de ministros da educação sem preparo, cortes nas áreas de pesquisa das universidades, bem como a redução de verbas nos cursos de Filosofia e Sociologia. Diante desse cenário fatídico, adoradores de Olavo de Carvalho e militantes da direita tentam passar panos quentes aceitando qualquer decisão sem uma crítica devida. Não percebem, inclusive, que há uma crucial contradição quando minimizam o valor da Filosofia e, ao mesmo tempo, reconhecem Olavo de Carvalho como filósofo e ideólogo, e como aquele que ajudou eleger Bolsonaro por suas ideias.
Para falar da importância da Filosofia, precisa-se de conceituá-la primeiro. A etimologia da palavra vem de duas palavras gregas: φίλος σοφίαΦίλος é uma das palavras que significa “amor”, “amizade”; já σοφία significa sabedoria, uma inteligência aplicada. Os gregos tinham, nesse conceito, a profunda admiração pela sabedoria vinda do λόγος, pois somente o λόγος poderia manifestar a σοφία. Devido a σοφία ser manifestada, ela precisava ser admirada nos areópagos onde se questionava sobre grandes questões existenciais e científicas. Por isso, a filosofia passou a ser a razão de grandes pesquisas científicas desde o tempo de Aristóteles, pois ele foi responsável por pesquisas de observação de organismos vivos. Para ele, “o conhecimento científico consistia em intuir a forma e resumi-la numa definição concisa e lógica” (PEARCEY; THAXTON, 2005, p. 69). Nota-se, portanto, que, desde cedo, a Filosofia determinava a pesquisa científica.
            No séc. XX, o filósofo que mais influenciou a Ciência foi o austríaco Karl Popper. A sua pesquisa filosófica na área da filosofia da Ciência foi tão relevante e importante que fez Albert Einstein escrever uma carta a ele explicando sua teoria dentro do seu postulado. Einstein escreveu:

Li seu trabalho e, de modo geral (weitgehend), concordo. Só não admito a possibilidade de produzir um “exemplo superpuro” que nos permitisse prever a posição e o momento (cor) de um fóton, com precisão “inadmissível”. [...]

Não me agrada absolutamente a tendência “positivista”, ora em moda (modische), de apego ao observável. Considero trivial dizer que, no âmbito das magnitudes atômicas, são impossíveis predições com qualquer grau desejado de precisão, e penso (como o senhor, aliás) que a teoria não pode ser fabricada a partir de resultados de observação, mas há de ser inventada. (POPPER, 2007, p. 525)

            Nota-se que Einstein aceita com profunda importância as teorias de Popper, mesmo discordando de alguns detalhes pelos quais Popper tenta explicar em sua obra sobre a Lógica da Pesquisa Científica. Demonstra-se que a Filosofia de Popper estava trazendo referenciais às grandes teorias científicas para distingui-las dos dogmas e do que o próprio Popper ensinou chamando de “Psicologismo”.
            A Ciência precisa da Filosofia para defini-la e para “demarcá-la”, usando as palavras de Karl Popper. A própria Ciência não define a si mesma, pois isso é tarefa da Filosofia. Popper, em seu livro, tenta demonstrar princípios para “submeter criticamente à prova as teorias e de selecioná-las conforme os resultados obtidos” (POPPER, 2007, p. 33). Logo, Karl Popper tenta definir uma teoria como legítima para que seja científica tendo uma demarcação lógica.
            Einstein não foi o único a entender que a Filosofia é essencial a qualquer pesquisa ou teoria científica. Cientistas dos Estados Unidos e da Europa costumam ter algum título em Filosofia devido à sua importância na análise de sua demarcação nas universidades do exterior. Geralmente, eles fazem mestrado em Filosofia da Ciência ou fazem estudos filosóficos na área que pesquisam. Não é raro ver estudos em Filosofia nos currículos de professores da Universidade de Oxford, Cambridge, Harvard, Princeton e outras.
            Portanto, a Filosofia define a Ciência, como também eleva qualquer debate a uma profunda reflexão. Pela própria essência da Filosofia em ser abstrata e questionadora, jamais se poderá fechar questões ou ter ideologias dogmáticas e únicas porque sua função é pensar o método para a prática científica. Aqueles que não entendem assim jamais entenderam o que seja a Filosofia e devem ser questionados se, de fato, estão trazendo questões filosóficas ou dogmáticas. A própria religião exige um pensar filosófico para debater temas que envolvam o mundo e o ser. Por isso, quase todos os filósofos, senão, todos, pensaram em temas como Deus, sentido da vida, a morte. Isso demonstra que a Filosofia traz questões e conceitos fundamentais que a sociedade precisa debater e refletir.
            A Filosofia cumpre o papel partindo mesmo de sua etimologia. Ela ajuda a pensar e demonstrar caminhos para que sejam concretizados nas várias ciências, na Matemática e na vida em geral. Eliminar a Filosofia é deixar vago o maior atributo do ser humano, que é a reflexão e o pensar, autenticando-o como falou René Descastes: “cogito, ergo sum”.


