sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

AMEAÇAS À IGREJA NOS NOSSOS DIAS




Nos últimos anos, eu tenho me preocupado com algumas ameaças ao Evangelho de Cristo proclamado pelos profetas e apóstolos nas Sagradas Escrituras. Algumas igrejas vêm trazendo algumas liturgias muito estranhas ao todo das Escrituras. Algumas igrejas passaram a valorizar algumas coisas judaicas e interpretar errado o VT, não levando em conta o que o NT ensina sobre os rituais e festas no VT.

Igrejas começaram a trazer um shofar para o culto e tocá-lo como um instrumento sagrado que trazia unção. Passaram a instituir nas igrejas o ministério dos tocadores de shofar. Detalhe: esses vinham de roupas típicas de judeus e tocavam em momentos específicos do louvor ou de alguma exaltação no culto. Muitas vezes, alguns ministérios convocaram igrejas para comemorar algumas festas judaicas em Israel, como a festa do Tabernáculo. Sem falar que alguns líderes já vinham ensinando a guarda do sábado. Não é difícil encontrar na internet fotos de igrejas evangélicas que fazem verdadeiras procissões com uma réplica da arca da aliança como se fosse uma imagem católica sendo adorada por seus seguidores em choros, gritos e quedas.

O site creio.com traz uma notícia assustadora onde afirma:

Na Colômbia, segundo mostrou a rede de TV Caracol, sete igrejas evangélicas se tornaram sinagogas "assumindo" a fé judaica, inclusive negando a Jesus como Messias.

Diz ainda o site que começou há cinco anos quando começaram a questionar se Jesus era mesmo o Messias. Parecido com isso, está o ex-pastor João de Deus da Paraíba que se converteu ao islamismo negando a exclusividade da salvação em Cristo Jesus e da Bíblia.

Não são poucas igrejas evangélicas que estão negando a Trindade e muitos pastores chamados judeus cristãos estão ensinando que o NT foi traduzido errado e que a Trindade é uma doutrina errada.

Como se não bastasse, o ecumenismo religioso tem entrado nas igrejas evangélicas também. Segundo ainda o site creio.com no dia 24 de janeiro em Ponta Delgada algumas igrejas reuniram-se para uma reunião ecumênica de celebração sendo organizada pela igreja católica da região. Nessa reunião, estavam igrejas evangélica, adventista e católica.

No Brasil, as coisas não estão muito diferentes, vários cantores estão fazendo músicas para Maria para atrair público católico (veja a letra de uma música de Fernanda Brum) e muitas igrejas estão se unindo a católicos  para celebração e culto, sem levar em conta a soteriologia desse grupo, seus pressupostos e, principalmente, sem levar em conta o que afirma a Escritura sobre o ecumenismo, pois não se pode ter comunhão entre Cristo e os ídolos, entre a luz e as trevas (2Co 6.14-18 – Paulo falou no que diz respeito a culto).

Alguns pastores de renome estão ensinando a chamada Teologia Relacional ou Aberta que afirma que Deus não pode prever o que vai acontecer com as pessoas e que sua soberania é somente para algumas coisas (veja a refutação desta teologia). Isso tem crescido no meio evangélico de uma forma assustadora. Principalmente diante de catástrofes da natureza que aconteceram nos últimos anos.

Diante de tudo isso, nota-se uma profunda lacuna doutrinária. Notemos que igrejas em Bogotá que afirmavam que estavam passando por um avivamento, estavam com dúvida se Jesus era mesmo o Messias. Isso incluía dúvidas de sua divindade, obra e ressurreição, pois os judeus não crêem em nada disso. Diante de tudo isso, pudemos ver que essas igrejas estavam desprovidas de suporte doutrinário.

Essas heresias são lacunas doutrinárias da igreja, pois uma interpretação errada do VT sem levar em conta o que os apóstolos interpretaram sobre ele no NT pode levar ao judaísmo ou a uma mistura bizarra de cristianismo. Uma valorização ao semi-pelagianismo pode levar à Teologia Relacional ou aberta. Uma carência de um estudo sério e aprofundado de Deus e seus atributos pode levar à negação da Trindade ou a erros grotescos sobre as pessoas da divindade.

Alguns pastores de algumas igrejas, há muito tempo, têm descartado e criticado teólogos e mestres por acharem que teologia é só para os seminários sem perceber que teologia é tudo que diz respeito às Escrituras, pois é o estudo de Deus e sua obra com base na sua revelação especial. Dificilmente num congresso de jovens ou de uma denominação convidam um pastor que possa trazer um estudo exaustivo das Escrituras, mas somente aqueles que possam trazer alguma coisa que toque nas emoções (que não é errado, diga-se de passagem, mas quando a ênfase for isso e não o ensino das Escrituras, essa igreja corre perigo).

Portanto, vê-se uma crise doutrinária séria e é tarde demais para alertar a igreja, pois já se instalou nela. Resta-nos, somente, aconselhar a igreja a ensinar doutrinas fundamentais da fé deixando espaço para questionamentos para tirar qualquer dúvida, pois precisamos estar alertas contra todo vento de doutrina estranha na igreja. Não somente isso, mas continuamente pregar sermões expondo textos que ensinem grandes verdades sobre Deus, Trindade e Cristo.

Precisamos de uma reforma. Dessa vez cada pastor precisa ser um Martinho Lutero e alertar sua igreja local dos perigos e das vendas de indulgências de igrejas comerciais.

Precisamos lembrar a advertência de Paulo aos gálatas que, por ser tão clara, dispensa-se qualquer comentário. Apenas lembrando que Paulo estava falando aos falsos mestres judaizantes que estavam ensinando que a obra de Cristo não era o bastante. Assim falou Paulo:

o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema (Gl 1.7-9)

Portanto, que seja anátema todo judaísmo, negação da Trindade ou qualquer doutrina que não esteja dentro de uma interpretação coerente das Escrituras.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

RESPOSTA AOS VÍDEOS “DESIGN X TEORIA DA EVOLUÇÃO” NO YOUTUBE




Muitos cientistas acham que a vida começou na água há pelo menos 3,5 bilhões de anos atrás” (assim está no vídeo)

No princípio, criou Deus os céus e a terra. Gen 1.1

Qual a diferença dessas duas declarações? Nenhuma. Todas exigem fé.

Uma série de vários vídeos têm sido postos no Youtube demonstrando a guerra entre Desing Inteligente e a Teoria da Evolução nos USA. Os vídeos, apesar de trazerem um documentário, demonstraram-se tendenciosos como tudo que diz respeito à TE.

Os vídeos demonstram a preocupação legítima de pais e alguns professores com respeito a total parcialidade no ensino de ciência. A alegação é que o Design Inteligente é algo religioso, mas existem pesquisas de cientistas que demonstram que o DI é viável no ensino de ciência. Não se tem culpa que a ciência cada vez mais se aproxima da Bíblia, no caso, o livro de Gênesis.

Atualmente, muitos cientistas evolucionistas, inclusive, têm questionado alguns aspectos da TE como o que está registrado na New Scientist com o título de capa: “Darwin was wrong: Cutting down the tree of life” que cientistas chegam a uma conclusão que a Árvore de Darwin não se sustenta, embora que eles não negaram em lugar algum a TE propriamente dita, mas apenas o que diz respeito a Árvore de Darwin. Também, a que saiu na revista Time que trouxe um questionamento sério de alguns cientistas acerca da Árvore de Darwin e do LUCA com o título: “Evolution´s Big Bang”. Esses questionamentos têm levado várias pessoas, inclusive leigas, a repensarem no DI.

Diante de várias pesquisas e descobertas por alguns cientistas como a descoberta recente de vários códigos genéticos, o questionamento acerca da TE tem sido intenso pela comunidade científica. Como prova, vários cientistas escreveram um manifesto que assinam seu ceticismo a TE http://www.dissentfromdarwin.org/

A educação deve ser imparcial. Jamais se deve negar o aluno de questionar ou esconder as lacunas, e até fraudes que acontecem em qualquer ideologia ou pesquisa. As aulas de ciência deveriam ter os dois assuntos: Teoria da Evolução e o Design Inteligente diante das pesquisas que vários cientistas escreveram, inclusive, cientistas evolucionistas, questionando alguns aspectos da TE.

