terça-feira, 21 de abril de 2009

OS LIMITES ENTRE REBELIÃO E ABUSO DE AUTORIDADE



Há um grande dilema e questionamento nesses últimos anos: onde começa um abuso de autoridade de um líder para que não seja um ato de rebelião de um membro da igreja ou onde começa um ato de rebelião sem que um líder não abuse de sua autoridade?
Antes de tudo, precisamos concordar que nesses últimos anos muitas doutrinas estranhas e muitos líderes reivindicam uma autoridade inquestionável tanto de doutrina como de algum ato que não convém, levando os seus ouvintes sem nenhuma chance de questionamento ou de discordância. Para isso, eles afirmam que não se pode ir contra o “ungido do Senhor” e demonstram uma espécie de “inerrância” do que falam ou ensinam, levando temor àqueles que ousarem questionar alguma coisa. Por causa disso, muitos afirmam que a expressão “ungido do Senhor” é uma redundância e não se deve aplicar somente aos pastores e presbíteros, mas a todos os crentes em geral, afirmando que “todos são ungidos do Senhor”.
O objetivo desse texto é demonstrar, através das Escrituras, os limites desse grande dilema e procurar fazer também alguns esclarecimentos exegéticos sobre alguns textos, inclusive sobre a expressão “ungido do Senhor”. Procurarei fazer uma hermenêutica sadia com muito temor e tremor. Pretendo, também, trazer uma pequena exegese do texto de 1Tm 5.19-22 que fala das denúncias contra o presbítero e analisar o ponto de vista do apóstolo Paulo sobre autoridade espiritual e quando uma autoridade é questionável.

1. Sinais de Rebelião

Precisamos analisar quando o pecado da rebelião acontece para definirmos a primeira fronteira desse dilema. A rebelião é o pecado mais antigo, segundo a Bíblia. Começou com Lúcifer (Is 14.11-15; Ez 28.13-15). Desses dois textos, Isaías foi o que mais retratou esse episódio sobre o Querubim caído. Ele afirmou que esse anjo de muito esplendor dizia que “exaltaria seu trono acima das estrelas de Deus, acima das mais altas nuvens e seria semelhante ao Altíssimo” (Is 14.13,14). O texto demonstra que esse querubim queria ser semelhante ao Altíssimo. Essa expressão por si mesmo é cheia de soberba e pecado, pois se Deus é Altíssimo, como alguém pode ser semelhante a ele? A expressão hebraica le´eleyon é usada somente para Deus no Sl 50.14. Esse adjetivo hebraico com a preposição antecedendo significa “ao Altíssimo” e demonstra que Lúcifer queria ter a autoridade que somente Yahweh tem, sendo mais que Deus, pois o adjetivo é superlativo e não dá espaço para duas autoridades com as mesmas características.
A rebelião se manifesta juntamente com a soberba e o desejo de ser e estar no lugar do líder. Dificilmente alguém em rebelião confessaria seu pecado, pois a soberba cega tais pessoas que o pratica, tendo sempre um pretexto que justifique tal prática. Satanás queria ser Altíssimo e tentou fazer isso levando consigo um terço dos anjos (Ap 12.3,4). Geralmente, a rebelião contamina outros também. Para isso, o rebelde precisa vender uma imagem negativa do líder para que ele possa chegar a seus objetivos. Tudo indica, que foi isso que Lúcifer fez para convencer um terço dos anjos. É assim que Absalão fez para fazer a maior rebelião em Israel de todos os tempos (2Sm 15.6). Esse texto afirma que Absalão “furtava” o coração do povo. Isso quer dizer que ele forjava uma conspiração contra Davi, seu pai, convencendo as pessoas e vendendo uma má imagem de Davi. A mesma coisa fez Jeroboão na divisão do reino de Israel (1Rs 12.15-18).
A rebelião é tão forte que Samuel tratou como o pecado da feitiçaria (1Sm 15.23). Isso se harmoniza quando lembramos que a rebelião é o pecado inicial vindo de Satanás e nos assemelhamos a ele, fazendo a sua vontade. A rebelião é agir diretamente contra Deus, pois, com esta prática, afirmamos que aquele que constituiu o líder falhou e automaticamente o rebelde se coloca no lugar de Deus.
Mas vem a pergunta que não se quer calar: quer dizer que devo aceitar tudo que o líder diz e quer fazer? Quando é que eu posso discordar do líder e não agir com rebelião? Para isso, vamos seguir o exemplo de Davi.

2. Davi, o paradigma de submissão

Dificilmente alguém que fala de rebelião ou submissão não toca na história de Davi. Geralmente, aqueles que são rebeldes evitam falar nesse texto ou interpretam de uma forma equivocada dizendo que não se aplica para hoje. Por outro lado, há outro extremo em dizer que esse texto da história de Davi é base para evitar todo questionamento ao líder ou para basear-se para um abuso de autoridade. Para isso, precisamos analisar o texto de 1Sm 24.4-15.
Esse texto nos dá uma boa base para entendermos os limites de discordarmos sem que caiamos no erro da rebelião. Precisamos entender, primeiro, o que estava a favor de Davi. Davi fora ungido rei de Israel; Saul estava definitivamente errado em suas ações querendo matar Davi por inveja; Deus havia rejeitado Saul, dito pelo profeta Samuel e Davi sabia muito bem disso; Davi tinha o ônus da legítima defesa; ele foi incentivado pelos seus homens (v.4): “Então, os homens de Davi lhe disseram: Hoje é o dia do qual o SENHOR te disse: Eis que te entrego nas mãos o teu inimigo, e far-lhe-ás o que bem te parecer. Levantou-se Davi e, furtivamente, cortou a orla do manto de Saul”. Tudo isso estava a favor de Davi, mas precisamos analisar como Davi tratou seu maior inimigo a quem ele chamou de “ungido do Senhor”.

2.1. Davi sentiu bater no coração a humilhação de Saul (v.5)

O que podemos notar no texto é que o que Davi sentiu no coração não foi o prejuízo das vestes reais de Saul, mas a humilhação de Saul tendo suas vestes reais rasgadas diante de seu exército. Isso nos traz o princípio que precisamos ter muito cuidado a expor líderes e autoridades à humilhação. Paulo pediu desculpas ao sumo-sacerdote que chamou de “parede branqueada” (toiche kekoniamene) (At 23.2-5). Essa expressão grega demonstrava uma ironia chamando-o de hipócrita. O particípio perfeito do verbo (koniao / kekoniamene) traduzido para “branqueada” acontece uma única vez mais quando Jesus chamou os fariseus de “sepulcros caiados” em Mt 23.27. Embora que o sumo-sacerdote estava errado, mas Paulo, imediatamente, desculpou-se e citou Ex 22.28, onde afirma: “Contra Deus não blasfemarás, nem amaldiçoarás o príncipe do teu povo”. Paulo teve o temor do Senhor em humilhar uma autoridade judaica, mesmo ele tendo razão ou motivos para tal coisa. Nós podemos discordar de uma autoridade, podemos dizer que não concordamos e até afirmar que essa está errada; mas, entre discordar de uma autoridade e humilhá-la são duas coisas totalmente diferentes. Podemos discordar de um pastor ou qualquer líder que está sobre nós, mas jamais poderemos trazer constrangimento e humilhação a esses líderes. Eu mesmo já escrevi criticando algumas doutrinas de alguns pastores, mas jamais ataquei esses pastores, deixando bem claro que falo de suas doutrinas e não de suas pessoas ou ministérios.