REFERÊNCIAS

PEARCEY, Nancy R.; THAXTON, Charles B. A Alma da Ciência: fé cristã e Filosofia Natural.São Paulo: Cultura Cristã, 2005.

POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 2007.








sábado, 12 de setembro de 2015

O HOMO NALEDI: O CALCANHAR DE AQUILES DA CIÊNCIA




Dois temas têm sido o calcanhar de Aquiles da Ciência. O primeiro é quando se refere à Biogênese. Quando a Ciência começa a especular com teorias mirabolantes de como a vida começou apenas vindo de forças naturais. O segundo tema é exatamente quando se trata de Hominídeos.

Talvez, não se tenha descoberto mais fraudes na ciência do que nas descobertas dos hominídeos. Um dos exemplos disso é o fóssil achado em 1975, e ainda inserido nos livros didáticos, chamado de Lucy. Segundo os cientistas que o descobriram, esse fóssil deveria ser considerado a “primeira família de Hominídeos” e considerado como uma das grandes descobertas da Ciência. A partir disso, foi feito uma reconstituição por computador de como seria o rosto de Lucy. Apesar de muitos cientistas discordarem da conclusão como dois cientistas anatomistas da Universidade de Nova Yorque, Jack T. Stern e Ronald Susman, que afirmavam que não eram hominídeos, mesmo assim, continuaram afirmando que era a grande descoberta da Ciência.

Em 1999, a revista científica Francesa Science & Vie publicou um artigo com o nome Adieu, Lucy (Adeus, Lucy) onde afirmava que Lucy não passava de um fóssil de símio. Porém, mesmo assim, os livros didáticos de Biologia ainda insistem em colocar o fóssil de Lucy como prova da evolução do homem (veja mais detalhadamente em meu livro: Design Inteligente: a metodologia de convergência das Ciências sob a ótica da criação – editora Reflexão).

Outro exemplo foi Reiner Rudolph Robert Protsch, professor de Antropologia da universidade de Frankfurt que foi demitido em 2004. Ele falsificou fósseis afirmando que tinha descoberto um elo entre o Homo Sapiens e Homo Neanderthal. Essa fraude abalou todas as descobertas do chamado Homo Neanderthal a ponto do arqueólogo Thomas Terberger fazer a seguinte declaração: “A antropologia terá que revisar completamente sua visão do homem moderno de 40.000 a 10.000 anos atrás” (veja melhor em meu livro)

O motivo de tantas fraudes é exatamente porque as descobertas dos chamados hominídeos dependem apenas de interpretação daqueles que acham os fósseis. Basta encontrar um fóssil de um dente diferente para interpretarem imediatamente que era de um hominídeo como foi o caso do Homem de Nebraska e que não passava de um dente de porco. Vejamos o abstract do artigo do Homo Naledi:

Homo Naledi é uma espécie previamente desconhecida de hominídeo extinto, descoberto dentro da Dinaledi Chamber do sistema de cavernas Rising Star, Berço da Humanidade, África do Sul. Esta espécie é caracterizada pela massa corporal e estatura semelhante a pequenos corpos de populações humanas, mas um pequeno volume endocranial semelhante ao Australopithecos. Morfologia craniana do H. Naledi é única, mas é muito semelhante à espécie Homo Erectus, incluindo os primeiros Homo, o Homo Habilis ou Homo Rudolfensis. Embora primitivo, a dentição é geralmente pequena e simples na morfologia oclusal. H. Naledi tem adaptações de manipulação humanóides da mão e do pulso. Ele também exibe um pé humanóide e membro inferior. Estes aspectos humanoides são contrastados no postcrania com mais uma primitiva ou aparência de tronco de Australopitecos, ombro, pelve e fêmur proximal. Representando pelo menos 15 indivíduos com a maioria dos elementos esqueléticos repetidas várias vezes. Esta é a maior reunião de uma única espécie de hominídeos já descobertos na África .

Notemos que o abstract interpreta a partir de ossos encontrados de humanos do que eles chamam “pequenos corpos de populações humanas” incluindo pés, mãos e membros inferiores, com outros encontrados do que eles interpretaram de “morfologia craniana única”. Todos os achados de hominídeos são interpretados dessa forma: acham ossos de membros parecidos com humanos, calota craniana macacoide e maxilar humano, então, montam para formar um novo Homo.

