quinta-feira, 29 de maio de 2014

AS PROVAS QUE “AS CINCO PROVAS DA EVOLUÇÃO” NÃO SÃO PROVAS: UMA RESENHA DO TEXTO DE SALVADOR NOGUEIRA DA FOLHA DE SÃO PAULO



A Folha de São Paulo do dia 26/05/2014 publicou um artigo do jornalista Salvador Nogueira em que ele tenta mostra que existem “cinco provas” que confirmam a Teoria da Evolução. Nota-se que o autor está tão convicto das provas que ele omite a palavra “Teoria” e escreve somente “Evolução” no seu título.

O que se pode notar, é que o autor está completamente desatualizado, como a maioria dos evolucionistas brasileiros. Parece que os evolucionistas “acreditam” de uma forma tão contundente na Evolução que eles não procuram nem se atualizar, ficando envergonhados pelos “fatos” como ele evoca tanto nesse texto.

O autor começa abordando que a Ciência não é inimiga da religião. Depois, ele afirma que a Ciência tem “fatos objetivos”; já a religião tem “verdades pessoais”. No entanto, logo a seguir, o autor começa a dar as suas “verdades pessoais” em relação à Ciência sem nenhuma base filosófica e sem nenhum referencial teórico da Filosofia da Ciência, demonstrando que o autor está muito a quem até mesmo dessa disciplina.

Ele afirma que o texto vai tratar apenas de Ciência, mas qual o conceito que ele se baseia para essa Ciência? Na verdade, o autor ignora as grandes tensões da Filosofia da Ciência em conceituar ela mesma. O autor trata a ciência como se não existisse essa tensão e como se não nem existisse a Filosofia da Ciência. Isso demonstra que o autor é completamente leigo no que escreveu.

O autor desconhece que a ciência genuína não pode vir de palavras como “imaginar”, como ele afirmou: “Podemos, por exemplo, imaginar que a chuva está ligada à temperatura da água” ou “Darwin imaginou que todos eles tinham um ancestral comum”. A verdadeira Ciência não pode partir da imaginação ou de hipóteses indutivas, mas de fatos objetivos. Se não for por fatos, jamais se pode chamar de Ciência, mas de teorias que podem ser comprováveis ou não. O exemplo do autor não condiz com o conceito de Ciência de Karl Popper que o autor citou de uma forma muito superficial.

Karl Popper afirmou:

Nada que lembre a lógica indutiva aparece no processo aqui esquematizado. Nunca suponho que possamos sustentar a verdade de teorias a partir da verdade de enunciados singulares. Nunca suponho que, por força de conclusões “verificadas”, seja possível ter por “verdadeiras” ou mesmo por meramente “prováveis” quaisquer teorias. (POPPER, 2007, P.34)

No contexto, Popper estava contra o que ele chamou de “Psicologismo”. Segundo Popper, toda teoria que venha de enunciados singulares não pode ser considerada ciência até que se tenha como observar todo o processo e passar pelo teste da falseabilidade. Qualquer parte da teoria que não for falseada, anula-a como Ciência e aquelas que forem falseadas devem ser eliminadas. Portanto, de onde o autor tirou o que ele escreveu: “Mas note que novas teorias não substituem as antigas. Elas aprofundam o entendimento, sem anular as conclusões obtidas antes”? Ele teve um sonho ou é uma “verdade pessoal”? Com base em Popper, “as teorias nunca são empiricamente verificáveis”. Se é uma teoria, já não pode ter todo o processo observado, pois somente assim devemos chamar algo de Ciência. Caso a teoria seja falseada, ela deve dar lugar a outra teoria, fazendo mudanças nas suas estruturas, como tem acontecido com a Teoria da Evolução (TE) com o conceito da Seleção Natural. Esta, na forma que Darwin explicou em seu livro, A Origem das Espécies, não pode explicar várias dificuldades descobertas depois da edição de seu livro.

Ainda citando Popper, A. F. Chaimers escreve:

Porque a Ciência visa teorias com um amplo conteúdo informativo, o falsificacionista dá boas-vindas à proposta de conjecturas audaciosas. Especulações precipitadas devem ser encorajadas, desde que sejam falsificáveis e desde que sejam rejeitadas quando falsificadas. Esta atitude de tudo ou nada conflitua com a cautela advogada pelo indutivista ingênuo. (CHALMERS, 1993, p.70)

Segundo Chalmers, com base em Popper, toda teoria, ao ser posta em prova da falseabilidade, deve ser rejeitada quando for falsa e deve dar lugar a outras. Isso demonstra que jamais uma teoria pode ser considerada Ciência propriamente dita, embora esteja falando de palavras científicas. Muito menos, teorias não são como “tijolos”, como escreveu o autor, pois esta pode ser apenas filosofia que não se pode falseá-la sendo apenas uma ilusão.

Na Teoria da Evolução, jamais se pode observar todas as suas reivindicações e proposições que ela evoca, ou seja, jamais ela pode passar pelo teste da falseabilidade; e em alguns outros aspectos, ela já foi falseada. Portanto, ela não pode, jamais, ser considerada Ciência. Portanto, desonestidade intelectual, sim, é chamar uma teoria de Ciência sem nenhum embasamento teórico, com vários problemas entre cientistas que aderem a essa mesma teoria como vamos demonstrar. Ao contrário, têm-se pesquisas que vão na contramão dos postulados Darwinistas e que os desmentem de uma forma contundente.

O exemplo que o autor deu de Isaac Newton foi de péssimo gosto, pois Newton não formulou teorias, mas percebeu leis. Se alguém tiver dúvida se o que Newton propôs foi uma lei é só ficar na frente de um trem ou ficar em pé em um ônibus a 120 Km/h. Da mesma forma se alguém tem dúvida que a gravidade não é uma lei, pule de um prédio de trinta andares. Portanto, é óbvio que Newton tratava de leis e não de teorias. Totalmente diferente da TE. Esta é uma teoria com várias dificuldades confirmadas até pelos maiores nomes entre eles.

Na verdade, quem afirma que a TE não há dificuldades, não conhece muita coisa sobre ela. O próprio Darwin reconhecia dificuldades e registrou isso no seu livro a Origem das Espécies (leia o livro “Design Inteligente: a convergência das ciências sob a ótica da criação”, editora Reflexão), e, até hoje, a “Explosão Cambriana” é um grande problema para as teorias Darwinistas no que diz respeito ao LUCA (ancestral comum de Darwin), que o autor afirmou que “é uma prova” (veja o livro do Dr. Stephen Meyer, Darwin’s Doubt). Impressiona-me que o autor nem tocou nesse assunto, demonstrando que não conhece sobre isso ou então há uma prova clara de desonestidade intelectual.

O autor no seu texto faz um conceito de Teoria da Evolução e pelo seu próprio conceito traz uma dificuldade crucial que ele não tocou. Ele não percebe que os seus conceitos necessitam de seres vivos formados com todas as funções, pois ele fala nas características diferentes; fala que os descendentes transmitem essas diferenças; e, por último, fala que existem características que são mais vantajosas que outras. Ele dá o exemplo de pessoas que são mais imunes ao vírus HIV na África que em outros lugares.

É incrível o exemplo infantil desse jornalista, pois os conceitos do próprio autor exigem seres formados, porque a seleção natural precisa que os seres estejam EM PLENA FUNÇÃO DE SEUS ÓRGÃOS. Isso quer dizer que a seleção natural não explica como surgiram o primeiro DNA que precisa de proteínas para o seu próprio surgimento como o DNA-polimerase; máquinas biológicas; informação de alto nível e códigos no próprio DNA, ou seja, a primeira vida. Portanto, o autor, na sua ingenuidade tenta mostrar aos leigos que a seleção natural é o bastante.