2.2.Davi não perdeu o respeito a Saul (v.8)

Não foi à toa que Davi foi chamado “o homem segundo o coração de Deus”. Davi agiu em total respeito a Saul, mesmo na situação desfavorável e em total erro deste. Podemos notar isso pelas palavras como Davi tratou Saul: “Ó rei, meu senhor!”. Mesmo sendo perseguido, com risco de morte e com Saul em suas mãos, ele chama Saul de “rei” e “meu senhor”. Davi, não somente chamou Saul dignamente, mas saudou-o como rei: “inclinou-se Davi e fez-lhe reverência, com o rosto em terra”. Isso nos dá um princípio de que o líder pode estar errado como estiver, mas não devemos perder o respeito à sua pessoa. No caso de problemas em igrejas com pastores, um membro de uma igreja, ao se sentir ofendido ou injustiçado por um líder ou pastor, pode, sem perder o respeito, pedir a sua carta ou afastamento de seu cargo, ou até mesmo uma demissão; mas, jamais, podemos desrespeitar um líder ou autoridade constituída por Deus. Isso se não couber a reconciliação.
O NT nos adverte sobre o cuidado de não perdermos o respeito aos pastores e líderes. O autor aos Hebreus escreveu que devemos ser persuadidos (Hb 13.17), que foi traduzido pela RA como obedecer. O verbo (peitho) pode estar tanto na voz média como na voz passiva no presente. Apesar de que os léxicos colocam esse verbo na voz média, tendo como objeto “aos vossos líderes”, pode-se perfeitamente ser classificado na voz passiva, tendo “aos vossos líderes” como agente da passiva. Tiago escreveu o mesmo verbo na mesma voz passiva para descrever a obediência dos cavalos, tendo como agente da passiva “nós” (pros to peithesthai autous hemin) (Tg 3.3). Portanto, pode-se perfeitamente entender que o autor queria demonstrar um respeito ao líder, mesmo que haja discordância de suas idéias, pois o sujeito é vós e sofre a ação do verbo. Mesmo assim, o autor usa outro verbo para demonstrar que devemos ser submissos aos nossos líderes e autoridades.

2.3.Davi não deixou de expressar sua discordância a Saul (v.9-12)

Davi não deixou de discordar de Saul. Ele afirmou do verso 9 a 12 que a perseguição dele era injusta e se ele fosse mesmo mau como Saul o concebia, ele o teria feito mal. Isso demonstra que discordar do líder não é rebelião de forma alguma. Podemos discordar com muita educação de um líder, pastor, presidente ou qualquer líder que foi constituído por Deus. Contanto que façamos isso com zelo, respeito e sem agredir a pessoa dessa autoridade.
A Bíblia demonstra que aqueles que têm uma mente crítica são considerados nobres como os crentes de Beréia (At 17.10,11). Eles procuraram analisar as próprias palavras dos apóstolos Paulo e Silas para ver se de fato tinham base nas Escrituras. Eles fizeram isso, sem cair no erro da rebelião. Portanto, pode-se, perfeitamente, criticar uma ideologia de um professor, pastor, até de nossos próprios pais com todo respeito e sem atacar sua autoridade diretamente ou atingir a sua reputação. Rebelião é um ataque direto à autoridade. Por isso que em Isaías afirma que Lúcifer queria assentar-se no trono de Deus.

3. A expressão “ungido do Senhor” para pastores

Estaria correto falar que os pastores são “ungidos do Senhor”? Temos base nas Escrituras para falar isso? Precisamos seguir os trilhos da Palavra de Deus e com muito cuidado analisar essa expressão. Primeiro, precisamos concordar que essa expressão não existe no NT para pastores. Segundo, precisamos concordar, também, que todos os crentes são ungidos do Senhor, pois partirmos do princípio que temos a unção de Deus que é o seu Espírito Santo (1Jo 2.20; 27). Precisamos, ainda, demonstrar que muitos usam o texto de 1Cr 16.16 e Sl 105.15 “não toqueis nos meus ungidos” sem levar em conta o seu contexto, pois ele está relacionado a todo o povo de Deus. Embora, que fale “e nos meus profetas” de uma forma enfática, mas a expressão “os meus ungidos” está relacionada a todo o povo de Deus.
Não obstante a tudo isso, precisamos entender alguns princípios que a Bíblia nos ensina sobre o presbítero e pastor:

3.1.O pastor é constituído diretamente pelo Espírito Santo (At 20.28)

O Espírito Santo é aquele que constitui os bispos e pastores. Paulo deixa isso bem claro nesse texto de Atos. Se é o Espírito Santo que os constitui, podemos concluir que é uma espécie de unção para liderança em especial. Por isso que Paulo fez analogia dos bispos e presbíteros com os sacerdotes e levitas aos coríntios (1Co 9.13). Está claro que Paulo não está ensinando um ministério sacerdotal, pois todos os crentes são sacerdotes reais (1Pe 2.9), mas está fazendo uma profunda analogia de quem também foi ungido ou escolhido pelo Espírito Santo como afirmou Paulo aos presbíteros de Éfeso.

3.2.O pastor era reconhecido através de imposição das mãos (1Tm 4.14; 5.22)

A imposição das mãos era uma forma de demonstrar a escolha do presbítero. Por isso, Paulo adverte a Timóteo que não impusesse as mãos precipitadamente. Essa prática foi realizada por Moisés ao seu servidor Josué demonstrando a unção de Deus sobre o seu servidor (Nm 27.22,23). Ananias fez dessa forma com Paulo para indicá-lo ao ministério (At 9.17).
Portanto, podemos concluir que se somente algumas pessoas são escolhidas para que os presbíteros imponham as mãos, que o Espírito Santo que os escolhe e levanta-os para estarem à frente do rebanho; então, não é errado dizer que um pastor é ungido do Senhor, embora que se deixe claro que é no sentido de liderança.
Se alguém reivindica que não existe essa expressão de uma forma direta no NT para pastores, temos também que admitir que não existe para os crentes no sentido geral. Portanto, mais uma vez precisamos interpretar as Escrituras com inteligência levando em conta o todo das Escrituras.
Geralmente, aqueles que estão contaminados pela rebelião não vão aceitar essa expressão para os pastores, mas, pelo menos, temos que admitir que eles foram escolhidos pelo Espírito Santo para pastorearem e sobre eles foram impostas as mãos do presbitério para que estivessem à frente, sendo confirmado pelo próprio Deus (Mt 18.19). Isso não acontece com a maioria dos crentes na igreja local. Portanto, é perfeitamente legítimo chamar um pastor de ungido do Senhor deixando claro que é no sentido de autoridade sobre a igreja local.