Vejamos ainda o que afirma o artigo:

Nós não definimos H. Naledi estritamente com base em uma única mandíbula ou no crânio, porque todo o corpo do material tem nos ajudado a entender a sua biologia.

Percebam que as pesquisas são completamente distantes de qualquer falseabilidade, já que não se tem nenhum outro fóssil indubitável do que chamam de hominídeo Naledi ou próximo dele para comparar se, de fato, são essa espécie. Por isso, são chamados de “únicos”. Portanto, esse artigo e conclusão não passam de uma Tautologia como afirmava Karl Popper. Assim está na introdução do artigo:

A coleta é uma amostra morfologicamente homogênea que não pode ser atribuída a nenhuma espécie de hominídeo anteriormente conhecida. Aqui nós descrevemos esta nova espécie, Homo Naledi.

Notem que as conclusões são completamente indutivas e interpretativas sem nenhuma chance de qualquer falseabilidade. Para Karl Popper, esse achado seria apenas uma declaração de fé em interpretar que esses ossos poderiam ser de seres macacoides vindos de uma só ancestralidade comum. O que se pode notar é que não tem como analisar e acompanhar através de algo que possa falseá-los com observação crítica.

Portanto, em outras palavras, essa descoberta não passa de uma interpretação com base, apenas, em pressupostos indutivos. Então, até que se traga um método confiável científico que seja falseável, não se deve confiar em descobertas científicas que apontem para hominídeos. A Lucy, o Homem de Piltdown e o homem de Nebraska agradecem.


quarta-feira, 15 de julho de 2015

COISAS QUE EDIR MACEDO E ALGUMAS IGREJAS DO GÊNERO JAMAIS GOSTARIAM QUE VOCÊ SOUBESSE







1. Existem muitas pessoas que estão há muito tempo no "Templo de Salomão" e nessas igrejas que jamais receberam os seus pedidos ou mudaram de situação financeira.

Veja essa reportagem


2. Os testemunhos são editados e escolhidos para que só apareçam aqueles que se enquadrem nas suas doutrinas errôneas ou para não espantar os ouvintes iniciantes com o seu materialismo.

Veja um exemplo gravado recentemente na TV 


3. As bênçãos de Deus jamais estão condicionadas a um lugar ou a qualquer ação humana (Efésios 1.3; Gálatas 3.13-14) .


4. Deus ouve a oração. Isso é bíblico, mas existe também a graça comum, ou seja, a ação de Deus na vida de pessoas mesmo que não creiam nem que peçam alguma coisa a Deus. Portanto, a gratidão não será a uma igreja nem porque foi a determinado lugar, ou porque fez algum ritual, ou porque deu alguma oferta, mas somente porque Deus assim quis fazer (Mateus 5.45; Hebreus 6.7; Tiago 1.17). A prova disso é que existem muitas pessoas nessas igrejas que participam do mesmo culto e das mesmas campanhas que não recebem seus pedidos e não acontece nada do que pedem.


5. Existem muitas pessoas que jamais acreditaram em Deus e estão muito bem de vida na sociedade e na família. Portanto, condição financeira ou estabilidade social e familiar jamais significam bênção, porém, a grande bênção de Deus é a reconciliação com ele em Cristo Jesus com humildade.


6. Deus nem sempre dirá sim às petições de alguém. Portanto, quando algum pastor convidar dizendo que tem certeza que Deus vai responder os pedidos de oração de alguém, ele fará uma propaganda enganosa (Tiago 4.13-17).


7. O copo d'água depois da oração não tem valor nenhum porque a nossa fé deve estar firme na obra de Cristo e não porque tomamos água. Por isso que falamos: "em nome de Jesus" (João 14.13-14).


8. Podem existir verdadeiras mudanças de vida em vários aspectos nessas igrejas, mas isso jamais seria por causa de algum ritual ou por que se deu alguma oferta, porém, porque Deus em sua misericórdia age na vida dessas pessoas pelo poder de sua Palavra quando creem. Da mesma forma que existem outras pessoas com as quais isso não acontece (João 3.8).

9. O problema de ação de espíritos e demônios não se resolve somente com um culto, uma oração, ofertas ou rituais de exorcismo, mas com a conversão, pois a Bíblia somente dá garantia desse livramento quando há conversão genuína (Efésios 2.1-2).