O exemplo que o autor deu do vírus HIV é muito simplista para explicar como a seleção natural fez para que máquinas biológicas tenham se formado, pois precisa-se que suas partes sejam projetadas e postas conjuntamente para funcionar. Além do mais, precisaria que todos os órgãos tivessem pleno desenvolvimento para ter ancestrais e que nenhuma parte deles poderia ser inviável nas suas funções. O próprio Darwin disse em seu livro: “A Origem das Espécies”:

Caso fosse possível comprovar a existência de algum órgão complexo que não pudesse de maneira ser formado por meio de pequenas modificações, sucessivas e numerosas, minha teoria, com certeza, não encontraria defesa. Só que nunca consegui encontrar esse órgão. (DARWIN, 1996, p. 248)

O caso citado pelo autor da resistência do virus HIV por um grupo de prostitutas do Quênia não está na resistência em si, pois elas nem chegaram a contrair a doença, mas porque elas têm a célula CTL mais resistentes que as demais pessoas. No entanto, isso não inclui a seleção natural, já que antes do vírus HIV agir nas células, a célula de defesa CTL já estava pronta para agir. Se fosse uma questão de seleção natural, os cientistas que têm estudado essas pessoas na África já teriam descoberto uma vacina, pois a vacina vem de anticorpos desenvolvidos. 

O outro exemplo que o autor deu foi dos tentilhões das Ilhas Galápagos que Darwin encontrou. É verdade que existiam tentilhões de bicos diferentes e que os de bicos maiores resistiam a secas mais que os de bicos menores. No entanto, afirmar que todos eles vieram de um só ou que deles surgiram outras espécies de tentilhões é pura especulação e “fé”, pois vários pesquisadores estudaram os tentilões das Ilhas Galápagos e jamais houve evidências que outras espécies foram formadas ou vieram de um só tentilhão.

Portanto, deter-me-ei no que o autor, de uma forma ingênua, chamou de “provas”. Não se pode chamar de provas o que não se pode demonstrar com objetividade ou que não passe pelo teste da falseabilidade. Caso contrário, não será inteligente o que for demonstrado. Por exemplo, imaginemos que alguém traga uma prova que existe vida no planeta Marte. O que se tem de evidência é uma imagem de um telescópio que os cientistas supõem que é uma pegada humana. Então, essa pessoa pega essa “suposição” e apresenta-a como prova. No entanto, essa “prova” é apenas uma suposição de cientistas que viram uma foto, mas eles não têm como dizer objetivamente se aquela foto, de fato, é uma pegada humana. Portanto, o autor usa argumentos subjetivos e contraditórios até mesmo de autores evolucionistas e afirma como prova.

Vamos à prova das provas:

1. PROVA NÚMERO UM – O DNA

O autor afirma que “todos os seres vivos tem um grau de parentesco com todos os demais”. Essa afirmação é completamente mentirosa. Ao contrário, os estudos do DNA têm demonstrado que existem mais complexidade no DNA que se imagina. Existem genes que jamais existem homologia com nenhum outro gene presente. Eles são chamados de “Genes Órfãos”. Isso tem se tornado um grande problema para a teoria do Ancestral Comum (LUCA). Existem muitos artigos científicos que demonstram que a ancestralidade comum é um problema para a Teoria da Evolução. A revista New Scientist de 21 de janeiro de 2009 publicou na sua capa principal com o título “Darwin was wrong” “Darwin estava errado”. Ela traz “uma lista de cientistas evolucionistas que não aceitam a árvore de Darwin, ou seja, a ancestralidade comum da Teoria da Evolução. Eu coloquei bem claro em meu livro dados dessa revista. Assim está no livro: “a revista ainda coloca que a principal dificuldade está nas pesquisas com o DNA, por causa das sequências das moléculas de RNA” (MAGALHÃES, 2014, p.78). Portanto, os cientistas pegam exatamente como motivo deles discordarem de Darwin o próprio DNA.

Outro problema é que cada ser vivo tem informação no seu DNA direcionada por códigos precisos e binários que se houver o mínimo de mudança, não poderia haver vida nesse ser. As mutações que ocorrem são as aceitas pelo DNA desses seres como as bactérias que são resistentes a antibióticos. No entanto, elas voltam a ser resistentes e jamais produzem algo novo em seu DNA.

Ao contrário que do que se falou, o DNA é o “calcanhar de Aquiles” da Teoria da Evolução porque jamais a seleção natural explica como as informações do DNA surgiram, como veio um órgão que precisa de código para ser formado sendo que esse código vem por ele mesmo. Como explicar isso? (Veja o livro do Dr. Stephen Meyer “Signature in the Cell”)

Se autor bem soubesse disso, jamais ele tocaria no DNA como exemplo de Teoria da Evolução, mas o autor é leigo no assunto, embora que seja jornalista da área.

PROVA NÚMERO DOIS – AS MUTAÇÕES

O autor começa, para minha surpresa, afirmando funções no DNA que incluem Design como “sistema integrado de monitoramento e correção”. Isso só acontece diante de Design. Qualquer correção implica em planejamento de erros, como também o monitoramento. Portanto, é muita falta de percepção que o autor cita funções que o DNA faz vindo de informação de alto nível e que exige design ou planejamento.

O autor tenta demonstrar que as mutações passam de geração a geração e afirma que é fato. Claro! As mutações são fatos, porém, que essas mutações foram a causa da transformação de uma ameba para um ser humano nunca foi fato. Até por que é comprovado que a maioria das mutações tem um fator degenerativo e não evolutivo. Portanto, essa prova jamais pode ser considerada.

PROVA NÚMERO TRÊS – FÓSSEIS

O autor nessa “prova” se baseia no fóssil do Arqueópterix. Ele afirma que esse fóssil é uma “prova” e afirma: “São provas incontestes do processo evolutivo”. No entanto, o autor está tão desatualizado que nem pesquisou as últimas descobertas desse fóssil. Segundo a revista Nature, os chineses descobriram que esse fóssil jamais foi de uma ave primitiva como afirmavam (veja nesse endereço). 

Portanto, notem a ingenuidade e a falta de conhecimento desse autor.

No entanto, assim como o DNA, se autor bem soubesse, jamais ele falaria de fósseis, pois é exatamente nos fósseis que Darwin tinha dúvida. Darwin sempre afirmava que não entendia por que não existia um número considerável de fósseis intermediários. Da mesma forma, Darwin não tinha como explicar a chamada “Explosão Cambriana” que há mais ou menos 500 milhões de anos já havia quase todos os filos existentes com grande complexidade que não há registro fóssil anterior. Portanto, jamais isso seria uma prova da evolução.

PROVA NÚMERO QUATRO – COMPORTAMENTO ANIMAL

Essa prova demonstra como as provas da Teoria da Evolução são fracas. Essa “prova” daria para ser um tema de algum Stand Up Comedy. O autor sugere que o comportamento animal dos chimpanzés comprova a Teoria da Evolução, pois os chimpanzés não falam, mas podem aprender linguagem de sinais e podem comunicar ideias simples.

O autor desconhece o conceito de linguagem. Linguagem é a capacidade que se tem de criar meios de comunicar ideias, sentimentos e conhecimentos, inclusive de si mesmo. Chomsky afirmava que a Linguística ou a linguagem pode trazer grande compreensão do espírito humano demonstrando que era uma característica singular na humanidade. (LYONS, 1970, p. 95)

Rousseau afirma que era a “linguagem que diferenciava os homens do animais”. Um chimpanzé pode aprender uma linguagem assim como um pagagaio aprende a falar palavras. A linguagem que um chimpanzé aprende é amestrada e condicionada. Não é uma criação de meios para expressar sentimentos, ideias e nem conhecimento de si mesmo. Por exemplo, pode-se ensinar um cão que todas as vezes que ele quiser comer levante a pata. Seria muita ignorância comparar essa ação adestrada desse cão com um pedido de uma criança à sua mãe chamando-a de várias formas ou até chamando pelo nome.