No Reino Unido, o berço da TE, pensa-se da mesma forma. Vejam o que afirma um site de um dos principais jornais britânicos: “Teach both evolution and creationism say 54% of Britons” “Ensine ambas: evolucionismo e criacionismo, diz 54% de britânicos” http://www.guardian.co.uk/science/2009/oct/25/teach-evolution-creationism-britons

Acerca da refutação ao flagelo bacteriano, não houve refutação, o que houve foi uma suposição que não explica as dificuldades como veio o flagelo bacteriano na forma de uma verdadeira máquina tendo somente a seleção natural como meio. Ao contrário, comparar o flagelo bacteriano com uma outra bactéria só piora a situação, pois como se explica a chamada função específica de cada uma?

Portanto, para terminar, o vídeo mostra, no julgamento, Michael Behe sendo questionado por um advogado e jogando sobre a mesa vários livros perguntando se ele tinha lido todos, pois Behe já tinha negado que as teorias não eram suficientes para explicar o flagelo bacteriano. Quando alguém dá vários livros e questiona se a pessoa leu para demonstrar que ela está errada é no mínimo insano. Como Darwin poderia ter feito sua teoria assim? Ele teria que ter lido todos os livros de naturalistas e teólogos da época que afirmavam o contrário para escrever a sua teoria no seu livro? Michael Behe é PHD em Bioquímica e não estava falando bobagem como comprovou em seus livros, pois ninguém o refutou com lógica e prova científica que convencesse esses cientistas. Como ele falou, há várias teorias, mas não satisfazem, exceto para quem crê.

Portanto, concluo dizendo: para que tanto medo de ensinar o DI nas escolas? Se algo é científico mostre as pesquisas que tudo se acaba. O problema é que a TE não se sustenta em si mesma. Precisa-se de fraudes (como no caso da maioria dos hominídeos) e de esconder as lacunas e dificuldades. Os cientistas estão divididos como coloquei a lista de alguns. Muitos colocam que existe também uma lista de evolucionistas, mas o que admira é que não existe uma unanimidade na chamada doutrina da Teoria da Evolução. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O DEUS DESCONHECIDO DOS CRISTÃOS



INTRODUÇÃO

Dizer que Deus é desconhecido no meio do cristianismo é algo chocante. Mais chocante ainda quando esse desconhecimento vem da igreja evangélica. Isso se deve a vários motivos. Primeiro, devido à ideia de que Teologia é algo somente acadêmico; que somente pode ser tratado nos seminários; que não se pode ter espaço para ensinar teologia para os irmãos simples. Esses não percebem que qualquer texto da Bíblia, o mais simples que seja, evocará algum conhecimento de Teologia e da sua visão de mundo com respeito aos ensinamentos dela.

Segundo motivo é que alguns pastores fazem uma relação distorcida de Teologia com ideias teológicas que alguns teólogos tiveram. O estudo da Teologia moderna leva a estudar o pensamento de vários teólogos liberais e Neo-ortodoxos acerca das Escrituras e de Cristo. Esses pastores relacionam a essa teologia somente. Porém, quando eu falo em teologia, eu falo do estudo das doutrinas da Bíblia reveladas no VT e NT e não dos pensamentos de quaisquer que sejam os teólogos, embora que se possa citar o que disseram a respeito de algum assunto, mas a base sempre será a própria Bíblia e não os conceitos iluministas e existencialistas de alguns teólogos. O pressuposto é na inspiração verbal e plenária da Bíblia como ela mesma reivindica ser.

O terceiro motivo é o declínio da pregação e do ensino nas igrejas. A pregação deve revelar quem Deus é conforme revelado nas Escrituras como afirmou Paulo aos presbíteros de Éfeso: “porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.27). Quando falo pregação, não quero dizer eloqüência, mas conteúdo bíblico e expositivo. Isso quer dizer que o pastor deve ter a perícia de trazer às pessoas o que a Bíblia ensina sobre Deus em suas várias passagens das Escrituras com simplicidade e profundidade para que entendam. Um pastor que afirma que não faz uso da Teologia em suas pregações comete erro em várias áreas. É como se alguém dissesse que iria ensinar Língua Portuguesa e não iria fazer uso do Português. Quando se abre a Bíblia, estamos tratando de Teologia seja de uma forma, seja de outra. Seja erudita, seja autodidata; seja consciente, estudada ou intuitiva. É como se alguém dissesse que iria falar dos discursos de Platão e não iria falar em filosofia.

O objetivo desse ensaio é analisar pelas Escrituras alguns equívocos acerca de Deus e de seus atributos trazendo uma maior reflexão sobre os atributos da soberania, justiça e do amor de Deus mediante algumas afirmações sobre Deus nesses últimos anos.

O episódio da grande catástrofe no Haiti trouxe vários questionamentos acerca de Deus e até uma ênfase à chamada “Teologia Relacional” ou “Teologia Aberta” defendida pelo Pr. Ricardo Gondim. Não tenho a intenção de falar sobre isso especificamente, pois já muitos eruditos refutaram muito bem o que está sendo ensinado por esse amado pastor. Minha intenção é apenas analisar segundo as Escrituras alguns atributos de Deus mediante algumas declarações de algumas pessoas diante de uma catástrofe como a do Haiti.

1. O Deus que se vinga

É impressionante que temos a facilidade de assimilar um conhecimento por terceiros sem ao mínimo questionar, ou de assimilar algum conceito sobre Deus com base apenas nos conceitos humanos, filosóficos e não da Bíblia. Existem expressões e afirmativas que vêm por séculos sem alguém analisar no todo da Bíblia se de fato é assim. Por isso, a importância dos teólogos e dos mestres para analisarem se de fato essas afirmações são verdadeiras ou não. Uma das afirmativas muito usadas por muitas pessoas quando acontece uma tragédia é que Deus não é vingativo para fazer isso com alguém, Deus não é carrasco; mas precisamos analisar o que afirma a Bíblia sobre Deus e o que vem ser a vingança de Deus.

Existem vários textos na Bíblia que afirmam categoricamente que Deus se vinga. O primeiro texto a demonstrar a vingança de Deus é Nm 31.3, onde Deus afirma que seu povo iria trazer a “vingança do Senhor” aos midianitas. A forma que os israelitas iriam fazer não era carinhosa, mas violenta. Moisés ainda repreende os oficiais do exército de Israel por que não mataram as mulheres também. Ele as manda matar, como também as crianças do sexo masculino (Nm 31.17).

Outra passagem está em Dt 32.35:

A mim me pertence a vingança, a retribuição, a seu tempo, quando resvalar o seu pé; porque o dia da sua calamidade está próximo, e o seu destino se apressa em chegar.

Deus fala através de Moisés que a sua retribuição é a seu tempo e que a ele pertence a vingança. Outras passagens atestam isso como: Sl 58.1; 79.10; 99.8; 149.7; Is 34.6-8; 35.3,4; 47.3; 59.17; 61.1,2; 63.4; Jr 11.20; 20.12; 46.10; 50.28; 51.6, 11; Ez 24.8; 25.14-17; Mq 5.10-15; Na 1.2; Lc 21.21,22; Rm 12.19; 2Ts 1.7,8; Hb 10.30,31

Diante de tamanha base bíblica, não se pode ter dúvida que Deus se vinga. Porém, precisamos analisar que a vingança de Deus é justa, perfeita e correta. Vingar-se significa trazer a juízo os feitos de alguém. A palavra grega εκδικησις traduzida para vingança traz muita luz, pois é uma junção de duas palavras que demonstram “buscar, tirar retidão ou juízo”.