10. Os demônios também podem enganar através de um falso ensino que misture verdade com mentira e que desvie a glória de Cristo. Portanto, nem toda igreja e nem todo aquele que fala de Cristo, faça milagres ou expulse demônios é, realmente, de Cristo (Mateus 7.15-23).

domingo, 31 de maio de 2015

EM DEFESA DA EXPIAÇÃO LIMITADA E UMA REFUTAÇÃO AO TEXTO DE ZWINGLIO RODRIGUES – ANÁLISE DE 1 JOÃO 2.2 E 1 TIMÓTEO 2.4




As controvérsias teológicas são importantes porque elas nos fazem ver os lados obscuros que determinado teólogo não demonstrou. Seja por falta de conhecimento, que, nesse caso, seriam de Hermenêutica e Exegese, seja por desonestidade intelectual vindo de uma defesa apaixonada por determinado assunto, seja por não querer se aprofundar no outro lado da questão.
O texto da revista Obreiro Aprovado, ano 36, nº 68 de autoria do Pr. Silas Daniel trouxe uma resposta do renomado teólogo batista Franklin Ferreira demonstrando as falhas históricas, teológicas e exegéticas desse autor (veja aqui).
Como resposta ao teólogo Franklin Ferreira, um teólogo arminiano chamado Zwinglio Rodrigues, cujo blog dedica-se a escrever e defender essa doutrina, tenta refutá-lo com o tema “Comentários e respostas à crítica de Franklin Ferreira ao artigo ‘Em Defesa do Arminianismo”.
A resposta do teólogo no blog me causou admiração por vários motivos. Primeiro, pela frase de Tomás de Aquino no blog ao lado: “Para mim, tudo que escrevi parece palha”. Na verdade, essa frase me livrou de dar algum parecer sobre o seu texto, senão, de apenas concordar com essa frase no seu blog.
Depois, admirei-me também pela falta de referências, sendo que estava trazendo uma refutação histórica, teológica e exegética a uma refutação de um teólogo. O que impressiona mais ainda é que o autor se justifica por afirmar que o seu texto era apenas informal. No entanto, não se trata de formalidade ou informalidade, mas de credibilidade das citações, mesmo que sejam informais. O próprio Franklin Ferreira, apesar de ter postado em seu Facebook, não deixou de colocar referências, mesmo de uma maneira informal. Demonstra-se, com isso, que o autor tem uma debilidade muito grande em perceber esse aspecto.
O outro motivo que me impressionou foi o simplismo e a superficialidade dos argumentos exegéticos desse autor (com todo respeito). O autor critica a frase de Franklim Ferreira que afirmou: “exegese, exegese e mais exegese” e, pareceu-me, que o autor, com isso, quis mostrar que ele, sim, a partir daquele texto, faria uma exegese. Ele escreve:

Ferreira crítica Daniel por apresentar textos-prova para suas afirmações e não oferecer nenhuma discussão léxical e/ou exegética. Não vou entrar no mérito da reprimenda. Mas, entendendo (acredito que Daniel também) a importância de uma abordagem exegética dos textos bíblicos, conforme destaca Ferreira. Por isso, desejo apresentar aqui duas referências bíblicas pinçadas do artigo de Daniel que atestam a doutrina da expiação ilimitada, uma doutrina cara ao arminianismo clássico.


Tais escrituras não serão dadas apenas como textos dos quais se presume a expiação ilimitada, mas sofrerão uma análise exegética e lexical.

O autor citou dois textos-chave para a doutrina arminiana que nega a expiação limitada. Com isso, ele deu a entender que a partir daquele momento iria fazer uma exegese começando por 1 Timóteo 2.4. Porém, parece que o autor não sabe o que é exegese, pois, para a sua exegese de 1 Timóteo 2.4, ele simplesmente cita a opinião de Charles Spurgeon. Isso mesmo: apenas a opinião de Spurgeon. Se ele trouxesse a exegese de Spurgeon, seria mais compreensivo. No entanto, o autor traz apenas a sua opinião.
Esse tipo de argumento faz parte de uma falácia chamada “falácia da autoridade”. Essa falácia demonstra que o argumento está apenas baseado na opinião de uma autoridade e nenhum argumento lógico é desenvolvido para demonstrar o contrário.
A base exegética de Spurgeon do texto é apenas superficial da expressão “todos os homens” sem nenhuma exegese do texto em questão e o autor Zwinglio apenas o reproduz sem desenvolver absolutamente nada e sem dar nenhuma referência.
No entanto, o problema da falácia da autoridade é que, se o autor se baseia apenas na autoridade da pessoa que usou como base, ele também deve aceitar outras afirmações do mesmo autor, já que ele o tem como base de argumento, inclusive da mesma área que é a Soteriologia. Então, vamos ver o que Charles Spurgeon pregou e escreveu sobre o assunto. Afinal de contas se Spurgeon está certo na sua interpretação de 1Tm 2.4, por que não estaria nas demais, já que não houve argumento por parte do autor? Vejamos o que Spurgeon pregava e escrevia, pois esses textos vêm de suas pregações.