Da mesma forma quando se afirma que macacos que contam até 40 é a mesmo que os seres humanos. Qualquer animal fará isso com perfeição se adestrá-lo. Existem cães adestrados que fazem contas de somar simples, mas isso não inclui inteligência, é apenas condicionamento dentro de símbolos que se adestrou o animal. A prova disso é que se pegar o 4; o 14 e o 40 perguntando qual o menor e maior, ou qual o valor intermediário o macaco não vai saber, exceto se adestrá-lo.

Na verdade, é difícil você ver macacos gesticulando para outro sobre o que eles comeram no dia anterior ou até afirmando que estão com dor de barriga. É difícil alguém ver um macaco de joelhos fazendo uma oração a Deus ou cultuando qualquer outra coisa, pois isso é um atributo somente humano. Portanto, essa prova é a mais patética que alguém pode ver da Teoria da Evolução. Eu tenho vergonha até de respondê-la.

PROVA NÚMERO CINCO – PSEUDOGENES

O autor, agora, se baseia nos pseudogenes e afirma que eles demonstram uma das “provas”. No entanto, o que autor chama de prova é o contrário do que ele espera. O autor afirma que esses pseudogenes “são inativos” e que “não servem para grandes coisas nos organismos”. No entanto, o autor afirma isso sem uma ABSOLUTA evidência. Porém, ao contrário do que ele afirma, as pesquisas atuais dos cientistas é que os chamados pseudogenes têm grandes relações com o RNA e que esses genes agem como uma espécie de gerenciador do próprio DNA (leia o livro The Myth of Junk DNA). Os artigos científicos abaixo corroboram isso:

Hirotsune S, Yoshida N, Chen A, Garrett L, Sugiyama F, Takahashi S, Yagami K, Wynshaw-Boris A, Yoshiki A.An expressed pseudogene regulates the messenger-RNA stability of its homologous coding gene. Nature 2003 423:91-96

Ir para cima 
↑ Czech B, Malone CD, Zhou R, Stark A, Schlingeheyde C, Dus M, Perrimon N, Kellis M, Wohlschlegel JA, Sachidanandam R, Hannon GJ, Brennecke J. An endogenous small interfering RNA pathway in Drosophila.Nature 2008 Jun 5;453(7196):798-802

Ir para cima 
↑ Ghildiyal M, Seitz H, Horwich MD, Li C, Du T, Lee S, Xu J, Kittler EL, Zapp ML, Weng Z, Zamore PD.Endogenous siRNAs derived from transposons and mRNAs in Drosophila somatic cells.Science 2008 May 23;320(5879):1077-81

Ir para cima 
↑ Kawamura Y, Saito K, Kin T, Ono Y, Asai K, Sunohara T, Okada TN, Siomi MC, Siomi H.Drosophila endogenous small RNAs bind to Argonaute 2 in somatic cells.Nature 2008 Jun 5;453(7196):793-7

Ir para cima 
↑ Okamura K, Chung WJ, Ruby JG, Guo H, Bartel DP, Lai EC. The Drosophila hairpin RNA pathway generates endogenous short interfering RNAs.Nature 2008 Jun 5;453(7196):803-6

Mesmo assim, ainda que não se soubesse a função desses genes, seria uma desonestidade afirmar com base na ignorância a prova de algo. Porém, nota-se que o autor está completamente desatualizado.

O RESUMO DO “FANTASMA DA ÓPERA”

O autor conclui o seu texto afirmando que os leitores julguem por si entre a Teoria da Evolução ou o Design Inteligente. O autor coloca como dificuldade do DI que deveria existir distribuições diferentes de genes em vez de distribuições semelhantes nas espécies. Porém, há diferenças claras, pois cada ser vivo carrega genes próprios com informação específica. Por exemplo, a serpente tem informação no seu DNA de formação de peçonha nas glândulas e presas; outros animais trazem aptidões próprias como pássaros que têm ossos apropriados para vôos e penas, estrategicamente planejadas para tal ato.

O autor faz outra afirmação absurda sem nenhuma prova que os ancestrais entre humanos e Chimpazés foram entre 5 a 7 milhões atrás, mas como, se esses fósseis intermediários não existem. O registro fóssel dos hominídeos tem demonstrado apenas especulações e fraudes como o fóssil da Lucy que foi citado na revista francesa Science & Vie que não passa de um fóssil de um macaco (MAGALHÃES, 2014, p. 40). Mais uma vez o autor demonstra-se desatualizado.

O autor desconhece que o Design Inteligente tem adeptos de várias vertentes. No entanto, muitos não concordam com a ancestralidade comum de hominídeos intermediários nem formas intermediárias, pois são interpretações que têm dividido antropólogos e cientistas em todo o mundo. Ao contrário, o registro fóssil da Explosão Cambriana demonstra o contrário que se afirma. Quase todos os filos, inclusive o cordato passaram a existir sem nenhum registro fóssil anterior há mais 500 milhões de anos, onde era para estarem ainda em evolução.

O autor termina afirmando que o Design Inteligente não explica nada. Ao contrário, a Teoria da Evolução é que não explica nada. Não explica como surgiu o primeiro DNA, a primeira vida, como surgiram máquinas biológicas com complexidade irredutíveis, como surgiu informação no DNA, como surgiu moralidade humana, como surgiu estética nos seres humanos, como surgiu inteligência acima dos macacos.

Portanto, quero terminar esse texto fazendo a mesma pergunta que o autor fez ao termino do seu texto: qual o Designer mais inteligente? Aquele que coloca todas as peças no lugar que planejou porque as criou projetando-as para que haja manutenção, estética e reparo ou aquele que deixa o ferro, plástico e tinta no chão e espera que durante bilhões de anos esse ferro venha naturalmente formar as peças específicas com um ponteiro e se tornar um relógio que dê a hora certa demonstrando alta tecnologia?

 Referências:


CHALMERS, A. F. O que é Ciência afinal?. São Paulo: Brasiliense, 1993.


DARWIN, Charles. A Origem das Espécies. São Paulo: Editora Martin Claret, 1996.

LYONS, John. As Ideias de Chomsky. São Paulo: Cultrix, 1970.

MAGALHÃES, Francisco Mário L. Design Inteligente: a convergência das ciências sob a ótica da criação. São Paulo: Reflexão, 2014.

POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 2007.


segunda-feira, 24 de março de 2014

I AM AGAINST HOMOSEXUALITY




In the face of social pressure, has the tendency to fear expressing a contrary to the thinking of most pressing opinion. As an example, the topic of homosexuality. Some people tend to define themselves by fear or fear reprisals. They say in a contradictory way: "I am not in favor of homosexuality, but I'm not against whom do". This absurd contradiction comes exactly fear the opinions of mass and at the same time, be at peace with his conscience. However, demonstrates a blatant contradiction, because if someone is not in favor of something , it becomes immediately against the practice of one who does what is not in favor .

We need to set making clear the basis of this definition is that the Word of God. Christians need to have the courage to show the error in who donates hurt. Even if we are pressured or we are discriminated against.

I am against homosexuality (for some ignorant who think I'm erring on the suffix, see my other text here) because the Bible declares the model of creation - man - woman, male - female (Gen 1:27), because God forbid this union strongly and destroyed cities because of it ( Lev 18:22; Gen 19), because not all forms of love that pleases God, but only one that is based on the principles of creating a complement between a man and a woman (Gn 2.23); because the Bible states that Jesus ratified the creation model when taught about marriage (Mt 19.4) , for Paul confirmed the teachings of the Old Testament and Jesus teaches that the permittivity gay is the demonstration of God's judgment (Rom 1:18; 24-27) , and that those who practice such things will not inherit the kingdom of God (1 Cor 6:9).

Another reason I am against is because the creation demonstrates normally. The man was created to live with a woman of whom have children, are fulfilled emotionally, physically and socially (procreating themselves). Homosexuality has always been criticized by society since the days of Rome and Greece, even though this practice was part of pagan religions (see my text talking about it).