Isso quer dizer que a vingança em si não é errada. O Estado quando pune o criminoso está vingando corretamente e fazendo o seu papel como ministro de Deus para punir o mal. Isso é ensinado por Paulo que fala, inclusive, da espada (Rm 13.1-4). O problema é quando nós mesmos fazemos essa vingança. A Bíblia ordena que deixemos a vingança para o Deus da Vingança por que ele é justo em fazer, pois é completamente imparcial. Nossa vingança é totalmente manchada pelo pecado e digna de juízo, caso a façamos. Por isso Paulo ensina aos romanos (12.19-20):

19 não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. 20 Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.
Quando a Bíblia afirma que Deus faz a sua vingança significa que ele mesmo julga e condena aqueles que transgridem a sua Lei. É isso que Paulo fala da “ira”. Apesar de que não escreveu o complemento “de Deus”, mas fica subtendido pelo contexto. Nesse caso, todos merecem a vingança de Deus porque todos pecaram e pecam. Para escapar dela precisa-se de confiar na propiciação de Cristo em aplacar a ira de Deus como afirma o autor aos Hebreus (10.30-31):

Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. 31 Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.
Notem que o autor citou o texto de Dt 32.35,36 no contexto de que Deus punia os povos a seu tempo, inclusive aqueles que estavam entre o seu povo. Deus tem um tempo para o acerto de contas entre todos. Foi isso que Jesus ensinou na parábola do rico insensato (Lc 12.19,20):

Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. 20 Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Jesus ensina que seria naquela noite. Deus tem o dia certo do acerto de contas dos homens. Alguns para a vingança de Deus, outros para consolo eterno. É isso que ensina também Isaías 61.2:

a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram
É importante frisar que Jesus entendeu que os eventos catastróficos eram vingança de Deus. Notem que Jesus falou exatamente isso ao se referir à destruição de Jerusalém pelos romanos nos anos 70:
22 Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. 23 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo (Lc 21.22-23).
Tenho certeza absoluta que o terremoto no Haiti não se compara à descrição de Jerusalém. Judeus mortos e crucificados, casas queimadas e destruídas totalmente, crianças e mulheres grávidas foram mortas. Diante dessa catástrofe tão cruel que fez Jesus dizer que seria “grande tribulação que desde o princípio do mundo não tem havido” (Mt 24.21) ele identifica como vingança de Deus e dirigida por ele, pois ele afirmou que é para que se cumpra. Isso implica em propósito.

Precisamos entender que a vingança de Deus não privilegia ninguém. Quando acontece um terremoto devastador e mata muitas pessoas não significa que aquelas pessoas eram mais pecadoras que outras, mas que Deus quis acertar as contas com aquelas e chamar à eternidade outras pessoas. Como escreveu Salomão em seu livro Eclesiastes 3.16,17:

16 Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a maldade e no lugar da justiça, maldade ainda. 17 Então, disse comigo: Deus julgará o justo e o perverso; pois há tempo para todo propósito e para toda obra.
Por que ele faz isso com alguns e não outros, não sabemos. Isso está em seu propósito eterno e sábio. Jesus contou uma parábola no contexto quando falaram a ele sobre duas catástrofes (Lc 13.1-9). A parábola diz respeito de uma figueira que um homem buscava fruto nela e não achava, então ele disse ao viticultor que a cortasse. O viticultor afirmou que ele deixasse pelo tempo de um ano. Durante esse ano ele prepararia a terra. Se ela não desse fruto, ele poderia cortar (Lc 13.6-9). Isso demonstra que Deus tem um tempo diferente para cada pessoa ou grupo de pessoas. Como afirmou Moisés em Dt 32.39-41

39 Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão. 40 Levanto a mão aos céus e afirmo por minha vida eterna: 41 se eu afiar a minha espada reluzente, e a minha mão exercitar o juízo, tomarei vingança contra os meus adversários e retribuirei aos que me odeiam.
Deus está falando de juízo e que ele mata para juízo ou para chamar aqueles a quem ele bem quer como aconteceu com vários profetas e apóstolos que foram mortos, maltratados e exilados.

Portanto, precisamos entender que todos são incluídos nesse juízo, inclusive os crentes. Foi isso que Jesus ensinou quando o questionaram sobre dois eventos de catástrofe (Lc 13.1-5).

É importante analisar que dentre aqueles que morreram no dilúvio havia pessoas de boa índole e com padrões éticos também. Notem que quando Jesus falou do dilúvio ele afirmou que nos dias anteriores alguns casavam e dava-se em casamento (Mt 24.37,38). Fica óbvio que aqueles que casavam tinham certo rigor ético na sociedade. Precisamos lembrar que a graça comum sempre existiu no coração do homem para agir com certa ética e exigir justiça. Todavia, Deus destruiu a todos no dilúvio e somente Noé e sua família escaparam por causa da graça e misericórdia de Deus, pois o mal no coração do homem já estava em seu mais alto grau (Gn 6.5).

Isso não implica dizer que não somos exortados a ter compaixão e a ter empatia com as pessoas atingidas nessas catástrofes (Mt 24.34-40). Precisamos amar o nosso próximo como a nós mesmos e ajudá-los sem buscar nada em troca. Quando fazemos isso estamos fazendo a Cristo, que nos dá o exemplo dando chuva e sol a todos (Mt 5.45).

2. Entendendo a expressão “Deus é amor”

Muitas pessoas entendem de uma forma errada a expressão do evangelista João quando afirma que “Deus é amor” (1Jo 4.8; 16). Com base nessa declaração, afirmam que Deus jamais seria autor de tragédias ou de fazer juízo contra alguém. Tem alguns que descartam até o juízo eterno do Inferno com base nessa expressão.

O problema é que essas pessoas analisam o amor de Deus com base no conceito que temos de amor humano e não do ponto de vista de Deus que é revelado pelas Escrituras. Não é sem razão que Paulo afirmou que o amor de Cristo excede todo entendimento (Ef 3.19).

2.1. O amor que julga

Precisamos analisar a expressão “Deus é amor” com a analogia de toda a Escritura (1Jo 4.8; 16). Notemos que João nesse mesmo contexto afirma em que consiste o amor de Deus: é que ele enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (1Jo 4.10).

Paulo ensina que Deus prova o seu próprio amor para conosco que Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8). Isso implica dizer que Deus ama julgando, pois Deus julgou Jesus pela sua igreja (2Co 5.17).

Agora, com um pouco de raciocínio iremos perceber que alguns colocam o sofrimento de Cristo como inferior aos demais. Muitos pastores e humanistas afirmam que Deus jamais julgaria uma pessoa, uma nação ou jamais destruiria uma cidade porque Deus é amor, mas aceitam perfeitamente que Deus julgou Jesus por nossa causa. Agora, se afirmam que Deus jamais faria nada a alguém, mesmo sabendo que não existe uma só pessoa justa e que todos são merecedores do eterno juízo de Deus, como aceitam de boa mente o juízo de Cristo na cruz pelo próprio Deus sendo que Jesus era inteiramente justo e inocente?

Alguns podem argumentar que é diferente porque Deus puniu Cristo porque queria salvar o seu povo, mas não deixou de punir um inocente, ainda mais que Cristo é da mesma essência que Deus, digno de ser honrado para sempre, Deus Eterno. Quem foi ultrajado, humilhado foi o próprio Deus na pessoa de seu Filho Jesus Cristo. Se alguém questiona o amor de Deus por julgar, ainda não sabe que o amor de Deus exige juízo, pois para Deus amar, tem que ser propiciado diante de sua ira como afirmou o próprio João: “10Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10).

Em minha opinião, ainda não vi alguém ser tão bíblico sobre o amor de Deus como John Stott em sua grande obra chamada “A Cruz de Cristo”. Stott cita Emil Brunner para demonstrar que o amor de Deus não pode ser visto sem levar em conta o seu juízo. Ele afirma:

Emil Brunner, no livro O Mediador, não hesitou em falar da "na¬tureza dual" de Deus como sendo "o mistério central da revelação cristã". Pois "Deus não é simplesmente amor. A natureza de Deus não pode ser esgotada com uma única palavra". Deveras, a oposição moderna à linguagem forense com relação à cruz é, principalmente, "devida ao fato de que a idéia da santidade divina foi tragada na do amor divino; isso significa que a idéia bíblica de Deus, na qual o elemento decisivo é essa natureza dupla de santidade e amor, está sendo substituída pela idéia moderna, unilateral, monística de Deus". Contudo, "a dualidade de santidade e amor. . . de misericórdia e ira não pode ser dissolvida, mudada para um único conceito sintético, sem que ao mesmo tempo se destrua a seriedade do conhecimento bíblico de Deus, a realidade e o mistério da revelação e expiação. . . Aqui surge a 'dialética' de toda a teologia cristã genuína, cujo objetivo é simplesmente expressar em termos de pensamento a indissolúvel natureza dessa dualidade". Assim, pois, a cruz de Cristo "é o evento no qual Deus simultaneamente torna conhecida sua santidade e seu amor, em um único evento, de um modo absoluto". "A cruz é o único lugar em que o Deus amoroso, perdoador e misericordioso é revelado de tal modo que percebemos que a sua santidade e o seu amor são igualmente infinitos".[1]
As palavras de Calvino sobre o amor de Deus nas Institutas são muito precisas sobre esse assunto. Calvino escreve em suas Institutas o seguinte:

Que, portanto, fomos reconciliados pela morte de Cristo, não se deve entender como se o Filho nos reconciliasse com o Pai para que este começasse a nos amar, porque antes nos odiava; mas foi reconciliado com quem já antes nos amava, ainda que, pelo pecado, nutria inimizade para conosco. O Apóstolo é testemunha de que afirma a verdade: ‘Deus prova seu amor para conosco em que, enquanto éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós’ [Rm 5.8]. Tinha ele, portanto, amor para conosco ainda quando, exercendo inimizades para com ele, praticávamos a iniqüidade. E assim, de modo maravilhoso e divino, ainda quando nos odiava, ele nos amava.[2]
Calvino coloca de uma forma muito sábia essa aparente dualidade do atributo do amor e a sua justiça, pois Deus ainda que nos odiasse, ele nos escolheu nos amar. Mesmo assim, Deus nos amou despejando toda a sua ira em Cristo – o Deus Vivo, inocente, Eterno e cheio de glória.