1. Sobre o livre-arbítrio:

Já foi provado além de toda controvérsia que o livre-arbítrio é uma tolice. A liberdade não pode pertencer ao arbítrio como a ponderação não pode pertencer à eletricidade. Podemos crer em um agente livre, porém, o livre-arbítrio é simplesmente ridículo. É bem conhecido de todos que a vontade é dirigida pelo entendimento, movida por motivos, conduzida por outros componentes da alma e considerada como algo secundário.


Tanto a filosofia como a religião descartam de uma vez a ideia de livre-arbítrio: e eu vou tão longe quanto Martinho Lutero, em sua forte afirmação, onde ele diz: “se algum homem, de alguma maneira, atribuir a salvação ao livre-arbítrio do homem – mesmo a ínfima parte – nada sabe sobre a graça e não conheceu Jesus Cristo corretamente” (SPURGEON, 1994, p. 1-2).

2. Sobre a Eleição e predestinação:

Spurgeon cita e concorda com a antiga confissão Batista:

Abro agora este antigo livro, e encontro o seguinte terceiro artigo:


“Por decreto de Deus, tendo em vista a manifestação de sua glória, alguns homens e anjos foram predestinados ou ordenados de antemão para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, para o louvor de sua gloriosa graça; e, quanto aos demais, foi-lhes permitido continuarem em seus pecados, tendo em vista a sua justa condenação, para o louvor da gloriosa justiça divina. Esses anjos e homens, assim predestinados ordenados com antecedência, foram particular e imutavelmente designados, e o seu número foi determinado de maneira tão certa e definida com esse total não pode ser nem aumentado e nem diminuído. No caso daqueles membros da humanidade que foram predestinados para a vida, Deus, antes de serem lançados os fundamentos do mundo e conformidade com o seu eterno e imutável propósito, bem como de acordo com o secreto conselho e beneplácito de sua vontade, escolheu em Cristo, para a glória eterna e com base em sua pura graça gratuita e em seu amor, sem que houvesse qualquer outra consideração na criatura como condição ou causa que OU tivesse impelido a isso, aqueles a quem assim o quis”.


Não obstante, no que concerne a esses testemunhos humanos autoritativos, não me importa sequer com eles. Não me interessa o que esses testemunhos afirmam em favor ou contra a doutrina da eleição. Tão somente lancei mão deles como uma espécie de confirmação para a vossa fé, afim de mostrar a vocês que, embora eu possa ser acusado de um herege ou de um hipercalvinista, em última análise, o testemunho mesmo da antiguidade está me prestando o seu apoio (SPURGEON, 1994, P. 8-9).

3. Sobre a perseverança dos santos

Demais disso, quero que vocês se lembrem que hoje somos vistos por Deus da mesma maneira como sempre éramos vistos. Ele já nos viu desde o princípio, sujeitos ao pecados, caídos e depravados, e mesmo assim prometeu fazer-nos o bem.


Ele me viu arruinado pela queda,
No entanto, me amou, apesar de tudo.

E se hoje sou pecaminoso, se hoje preciso gemer por causa da minha natureza maligna, simplesmente estou onde eu estava quando ele me escolheu, e me chamou, e me redimiu pelo sangue de seu Filho. “porque Cristo, quando ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5.6). Éramos objetos não-merecedores da sua misericórdia a qual ele nos outorgou somente pelo motivo que estava dentro de sua própria natureza; e se continuarmos não merecendo, segue se que sua graça continua sendo a mesma. Se for assim, que ele ainda lida conosco através da graça, fica evidente que ainda nos vê como não-merecedores. E porque ele não iria fazer o bem a nós conforme fez de início? Certamente, se a fonte é a mesma, a corrente continuará fluir. (SPURGEON, 1994, p. 12-13)

Esses textos de Spurgeon expostos são para demonstrar, apenas, que ele é uma das pessoas que um Arminiano jamais deveria fazer referência para defender o Arminianismo, e muito menos usando a falácia da autoridade baseado nele.
No entanto, a última palavra nunca será do homem, mas será sempre da Escritura. Da mesma forma que, antes de Spurgeon, Calvino já defendia nas suas Institutas que o “todos os homens” de 1Tm 2.4 se referia a grupos de homens como no contexto do verso primeiro (Institutas, Livro III, p. 442). Portanto, precisamos analisar as Escrituras dando motivos exegéticos e lógicos por que eles estariam certos e não somente devemos nos basear em seus argumentos.