One might ask: "Are you homophobic?" Depends on the concept of homophobia you have. If your concept shows that I have “fear of homosexuals”, I am not. Likewise, if your concept is why I discriminate homosexuals, incitement against them, or even have an aversion, I am not too, just as there are people who are against racial quotas in universities to only blacks are not racist. However, if the concept is why I am against their practices, their ethical stances, their sexual choices, I am. So if that is your concept, I’m “homophobic”, but for reasons mentioned above.

Therefore, I am against homosexuality, and I am against gay marriage, much against the adoption of children by homosexual couples.


If you think the same way, you have the courage to publicly agree with me?

EU SOU CONTRA O HOMOSSEXUALISMO






Diante de uma pressão social, tem-se a tendência de temer expressar uma opinião contrária ao pensamento da maioria que pressiona. Como exemplo, temos o tema do homossexualismo. Algumas pessoas têm a tendência de não se definirem por medo ou por temer represárias. Elas afirmam de uma forma contraditória: “eu não sou a favor do homossexualismo, mas também não sou contra quem faça”. Essa contradição absurda vem exatamente por temer as opiniões de massa e, ao mesmo tempo, ficar em paz com a sua consciência. No entanto, demonstra uma contradição gritante, pois se alguém não é favor de algo, torna-se imediatamente contra a prática daquele que faz o que não é a favor.

Precisamos nos definir deixando claro a base dessa definição que é a Palavra de Deus. Os cristãos precisam ter a coragem de demonstrar o erro doa em quem doer. Mesmo que sejamos pressionados ou sejamos discriminados.

Eu sou contra o homossexualismo (para algum ignorante que ache que estou errando no sufixo, veja meu outro texto aqui) porque a Bíblia declara o modelo da criação – Homem – mulher; macho – fêmea (Gen 1.27); porque Deus proibiu fortemente essa união e destruiu cidades por causa disso (Lev 18.22; Gen 19); porque não é toda forma de amor que agrada a Deus, mas somente aquele que se baseia nos princípios da criação em complemento entre um homem e uma mulher (Gen 2.23); porque a Bíblia declara que Jesus ratificou o modelo da criação quando ensinou sobre o casamento (Mt 19.4); porque Paulo confirmou os ensinos do VT e de Jesus quando ensina que a permissividade homossexual é a demonstração do juízo de Deus (Rom 1.18; 24-27); e que os que tais coisas fazem não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9).

Outro motivo que eu sou contra é porque a criação demonstra a normalidade. O homem foi criado para conviver com uma mulher dos quais tenham filhos, completem-se emocionalmente, fisicamente e socialmente (procriando-se). O homossexualismo tem sempre sido criticado pela sociedade, desde os tempos de Roma e Grécia, mesmo que essa prática fizesse parte das religiões pagãs (veja no meu texto citado acima).

Alguém poderia perguntar: “você é homofóbico”? Depende do conceito de homofobia que você tem. Se o seu conceito demonstra que eu tenho “medo de homossexuais”, não sou. Da mesma forma, se o seu conceito for por que eu discrimino homossexuais, incentivo à violência a eles, ou até tenho aversão, não sou também, assim como existem pessoas que são contra as cotas raciais nas universidades somente a negros e não são racistas. No entanto, se o conceito for por que eu sou contra suas práticas, suas posturas éticas, suas escolhas sexuais, eu sou. Portanto, se for esse seu conceito, eu sou “homofóbico”, mas por motivos acima citados.

Portanto, eu sou contra o homossexualismo, e sou contra o casamento homossexual, muito mais contra a adoção de crianças por casais homossexuais.


Caso você pense da mesma forma, você tem coragem de concordar comigo publicamente?

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O EVANGELHO SEGUNDO CAIO FÁBIO: UMA ANÁLISE DA SUA APOSTASIA E PERIGOS




A fronteira entre o que é ortodoxo e herético é muito complexa. Da mesma forma, a fronteira entre aquele que apostatou da fé e aquele que ainda se pode ter como uma pessoa cristã e bíblica é muito difícil de analisar. Primeiro, por que geralmente essas pessoas trazem uma certa fama e autoridade do que eles representaram um dia. Depois, é muito difícil falar de alguém que tem nos lábios o nome de Jesus e propaga com tanta ênfase.

Existem duas formas de um herege blindar suas heresias, ao mesmo tempo, essa blindagem servirá para identificação dos próprios hereges. A primeira é trazendo sobre si a autoridade de suas doutrinas. Para isso, é necessário demonstrar que todos os demais estão errados e ele é o único certo. Isso servirá para que os incautos que o seguirem terem em mente que ele seria o único que poderia dizer a verdade, já que os demais estão errados. Aqueles que o refutam são ensinados a chamarem os demais que refutarem de “religiosos” e que se baseiam na “Letra”.

A segunda forma de um herege blindar suas heresias é atacar a base e o fundamento de fé. Quando se ataca os fundamentos da fé, as pessoas não recorrem mais a esse fundamento, mas dependem somente do herege. Uma das formas de atacar é exatamente colocar defeitos nesse fundamento. O único fundamento de fé que se tem é a Bíblia, e ela mesma que é atacada de uma forma totalmente desonesta por esses hereges.

Na verdade, esse herege vai ter que fazer isso para minar os textos que o refutam e que ele mesmo vai estar desconfortável diante da clareza das Escrituras de algumas de suas tendências.

Também pode-se reconhecer um herege por duas formas:

A primeira é quando se tem que refutar doutrinas básicas da fé cristã. Há doutrinas que divergem no próprio evangelicalismo que se pode refutar sem que se tenha em mente que está refutando um herege. Por exemplo, doutrina do batismo, escatologia, a perda da salvação, apostolado etc. No entanto, quando se tem que refutar alguém com doutrinas básica da fé como a salvação pela graça, a divindade e humanidade de Cristo, a divindade do Espírito Santo, demonstra-se que esse mestre é um herege e que se deve ter todo cuidado com o que ele ensina.

A segunda forma de reconhecer um herege é que ele vai colocar como base moral a sua própria pessoa. Ou seja, ele é o centro de tudo embora que ele jure e chore emocionado falando de Jesus, mas, na prática, traz sobre si toda a autoridade das doutrinas como também a base moral. A conseqüência disso é que seus seguidores são completamente desprovidos de senso crítico. Eles não questionam, apenas aceitam, pois intuitivamente o líder se coloca como acima das Escrituras, já que ela tem erros. E se a Escritura tem erros e é julgada pelo próprio líder, ele é o único que dita as normas, inclusive, da própria base de fé.

Caio Fábio foi um dos pastores mais conceituados do Brasil. Dificilmente alguém não ouviu uma pregação sua. Levava multidões a estádios e representava o Evangelicalismo aonde ia. No entanto, Caio Fábio passou por um momento difícil em sua vida que o deixou afastado por um tempo. Depois, ele voltou com um programa “Vem e vê TV” pela manhã na internet onde responde a várias perguntas de pessoas que lhe pedem conselhos.

Nesses programas, Caio Fábio tem feito declarações perigosas à fé cristã que demonstram as características de uma pessoa que apostatou da fé tendo a necessidade de uma refutação. O motivo de escrever esse texto é exatamente devido à sua grande influência entre os incautos e por que as suas falácias podem ser perigosas quando não demonstradas pelo crivo da Palavra de Deus.

Depois, por que Caio Fábio está dentro das características que foram demonstradas acima. Ele tem blindado seus ensinamentos e tem se colocado como o único que agrada a Deus no Evangelho, pois ele tem colocado defeito em todos os demais seguimentos do Evangelho. Ele tem atacado a igreja de uma forma contundente demonstrando que ela está falida. Claro que não se está negando a caricatura de Evangelho que alguns grupos protestantes fazem, pois temos que admitir que alguns grupos nem merecem ser chamados de protestantes ou de evangélicos, pois agem como um comércio da fé e com heresias destruidoras. No entanto, Paulo e os apóstolos jamais agiram assim. Percebemos que Paulo e os apóstolos conheciam muito bem os problemas graves da igreja, mas jamais eles se colocaram à margem dela ou separados dela.