Portanto, quando falamos em amor de Deus estamos falando de sua santidade e justiça. A santidade e a justiça de Deus estão inseridas no seu infinito amor. Jamais podemos esquecer que a mesma Bíblia onde afirma que Deus é amor, também afirma que “Deus é fogo consumidor” (Hb 12.28,29). O contexto é de que deveríamos andar com reverência e temor por causa exatamente disso. O autor usa essa expressão do VT onde o contexto é de profundo juízo aos desobedientes (Dt 4.23,24). Também não podemos esquecer que Yahweh é chamado de יהוה צבאומ Yahweh Tsabaot / Yahweh dos Exércitos. O Deus que está à frente dos seus exércitos punindo os povos com a sua espada (Jr 15.2-4). Nesse texto de Jeremias é Deus que pune as nações com a morte, fome e com o cativeiro. Por que Deus não poderia fazer isso hoje? Como Deus poderia ser injusto se ele simplesmente julga com justiça os povos e tem em suas mãos o dia dos filhos dos homens?

O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. 2 Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece; 3 e sobre tal homem abres os olhos e o fazes entrar em juízo contigo? 4 Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém! 5 Visto que os seus dias estão contados, contigo está o número dos seus meses; tu ao homem puseste limites além dos quais não passará (Jó 14:1-5).
Moisés também era consciente disso ao escrever em seu Salmo 90.2-12:

2 Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. 3 Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens. 4 Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite. 5 Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; 6 de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca. 7 Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados. 8 Diante de ti puseste as nossas iniqüidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. 9 Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento. 10 Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos. 11 Quem conhece o poder da tua ira? E a tua cólera, segundo o temor que te é devido? 12 Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.
Geralmente, alguns analisam o amor de Deus segundo os padrões e sentimentos humanos que são distantes assim como a terra dos céus dos padrões de Deus. Muitos imaginam o amor de Deus como que ele tivesse obrigação de fazer algo e de ter compaixão de todos. Veem apenas um Deus sem reivindicação de sua santidade e de sua justiça. As pessoas imaginam as vítimas das tragédias como pessoas que não tivessem nada a ver com Deus e não ultrajassem a Deus com seus pecados. Quando o homem vê as pessoas dentro de uma tragédia, ele vê somente as pessoas necessitadas. Quando Deus as vê, ele as vê como pessoas que merecem seu juízo e que o rejeitam e ofendem diariamente com a transgressão de sua Lei e de sua santidade.

Muitos pastores baseiam-se em escritos de humanistas e filósofos, cuja filosofia é obtusa e completamente descentralizada do escopo das Escrituras. Entre as ideologias humanistas e a Bíblia, não devemos ter dúvidas de qual escolher.

2.2. Análise de João 3.16

O Significado da Palavra κοσμος / mundo

Este verso é o texto básico daqueles que distorcem o amor de Deus. Esse texto é muito mal empregado em evangelismos e usam-no para dar a entender que Deus ama todas as pessoas e que Deus deu Jesus Cristo a todas as pessoas como prova da salvação.

Uma análise bem detalhada do texto aponta para outra direção. Precisamos entender que a palavra κοσμος / mundo na Bíblia tem vários significados. O que determina o seu significado é exatamente o contexto imediato juntamente com uma análise detalhada da analogia de toda Escritura.

A palavra κοσμος / mundo no evangelho de João vem com significados intermitentes. Uma vez quer dizer universo, outra vez quer dizer universalidade. João vem demonstrando esses significados desde o começo do evangelho (Jo 1.9; 10; 29).

Precisamos analisar os significados pelo seu contexto, antes de ir para as demais passagens das Escrituras. Precisamos entender que no verso posterior (3.17) João cita duas vezes a palavra κοσμος / mundo. Dessa vez João faz uma afirmativa interessante mostrando que “Deus não enviou seu Filho para julgar o mundo, mas para que fosse salvo por ele”. A Bíblia é clara em afirmar que nem todos serão salvos, mas somente alguns. Portanto, se alguém interpreta a palavra κοσμος / mundo no v.16 para cada pessoa do mundo, tem um problema aqui porque no v.17 afirma também que Jesus veio para que o mundo fosse salvo. Portanto, precisamos interpretar esse κοσμος / mundo do verso 17 da mesma forma do verso 16. Se dissermos que Deus veio para salvar o mundo todo e não conseguiu, Deus fracassou ou fracassará, mas é impossível o Deus Eterno fracassar. O verso 17 explica o verso 16 demonstrando a finalidade de Deus enviar Jesus ao mundo – a sua salvação. Jesus está falando da universalidade de sua igreja que escolheu antes da fundação do mundo (Ef 1.4)

Portanto, o significado de κοσμος / mundo quando João escreve que “Deus amou o mundo”, é universalidade da salvação. Os judeus achavam que somente eles teriam o privilégio da salvação e do amor de Deus. João ensina no seu evangelho que esse evangelho é para todos de todas as tribos como afirmou Hendriksen em seu comentário:

Devido a esse contexto e a outras passagens nas quais se expressa um pensamento semelhante, é provável que também aqui, em 3.16, o termo indique a humanidade caída, em seu aspecto internacional: seres humanos de todas as tribos e nações; não somente os judeus, mas também os gentios. Isto está em harmonia com o pensamento repetido, por várias vezes, no Quarto Evangelho (incluindo esse mesmo capítulo), de que a ascendência física nada tem a ver com a entrada no reino do céu: 1.12; 13; 3.6; 8.31-39.[3]
F. F. Bruce concorda com Hendriksen nessa interpretação e escreve em seu comentário de uma forma muito clara afirmando:

Sua intenção é expor, em termos de aplicação universal, a lição ensinada a Nicodemus. Se há uma sentença que resume a mensagem do Quarto Evangelho, aqui está ela. O amor de Deus não tem limites; ele engloba toda a humanidade... A essência da mensagem da salvação é deixada tão clara que não permite mais dúvidas, em uma linguagem que pessoas de todas as raças, culturas e épocas podem compreender, e é exposta nestas palavras de maneira tão eficaz que, provavelmente, muitos acharam a vida mais através delas do que por meio de qualquer outro texto bíblico.[4]
O objetivo do amor de Deus no verso

O próprio verso afirma o objetivo de Deus amar o mundo. João usa uma oração adverbial final com a conjunção grega ‘ινα / hina para demonstrar a finalidade e propósito de Deus amar o mundo e de dar seu Filho Unigênito. A finalidade é exatamente que πας ‘ο πιστευων εις αυτον / “todo Aquele-que-crê nele” tenha vida eterna. A expressão “Aquele que crê” é um adjetivo verbal que se coloca como função de sujeito do verbo αποληται / pereça. Devemos entender que as pessoas que não perecerão serão aquelas que foram descritas como que “crêem nele” (um processo contínuo).

O verso explica, então, o que é esse “amar o mundo” revelado no seu objetivo de enviar seu Filho ao mundo, que é salvar “Aqueles-que-creem” nele (1Jo 4.10). O sentido do adjetivo verbal não implica em futuro, mas presente contínuo, demonstrando pessoas definidas, pois tem o artigo. Portanto, essa oração adverbial restringe quem são as pessoas do mundo – aqueles que crêem nele.


Na verdade, os profetas do VT relacionavam o amor de Deus somente para o seu povo e não para todas as pessoas (Is 43.4; Jr 31.3; Os 11.1; Ml 1.2).