Interpretação de 1Timóteo 2.4

1 Timothy 2:4   o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

ος παντας ανθρωπους θελει σωθηναι και εις επιγνωσιν αληθειας ελθειν

Calvino usa uma lógica exegética perfeita, pois a expressão παντας ανθρωπους traduzida para “todos os homens” deve ser interpretada dentro do mesmo contexto que o verso primeiro:

1 Timothy 2:1-2  Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens,  2 em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito.
παρακαλω ουν πρωτον παντων ποιεισθαι δεησεις προσευχας εντευξεις ευχαριστιας υπερ παντων ανθρωπων

Paulo exorta que façam súplicas e orações por todos os homens υπερ παντων ανθρωπων. Com certeza, esse “todos os homens” não se refere cada homem da face da terra, pois seria uma ordenança impossível. O sentido é que a Igreja ore também pelos reis e aqueles que estão investidos de autoridades (v.2). O que Paulo está ordenando é que a igreja se dedicasse a orar pelos imperadores e reis que eram ímpios, inclusive sendo a causa da prisão de Paulo cuja prisão veio pela ordem destes governantes.
O que Paulo afirma no verso quatro é a conclusão que vinha defendendo nos versos anteriores que Deus quer que todos os homens sejam salvos, ou seja, todas as classes, incluindo reis, imperadores, escravos, homens mulheres, crianças, pois os judeus faziam acepção de pessoas influenciando a igreja no primeiro século.

Galatians 3:28-29  28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.  29 E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.

1 Peter 1:17  17 Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação,

Portanto, Calvino está com razão em fazer a sua exegese diante da análise acima demonstrada.

Com respeito ao segundo texto, o autor seguiu alguns passos exegéticos e, por isso, eu me dedicarei mais a esse texto. Primeiro porque ele é um texto de difícil interpretação que exigirá um conhecimento mais exegético. Depois, pretendo demonstrar que a análise do autor Zwinglio do texto de 1Jo 2.2 está cheia de dificuldades exegéticas.

Análise da palavra ὅλου

A palavra ὅλος quer dizer “inteiro, completo, todo”. O autor está correto em citar os eruditos que traduzem essa palavra. No entanto, essa palavra, assim como os pronomes indefinidos “todo, tudo”, deve ser interpretada segundo o seu contexto, pois, caso contrário, pode-se ter uma grande distorção.
Por exemplo:

Acts 10:22  22 Então, disseram: O centurião Cornélio, homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica, foi instruído por um santo anjo para chamar-te a sua casa e ouvir as tuas palavras.

οι δε ειπον κορνηλιος εκατονταρχης ανηρ δικαιος και φοβουμενος τον θεον μαρτυρουμενος τε υπο ολου του εθνους των ιουδαιων εχρηματισθη υπο αγγελου αγιου μεταπεμψασθαι σε εις τον οικον αυτου και ακουσαι ρηματα παρα σου

Lucas usa o mesmo adjetivo ὅλου que a RA traduziu como “toda a nação judaica” - υπο ὅλου του εθνους των ιουδαιων εχρηματισθη
Ninguém, em uma sã consciência, iria entender que Lucas estivesse afirmando que toda a nação de Israel incluindo cada pessoa que habitava na região de Israel e em todos os tempos conheciam Cornélio. Isso seria um absurdo! No entanto, o texto deixa claro que ele era conhecido por toda ὅλου a nação de judeus. Pelo contexto, deve-se entender que Cornélio era conhecido pelos judeus da sua região, pois o próprio Pedro seria excluído desse adjetivo porque ele não o conhecia.
Depois, o autor Zwinglio usa o texto de 1Jo 5.19 para defender que a interpretação de “mundo inteiro” significa cada pessoa do mundo e não somente os eleitos.