Paulo escreve a Timóteo acerca dos falsos mestres que estavam na igreja (2Co 12.11-15; Fp 3.2); ele sabe que na igreja tem lobos vorazes e perigosos (At 20.29-32); ele admite que na igreja tem “falsos irmãos” (Gl 2.4), mas jamais Paulo se colocou à margem da igreja ou generalizou como estando falida ou fazendo um grupo à parte. Ao contrário, ele criticou aqueles que estavam fazendo isso na igreja de Corinto.

Pedro agiu da mesma forma. Ele admite os falsos mestres e falsos profetas a ponto de renegarem o Senhor Jesus e que até farão comércio dos membros (2Pe 2.1-3). No entanto, jamais Pedro se colocou na posição de separado da igreja.

Da mesma forma João e Judas. Eles advertem que na igreja teriam falsos obreiros terríveis e falsos profetas (1Jo 4.1;4; Jd 1.4). No entanto, jamais os apóstolos se colocaram na posição de ficar à parte da igreja.

No caso de Caio Fábio, ele se coloca na posição de alguém como “o escolhido”, “a comunidade”. Para isso, ele generaliza os problemas da igreja e coloca a sua comunidade como sendo “a igreja”, ridicularizando tudo que a igreja faz.

Na verdade, Caio Fábio tem uma mente muito privilegiada e pensa muito rápido, mas quando fala da Palavra de Deus como base de suas doutrinas estranhas, torna-se completamente infantil e contraditório, sem nenhum uso da hermenêutica e da exegese. Para ele, como parte da infantilidade, não se precisa de Hermenêutica e exegese. Até que se pode entender isso, já que ele não fez seminário e nem curso de Letras, mas não se pode deixar de perceber como essa declaração é patética, já que qualquer texto se precisa de regras de interpretação (Hermenêutica) e análises sintática e morfológica, principalmente quando se está tratando de textos antigos escritos originalmente em hebraico, aramaico e grego.

Da mesma forma, Caio Fábio mina a base de fé e prática, a Bíblia. Para ele, a Bíblia é cheia de erros (veja o vídeo aqui), o apóstolo Paulo “surta” e que nós não podemos entender seus textos como inspirados (veja meu comentário sobre o que ele escreveu em 2007).

Sem querer aprofundar-me sobre a inerrância da Bíblia, Caio Fábio confunde inerrância com aproximação de dados de números, saltos genealógicos, como ele mesmo falou. No entanto, a Bíblia é inerrante no que diz respeito à veracidade das suas histórias e dos dados históricos que foram escritos. Se a Bíblia tiver erros, nada dela poderá ser confiável e cai por terra qualquer texto que provenha dela, inclusive os de Jesus. Quando ele admite que a Bíblia não é um livro científico e nem tem a intenção de ser um livro de estatística, significa que ela vai se acomodar à linguagem da época que na Hermenêutica se chama “visão fenomenológica”. Por exemplo, quando ela chama os morcegos de aves ou fala que Josué mandou o sol parar. Da mesma forma, não é erro quando a Bíblia fala que havia 5 mil homens fora crianças e que na verdade tenha tido uma quantidade maior de homens, pois os autores falam por aproximação, pois até hoje se faz isso.

No entanto, Caio Fábio precisa minar as Escrituras para que ele as interprete a seu bel prazer, pois, segundo ele, Jesus é a chave-hermenêutica, mas somente aos textos que ele achar que não tem erros e que não sejam um “texto religioso”. Na verdade, a chave-hermenêutica é apenas um pretexto para desviar a atenção dos princípios escritos que o deixam em uma situação desagradável e sem resposta.

Caio Fábio comete erros infantis de interpretação. Ele não entende que a interpretação do VT  deve ser feita com o NT. A chave hermenêutica deve ser toda a Bíblia e não Jesus, pois é o NT que fala de Jesus. Ele confunde o tema da Bíblia com o critério de interpretação, pois Cristo é o tema de toda a Bíblia, mas não o seu critério de interpretação. Existem informações de Cristo nas epístolas que não achamos nos Evangelhos, como também existem explicações das palavras de Cristo nas epístolas que não achamos nos Evangelhos e nem nos ensinamentos de Cristo que estão nos Evangelhos, como também somente entenderemos alguns ensinamentos de Cristo se analisarmos o VT. Caio Fábio dá a entender que a pessoa de Jesus se conhece por um entendimento subjetivo intrínseco separado das Escrituras. Não existe algo mais patético do que isso! Somente podemos saber algo de Cristo através do NT escrito ou através de toda a Bíblia.  O próprio Jesus ensinou que examinassem o VT para saber sobre ele como também disse aos seus discípulos que eles iriam continuar os seus ensinamentos:

Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. (Jo 5.39)

Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. (Jo 16.12,13)

Portanto, uma declaração de que “não se pode obedecer a Bíblia toda”, mas somente o que Cristo afirma (Veja aqui), demonstra um perigo, pois dá a entender que a Bíblia tem partes que não se pode obedecer. No entanto, em toda a Bíblia existem princípios quando são bem interpretados diante de toda a Bíblia (VT e NT). Ele não percebe que o VT foi testificado pelo próprio Cristo e que os princípios do VT, sendo bem interpretados, devem ser observados (Jo 5.39; 1Co 10.1-11). Ele não percebe, pela sua ingenuidade hermenêutica, que Jesus trouxe a real interpretação do VT e enfatizou-o mais ainda. O Sermão da Montanha é um exemplo disso (Mt 5.31,32; MT 19.8-10).

Ele também não percebe, e chega a ser patético, em afirmar que não se pode depender das palavras em si da Bíblia, mas somente do Cristo encarnado como Palavra de Deus, do que ele chama do “espírito da Letra” (Veja aqui). Ele não percebe que o conhecimento do Cristo que todos conhecem vem das Palavras escritas.

Ele faz uma má interpretação do texto de Jo 6.63 que afirma:

João 6:63  63 O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.

Jesus está comparando as suas palavras a um corpo que tem um espírito e que a carne sem esse espírito não tem proveito nenhum. Ou seja, Jesus está usando uma metáfora do corpo e espírito, enfatizando a importância da sua Palavra como Palavra de Deus e essas inteligíveis e objetivas (Mt 5.18,19). Portanto, Jesus está ensinando que o homem que não levar em conta as suas Palavras é como um corpo sem espírito. A palavra “espírito” aqui jamais quer dizer uma subjetividade ou um espírito vagando. Claro, esse erro de interpretação é próprio de pessoas que não tem noção de Hermenêutica, pois é muito simples quando se leva em conta o contexto do verso e a metáfora do corpo e espírito.

Caio Fábio chega ao ápice de sua confusão doutrinária quando afirma que vai encontrar-se com Chico Xavier na glória de Deus. Ele afirma:

Eu sou um cara que acredita que alguém é salvo exclusivamente pela graça de Jesus e não por causa de seus acertos doutrinários... Eu que sou um verme consigo olhar para o Chico com os olhos de misericórdia e piedade, quanto mais Deus... eu, que sou mau, consigo dar boas dádivas ao Chico Xavier, quanto mais o nosso Pai Celeste. (Veja aqui)

Caio Fábio, mais uma vez, por sua falta de conhecimento de Hermenêutica não percebe que o erro doutrinário é que afasta a pessoa de Deus. Jesus afirmou:

Mateus 22:29  29 Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.