O evangelista João confirma isso nas suas epístolas quando fala do amor de Deus somente para a Igreja. Ele afirma:

Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo (1 João 3:1).
Notemos que João enfatiza que o amor foi concedido à igreja. Ele usa o pronome “nos” e usa a primeira pessoa do plural para exatamente falar isso. O texto não dá espaço a um amor a todas as pessoas, mas somente à sua igreja.

Paulo também restringiu o amor de Deus somente à igreja. Ele escreveu aos romanos 5.8:

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.
Paulo enfatiza o uso dos pronomes em primeira pessoa do plural demonstrando que era somente para a igreja que ele estava escrevendo; logo, a igreja de Cristo. Deus provou o seu amor para NÓS (pode-se traduzir assim do original) em que Cristo morreu por NÓS, sendo NÓS ainda pecadores.


Paulo ainda explica que foi por causa de seu grande amor que fomos salvos:
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, (Ef 2.4).
 A ênfase é que foi por causa de seu amor para NÓS, pois ele amou aqueles que ele teve misericórdia.

Em uma passagem muito interessante, Paulo escreve que Deus amou a Jacó e aborreceu a Ezaú (Rm 9.13). Aqui temos uma prova que Deus não amou a Esaú. Ele amou a Jacó. Quaisquer que sejam as interpretações mirabolantes desse verso feito por aqueles que defendem o amor de Deus a todos, negar que, dos dois, Deus amou somente a Jacó é crime contra o texto. Isso demonstra que o amor de Deus para a salvação somente acontece àqueles a quem ele escolhe. 

CONCLUSÃO:

Portanto, facilmente adoramos um deus segundo os nossos conceitos, diferente do que foi revelado nas Escrituras. Por trás disso está a idolatria do ego, embora que isso venha com uma capa de compaixão pelas pessoas afetadas. Por trás desse sentimento de demonstrar que Deus não poderia julgar ninguém com tragédias está a demonstração de ser mais cheio de compaixão que Deus e de ser mais justo que ele. A prova disso é que os adeptos da Teologia Aberta ou Relacional têm a tendência de abandonar o texto bíblico e ficarem somente com pensamentos e conceitos filosóficos e humanos.

Quando se argumenta com a Bíblia, mudam de assunto para seus pensamentos. Por exemplo: quando alguém fala que na Bíblia está claro que foi Deus que mandou o dilúvio, foi Deus que destruiu Sodoma e Gomorra; foi Deus que destruiu nações; foi Deus que destruiu Jerusalém. Eles vão imediatamente para seus pensamentos: “Não acredito num Deus que faça isso”; “Deus não é carrasco, mas amor”. Não levam em conta mais o que a Bíblia afirmou e que é cheia de atributos que afirmam que Deus é juiz, fogo consumidor e cheio de ira para com aqueles que não crêem no seu nome (Is 51.17).

Se não aceitarmos que Deus é cheio de ira para com o pecador, a morte de Jesus se torna vazia e completamente sem nexo. Jesus não necessitaria ter vindo resgatar sua igreja, pois Jesus foi atingido pela ira de Deus por causa da substituição. Portanto, àqueles que não foram resgatados ainda, a ira de Deus está sobre esses (Jo 3.36) e precisam da eterna salvação de Deus.

O Deus desconhecido é conhecido através de sua Palavra – o problema é aceitarmos o que ela mesma diz a respeito de Deus.

[1] STOTT, John R. W. A Cruz de Cristo. São Paulo: Vida, 1992, p. 118.
[2] CALVINO, João. Institutas. Traduzida do latim no tema "A DESPEITO DE NOSSO PECADO E REBELDIA, QUE LHE EXCITARIAM A IRA, DEUS JAMAIS DEIXOU DE NOS AMAR". Livro II.XVI.4
[3] HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: João. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 192.
[4] BRUCE, F. F. João: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 87

sábado, 16 de janeiro de 2010

AVIVAMENTO DE UM CARRO 0 KM





Ao ler um e-mail do site creio.com.br, fiquei chocado com um anúncio de um evento com o nome “Avivamento Total 2010”. O evento é organizado pela Assembleia de Deus do Bom Retiro e conta com preletores como Pr. Jabes de Alencar, Pr. Silas Malafaia, Pr. Samuel Gonçalves, Pr. Silmar Coelho, Pr. Walter Brunelli.

O que me chamou atenção foi o tema: “Avivamento Total 2010”, mas para a minha surpresa, no anúncio do site oferecia aos participantes um sorteio de um carro 0 Km. Isso sim me deixou chocado. Pelo que se sabe, avivamento é para a Igreja. Os avivamentos são para o povo de Deus e não para os ímpios.

Pelas configurações dos preletores, pode-se saber que as mensagens serão direcionadas para ênfase de prosperidade financeira e pelo jeito não poderia dar outra mensagem.

Pelo que entendi do tema do congresso, ali estará tendo um avivamento 2010. Não entendi que estarão buscando esse avivamento, mas entendi que os participantes que estiverem ali estarão diante de um avivamento, mesmo que aquilo os motive seja um carro 0 Km.

Esse episódio é motivo para nós chorarmos, orando a Deus pela igreja. Precisamos pedir a Deus um verdadeiro avivamento. Um avivamento que a principal motivação seja buscar a presença de Jesus Cristo e encher-se de sua Palavra e não ganhar um carro 0 Km ou para qualquer outra motivação, se não buscar a presença de Jesus.

Jesus criticou os judeus porque eles queriam sinais e pães e não o verdadeiro Pão da Vida (Jo 6.26-33). Imagino que esse evento demonstra a situação espiritual da igreja de Cristo. Líderes que pregam o que o povo gosta e não a cruz; cantores-estrela que ao mínimo sinal de não colocarem o primeiro depósito nas suas contas, estão dispostos a cancelar qualquer show, embora que no palco choram levantando as mãos dizendo que é para a glória de Deus.

Realmente, não precisa ser profeta para saber que uma multidão vai estar ali. A minha oração é que essa reunião de negócios e autoajuda se transforme em um verdadeiro avivamento onde a cruz seja pregada; que as pessoas que forem ali e os pastores que organizaram se arrependam; que as pessoas possam ser atraídas nas próximas reuniões não por um carro novo, mas pelo Cristo Vivo no meio de sua igreja.

Choremos e oremos pela igreja para que fuja de uma avivamento pós-moderno e mundano que chama pelo natural e oferece o natural para se obter o espiritual. Nas histórias dos avivamentos as pessoas eram atraídas pela vontade de buscar a Deus e a sua Palavra, eram-lhes oferecido somente a cruz como Paulo falou aos coríntios que buscavam sabedoria, pois ele pregava a Cristo e esse crucificado (1Co 1.22,23).

Portanto, qualquer seita pode fazer esse tipo de avivamento, qualquer palestrante de autoajuda pode obter resultados usando esse tipo de método. Porém, como disse Paulo a Timóteo quando estava falando de Himeneu e Fileto que estavam pregando uma heresia e pervertendo a fé de alguns, “O Senhor conhece os que lhe pertencem” (2Tm 2.17-19).

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos dê o verdadeiro avivamento.

sábado, 9 de janeiro de 2010

COMO SURGEM OS DITADORES

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A história treme ao lembrar de alguns ditadores do mundo como adolph Hitler e Stalin que milhões de pessoas foram mortas em nome de suas ideologias. Na verdade, todo ditador age da mesma forma, pois eles têm que tirar do caminho todos aqueles que parecem ou dão algum vestígio de ameaça ao seu poder.

É importante pensar que nenhum ditador veio por conta própria. Todos eles vieram de uma forma paulatina e simulada. A maioria deles veio com algum apoio, seja popular, seja de alguma autoridade que o colocou.

Hitler é um exemplo clássico de ditadura. Ele era associado ao Partido dos Trabalhadores Alemães, que mais tarde se tornou o Partido Nacional – Socialista Alemão (nazista), conforme a sua biografia no Site de Biografias. Assim afirma o site:

Em 1921, tornou-se líder dos nazistas e, dois anos mais tarde, organizou uma malograda insurreição, o "putsch" de Munique. Durante os meses que passou na prisão com Rudolph Hess, Hitler ditou o Mein Kampf (Minha Luta), um manisfesto político no qual detalhou a necessidade alemã de se rearmar, empenhar-se na auto-suficiência econômica, suprimir o sindicalismo e o comunismo, e exterminar a minoria judaica.
É interessante que ele tinha objetivos louváveis para a Alemanha que estava passando por uma crise em várias áreas e, principalmente, econômica. Seu preço foi alto por isso, pois teve apoio da classe média e dos políticos como afirma o site Diário de Notícias. Hitler foi ao poder e começou cerceando devagar aqueles que o ameaçavam sem perceberem que a democracia estava indo para o espaço, aos poucos.