1 John 5:19  19 Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

οιδαμεν οτι εκ του θεου εσμεν και ο κοσμος ολος εν τω πονηρω κειται

O autor usou um princípio hermenêutico correto, pois ele buscou a análise da palavra no mesmo livro, citando a base disso o Rev. Augustus Nicodemus que é uma autoridade em Hermenêutica.
No entanto, dificilmente o Dr. Augustus Nicodemus concordaria com a sua análise no verso em si. O autor acertou no princípio de interpretação, mas errou em outros no próprio verso.
Primeiro, o autor acertou em demonstrar que a expressão ο κοσμος ὅλος se refere a pessoas e não ao sistema maligno. Pode-se perceber isso pelo contexto do verso 18 que está falando de pessoas, daqueles que não vivem pecando e que guardam a si mesmo, e o Maligno não lhe toca. Portanto, está correta a interpretação que se refere a pessoas.
No entanto, se o autor interpretar a expressão ο κοσμος ολος como incluindo todas as pessoas sem exceção, o autor tem que admitir que ele mesmo jaz no maligno, ou seja, ele está nas mãos do maligno, pois segundo a sua interpretação, a expressão precisa ter o mesmo significado que 1Jo 2.2. Caso contrário, a sua citação e argumentação não tem sentido.
Precisamos notar que autor não usou o princípio Hermenêutico que ele mesmo defende para a sua análise de 1Jo 5.19, pois fica claro que a expressão ο κοσμος ολος se refere somente aos incrédulos, pois João, no verso 18, afirma que o Maligno não os toca e ele começa o verso 19 afirmando “sabemos que somos de Deus” οιδαμεν οτι εκ του θεου εσμεν. Essa expressão tem a preposição εκ que significa “sair” demonstrando que se refere àqueles que nasceram de Deus, porém, o mundo, ou seja, os incrédulos estão nas mãos do Maligno.
Portanto, a análise do autor de que a expressão ολου του κοσμου significa todas as pessoas sem exceção é completamente deficiente e digna de total rejeição pelos motivos hermenêuticos e exegéticos apresentados acima.
Mas afinal de contas, o que João queria falar no verso e o que significa a expressão ολου του κοσμου?

A Interpretação de 1 João 2.2

και αυτος ιλασμος εστιν περι των αμαρτιων ημων ου περι των ημετερων δε μονον αλλα και περι ολου του κοσμου

Primeiro, precisamos analisar o que significa a palavra grega ἱλασμος traduzida para “propiciação”. No VT, na tradução da LXX, essa palavra referia-se ao perdão usando um sacrifício de um animal no lugar do pecador. No entanto, era somente para Israel e não para todas as nações.

Leviticus 25:2  2 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra, que vos dou, então, a terra guardará um sábado ao SENHOR.
Leviticus 25:9   9 Então, no mês sétimo, aos dez do mês, farás passar a trombeta vibrante; no Dia da Expiação, fareis passar a trombeta por toda a vossa terra.

Com respeito à palavra derivada, ἱλαστηριον, traduzida para “propiciatório”, o lugar onde era feito a propiciação, e usada como a tampa da arca onde ficavam os querubins entre os quais o Senhor falava com Moisés, referindo-se também para Cristo, demonstrava-se que era somente para os Filhos de Israel e não para todas as pessoas.

Exodus 25:22   22 Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.

O apóstolo aos Hebreus desenvolve de uma forma mais clara quando escreve aplicando somente à Igreja:

Hebrews 9:5-6  5 e sobre ela, os querubins de glória, que, com a sua sombra, cobriam o propiciatório (ἱλαστηριον). Dessas coisas, todavia, não falaremos, agora, pormenorizadamente.  6 Ora, depois de tudo isto assim preparado, continuamente entram no primeiro tabernáculo os sacerdotes, para realizar os serviços sagrados;
Hebrews 9:14-15  14 muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!  15 Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.

O apóstolo deixa bem claro que a promessa da remissão no contexto da propiciação e da expiação em Cristo Jesus que é o “Mediador da Nova Aliança” διαθηκης καινης μεσιτης e o propiciatório e propiciação (Rm 3.25) é somente para “aqueles que têm sido chamados” οι κεκλημενοι της αιωνιου κληρονομιας.
O apóstolo usa o verbo grego καλεω / “chamar” no particípio perfeito passivo para demonstrar mais ainda a força do seu argumento da escolha soberana de Deus.

O contexto da Epístola

Antes de analisarmos o contexto imediato do texto falado. É necessário saber o contexto histórico no qual a epístola foi escrita para entendermos porque João fez algumas exortações, inclusive o verso 2 do capítulo 2.
João estava escrevendo a sua epístola defendendo contra os falsos mestres gnósticos que afirmavam que a salvação vinha de um conhecimento oculto que era revelado somente aos poucos iniciados. Eles negavam a encarnação de Cristo, pois diziam que a matéria era má e a carne era pecaminosa. Por causa disso, os mestres com influência gnóstica que entraram na igreja pregavam que a salvação era somente aos poucos iniciados na igreja e não a todos os grupos em todos os lugares, sendo somente a um grupo fechado.
John Stott, em seu comentário sobre a primeira epístola de João quando fala sobre o gnosticismo escreve:

Uma terceira característica dos gnósticos, Cerinto sem dúvida incluído, parece que era a sua falta de amor. Pretendendo constituir uma aristocracia espiritual dos iluminados que, só eles tinham vindo a conhecer “as profundezas”. Desprezavam a carreira comum dos cristãos. João golpeia essa perigosa maneira de ver afirmando que não existem duas categorias de cristãos, os iluminados e os não, pois Deus é luz continuadamente se revelando a todos [os cristãos](ênfase minha). (STOTT, 1985, P. 43)

Simon Kistemaker, em seu comentário de primeira João, também demonstra essa perspectiva histórica quando fala do gnosticismo. Ele escreve:

Em primeiro lugar, os gnósticos exaltavam a aquisição de conhecimento, pois, a seu ver, o conhecimento era o fim de todas as coisas. Por causa de seu conhecimento, tinham uma compreensão diferente das Escrituras, e, por causa dessa compreensão, separavam-se dos cristãos que não haviam sido iniciados. (KISTEMAKER, 2006, p. 285)

Nesse contexto é que entendemos a advertência de João que não seria somente aos cristãos da igreja, mas a todos os demais que Deus chamasse como o autor aos Hebreus escreveu (Hb 9.15).

Contexto Imediato (1Jo 2.1-2)

τεκνια μου ταυτα γραφω υμιν ινα μη αμαρτητε και εαν τις αμαρτη παρακλητον εχομεν προς τον πατερα ιησουν χριστον δικαιον
 και αυτος ιλασμος εστιν περι των αμαρτιων ημων ου περι των ημετερων δε μονον αλλα και περι ολου του κοσμου

Precisamos Analisar que o verso 2 vem do contexto e da lógica do verso primeiro, pois começa com a conjunção coordenada και demonstrando que os versos estão ligados e coordenados. João começa explicando do verso primeiro o seu objetivo que era trazer uma profunda sensibilidade ao pecado, pois os verbos ἁμαρτανω estão no aoristo. Essa sensibilidade deve nos trazer uma profunda consciência de um advogado perante o Pai que é Jesus Cristo, o Justo - παρακλητον εχομεν προς τον πατερα ιησουν χριστον δικαιον.
Nenhum arminiano se aventuraria a dizer que esse “nós temos um advogado perante o Pai” incluiria incrédulos. Portanto, pelo contexto do verso primeiro, João continua seu argumento falando apenas da igreja para afirmar que esse Jesus é a propiciação não somente dos “iniciados” como os mestres gnósticos ensinavam, porém, ele é a propiciação da igreja, composta de gentios e judeus, como também todos os eleitos que ainda iriam crer em Cristo.
Por isso, João escreve de uma forma semelhante e mais detalhada:

1 John 4:10   10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

εν τουτω εστιν η αγαπη ουχ οτι ημεις ηγαπησαμεν τον θεον αλλ οτι αυτος ηγαπησεν ημας και απεστειλεν τον υιον αυτου ιλασμον περι των αμαρτιων ημων

Dessa vez, João especifica somente a Igreja, pois ele afirma sempre os pronomes na primeira pessoa do plural demonstrando que se referia somente a ela. Ele amou a sua igreja enviando seu Filho como propiciação com respeito aos “nossos pecados” - περι των αμαρτιων ημων.

Conclusão

Precisamos perceber que esses versos não são nenhuma ponte intransponível à doutrina da Expiação Limitada, demonstrada pelos apóstolos e reformadores. Ao contrário, eles se completam em demonstrar que a eleição não se limita a um grupo, nem aos “iniciados”, mas a todos a quem nosso Deus chamar (At 2.39). Por isso, meu objetivo foi exatamente demonstrar que As Escrituras demonstram que a expiação limitada é mais aceitável dentro de uma exegese e Hermenêutica que levem em conta todos os seus aspectos.
Não tive a intenção de falar especificamente da expiação limitada, pois há muitos versos que demonstram de uma forma clara que Cristo morreu pelos seus eleitos que estão guardados no plano secreto e eterno de Deus. No entanto, os textos bíblicos demonstram que os reformadores estavam corretos em rejeitar a doutrina Arminiana diante das debilidades exegéticas e textuais.
Portanto, precisamos pregar e ensinar sem nenhum medo que Deus é totalmente soberano, pois Deus prestará contas com todos aqueles que negligenciaram “todo o seu conselho”. 

REFERÊNCIAS

SPURGEON, C. H. Livre-arbítrio - Um Escravo. São Paulo: PES, 1994.
SPURGEON, C. H. Eleição. São Paulo: Editora Fiel, 1987
SPURGEON, C. H. A Perseverança na Santidade. São Paulo: PES, 1994.
STOTT, John R. I, II e III João - Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1985.
KISTEMAKER, Simon. Tiago e Epístolas de João. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.