Jesus estava ensinando que os fariseus erravam por que eles não conheciam as Escrituras como deveriam, e, por isso, várias vezes falou em seus debates: “nunca lestes?” (Mt 21.16; 21.42; Mc 2.5). O próprio apóstolo Paulo afirmou que qualquer evangelho que seja pregado além do que foi pregado pelos apóstolos seja anátema e aquele que prega também deve ser considerado (Gl 1.8,9). Tudo isso implica doutrina.

Portanto, a salvação implica em uma luz da correta doutrina de Deus, pois Jesus mesmo falou que as suas ovelhas ouviam a sua voz e o seguiam, e ele lhes daria a vida eterna:

João 10:26-28  26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.  27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.  28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.

Quando Jesus afirma “ouvir a minha voz” está demonstrando o que ele ensinou através de sua Palavra escrita e revelada. Tudo parte da luz da Palavra e de uma doutrina correta.

Portanto, Jesus e os apóstolos ensinaram que um erro doutrinário demonstra que uma pessoa não foi salva e não é cristã. É claro que o que salva uma pessoa em si não é a sua aquiescência doutrinária nem a sua ortodoxia, mas também sem uma ortodoxia doutrinária não se pode ser salvo, pois a fé inclui o real reconhecimento da pessoa de Jesus e de sua obra, assim como ele ensinou que suas ovelhas ouvem a sua voz e o seguem.

O apóstolo João ensina que os falsos mestres devem ser identificados por aquilo que eles creem como doutrina ou do que eles distorcem da doutrina de Cristo:

1 João 4:1-2  Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.  2 Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;

Os falsos profetas seriam reconhecidos quando eles ensinassem que Cristo não viria em carne. João estava alertando sobre a heresia do gnosticismo que negavam a encarnação de Cristo. Isso é totalmente doutrinário.

A declaração de Caio Fábio ultrapassa a fronteira da apostasia, pois na verdade ele demonstra que Deus leva em conta as obras e não a fé em Cristo como substituto expiatório para que satisfaça a justiça de Deus. Paulo ensinou:

Romanos 3:20-24  20 visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.  21 Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;  22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção,  23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,  24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,


Gálatas 2:15-16  15 Nós, judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios,  16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.

O primeiro texto, Paulo ensina que por obras da Lei, incluindo toda prática que um homem possa fazer, não pode ser o meio de salvação e de justiça diante de Deus, pois todos são transgressores e precisam da redenção que há em Cristo Jesus. Todos os textos acima terminam demonstrando que a fé em Cristo como redentor deve ser essencial.

A graça nos salva, mas vem por intermédio da fé e isso não vem de vós (Ef 2.8,9). Ela não é generalizada como Caio Fábio afirmou que Chico Xavier teria sido visto por Deus com compaixão. Essa graça se manifesta pela fé no Cristo crucificado que é demonstrada através de uma confiança única em Cristo para a salvação. Algo que o espiritismo não adere, mas espera somente em suas obras.

Na verdade, Caio Fábio parte dele mesmo como base da salvação de Chico Xavier. Ele afirma que “se ele teria compaixão, quanto mais Deus”. Ele parte de si mesmo, embora que afirme que é “verme”, pois seria muita insolência não deixar claro a sua diferença diante de Deus. No entanto, a lógica demonstra que ele parte dele. Se ele tem compaixão, Deus muito mais. No entanto, ele deveria partir de Deus. Isso acontece examinando as Escrituras para ver o que Deus pensa para chegar até ele. Ele deveria dizer: se Deus é bom e misericordioso e abomina a consulta aos mortos (Lv 19.31), eu devo entender que Deus tem motivos para julgar aqueles que tais coisas praticam (Ap 21.8; 15).

Como uma característica acima citada, Caio Fábio traz sobre si a autoridade e razão até para a salvação de uma pessoa. Não é mais pela graça através da fé, mas é somente pela percepção de Caio Fábio que é um “verme da Amazônia”, segundo ele, achando que uma pessoa é salva, e como resultado, essa pessoa seria salva por Deus. Então, não é mais pela Palavra e nem pela “chave-hermenêutica de Cristo”, que ele defende tanto e entende mal sobre isso, mas a chave é o próprio Caio Fábio.

A sua lógica tem uma falácia bem perigosa, pois enfatiza que se alguns da igreja “adoram os seus pastores e apóstolos”, e se existem deslizes doutrinários e são tolerados por Deus, por que Deus não toleraria um espírita? Ele não percebe que a salvação não inclui perfeição, mas em quem colocamos a nossa confiança. Há muita diferença entre uma pessoa que confia em Cristo como Senhor da sua vida tendo deslizes doutrinários confessando seus pecados e uma pessoa que confia em si mesmo ou em suas obras sendo Cristo apenas um espírito elevado que passou aqui na terra. Podemos perceber que Paulo era consciente das graves faltas dos coríntios, dos gálatas e dos efésios, mas, ao escrever a eles, ele enfatiza a grandeza da salvação pela graça por intermédio da fé e que eles são santos e amados de Deus.

Várias heresias se podem perceber ainda nessa declaração. Primeiro pode-se perceber um certo Universalismo que afirma que todos podem ser salvos, já que Deus é bom e misericordioso. Ele não parte da Escritura e de Cristo, mas de obras e de uma misericórdia sem levar em conta a justiça e a ira de Deus.

O Universalismo, às vezes, tem a tendência de deixar por conta das obras. Ou seja, uma pessoa será salva se for piedosa e boa, estará perdida se for má conforme o conceito de Caio Fábio de bom e mau, claro, já que a Bíblia para ele é... apenas um detalhe que tem erros.

O mais grave disso é que se juntam a ele pessoas incautas, sem conhecimento da Bíblia, decepcionadas com suas igrejas, com suas famílias e passam a ter nele uma pessoa que lhes dá todo apoio. Isso é importante, mas o problema é que eles passam a ser discípulos de Caio Fábio e não de Cristo. Eu percebi isso ao confrontar alguns deles com textos bíblicos. Eles tinham apenas chavões aprendidos e nunca uma refutação com exegese inteligente. Por exemplo, afirmam: “você é religioso”; “você só sabe a letra”; “você não entendeu nada do Evangelho”; “você está cego”; “espero que Deus abra sua mente”. Notemos que são chavões de pessoas que fazem parte de uma seita. Eles não têm argumentos, um argumento bíblico como estou fazendo aqui, mas chavões aprendidos. Claro se o seu líder não conhece a Bíblia de uma forma sadia, como esperar de seus discípulos?

Quero concluir que não tenho nada pessoal contra a pessoa de Caio Fábio. Admiro-o como pessoa, mas a sua doutrina está longe do verdadeiro Evangelho.

Portanto, termino lamentando em escrever isso e alertando a igreja que o que ele ensina deve-se ter muito cuidado. Deve-se sentar com todos aqueles que afirmaram que o ouviram para demonstrar as suas falácias.


Também, com esse texto, não estou concordando com os absurdos e heresia das igrejas neo-pentecostais que ele critica tanto. Estou apenas dizendo, como demonstrei nesse texto, que ele está no mesmo nível ou pior afastando-se das doutrinas básicas da fé e que Paulo nos orienta a chamar isso de anátema.

sábado, 25 de janeiro de 2014

A HUMANIZAÇÃO DOS ANIMAIS: UMA TENDÊNCIA DO PENSAMENTO PÓS-MODERNO




No dia 23 de janeiro de 2014, nesta quinta, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sancionou uma lei que proíbe o uso de animais em experiência de cosméticos. Isso veio como repercussão do que aconteceu ao Instituto Royal com cães da raça Beagle.

O laboratório Royal, com o objetivo de realizar testes pré-clínicos com vistas ao desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de doenças como câncer, diabetes, hipertensão, epilepsia entre outros, foi obrigado a fechar as portas e encerrar todas as atividades por falta de segurança e de cobaias para esses testes. Mesmo estando dentro do mais alto nível de legalidade e que a causa fosse nobre e tão importante como a cura do câncer, diabete e hepatite que são doenças crônicas, o laboratório foi invadido por ativistas, tirando os animais e quebrando os objetos que lá estavam.