Segundo o site Diário, Hitler começou a se livrar dos partidos comunistas e depois ele assumiu de vez como presidente do Reich alemão.

Os ditadores são feitos pelo próprio povo. Hugo Chaves, Evo Morales, Fidel Castro, não vieram de qualquer forma. Foi o povo que os colocou. Todos eles chegaram ao poder e de uma forma bem simulada foram dinamitando colunas da democracia como censurando a imprensa, comprando a oposição ou eliminando-as, ameaçando todos aqueles que entrassem no caminho.

O Brasil passou muitos anos na ditadura militar. Muitos aspiravam à democracia, à livre expressão nos meios de comunicação e à plena liberdade da imprensa trabalhar para trazer transparência à população. A democracia chegou. Agora temos o privilégio de escolher os nossos governantes. O problema é se nós vamos ser responsáveis por mais uma ditadura, só que dessa vez não será militar, mas civil.

Parece uma alucinação, mas o Brasil, hoje, no governo do PT tem todo o terreno para instalar uma grande ditadura. Tem um governo que está aos poucos cerceando a imprensa em nome dos direitos humanos; temos um povo que não leva em conta o problema da corrupção do governo e sua “vista grossa” com relação a isso. Temos um poder judiciário duvidoso e muito parcial, já que quem os colocou foram os presidentes ou ex-presidentes.

Temos um governo que faz pré-campanha usando a máquina do governo livremente e sem nenhum problema, mesmo sendo criticado por ministros do judiciário.

Enfim, temos um presidente que pode fazer qualquer coisa que estará sempre no poder ou colocará quem ele quiser, pois a maioria do povo é corrupta e não leva em conta se o governo foi ou não corrupto, mas se foi ou não beneficiado por esse governo.

Temos um país que acolhe e recebe ditadores terroristas como o presidente do Irã foi recebido com honra, como Hugo Chaves e Evo Morales também. Claro que o simples fato de serem recebidos não implica em absorver suas ideologias, mas é para se pensar que os ditadores sejam tão bem acolhidos aqui no Brasil.

Como nunca na história do Brasil a imprensa foi tão criticada, tão cerceada a ponto da Folha de São Paulo ser proibida de colocar alguma coisa dos Sarney. Isso é uma semente para o bom terreno para a ditadura.

Temos parlamentares condenados com vários processos que lideram campanhas, ganham eleição em seus Estados, lideram comissões no senado e câmara. O nosso povo é o mais apto para receber um ditador que existe. Basta saber comprá-los, basta saber a hora certa, basta dominar a imprensa porque o povo não está nem aí para ética, mas sim para sua próxima propina ou bolsa família.

O ditador virá, aos poucos o terreno está sendo preparado, infelizmente.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O SIGNIFICADO DE “OBRAS MAIORES” DE JOÃO 14.12





Comentar um verso polêmico não é fácil. Principalmente quando estaremos discordando de vários eruditos, ou de uma grande maioria, mas quando se tem as regras, não se deve temer, apenas analisar racionalmente se de fato uma interpretação está correta ou não. A Hermenêutica é uma ciência e como tal é observável. Qualquer estudioso pode analisar se de fato uma interpretação está coerente ou não. Basta usar as regras. O problema da Hermenêutica bíblica é que, muitas vezes, os pressupostos são mais decisivos que as regras observáveis de interpretação. De certa forma, todos interpretam com um pressuposto, mas as regras hermenêuticas devem ser decisivas na interpretação, mesmo que lamentemos que tal interpretação seja assim.

O texto de Jo 14.12 é polêmico por vários motivos. Primeiro, por ele desafiar a tradição de alguns eruditos que têm pressupostos cessacionistas e não aceitam que milagres aconteçam nos dias de hoje. Segundo, por ele trazer uma promessa audaciosa do Senhor e Mestre amado Jesus. Na verdade, é um texto, no mínimo, impressionante. F. F. Bruce percebeu isso ao escrever em seu comentário: “isso deve ter causado [aos apóstolos] uma grande surpresa”(1). Saber que Jesus dá uma promessa de fazer obras iguais a que ele fez já é uma promessa audaciosa, quanto mais que ele afirma que os seus discípulos fariam “outras maiores” do que estas. Quaisquer que sejam essas obras, isso nos deixa espantados da graça e da grandeza dessa promessa. Terceiro motivo é devido aos exageros e distorções no meio neopentecostal. Essas distorções, práticas bizarras e absurdas no meio neopentecostal têm colocado muitos eruditos a pender para uma interpretação, mesmo que alguns problemas hermenêuticos sejam esquecidos ou não levados em conta.

Meu objetivo nesse texto é fazer uma análise exegética desse verso e demonstrar que algumas nuanças exegéticas são desprezadas ou despercebidas por alguns eruditos. Pretendo demonstrar que a intenção de Jesus era dizer que a expressão “obras maiores” inclui não somente o avanço do evangelho, mas principalmente milagres e maravilhas, e que retirar esse significado fere a hermenêutica bíblica. Pretendo também analisar essa interpretação à luz das coisas bizarras no meio neopentecostal dando uma palavra de alerta à igreja.

1. Análise Exegética de Alguns comentaristas de Jo 14.12

A maioria dos comentaristas, ao que parece, segue a mesma linha de raciocínio exegético. A diferença entre eles é que alguns interpretam o verso todo apenas para a extensão de conversão. Ou seja, eles interpretam que tanto as obras que Jesus fazia como as “obras maiores” dizem respeito à extensão e alcance do Evangelho. O outro grupo de eruditos interpreta que somente a expressão “as obras que eu faço” é relacionada aos milagres; quanto à expressão “obras maiores” diz respeito ao alcance do Evangelho. F. F. Bruce escreve em seu comentário desse verso o seguinte:
E o que eles [os discípulos] devem ter pensado quando ele continuou dizendo que, já que estava indo para junto do Pai, eles fariam coisas até maiores do que as que o viram fazer? Sua promessa acabou se concretizando: Nos primeiros meses depois da sua morte e ressurreição, mais pessoas tornaram-se suas seguidoras, através do testemunho deles sobre o que ocorrera durante o seu ministério pessoal na Galileia e na Judeia. Os discípulos sabiam muito bem que em si eles eram completamente incapazes de realizar algo desse feitio, mas ele passou a lhes falar da vinda do Parácleto, que os capacitaria e tornaria seu testemunho eficaz.(2)

Note que F. F. Bruce interpreta todo o verso como um alcance maior de pessoas para o Evangelho pelos apóstolos do que Jesus teve. Ele não toca em nenhum lugar do seu comentário em milagres e nem faz nenhuma análise exegética, exceto citando alguns versos sem influenciar em nada sua interpretação por causa deles.

Já William Hendriksen interpreta um pouco diferente. Ele escreve o seguinte em seu comentário:

Como isso pode ser verdade é explicado em 14.16ss. Como resultado de sua partida, os discípulos realizarão não só as obras que Jesus estava realizando durante todo o tempo (milagres no reino físico), mas outras (obras) maiores que essas, ou seja, milagres no reino espiritual. Ver sobre 5.20, 21, 24. As obras de Cristo consistiram em grande parte de milagres no reino físico, realizados principalmente entre os judeus. Quando agora fala de obras maiores, ele está com toda probabilidade pensando naquelas obras em conexão com a conversão dos gentios. Essas obras eram de caráter mais elevado e maiores em escala.(3)
Podemos ver claramente que a interpretação de Hendriksen é diferente de F. F. Bruce. Ele faz diferença e interpreta que a promessa que inclui os milagres é somente para a expressão “obras que eu faço”. Já a expressão “obras maiores”, Hendriksen interpreta como a conversão em grande escala dos gentios. De qualquer forma, Hendriksen já deixa aberto para que milagres estejam na promessa do verso, mesmo que ele não entre em detalhes se eles podem ser realizados até os nossos dias.