4. Sinais de Abuso de Autoridade

Precisamos, primeiramente, conceituar o que vem a ser abuso de autoridade. É quando o líder usa sua autoridade para coagir, controlar, usar e impedir que seu subordinado tenha sua própria opinião. Principalmente, quando esse líder fere um princípio da Palavra de Deus que está acima de qualquer autoridade da terra. Para isso, temos um exemplo muito esclarecedor das Escrituras em At 4.15-20. Os apóstolos foram coagidos, proibidos e ordenados a não falar de Jesus Cristo pelo sinédrio que eram as autoridades naquele momento, mas eles responderam que importava obedecer a Deus. Precisamos analisar que todas as vezes que um líder nos coagir a fazer algo contra a Palavra de Deus, devemos, respeitosamente, negar. Os discípulos fizeram assim. Não desrespeitaram o sinédrio, não os desacataram; mas puderam demonstrar que Deus está em primeiro lugar e ele deve ser obedecido mais que qualquer líder terreno.
Abuso de autoridade se manifesta quando o liderado não tem voz, quando não se admite que o liderado possa discordar de alguma coisa, porém, precisamos ter muito cuidado, pois se uma determinação de um líder não transgride um mandamento de Deus e não ofende a pessoa do liderado, deve ser realizado, mesmo que o liderado não queira ou aceite. É isso que Hebreus 13.17 quer nos ensinar.
Nós, pastores, precisamos estar atentos ao que Pedro ensina na sua epístola (1Pe 5.2,3). Devemos pastorear o rebanho de Deus sem agir por constrangimento, sem sórdida ganância e sem sermos dominadores, mas espontaneamente, de boa vontade, tornando-nos modelos do rebanho. Portanto, Pedro nos ensina que a autoridade de um pastor é conquistada e não imposta. Por outro lado, nada justifica a rebelião, pois está na natureza e orgulho dos seres morais. Basta pensarmos que nem Deus ficou isento de uma rebelião como no caso de Lúcifer, Adão e Eva.
Portanto, facilmente alguém nota um abuso de autoridade. O que podemos fazer quanto a isso? Precisamos analisar com maturidade. Aquilo que é contrário à Palavra, não devemos fazer, se podemos sair da igreja, pedir demissão de um cargo ou evitar ter aquela pessoa como líder, eu posso fazer muito bem isso sem que eu o humilhe, passe por cima da sua autoridade ou aja com desrespeito contra essa autoridade. Caso contrário, podemos cair no pecado da rebelião.
O que fazer quando um líder eclesiástico não andar conforme as Escrituras? Para responder isso, precisamos analisar o que Paulo escreveu a seu filho na fé, Timóteo.

5. Análise de 1Tm 5.19-21

19 Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. 20 Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam. 21 Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade.

Precisamos receber esse texto com bastante temor e tremor, pois Paulo estava ensinando a Timóteo, que era pastor da igreja de Éfeso, a lidar com esse problema entre presbíteros ou pastores. Precisamos ver as advertências de Paulo nesse texto:

5.1.Cuidado com as denúncias contra os presbíteros

Paulo alerta a Timóteo que não receba denúncia contra presbítero. A palavra (kategoria) traduzida para denúncia tem uma reivindicação de buscar um tribunal. A palavra é derivada de duas outras palavras que é a preposição (kata) “contra, segundo” e o substantivo (agora), “reunião, assembléia formal. Das 4 vezes que aparece no NT, duas são colocadas nessa acepção (Lc 6.7; Jo 18.29). Portanto, Paulo demonstra uma acusação que tem uma reivindicação para um julgamento formal.
Paulo proíbe qualquer reivindicação de acusação contra um presbítero, exceto, se tiver duas ou três testemunhas. Paulo usa o método da Lei (Dt 17.3-7). Essas duas ou três testemunhas dizem respeito à mesma acusação ou evento específico. Muitas pessoas interpretam errado essa expressão colocando para quando houver várias denúncias de várias acusações, mas implica duas ou três testemunhas da mesma acusação específica. Isto quer dizer: se houver duas denúncias, deve-se ter duas ou três testemunhas de cada denúncia contra o presbítero. Foi isso que o sumo-sacerdote percebeu nas acusações contra Jesus. Eles interpretaram a Lei errado trazendo testemunhas diferentes de acusações diferentes (Mt 26.59,60). Mateus afirma que apresentaram muitas testemunhas contra Jesus (v.60), mas não foram coerentes e aceitas por terem sido de várias ocasiões diferentes. Por isso que Marcos afirma que essas testemunhas não foram coerentes (Mc 14.56). Mesmos assim, apareceram duas testemunhas contra Jesus. O problema agora não é a incoerência nem a mentira dessas testemunhas, mas a interpretação que elas tiveram das palavras de Jesus acerca do templo. Elas estavam afirmando que Jesus queria destruir o templo de Deus quando ele afirmou que se eles destruíssem o templo, ele reconstruiria em três dias. Isso demonstra que as testemunhas, mesmo falando coerentemente podem ser manipuladas e trazer uma má interpretação.
Por causa disso e para preservar a imagem do presbítero, deve-se analisar com bastante cuidado as testemunhas, coerência e veracidade destas de cada denúncia específica.
Não se pode esquecer, antes mesmo de mostrar as testemunhas, do que Jesus ensinou nos evangelhos que se deve questionar e demonstrar ao acusado pessoalmente. Mateus escreve: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. 16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. 17 E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mt 18.15-17). Notemos que antes de tomar duas ou três testemunhas, Jesus afirma que se deve argüir entre o acusado pessoalmente, mostrando provas e questionamentos, sozinho com a pessoa.
William Hendriksen, renomado teólogo e exegeta, no seu comentário exegético de Timóteo escreve:

“os presbíteros são excetuados ainda de responder a uma acusação (cf. Ex 32.1 na
LXX), a menos que esteja imediatamente endossada por duas ou três testemunhas.
Sem esse apoio, a acusação não deve ser levada em conta nem ainda recebida. Não
se deve prejudicar desnecessariamente a reputação de um presbítero, e sua obra
não deve sofrer uma interrupção desnecessária” (Comentário do NT: 1 Tim, 2Tim e
Tito. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 228).


Precisamos entender que Jesus Cristo é o Senhor da Igreja e ele prometeu estar presente quando dois ou três estiverem reunidos em seu nome; ele prometeu, também, que quando alguém ligar acerca de qualquer coisa aqui na terra, terá sido ligado no céu (Mt 18.19,20). Portanto, não se pode esquecer que Jesus Cristo cuida de sua igreja e ele dirigirá os líderes a uma conclusão conforme a sua vontade, pois devemos analisar esses princípios antes de qualquer denúncia ao presbítero.

5.2.A repreensão em público ao presbítero (v.20)

Paulo faz uma advertência a Timóteo forte. Ele afirma que “aqueles que vivem no pecado” (tous hamartanontas). Esse verbo está no particípio presente e tem uma ação constante e clara. Paulo está falando dentro do contexto do verso anterior. Quando forem apresentadas as provas e denúncias ao presbítero, pessoalmente, conforme ensinou Jesus, mesmo assim o presbítero está em plena prática, deve-se, então levar à igreja. Caso seja provado, pois o verbo no verso 20 (elencho) quer dizer provar de uma forma inteligível, então deve ser repreendido publicamente pelo presbítero que está dirigindo a reunião. Não devemos esquecer que é a Timóteo que Paulo está escrevendo e não a um membro comum da igreja e jamais esse texto nos dá base para humilhar, usar de maledicência contra um presbítero, qualquer que seja ele; mas diante de testemunhas de um mesmo caso ou evento.