Na verdade, essa tendência faz parte do pensamento da pós-modernidade. Os valores divinos e humanos se equivalem aos dos animais cuja importância se iguala aos dos seres humanos. Para entendermos, precisamos pensar como esse pensamento chegou até nós atingindo a Europa e todo o mundo, influenciando, inclusive, os cristãos na atualidade.

Essa ideologia não é nova, mas começou com Aristóteles, discípulo de Platão. Ele foi o primeiro a chamar o homem de ζῳον λογικον, que quer dizer “animal racional, que pensa”. Aristóteles estudava os animais e achava que eles vinham por geração espontânea e, por isso, ele achava que havia um componente especial em todos os animais, incluindo o homem, chamado de πνευμα (pneuma) que se traduz “alma, vida”. Para Aristóteles, o homem era apenas um animal que raciocina e que faz juízos, mas todos têm a mesma essência que é o πνευμα.

Os demais povos também não diferenciavam os valores entre o ser humano e os animais. Podemos perceber isso com a mitologia grega do minotauro e outros seres mitológicos. Os deuses dos cananeus eram, geralmente, construídos de animais. Por exemplo, o deus dos filisteus, Dagon, uma espécie de homem-peixe. Enfim, os povos pagãos não tinham uma divisão de valores entre o homem e os animais. Até hoje pode-se ver lugares que animais são sagrados como a Índia (ratos, bois), Tailândia (elefantes, leopardos)

Moisés, sebendo que os povos da época tinham uma visão homogênea acerca dos valores entre o homem e os animais, escreve o Pentateuco pensando exatamente em revelar a forma correta de se ver os valores pelos quais Deus os criou.

Moisés demonstrou no livro de Gênesis que Deus criou o mundo em sete dias, sendo que Deus deixou como o ápice a sua criação principal – o homem. Deus criou todas as coisas em etapas como se fossem degraus de importância, pois ele poderia ter criado tudo de uma vez só. Deus criou o homem no sexto dia e deixou o sétimo dia para celebrar o seu término chamando de “descanso” ou shabath. Ele fez isso para enfatizar a sua importância acima de toda a sua criação.

Quando Deus criou os animais, ele apenas falou: faça-se e se fez:

Disse também Deus: Povoem- se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus. Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoavam as águas, segundo as suas espécies; e todas as aves, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. (Gn 1.20,21)

No entanto, quando Deus criou o homem, Deus fez de uma forma especial. Ele criou primeiramente Adão, dizendo na sua pluralidade: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1.26), depois, soprou nas suas narinas e ele se tornou alma vivente (Gn 2.7). Depois, Deus fez a sua companheira, Eva, e a trouxe como companhia (Gn 2.21,22). Fica mais que claro que Moisés queria demonstrar que o homem era muito especial, acima até dos animais e qualquer ser que não houvesse o fôlego vivente de Deus, a alma.

O homem, portanto, foi criado de uma forma especial como a imagem e semelhança de Deus. Essa imagem e semelhança no homem foi demonstrada exatamente pelas atribuições que Deus dera a ele, como governo, inteligência em nomear os animais, linguagem inteligente ao chamar sua companheira de “varoa”, como também em criar uma poesia e receber a responsabilidade por seus atos do bem e do mal. Nenhum animal recebeu esses atributos, exceto o ser humano que foi o ápice da sua criação. Esse homem dominaria sobre todos os animais e vida na face da terra para seu serviço demonstrando que o homem estava acima dos animais, pois eles foram criados para o serviço desse homem.

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. (Gn 1.26)

O ápice dessa distinção na criação foi quando Deus faz a promessa da redenção. A promessa do descendente da mulher que feriria a cabeça da serpente, uma espécie de nome dado por Moisés a Satanás, foi dada somente ao homem (Gn 3.15; Rm 16.20). Mesmo assim, Deus dá vários sinais que o homem estava no ápice da sua criação. Primeiro, quando mata um animal para vestir a Adão:

Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu. (Gn 3.21)

Depois, na aceitação do sacrifício de Abel quando ele matou um animal e deu-lhe da sua gordura como sacrifício, pois tudo isso representava a morte de Cristo (Gn 4.4; Hb 11.4).

Todos os animais, portanto, demonstravam que era para serviço do homem, como também para seu alimento.

Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai- vos e enchei a terra. Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues. Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora (Gn 9.1-3)

Falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo- lhes: Dizei aos filhos de Israel: São estes os animais que comereis de todos os quadrúpedes que há sobre a terra: todo o que tem unhas fendidas, e o casco se divide em dois, e rumina, entre os animais, esse comereis. (Lv 11.1-3)

Portanto, Deus falou a Noé e a Moisés que os animais tinham o propósito de alimento ao homem e para seu serviço:

Não atarás a boca ao boi quando debulha. (Dt 25.4).

No NT, Paulo interpreta esse texto como Deus dando esse princípio para demonstrar um princípio para o homem e não para o animal em si.

Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi, quando pisa o trigo. Acaso, é com bois que Deus se preocupa? Ou é, seguramente, por nós que ele o diz? Certo que é por nós que está escrito; pois o que lavra cumpre fazê- lo com esperança; o que pisa o trigo faça- o na esperança de receber a parte que lhe é devida. (1Co 9.9,10)

Nesse texto, Paulo demonstra claramente que o homem está acima dos animais, pois ele afirma que Deus não se preocupa com bois. O boi era o animal mais importante da época, pois eles que eram responsáveis por debulhar o trigo e fazer trabalhos na lavoura. Mas, mesmo assim, Paulo afirma que o ensinamento de Moisés era que o homem era mais importante que os animais.

Os animais do Ponto de Vista de Jesus e dos Apóstolos

Quando analisamos o NT, Jesus trata os animais simplesmente como animais e coloca o homem acima deles. Ele faz uma distinção bem clara entre seus valores:

Lucas 12:24  24 Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves!

Jesus ensina a seus discípulos claramente que os homens têm mais valor que as aves, e isso vale para todos os demais.

Mateus 7:6  6 Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.

Nesse texto, Jesus fala dos cães com total inferioridade em relação às pessoas. Da mesma forma que ele fala do jumento:

Lucas 13:15-16  15 Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber?  16 Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos?

Jesus, nesse texto, coloca uma prática comum entre os judeus de dar de beber ao seu jumento em dia de sábado e ensina, com isso, que a cura do homem era superior a dar de beber a esses animais.

Também Jesus deixa claro que toda prática de altruísmo deve ser canalizada aos homens e não aos animais:

Mateus 25:39-40  39 E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar?  40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Quando analisamos o apóstolo Paulo, percebemos que ele faz essa distinção de valores de uma forma bem enfática. Paulo ensina que os homens pagãos deixaram os valores do Criador e tornaram-nos em uma forma homogênea com os animais:

Romanos 1:23   23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.

Paulo ensina de uma forma bem didática essa distorção de valores, pois a ira de Deus vem sobre os homens que mudam a glória de Deus em semelhança da imagem do homem assemelhando-o, também, a animais como aves, quadrúpedes e répteis. Paulo está falando exatamente da tendência das outras nações de mesclarem as imagens de seus deuses com animais e confundirem o valor de Deus e do ser humano.

Os dois maiores mandamentos

Os dois maiores mandamentos demonstram que Deus colocou os valores Deus-homem-animal nessa ordem. O primeiro é amar a Deus de todo coração, o segundo é amar o próximo como a si mesmo (Dt 6.4,5; Lv 19.16-18), sem nenhum mandamento para os animais, já que eles seriam parte do restante da criação.