Calvino interpreta dessa maneira também. Ele escreve em seu comentário ao evangelho de João:
Muitos estão perplexos com a afirmação de Cristo, que os apóstolos fariam obras maiores do que ele tinha feito. Eu tenho passado por várias outras respostas que foram normalmente dadas com respeito a isso, e satisfaço-me com esta simples resposta. Primeiro, precisamos entender o que Cristo pretende dizer, ou seja, que o poder pelo qual ele prova ser o Filho de Deus, está tão longe de ser confinado à sua presença física, que deve ser claramente demonstrado por muitos e impressionantes provas, quando ele está ausente. Agora, a ascensão de Cristo foi logo depois, seguida de uma maravilhosa conversão mundial, no qual a divindade de Cristo foi mais poderosamente demonstrada que enquanto ele residia entre os homens. Portanto, nós vemos que a prova de sua divindade não foi confinada à pessoa de Cristo, mas foi difundida através de todo o corpo da igreja.(4)

Notemos que apesar de que Calvino não tenha sido mais explícito que Hendriksen, eles possuem a mesma conclusão. Para Calvino, a divindade de Jesus Cristo não estaria confinada à sua presença física, mas seria demonstrada através do que chamou de “impressionantes provas”, mesmo diante de sua ausência. No entanto, Calvino passa a destacar que a divindade de Cristo foi “mais poderosamente demonstrada” pela “maravilhosa conversão mundial” depois da sua ascensão. Aqui, Calvino relaciona as mesmas obras de Jesus Cristo ao que ele chamou de “impressionantes provas”. No entanto, à expressão “obras maiores” ele relaciona à grande conversão depois da ascensão de Cristo, começando no pentecostes.

Outro erudito a comentar de uma forma mais equilibrada, em minha opinião, é Werner de Boor. Ele afirma assim em seu comentário:

De acordo com At 5.16; 9.36-43; 19.11ss; Tg 5.14 os apóstolos também realizam as obras que Jesus realizou, e ainda o fazem em proporção maior do que ele, individalmente, podia fazê-las. Contudo, a verdadeira “obra” de Jesus reside em seu envio como Salvador do mundo. Como era pequeno o sucesso visível destinado à atuação de Jesus! Justamente agora, por ocasião da despedida de Jesus, isso pode ser visto com clareza assustadora. E como isso muda completamente no dia do Pentecostes! Nele Pedro pode realizar uma obra que com os três mil salvos transcende em grandeza a tudo que Jesus fez durante sua permanência na terra.(5)
Boor demonstra em seu comentário que os apóstolos fizeram os mesmos sinais que Cristo fez e ainda maiores e dá as referências, inclusive de At 19.11 no episódio que pegam lenços e aventais de Paulo. No seu comentário ele interpreta que as duas expressões falam dos sinais e maravilhas, mesmo que admita que o maior sinal seja o da conversão da pregação de Pedro no Pentecostes e o alcance dos gentios ao Evangelho.

O que nos chama atenção é que nenhum dos comentaristas citados faz uma análise exegética detalhada para chegar às suas conclusões. Mesmo que se leve em conta que quando se faz um comentário, não se tem a intenção de se deter em um verso apenas, exceto se esse for considerado bem polêmico pelo seu autor e exija mais atenção na sua interpretação. Em minha opinião, isso seria muito importante para esse verso diante de uma promessa tão excelente.

2. Promessa, não ordenança

Antes de entrar na análise exegética propriamente dita do verso, precisamos entender que Jesus não está dando uma ordenança, mas fazendo uma promessa geral. A diferença é que a promessa depende de Deus realizar, a ordenança, somos nós que temos que realizar. A promessa pode ser para alguns ou para um tempo determinado, exceto, se for especificado que é para todos ou demonstrar que é para todas as épocas; a ordenança é para todos em todas as épocas. Quando se trata de um ensinamento de Jesus aos seus apóstolos e discípulos, diz respeito à sua Igreja, pois os apóstolos ensinaram e demonstraram isso. Notemos que no sermão da Montanha Jesus tem por objetivo de ensinar, a priori, seus discípulos (Mt 5.1,2). É um erro grotesco de interpretação se alguém afirma que os ditos de Jesus foram somente para eles sem uma base para tal afirmação. Por exemplo, ninguém precisa ir hoje em dia a algum cenáculo e pegar o primeiro jumentinho que achar porque o contexto deixou claro que aquela ordenança era para aqueles discípulos somente (Mc 11.1,2). Porém, não podemos dizer isso para o Sermão da Montanha e nem para as palavras de Jesus em geral. Principalmente, do capítulo 14 de João. Portanto, todos os ensinamentos de Jesus são preciosos e cheios de autoridade, merecendo a nossa atenção máxima.

No caso do verso de Jo 14.12 trata-se de uma promessa porque Jesus não está usando o verbo grego no imperativo, mas no futuro do indicativo do verbo ποιεω / ποιησει / “fará”. Como promessa e tratando-se de milagres, implica em uma total direção divina para que assim aconteça. Sabemos que essa promessa não se manifestou a todos os apóstolos, mesmo para quaisquer que sejam a interpretação de “obras maiores”. Assim como a promessa de Marcos 16.20 que o verbo está no futuro e que não significa que acontecerá com todos. Nessa expressão, seria como se Jesus dissesse que haveria algumas maravilhas feitas pelos seus apóstolos e sua igreja que ultrapassariam as suas. Jesus reconhece a continuação dos milagres e maravilhas pela sua igreja, mesmo entre aqueles que não eram de fato convertidos quando afirma:

Mateus 7:22 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?

Jesus como o Eterno Filho de Deus falou algo profético que os sinais e milagres ainda iriam continuar na sua igreja. Mateus usou a expressão ου... τω σω ονοματι δυναμεις εποιησαμεν traduzida na RA para “em teu nome não fizemos muitos milagres?” e na RC “em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?”. O verso está direcionado pelo advérbio de negação ου demonstrando que eles de fato fizeram isso. A palavra usada por Mateus δυναμεις traduzida para “poderes, maravilhas” é mesma palavra usada para os milagres de Jesus e dos apóstolos (Mt 11.20, 21; 13.54; 14.12; Mc 5.30; At 6.8; 19.11).

Tanto Calvino como Hendriksen admitem que os milagres somente dizem respeito à expressão que Jesus usou “obras que eu faço”, mas isso não deixa de trazer uma dificuldade. Fazer as mesmas obras de Jesus é, no mínimo, algo fantástico. Por isso que Jesus começa esse verso com o famoso αμην αμην / “em verdade, em verdade”. Mesmo assim, esse fazer as obras de Jesus não significa fazer todos os mesmos milagres de Cristo, pois nenhum apóstolo andou sobre as águas e nem transformou água em vinho. Àqueles que interpretam que é apenas a extensão do Evangelho e conversão, precisam admitir que os apóstolos não fizeram todas as coisas que Cristo fez nessa área. É difícil dizer que alguém pregou o evangelho como Cristo (Jo 7.45,46) ou que trouxesse quase uma cidade toda para ouvi-lo sem marketing ou propaganda de qualquer tipo, mas somente pelas suas Palavras (Jo 4.28-30).

Portanto, quando Jesus profere essas palavras, ele quer demonstrar que os apóstolos e a sua igreja farão coisas semelhantes a que ele fez, mesmo que isso não signifique que teriam que fazer todas as mesmas coisas.

3. O que significa a expressão “obras maiores”

3.1. O contexto imediato

A expressão “outras maiores fará” vem da tradução και μειζονα τουτων ποιησει. Na verdade, o adjetivo comparativo μειζονα está na mesma declinação, gênero e número do substantivo τα εργα / “as obras” demonstrando que se refere diretamente a ele. Portanto, esse “maiores” é uma qualificação de obras que foi citada anteriormente. Não há base para afirmar que a qualificação μειζονα, traduzida para “outras maiores” corresponda a outro sentido como Hendriksen afirma claramente em seu comentário. A dificuldade de pensar assim é exatamente porque o adjetivo de comparação corresponde a τα εργα “as obras”. Isso dá a entender que corresponde ao mesmo tipo de obras citadas por Jesus que ele fazia, só que maiores. Para ilustrar, imaginemos uma paráfrase de outra forma: “João fará as coisas que eu faço no meu serviço e maiores que eu ele fará”. Isso implica dizer que João fará maiores dentro do entendimento qualificativo da idéia de coisas no meu serviço que foi dito. Portanto, interpretar separadamente as expressões é esquecer essa nuança exegética simples, diga-se de passagem.