Conclusão

Devemos ter o cuidado de não cair no pecado da rebelião e do abuso de autoridade. Para isso, devemos analisar as Escrituras, pois facilmente os rebeldes escolherão textos para justificar a sua rebelião e facilmente, também, os que usam de abusos de autoridade usarão textos para justificar as suas ações, mas quando nos deparamos com o todo da Bíblia e uma interpretação coerente, temos que nos inclinar diante desta Palavra, pois é através dela que somos santificados (Jo 17.17).
Lembremos que o arcanjo Miguel deu o maior exemplo de submissão quando contendia a respeito do corpo de Moisés. Ele respeitou a autoridade da essência do mal, Satanás (Jd 1.8-10). Judas estava ensinando exatamente o respeito às autoridades e usou uma literatura apócrifa sobre Moisés, sendo confirmado pelo Espírito Santo como fiel. Vemos que Miguel tinha tudo para fazer um juízo difamatório do diabo, mas respeitou-o e deixou que o Senhor o repreendesse. Precisamos entender que uma autoridade é um representante de Deus e ministro também (Rm 13.4; Jo 19.11) e qualquer autoridade deve ser respeitada e honrada, mesmo que não concordemos com elas. Portanto, precisamos ter muito cuidado de não cair nesse terrível erro e agir da mesma forma que Satanás. Que Deus tenha misericórdia de nós.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

CRIME DE BRASÍLIA: FALAR A VERDADE


O Brasil foi impactado com as declarações do senador Jarbas Vasconcelos à revista Veja dessa semana nas páginas amarelas com o título, dado pela revista, “o PMDB é corrupto”. O que impressiona é que o senador não afirma uma novidade, mas todos sabem que é uma realidade incontestável. O mais grave disso é que quem se esperava que fosse punido não foi, mas foi o senador Jarbas Vasconcelos que foi alvo de vários processos. Simplesmente por dizer a verdade. Ele afirma que os senadores costumam ser eleitos em troca de cargos e, segundo o senador, “90% deles praticam o clientelismo, de olho, principalmente nos cargos”. Afirma ainda que o senador José Sarney está nesse meio e é um retrocesso para a nação. Na verdade, o senado e a câmara refletem o caráter desse governo que, apesar de sua popularidade, foi o mais corrupto de todos os tempos.


O presidente Lula deu muitas contribuições, não se pode deixar de afirmar isso, mas custou caro para a ética na política brasileira. O pior é que se têm poucas opções. Lula foi beneficiado pelo pensamento relativista ético pós-moderno. Esse pensamento demonstra um pragmatismo sem se importar com nenhum compromisso com a ética. Isso parece bom, mas traz uma cadeia destrutiva imensurável. Os que votam no Lula dizem: “todo governo não é corrupto?”. Isso demonstra uma profunda acomodação, já que não se tem a preocupação de buscar solução para isso. Acontece o que o senador afirmou: “se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?”. Com isso, vem todo tipo de corrupção e acomodação na sociedade. O Collor foi muito pequeno diante das denúncias desse governo, mas, ao contrário, a popularidade do Lula está em alta. A prova desse pensamento pós-moderno é a eleição de Hugo Chaves na Venezuela. Ele ganhou o direito de reeleger-se por mais 10 anos. As pessoas não pensaram nas conseqüências que isso pode acontecer a logo prazo e no que tem acontecido.


Na verdade o senador Jarbas Vasconcelos errou por falar da corrupção de um governo que encobre e que nada faz por moralizar seu governo. A eleição de José Sarney demonstra como está a nossa política e que qualquer um poderá ocupar as tribunas do senado e da câmara federal. Basta ter boas “benesses” para trocar aos seus pares, como afirmam.


Portanto, num país que protege um criminoso italiano, era de esperar que tivesse mesmo como presidente do senado e da câmara os respectivos parlamentares. Era de se esperar também que a popularidade de Lula estivesse em alta, que não fale de ética, de mudança de atitude dos políticos embora que tudo isso traga conseqüências gravíssima à nossa sociedade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

UMA RESPOSTA À CRÔNICA DE ANDRÉ PETRY – LEMBRA-TE DE DARWIN


É assustador como há tanta desinformação e preconceito em alguns que defendem a teoria da evolução (TE). É assustador como um cronista de uma revista tão renomada possa ser tão sectário e tão fechado à antítese. Como diz Karl Popper:


Todos os enunciados da ciência empírica (ou todos os enunciados "significativos") devem ser suscetíveis de serem, afinal, julgados com respeito à sua verdade e falsidade; diremos que eles devem ser "conclusivamente julgáveis". (POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: EditoraCultrix, p.41.)



Segundo Popper, a Ciência não pode ser considerada se ela não for colocada em teste de sua falseabilidade. O jornalista colocou a TE no patamar de um simples dogma e que aqueles que questionarem ou ensinarem algo contrário devem ser considerados como obsoletos, místicos, simples, embrutecidos.
O objetivo desse texto é trazer alguma contribuição àqueles que leram o artigo feito por André Petry. Imagino que será uma contribuição, inclusive, ao autor do artigo, caso ele chegue a ler, pois, ao que parece, o autor desconhece muitas descobertas e estudos científicos que questionam a TE. Se fosse um artigo sério e intelectual, o autor deveria, pelo menos, ter citado alguns cientistas renomados ou descobertas que questionam a TE. O que lemos é uma visão unilateral sem pesquisa trazendo equívocos graves para quem fala no assunto.
O primeiro equívoco do autor é relacionar o Criacionismo diretamente à religião e à Bíblia. Apesar de que a Bíblia traga o relato criacionista, mas hoje em dia o Criacionismo está relacionado diretamente às pesquisas do chamado Design Inteligente (DI) ou, em inglês, Inteligent Design. Isto acontece devido a pesquisas e descobertas por cientistas sobre a possibilidade de haver um designer por trás da criação. O mais destacado cientista e autor que questiona a TE é o PhD em Bioquímica Michael Behe em seu livro “A Caixa-Preta de Darwin”, onde ele dá vários motivos, desde o flagelo bacteriano à complexidade de uma célula demonstrando a impossibilidade de terem vindo da Seleção Natural. Ele chamou isso de “Complexidade Irredutível” e fez uma analogia a uma ratoeira que, para que fosse usada, teria que todas as partes desta fossem feitas com um propósito concomitantemente.
A descoberta do DNA também trouxe muitas dúvidas à TE, pois, como proteínas puderam ser formadas sem o próprio DNA, já que todas as informações para tal estão nele mesmo. Jamais foi comprovado o LUCA (Last Universal Common Ancestor - o suposto ancestral em comum que Darwin afirmou que teria vindo todos os seres vivos). O que se pode ver é que a TE não passa de uma teoria e não passou pelo teste da sua falseabilidade, pois há inúmeras dificuldades que jogam por terra os seus alicerces. Uma delas é a hereditariedade das espécies, pois jamais foi comprovado que modificações por situações sejam hereditárias como, por exemplo, o corte de uma asa, dedo, acomodação de um órgão para mudança de uma espécie totalmente diferente. Há muito tempo, Lamarck defendeu a chamada “Herança dos caracteres adquiridos”, mas foi tristemente frustrado colocando em eco o que Darwin já havia proposto como afirma a revista Scientific American – “Os grandes Erros da Ciência” falando da frustração da herança dos caracteres adquiridos: “Quem fez a primeira investigação sistemática a respeito disso, coletando numerosas informações, foi Darwin” (p.46-47). É difícil pensar na hereditariedade em macroevolução sem a comprovação dos caracteres adquiridos.
O autor num parágrafo afirma que a criação em 6000 anos não é ciência, mas fábula. Com base em que o autor conceituou ciência? Pelo que se pode notar, ele usou um critério circular – ciência é aderir à TE, fora disso não é ciência. Ele não analisou as descobertas e análises de cientistas que colocam os relatos da Bíblia como uma possibilidade, embora que os cientistas do DI não a usem como base para suas teorias. Eles defendem com base em experimentos científicos que a Seleção Natural é completamente inviável, mas que essas pesquisas somente se explicam através de uma criação inteligente.
Outro fator importante: Qual critério o autor usou para chamar de fábula uma literatura que ele, ao que parece, é completamente leigo? Fábula é ficção e que não se tem nenhuma associação com a ciência. Diferente da Bíblia. Existem análises científicas que colocam os seus relatos como a única explicação. Um exemplo disso foram as pesquisas sobre os halos de Polônio que sugerem uma criação e não um estágio evolutivo de muitos anos. Outras experiências demonstram uma complexidade irredutível e fatores que exigem que tenham um designer por trás sem que alguém acredite na patética panacéia da seleção natural.
O autor compara desafortunadamente o Criacionismo com a Numerologia e a Alquimia. O autor não percebeu que essas não são ciências, mas a Bioquímica, Biologia, geologia e outras são ciências e confirmam a possibilidade de uma criação. O que o autor chama de atraso, Karl Popper chama de pesquisa científica; o que o autor chama de atraso, eu chamo avanço, pois precisa-se ter uma mente crítica para qualquer declaração pseudocientífica e isso tem que vir desde já na escola. Se o Criacionismo é apenas uma superstição, é fácil demonstrar. Não se tem o que temer, porém, se os fatos científicos, que crescem cada vez mais, colocam em xeque a TE, eu entendo o medo desses educadores e adeptos em geral.
O autor faz algumas declarações estranhas e imagino que ele esqueceu que estamos na era da cibernética e que o conhecimento é global a todas as pessoas porque seu texto foi tosco, obtuso e cheio de hiatos epistemológicos. Por exemplo, ele afirma: “Darwin foi um gênio. Em seu tempo, não sabia como as características hereditárias eram transmitidas de pai para filho”. Pelas descobertas atuais, talvez, Darwin não fosse nem avante de sua teoria, pois isso foi o calcanhar de Aquiles de Darwin. Com a descoberta do DNA e com o desenvolvimento da tecnologia, descobriram-se complexidades nos seres vivos que a seleção natural jamais responderia à sua organização, função e desenvolvimento. Foi Darwin que disse: "Se pudéssemos demonstrar que tal órgão complexo existisse, o qual possivelmente não pudesse ter sido formado por pequenas modificações sucessivas, minha teoria iria totalmente por água abaixo". Michael Behe demonstrou isso nas suas pesquisas científicas. Portanto, o próprio Darwin foi humilde em reconhecer a vulnerabilidade de sua teoria, coisa que é difícil a alguns hoje em dia.
O autor também afirmou como se fosse algo indubitável que a terra tem 4,5 bilhões de anos. Há fortes controvérsias sobre essa data, pois é uma especulação, já que os métodos de datação radioativa são completamente relativos e não são eficazes dependendo de estimativas especulativas iniciais da rocha que se analisa. A prova disso são as datas que mudam em revistas científicas. Por exemplo, a revista Scientific American, edição no. 42 – novembro de 2005 afirma:


Manuais de geologia afirmam que nosso planeta passou seus primeiros 500 milhões de anos coberto por magma quente, mas essa tese pode estar errada. Cristais de zircão revelam que a superfície da Terra talvez tenha esfriado bem antes, permitindo desde cedo o surgimento de oceanos, continentes e oportunidades para a origem da vida. (ênfase minha)


Portanto, as teorias de datação da terra são especulativas e não passam de uma teoria circular, pois colocam em datas que a TE se enquadre para dar o seu devido tempo. O problema é que não se pode ter como prova essas datas. Existem cientistas que defendem datas recentes da terra e que esses números exorbitantes são apenas teorias. Nada mais.
“Confundido com Criacionismo Darwin parece um macaco tolo”. Essas são as palavras finais do autor. Espero que não tratemos ciência com preconceito, sectarismo; se não, teremos realmente uma mente de macaco. Portanto, quero terminar defendendo o ensino do Criacionismo, pois se o autor tivesse uma aula dessas, ele não faria um texto tão desajeitado deixando, pelo menos, de tocar em alguns assuntos importantes para quem fala em teoria da evolução.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

MAIS UMA DE VERDADE RELATIVA


“a verdade é absoluta, mas minha percepção dela é sempre relativa”.

Há uma grande falácia e contradição nessa declaração. Como sempre, essa declaração cai no mesmo erro de quem afirma: "toda verdade é relativa".

Essa declaração é uma outra forma de afirmar que a verdade é relativa. É como alguém que diz que o Pão de açúcar é no Rio de Janeiro. Outro concorda com a afirmação, mas diz que as pessoas erram em qual seja este lugar, pois elas não têm certeza.

Se alguém afirma que a verdade é absoluta, jamais pode afirmar que os meios para obtê-la são SEMPRE RELATIVOS depois disso. Como ele pode afirmar que a verdade é “sempre relativa” se não tivesse uma análise e percepção absolutas!? A verdade não está desassociada da sua epistemologia. Caso contrário, como se saberá que essa verdade é absoluta ou relativa? Somente alguém que use os meios da verdade absoluta para saber que esta é absoluta ou relativa. É como se alguém dissesse que existisse um planeta que tenha somente macacos, mas depois diga: só que a forma de saber se isso é verdadeiro ou falso é relativo. Como alguém pode afirmar algo sem que use os meios absolutos de verdade? Isso não é inteligente, mas patético.

Sabemos que a verdade é absoluta e, apesar das dúvidas e relativismo do pensamento da maioria das pessoas, existe a percepção absoluta, usando meios absolutos e confiáveis de pesquisa. Deus manifestou essa verdade através de sua Palavra de uma forma absoluta a seres humanos que são capazes de pensar, pesquisar e usar meios confiáveis. Paulo chega a falar: “mas se o nosso Evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” (2Co 4.3,4)

sábado, 14 de junho de 2008

ENTREVISTA COM Dr. RUSSEL SHEDD


Vale a pena ler a entrevista de Oziel Alves do Jornal Rio Grande Gospel com o Dr. Russel Shedd. Uma referência de vida e de erudição em nossos dias.


Você quer prosperidade? Então peça um câncer pra Deus!


Russell Shedd é um dos maiores "pensadores" da igreja na atualidade. Nasceu na Bolívia, foi criado nos Estados Unidos e tem passagem por diversos outros países como Alemanha, Inglaterra, Portugal, Escócia etc, onde estudou, ministrou palestras ou desenvolveu algum trabalho na obra de Deus. Formou-se em teologia no ano de 1949 pelo Wheaton College, fez mestrado em estudos do novo testamento no Faith Seminary, em Philadephia e aos 25 anos adquiriu o título de Ph.D em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo na Escócia. Casou-se em 1957, e teve 5 filhos. Lecionou na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Fundou a Editora Vida Nova há mais de 40 anos e atualmente é consultor da Shedd Publicações. Dr. Russel Shedd é também missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil desde 1962. Tem colocado seu pensamento a disposição do público através da boa literatura que não pode faltar na biblioteca de um bom leitor. Entre suas obras publicadas estão A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia, Disciplina na Igreja, A Escatologia do Novo Testamento, A Solidariedade da Raça, Justificação, A Oração e o Preparo de líderes cristãos, Fundamentos Bíblicos da Evangelização, Teologia do Desperdício e Criação e Graça: reflexão sobre as revelações de Deus. Além disso, Russel Shedd se notabilizou mormente pelos comentários da Bíblia que leva seu nome na capa: Shedd.


RGG – Uma pergunta trivial, mas que o público quer saber: Qual a sensação de ter uma bíblia com o seu nome?


SHEDD – Bastante constrangimento e até vergonha, porque eu não autorizei que utilizassem o [meu] nome. Quando eu sai da [editora] Vida Nova, passei para um senhor, [chamado] Dr. Alan, que não está mais no país. Ele logo começou a reformular a Bíblia Vida Nova e a transformá-la na Bíblia Shedd. Ele me falou antes de colocar o nome que iria colocar o [meu] nome, e eu disse: Não, você não pode fazer isso! Não autorizei. Mas, quando saiu já estava o nome lá, e não somente em letras pequeninhas, lá embaixo, mas, em letras enormes (risos). É um constrangimento constante, meu irmão.