Isso é importante porque alguns incautos e desavisados afirmam que a expressão “próximo” inclui animais. No entanto, o contexto do texto deixa claro que era a pessoas que Moisés estava falando (Lv 19.16,17). Isso é testificado por Jesus quando fala desse mandamento a um escriba ensinando quem era o seu próximo. Jesus apontou para uma pessoa, um samaritano (Lc 10.29-37).

Portanto, o mandamento de amar o próximo é somente canalizado para pessoas e nunca para animais. Na parábola do grande trono branco Jesus afirma que fora ficarão aqueles que não fizeram nada às pessoas e não a animais (Mt 25.31-46).

Paulo e os demais apóstolos, quando ensinaram sobre o amor ao próximo, demonstraram que é somente a seres humanos e não a animais. Eles escreveram:

Romanos 13:8  8 A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.

Tiago 2:8-9   8 Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem;  9 se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores.

Nesses dois textos, tanto Paulo como Tiago demonstram claramente que se referem a seres humanos e nunca a animais. Isso significa que uma pessoa pode tratar muito bem seu cão, mas pecar terrivelmente contra o seu próximo em não ajudá-lo em sua necessidade.

Portanto, o Cristianismo trouxe até a idade Média a seguinte pirâmide de valores:




Deus no ápice da pirâmide; depois viria o homem como criação de Deus e que estava no centro da criação; depois, viriam os animais e outras criações. As pessoas do ocidente pensavam assim com a ajuda da propagação do cristianismo.

A partir do Renascimento, esse pensamento de valor Deus-homem-animal começou a ser golpeado, mas, mesmo assim, ainda se tinha a ideia que Deus estava acima de tudo e o homem como uma criação eminente. Leonardo da Vince retratou muito bem isso quando pintou “o homem Vitruviano”. Mesmo com esse valor sendo arranhado, o homem estava no centro de todo universo.

No entanto, a partir do iluminismo, esses valores foram, aos poucos, nivelando-se e voltando ao pensamento pagão homogênio de valores Deus-homem-animal. Deus começou a ser apenas uma invenção humana, nivelando-se ao humano e o homem passou a ser apenas uma extensão dos animais.

Um filósofo que ajudou a propagar essa ideia na modernidade foi o filósofo Spinoza (1632-1677). Segundo ele, Deus era apenas extensão da natureza e que ambos eram a mesma realidade e uma única substância, embora tendo nomes diferentes. Era o que ele chamava em latim de Deus sive nature (Deus ou natureza). Para Spinoza, os valores da pirâmide acima já não tinham mais sentido, pois ele adotava agora uma espécie de Panteísmo, influenciando a maioria dos pensadores iluministas que viriam.

O ápice dessa tendência foi exatamente a edição do livro do naturalista Charles Darwin em 1859. Para Darwin, o homem era apenas uma continuidade dos demais animais, já que ele viria de um ancestral comum, demonstrando, assim, em seu livro por um desenho de uma árvore.

Na verdade, Darwin estava apenas dando continuidade ao pensamento de Lamark quando lançou a sua obra Histoire Naturelle des Animaux sans Vertèbres em 1815 que afirmava “que todas as espécies, compreendendo o próprio homem, derivam de outras espécies” [Prefácio de DARWIN, Charles. A Origem das Espécies. Porto: Lello & Irmão – editores, 2003].

Aos poucos, Darwin eliminava os valores da pirâmide Deus-homem-animal. Ele tinha recebido uma educação teológica em Cambridge e em várias páginas Darwin ainda falava sobre criação. No entanto, em 1871, Darwin se desfaz por completo dos valores que aprendeu da Bíblia em Cambridge. Ele escreve em seu livro “A origem do homem e a seleção sexual” do qual afirma em sua introdução:

Parecia-me suficiente ter indicado na primeira edição da minha Origem das Espécies, que essa obra irradiaria luz sobre a origem do homem e sua história o que implica que o homem deve ser incluído com os demais seres viventes em qualquer conclusão geral que seja, no que tange ao modo do aparecimento sobre a terra. [DARWIN, Charles. A Origem do Homem e a Seleção Sexual. Curitiba: Hemus, 2002, p. 11]

Com essa declaração, Darwin se separava do modelo bíblico da Revelação Deus-homem-animal de uma forma definitiva.

O outro filósofo a cooperar para desfazer a pirâmide dos valores Deus-homem-animal foi Friedrich Nietzsche (1844-1900). Para Nietzsche, a pirâmide dos valores acima jamais poderia se sustentar. Ele faz a ousada declaração que “Deus está morto”. Ou seja, o homem, libertado de qualquer vínculo, é senhor de si mesmo e dos outros. Esse homem é desprezador de qualquer verdade estabelecida ou está apto para estabelecer ou para exprimir a vida, em todos os seus atos.

Para Nietzsche, Deus está morto no sentido que “o homem nasceu para viver na terra, e não existe nenhum outro mundo para ele fora este. A alma, que deveria ser o sujeito da existência ultramundana, é insubsistente; o homem é somente corpo: ‘eu sou corpo e nada mais’” [MONDIN, Batistta. Curso de Filosofia. São Paulo: Edições Paulinas, 1983, p.77]

A partir desse momento, o homem deixou completamente de levar em conta a pirâmide bíblica Deus-homem-animal. Deus estava morto, o homem é somente corpo e sem nada que seja mais excelente que os animais. O pensamento pós-moderno secular, portanto, coloca esses valores de uma forma monolítica sem nenhuma distinção. O homem é apenas uma extensão de Deus, ou Deus é apenas uma invenção humana e os animais estão no mesmo nível dos homens.

Esse pensamento pós-moderno é o que tem levado muitas pessoas a preocupar-se mais com baleias que com abortos ou mortalidade infantil. Jovens, como os do Green Peace, que deixam suas casas correndo perigo nos mares para coibirem a morte de baleias e outros animais. No entanto, esses mesmos jovens nunca levantaram suas vozes contra o aborto desenfreado em seus países ou contra a violência ou corrupção em países pobres e emergentes.

Esse mesmo pensamento é que tem levado a formar diversas ongs para salvar animais e negligenciado trabalhos com crianças de rua e necessitados. Com essa ideia que bilhões são gastos com acessórios desnecessários para cães e gatos, sendo que milhões de crianças esperam por um pedaço de pão em lixões nas grandes cidades.

Esse mesmo pensamento é que tem levado pessoas a preferirem salvar cães dos laboratórios a deixar para fazer pesquisas contra o câncer e outras doenças que salvarão muitas vidas. Quando foi aprovado a pesquisa com fetos para célula-tronco, ninguém se manifestou a respeito. Nenhum grupo se manifestou, exceto apenas alguns poucos que levantaram as suas vozes em seus blogs.


Qual a relação do cristão para com o animal?

A Bíblia nos dá princípios também para tratar bem os animais domesticados:

Provérbios 12:10  10 O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel.

O verbo hebraico yada’ traduzido para “atentar” quer dizer “dar atenção, observar cuidando”. O sentido é que o justo cuidará bem do seu animal. O cristão deve alimentar, não deve espancar nem levá-los a uma situação de dor sem necessidade (Dt 25.4). No entanto, jamais esse princípio dá base para os colocarmos acima dos homens ou que não os use para serviço do homem em vários aspectos, inclusive em experiências (como os judeus usavam para o sacrifício) ou para salvar vidas humanas. Entre uma experiência com um feto e um cão, um cristão que tenha a revelação da pirâmide bíblica não pensará duas vezes em escolher o cão. No entanto, um cristão com as ideias desse século ficará confuso.

CONCLUSÃO:

Longe de mim fazer uma apologia a uma atitude irresponsável para com os animais. No entanto, jamais devemos colocá-los acima do ser humano, ou tratá-los como tal. Os animais foram criados por Deus para que eles estejam ao nosso serviço (sacrifício, experiências, cargas), alimento e companhia. Portanto, jamais podemos acompanhar o espírito desse século, mas entender que Deus estará sempre acima do homem que estará sempre acima dos animais.