RGG - Que razão o senhor atribui a esta diminuição do número de cristãos pela qual países como Inglaterra, França, Alemanha, enfim... este achatamento que toda a Europa está passando, atualmente? Países que chegaram ter 40% de sua população evangélica, sobretudo depois da reforma, sob a influência dos calvinistas, e hoje tem 0,5%, 1%, 2% no máximo?


SHEDD – Certo. A razão disso é a maneira como os pastores foram preparados nas universidades. Homens, lecionando matérias do seminário na universidade... Por exemplo, em toda a Europa os pastores são preparados em universidades e os seus professores são incrédulos. Então, um jovem que quer servir a Deus, logo perde sua fé, e logo está pregando uma palavra, sem Deus, sem fé, sem bíblia, porque não crê.


RGG - O senhor fala em uma de suas entrevistas que na Alemanha, por exemplo, igrejas estão adotando uma cláusula exigindo que o pastor seja crente?


SHEDD – Exatamente. Na igreja do meu genro e filha [...] Eles trabalham com duas igrejas lá em [Ruíte] perto de "Sttutgart" e... quando ele fazia parte do conselho da igreja, colocaram esta cláusula exigindo que o pastor, desta igreja, fosse crente.


RGG - O senhor acha que o cristianismo está condenado a países economicamente necessitados, fazendo prevalecer aquela máxima: "O número de igrejas evangélicas é diretamente proporcional a quantidade de problemas de uma nação"?


SHEDD – Em parte, isso é verdade. Jesus já mostrou que a pobreza, a necessidade, é uma pressão muito forte a busca de Deus. Na medida em que alguém como aquele holandês, em Amsterdã, 2000, falou: Por que eu preciso de Deus? Eu tenho tudo que eu quero na vida. [...] com a falta de crer que existe uma vida posterior a esta, que haja um juízo da parte de Deus, tais pessoas olham para esta vida, como uma única. Uma vez que a gente tem tudo que quer nesta vida, por que é que se vai precisar fazer esforço para conhecer a Deus ou fazer a vontade dEle?


RGG - Teologia da prosperidade. Hoje pela manhã, o senhor falou que se um crente quer prosperidade, então deve pedir um câncer a Deus. Em outras palavras o senhor quis dizer "morte com salvação é a verdadeira prosperidade. Foi isso mesmo ou não entendi bem?


SHEDD - Não, foi isso mesmo! (risos). Quero dizer a prosperidade que a bíblia garante para os crentes é na vida vindoura, é nos galardões que à receberemos. Paulo diz em II Coríntios 4, que a "Glória futura está diretamente ligada ao sofrimento nesta vida". Se a gente quer glória na vida vindoura, [devemos] esperar sofrimento nesta vida, especialmente, o sofrimento da perseguição. [II Coríntios 4:16]. Deixe me ler este versículo porque eu creio que os leitores vão querer saber o que a bíblia diz, exatamente, sobre prosperidade. "Por isso, não desanimamos, embora, exteriormente estejamos a desgastarmos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia. Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos (e Paulo sofreu muito, nós não chamaríamos de leves) estão produzindo para nós uma "glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê, é eterno"...


RGG - Até onde esta teologia da prosperidade terrena é saudável? Explicando melhor, todos nós queremos alguma coisa. Um carro novo, uma casa maior, um emprego melhor... mas afinal de contas, pedir estas coisas para Deus, é saudável?


SHEDD – Seria saudável apenas se pudessemos glorificar a Deus mais. A ordem bíblica é que a glória de Deus está vinculada a tudo que nós fazemos, ou deveria estar. Então, quer bebamos, quer comamos ou façamos outra coisa qualquer, façamos para a Glória de Deus. Qualquer benefício ou vantagem que Deus nos dá nesta vida seria justamente para nós glorificarmos a Deus, mais. Só que muitas vezes nós fazemos o contrário.


RGG - Não é para usufruirmos destes benefícios, então?


SHEDD – É para nós glorificarmos à Deus, naturalmente, abençoando outras pessoas. Porque se é para fazermos boas obras, se é para abençoarmos pessoas, se é para sustentarmos missionários, é preciso alguém ou alguma coisa para fazer isso. Portanto o que nos beneficia e nos abençoa seria re-utilizado para glória do Senhor.


RGG - Qual a sua opinião sobre a literatura brasileira cristã? Há material de boa qualidade ou ainda estamos muito distantes de países como Estados Unidos e outros países de primeiro mundo, neste aspecto?


SHEDD – Talvez o problema maior que nós temos aqui, é que as pessoas que escrevem, raras vezes, tem lido muita coisa. Quero dizer, não tem muita consciência da história da igreja. Eles não tem lido outros autores, como os puritanos, não tem muito conhecimento de Jonathan Edwards, não tem conhecimento de homens como Spurgeon. Estes livros estão chegando agora [em português]. O resultado é que quando eles escrevem, a impressão que a gente tem, é de algo um pouco raso, isto é, não muito profundo. Raras vezes, eles tem conhecimento das línguas originais para fazer uma exegêse adequada. Isto não é em todos os casos, mas apenas em alguns, é claro.


RGG - Quais os grandes pensadores da literatura e da igreja brasileira nos nossos dias. O senhor poderia citar algum pelo qual o senhor tem admiração?


SHEDD - Claro, seria fácil. Simão Luiz Sayão, Carlos Osvaldo Pinto da Palavra Vida, Augustus Nicodemus, Antonio Carlos lá da igreja da Barra. Ele é um estudioso e pensador. A escola dos pastores, em Niterói... e, outros irmãos desta estirpe. Graças a Deus, que... Deus tem os seus líderes aqui... e pensadores... Fiquei muito contente em ler a biografia de Tonica Vandermeer, missionário entre os Angolanos, durante tantos anos... Sofreu muito, mas foi muito usado. Talvez o herói que mais se destaque aqui é Ronaldo Lidório, um verdadeiro pensador, estudioso, e um homem muito sacrificado para glória de Deus.


RGG - O senhor aconselharia alguma universidade no exterior especialmente para os alunos que estudam teologia e gostariam de aprofundar seus estudos, futuramente? Ou o senhor acha que existem universidades boas no Brasil para mestrado e doutorado?


SHEDD - Tem algumas escolas boas aqui. Eu recomendaria, por exemplo, a Mackenzie. Dá pra fazer doutorado lá. Deixe me ver outra escola aqui que talvez a gente poderia recomendar... Para mim é muito mais fácil lembrar de escolas americanas, onde Jesus Cristo e a bíblia são honrados e [os professores] pessoas de bastante conhecimento. Então, depende se a pessoa tem possibilidade de fazer um curso lá. Ahmn... No Trinity Divinity School, no Gordon-Conwell Theological Seminary, Denver Seminary, no Beeson Divinity School. São várias escolas de alto nível. Tem escolas na Inglaterra, também, que estão vinculadas as universidades de Cambridge e Oxford. Há excelentes cursos lá que a gente pode fazer de doutorado...


RGG - Existe uma pesquisa, inclusive citada neste seminário, que os programas televisivos da Igreja da Graça e Reino de Deus, amplamente divulgados em todo o Brasil tem provocado um efeito migratório de pessoas já membradas em outras igrejas. Isto é, grande parte das pessoas que lá estão já eram evangélicas. A mídia poderia ser melhor utilizada, ou este poder de crescimento é inerente a potência do veículo? A mídia pode ser utilizada para colocar em prática o "Ide e pregai o evangelho a toda a criatura" Ou este "IDE" é presencial e não virtual?


SHEDD – Não há duvida que a mídia é muito útil para chamar a atenção das pessoas de sua necessidade em Cristo. Mas como a mídia está interessada em IBOPE, é quase impossível que ela se vincule e dê mais atenção a mudar pessoas perdidas e trazê-las para Cristo. Agora tem uma exceção nestes programas. É o do Fausto Rocha. O canal dele tem uma forte ênfase na evangelização. Mas, o que foi falado representa a grande maioria. Record, RR Soares gastam muito tempo na televisão, e não falam, pelo menos não abertamente, que eles estão tentando evangelizar e levar pessoas à Cristo.


RGG - Gostaria de obter a sua opinião sobre a Igreja Lakewood Community, localizada em Houston Texas/USA. Sabemos que é uma igreja de proporções gigantescas, que tem se destacado pela sua proeminência e por levar o evangelho só nos Estados Unidos para mais de 225 milhões de pessoas. Além disso, os cultos são transmitidos para mais de 150 países, por emissoras e redes de televisão. O pastor-chefe da igreja, Sr. Joel Osteen, reconhecido mundialmente pela sua simpatia e eloqüência no palco, tem um livro intitulado "Sua melhor vida agora" que o possibilitou circular no topo da lista do mais famoso jornal americano The New York Times. Simplesmente o #1 Dos Estados Unidos, por meses consecutivos. Enfim... Muito tem se falado. Críticas, Elogios... Agora, gostaria de obter a visão de um especialista.


SHEDD – Eu não o conheço, pessoalmente. Tenho visto na televisão, lá. Não sei muito bem todas as ênfases que ele tem. É um fenômeno, realmente, fora do comum! Está tomando um espaço muito impressionante. Eu não chegaria à dizer que é uma coisa negativa até agora. Gostaria de esperar para ver o efeito positivo que isso vai ter na América, porque é um país que ainda tem muita coisa negativa, em relação ao liberalismo... igrejas estão vazias, especialmente no nordeste do Estados Unidos. A América é bem dividida em áreas que nós chamamos de "Bible Belt" (Cintura de Bíblia). e... tem outras áreas que são bem distintas.


RGG - Nos anos 60 as denominações se dividiram, sobretudo, por causa do pentecostalismo. Desenvolveram posições opostas, e hoje, muitas procuram obter a união através do que chamamos de Ecumenismo? Qual a sua opinião sobre o Ecumenismo?


SHEDD – Depende inteiramente de "que tipo de ecumenismo"?


RGG - Principalmente o ecumenismo entre as religiões pentecostais e neo-pentecostais, é claro. Não este ecumenismo entre islamismo, budismo, enfim...


SHEDD – Eu estaria com uma atitude muito negativa para qualquer ecumenismo que junta crente com não crente. Dentro do próprio cristianismo, pessoas que realmente se vinculam ao Senhor Jesus como seu único e suficiente salvador, que colocam a bíblia como a palavra de Deus, inspirada por Deus, qualquer união que possa existir entre eles, normalmente, seria positiva. Claro, tem certas práticas que a gente não favorece. Portanto temos ver que união teria beneficio, e qual seria negativa. É complicado generalizar, neste ponto.


RGG - Todos os crentes devem admitir que ler a bíblia é extremamente importante. Mas, em um país como o Brasil em que o índice de analfabetismo funcional é de 74% da população, isto é, apenas 26% do povo brasileiro possui pleno domínio da leitura e interpretação de textos, como fica o entendimento da bíblia? Não seria um ler por ler?


SHEDD – Certamente. Mas Deus é maravilhoso... Porque através de seu espírito Ele ilumina as vidas. Tem pessoas que tem aprendido a ler só olhando para o texto bíblico. Eu conheci pelo menos um irmão que pediu a Deus, especialmente, capacidade para ler, e começou a ler a bíblia e não podia ler outra coisa, só a bíblia!


RGG - Eu sei que o senhor não é favorável a esta visão do "intitular-se apóstolo". Eu gostaria de obter a sua opinião sobre isso. Biblicamente falando, existe algum erro em utilizar esta titulação?


SHEDD – Bem, a bíblia nos fala de dois tipos de apóstolos. O problema é o significado desta palavra. [Apóstolo] significa o que tem plena autoridade da pessoa que lhe enviou. Apóstolo é enviado. Portanto quando Paulo diz: "Eu sou apóstolo de Jesus Cristo", ele esta dizendo, que tem autoridade para falar em nome de Cristo. Então, qualquer pessoa, hoje, que se intitula apóstolo esta se colocando na posição do Papa. Está falando no lugar de Cristo. Já que esta não é a idéia que alguns destes apóstolos tem, talvez não tenham estudado o significado da palavra; talvez eles estão pensando que são apóstolos do tipo de (EPAFRODITO). [ Filipenses 2:25 ] Esta palavra fala do apostolo da igreja de Filipos. Então tem esse dois tipos. Talvez esses são apenas apóstolos de igrejas, tem a autoridade da igreja, ou autorização para falar em nome da igreja deles, não de toda a igreja de Cristo, obviamente, mas só deles.


RGG - Política e religião. O senhor é contra ou a favor de políticos crentes no poder? O senhor acha que políticos cristãos podem mudar a nossa nação ou não se atreveria a ser tão positivista, assim?


SHEDD – Depende do político obviamente (risos). Alguns políticos tem sido uma benção. Fausto Rocha é um deles e tem outros; agora o grande problema é a tentação que a política cria. [É necessário] fazer vínculos com pessoas não crentes, isso normalmente significa rebaixar seu compromisso com a palavra, seu compromisso com a verdade, e assim por diante. Tem que incluir-se na mentira, que muitas vezes a política usa só pra ganhar.


RGG - E pra gente acabar esta entrevista um recado para o nosso povo Brasileiro, em especial para o Estado do Rio Grande do Sul.


SHEDD – A minha palavra é: O Brasil é um país que a gente ama muito. Estamos aqui há quarenta e tantos anos, e tem sido pra mim uma verdadeira indicação do Senhor. Eu vim de Portugal e pretendi nos primeiros anos, voltar para Portugal, mas eu tenho dado muitas Graças a Deus, pelo privilegio de ter duas filhas que nasceram aqui, de continuar vivendo aqui, quero morrer aqui, e não tenho outro plano. E que Deus abençoe este país porque tem muita coisa favorável aqui. Quando a gente fala, assim, com criticas, nós deixamos de falar das coisas que são muito positivas, em comparação com outros países, inclusive do primeiro mundo. Agora para o Rio Grande do Sul, nossa palavra é uma esperança de que este estado possa ser abençoado, com homens de Deus, que vão pregar e evangelizar de tal modo que não vai demorar para que este estado possa ter muitas igrejas novas e crescentes. Deixara de ser um estado com alto índice de bruxaria, macumbaria, para ser um estado que tem DEUS como seu verdadeiro centro.


RGG - Obrigado Dr. Russell Shedd, foi um grande prazer!!


Fonte: Blog de Oziel Alves

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A SÍNDROME DA CASA CIVIL

No governo PT há de tudo o que se pode pensar de irregularidade. O que mais choca é como se livram e como o povo encara essas denúncias. Na verdade, o povo não está mais interessado em um governo ético, coerente e honesto. A questão é se todos estão recebendo a bolsa-família, se estão recebendo benefícios. Quanto aos demais, que se danem. É a velha máxima que deram ao governador Paulo Maluff: ele rouba, mas faz. Os fins justificam os meios. Esses tratam a política como time de futebol: não vale nada, mas dou o sangue por ele. A prova é que muitos candidatos, acusados de corrupção, voltaram com muitos votos aos seus postos políticos.
Dentre as síndromes do governo Lula, está a da Casa Civil. Um ministro já caiu, José Dirceu, acusado de irregularidades e corrupção. Desta vez agora é a ministra Dilma, futura candidata à presidência da República, infelizmente. A acusação de irregularidades e tráfico de influência na compra da Variglog pela ex-diretora da Anac, Denise Abreu, demonstra que quase todos os membros desse governo são duvidosos. Ela pode até não cair como o José Dirceu, mas não deixa de ser uma candidata que o Brasil pode eleger com a cara desse governo – cheio de CPI´s, denúncias, influências, dossiês e cartões corporativos.

Realmente o Brasil está doente. Uma população hipnotizada pela esquerda à mercê de sua sujeira e recebendo a conseqüência de sua escolha. A Síndrome da Casa Civil está em todo Brasil. Essa síndrome acontece quando há uma irregularidade, mentira, corrupção e mesmo assim a popularidade está em alta. Realmente o Brasil merece suas mazelas. Realmente o Brasil merece aqueles que são parecidos com o José Dirceu e a Dilma Rousseff.

quarta-feira, 5 de março de 2008

PESQUISAS CÉLULAS-TRONCO COM EMBRIÕES: ÉTICA DECADENTE


No Brasil está para ser votado no STF o uso de embriões humanos nas experiências de células-tronco. Na verdade, mais uma vez a vida está em jogo e isso demonstra que os valores estão sendo trocados. Alegam que esses embriões são imprestáveis com mais de três anos congelados em nitrogênio líquido e que, com quatorze dias, o sistema nervoso ainda não está formado. Por isso, podem-se fazer experiências com esses embriões, dizem os cientistas, pois eles serão descartados mesmos. A bióloga Mayana Zatz em entrevista à revista Veja diz que isso não é aborto e a proibição é “absurda” e que, para ela, somente há vida se o embrião estiver num útero ou com o sistema nervoso formado.


Tudo parte de uma pergunta básica: onde começa a vida? Não existe algo mais simplório e mais deplorável que afirmar que a vida começa somente quando o embrião tem o sistema nervoso ou quando este está no útero. Isso sim é um absurdo! Esquecem que esse embrião tem um DNA com todas as informações de um ser vivo em potencial e que o homem não é constituído somente de bios, mas psyche. O homem não é somente uma massa biológica. A vida começa na fecundação quando os cromossomos se uniram e nessa pequena célula há um ser vivo em potencial com todas as informações no seu DNA. Os cientistas advogam que quando o cérebro morre, o homem pára de viver. Por isso, eles esperam que o embrião seja até de 14 dias. Isso se constitui uma grande falácia porque o ser humano não é somente células nervosas nem cérebro, mas um todo. Nesse embrião há células que têm informações concretas de uma pessoa em sua plenitude. Daniel Serrão, professor de Bioética e Ética Médica na Universidade do Porto, em Portugal. Membro do Comitê Diretor de Bioética do Conselho da Europa afirma em uma entrevista VI Congresso Mundial de Bioética:


Isso não tem qualquer espécie de significado, primeiramente, porque não existe
nenhum embrião in vitro que consiga se desenvolver para além do 7° dia.
Portanto, ao contrário da fecundação natural, não há nunca embriões in vitro com
14 dias, nem com 10, nem com 8. Na época em que foi feito o Warnock Report, (o
Estatuto do Pré-Embrião) não havia nenhuma técnica de laboratório que permitisse
desenvolver um embrião por mais de 72 horas! Foi um truque para dizer aos
parlamentares ingleses 'Nós vamos proibir a investigação em embriões com mais de
14 dias', o que chama a atenção, porque é uma proibição. E, abaixo dessa data,
'faremos o que quisermos'”. Ele ainda afirma: “O cérebro não faz nenhuma
distinção: em sua base, um tecido nervoso muito primitivo é igual ao do adulto.
É a mesma coisa que defendermos a morte de um indivíduo débil mental, só porque
o cérebro dele não funciona direito (http://www.bioeticaefecrista.med.br/textos/entrevista%20daniel%20serrao.pdf)
.


Portanto, isso é uma grande falácia. Quando se afirma que o embrião fora de um útero não tem vida é a declaração mais patética que se pode ter sobre a vida. O útero não determina o que é vida, mas ajuda a desenvolver a vida. Se o embrião precisa estar no útero para desenvolver não significa que para ser uma vida tem que estar nele. Como se dissesse que alguém que não está na atmosfera não tivesse vida. Então, aqueles astronautas em órbita podem morrer à vontade, pois eles não estão dentro da atmosfera. Eles precisam da atmosfera, do oxigênio; mas isso não determina a vida. O simplismo da bióloga sobre quando começa a vida foi tão grande que nem notou a contradição nas suas palavras: “Não existe um consenso sobre quando começa a vida... Mas existe, sim, um consenso de que a vida termina quando cessa a atividade do sistema nervoso”. Realmente essas palavras são de pessoas que não têm certeza do que afirmam e que com respeito à vida deve-se ter muito cuidado.


Quando afirmam que essas pesquisas são para o bem de muitas pessoas que estão esperando uma cura para uma doença degenerativa ou crônica, pode-se entender; mas não se pode quebrar princípios ou ser em detrimento própria vida humana. Os Nazistas tiveram essa concepção ao fazer de judeus, que consideravam como ratos, experiências obtusas e esdrúxulas para o bem da Alemanha de Hitler. Quando se pega embriões humanos para se fazer experiências como se estivesse tratando de coelhinhos é assemelhar-se aos nazistas e colocar a vida humana como algo de valor mais ínfimo.


O que se pode notar é que os próprios cientistas são receosos quanto ao uso desses embriões, pois afirmam que fazem com 14 dias e com mais de três anos de congelamento. Se eles têm esses critérios é porque eles admitem que esses embriões são muito mais que um “bolo de carne”. Eles dizem que embriões com mais de 3 anos não podem mais ser desenvolvidos e se não forem feitas pesquisas, serão descartados. Isso não é verdade. Existem casos de embriões que desenvolveram com mais de 3 anos de congelamento como afirma o ex-procurador geral da república Cláudio Fonteles. Ele diz que existem pessoas no Brasil e nos USA que nasceram de embriões com 5 anos e 12 anos de congelamento.
(http://conjur.estadao.com.br/static/text/64382,1) . Isso demonstra que há vida nesses embriões e que eles serão aniquilados. A bióloga faz uma diferença entre aborto e pesquisas com células-tronco embrionárias. A “excelente” diferença é somente que o embrião está no útero e o outro está fora. A etimologia da palavra significa interromper. No caso, é interromper a vida, não obrigatoriamente do útero. Essa diferença traz risco àquelas crianças que nascem prematuras e que precisam de uma incubadora não estando no útero, pois, segundo a bióloga, o útero é o que determina a vida. Sinceramente, isso é patético!


Quando se trata da vida, precisa-se entender que mexe com várias áreas como da ética, teologia, filosofia. Tratando-se da Bíblia, ela concorda que a vida começa na fecundação e essa vida é sagrada e inviolável. Se não se respeita a vida na sua concepção, também não se respeitará a vida na sua plenitude.