Uma das regras básicas de Hermenêutica é analisar o contexto imediato de um texto. O contexto dessa expressão deixa-nos concluir que Jesus se referia principalmente a obras miraculosas. Notemos que vem de um diálogo entre Filipe e Jesus. Filipe pede a Jesus para mostrar para ele o Pai e isso bastaria (Jo 14.8). Jesus responde que quem o vê, vê também o Pai e evoca que ele faz as mesmas obras do Pai (Jo 14.11). Aqui Jesus está falando de obras miraculosas, pois fica difícil relacionar somente a extensão de evangelização para o Pai. Jesus está falando dos sinais miraculosos e de milagres, principalmente. Essas “mesmas obras” no verso 11 demonstram obras de maravilhas. Isso é afirmado, inclusive por Hendriksen analisando esse verso: “Mas se isso lhes fosse difícil, que então cressem ao menos por causa das próprias obras. Essas obras têm valor comprobatório. Sobre isso, ver [Jo] 9.31-33; 10.37, 38; 11.39-44; 20.30, 31; cf. Atos 2.22; 4.31; 2 Coríntios 12.12”.(6)

Note que as referências de Hendriksen incluem demonstração de maravilhas e milagres. Se as obras do verso 11 são interpretadas como obras miraculosas, fica difícil interpretar o verso 12 diferente, pois existe o artigo definido τα εργα, que demonstra que essas obras já foram faladas anteriormente no verso 11. E se essas obras com o artigo definido correspondem ao verso 11 como milagres, conclui-se, então, que o adjetivo μειζονα / “maiores” corresponde a milagres também. Isso traz um silogismo exegético dessa maneira:

Τα εργα (v.11) => Τα εργα (v.12) => μειζονα (7)

Portanto, o contexto imediato dá-nos base para interpretar que na expressão “obras maiores” estejam incluídas, principalmente os milagres e maravilhas.

3.2. O sentido de εργα / “obras” no evangelho de João

É necessário analisar também que João usa em muitas passagens de seu evangelho a palavra “obras” relacionada no contexto de curas miraculosas, incluindo em algumas passagens, a conversão. Nós podemos ver isso nas seguintes passagens (Jo 5.20; 5.36; 6.20; 7.3; 9.3; 9.4; 10.25; 10.32; 10.37; 14.11; 15.24).

Notemos que em Jo 9.3, 4 o evangelista usa a palavra τα εργα / “as obras” tanto para milagres (v.3) como para no sentido de evangelização (v.4). As obras de Deus que Jesus falou incluíam, principalmente, a cura do cego de nascença, pois logo em seguida Jesus o curou. Mesmo assim teve uma significação de alcance do Evangelho porque Jesus o salvou e demonstrou isso quando ensinou os discípulos nessa ocasião (Jo 9.35-41).

Pela análise das palavras no restante do Evangelho também se pode perceber que Jesus tinha a intenção de falar sobre milagres e maravilhas.

3.3. O sentido de μειζονα / “maiores”

João 5:20 20 Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis.

João usa a expressão grega nessa passagem com uma semelhança de chamar atenção com esse mesmo adjetivo, com as mesmas classificações sintáticas e morfológicas que usou em Jo 12.14, inclusive qualificando a mesma palavra εργα.

Ο γαρ πατηρ φιλει τον υιον, και παντα δεικνυσιν αυτω α αυτος ποιει, και μειζονα τουτων δειξει αυτω εργα, ινα υμεις θαυμαζητε

Notemos que o contexto é da cura do paralítico do tanque de Bestesda e que Jesus está falando de obras no sentido de maravilhas e curas e não de extensão do Evangelho. Por isso que ele fala que eles iriam se maravilhar com as μειζονα τουτων “maiores que estas” que ele iria fazer. O sentido de μειζονα / “maiores” aqui não é de extensão, mas obras mais extraordinárias, por isso que os discípulos iriam se maravilhar. O verso seguinte também explica que Jesus quer falar é de obras miraculosas, pois fala do Filho do Homem ressuscitar a quem quer (Jo 5.21). Se o sentido em João 5.20 é de maiores em essência de milagres, por que interpretar Jo 14.12 somente como extensão de conversão dos discípulos?

Hendriksen, fazendo uma paráfrase desse verso, escreve:

A operação de milagres – como o da cura do homem no tanque de Betesda – é parte desse plano eterno; e maiores obras do que essas curas de pessoas enfermas ele (o Pai) lhe (o Filho) mostrará – ou seja, ressuscitará pessoas mortas e julgará todas as coisas -, para que vocês, já admirados por causa do milagre do tanque, realmente fiquem maravilhados. Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes comunica vida (ou seja, os que estão espiritualmente mortos, e, também, no dia do julgamento, os mortos físicos), assim também o Filho (que é igualmente soberano) comunica vida a quem quer.(8)
Hendriksen reconhece que Jesus estava falando de milagres maiores e relaciona isso também ao verso posterior. Na verdade, aqueles que advogam essa interpretação não fazem de uma análise exegética, mas por que eles imaginam que é muito difícil alguém fazer algo maior que Jesus fez. Porém, não analisam que fazer qualquer coisa semelhante a Jesus Cristo é uma grande dificuldade e exige fé, mesmo na evangelização, como demonstrei anteriormente. Precisamos entender também que quando acontece esses milagres é o próprio Jesus que está fazendo, como bem escreveu Calvino em seu comentário: “no qual a divindade de Cristo foi mais poderosamente demonstrada que enquanto ele residia entre os homens”(9). Então, não devemos temer.

Portanto, esse texto de Jo 5.20 é muito esclarecedor, em minha opinião. O adjetivo grego μειζονα / “maiores” é usado na mesma forma que é usado em Jo 14.12 e significa maiores em sinais extraordinários e não em extensão de evangelização. Exegeticamente é decisivo e legítimo interpretar esse adjetivo como obras no sentido de maravilhas, principalmente, devido ao contexto imediato e quando se relaciona ao substantivo εργα no todo do livro.

4. O testemunho prático desse verso nos atos dos apóstolos

É importante visualizarmos, agora, se aconteceu de fato o cumprimento dessa promessa nos atos dos apóstolos. Isso é muito importante, pois se não aconteceu com os apóstolos, ficaria difícil entender que poderia acontecer com a igreja depois.

Quanto aos mesmos milagres de Jesus, temos muitos exemplos (At 2.43; 5.16; 6.8; 8.6,13; 14.3; 15.12,19), mas podemos perceber algumas maravilhas e milagres que os apóstolos fizeram que poderíamos dizer que ultrapassou o que Jesus fez:

4.1. O lugar tremeu (At 4.29-31)

Esse episódio é muito interessante. Não há uma única descrição apostólica que algum lugar tremeu depois da oração de Jesus. Houve um terremoto fantástico e todos foram cheios do Espírito Santo. Esse fato, ao meu ver, está acima do que Jesus fez no sentido de oração.

4.2. A sentença da morte de Ananias e Safira (At 5.1-12)

Realmente esse episódio é maravilhoso e cheio de autoridade que Jesus não teve oportunidade de usar na sua humilhação enquanto aqui na terra. Pedro com muita autoridade deu a sentença a Ananias e Safira de morte. Acredito que não houve uma demonstração tão poderosa como essa entre os apóstolos. Por isso trouxe muito temor.

4.3. A cura pela sombra de Pedro (At 5.12-16)

Esse milagre realmente é, no mínimo, novo em toda a Bíblia. As pessoas se colocavam onde Pedro passava e a sua sombra os curava. Isso nunca acontece no ministério de Jesus e realmente é fantástico isso.

4.4. Anjos abrem as portas da prisão (At 5.17-20; 12.6-12)

A operação dos anjos com os apóstolos foi algo fantástico que não aconteceu com Jesus, pois embora que o ministério de Jesus tenha sido bem monitorado por anjos, mas a forma dos anjos agiram com os apóstolos, em minha opinião, foi maior, pois abriram as prisões, falaram claramente e até os guiaram para fora (v.19).

4.5. O arrebatamento de Filipe (At 8.38-40)

Esse episódio é maravilhoso e com certeza deve nos fazer pensar que esse sinal Jesus nunca fez. Filipe foi arrebatado para outro lugar de uma forma milagrosa. Esse episódio é fantástico e muito maior do Cristo fez.

4.6. A cegueira de Elimas, o mágico (At 13.5-13)

Outro sinal fantástico foi exatamente a autoridade de Paulo ao falar a Elimas, o mágico que ele ficasse cego. Essa maravilha foi maior do que Jesus fez, pois isso não aconteceu com Jesus. Sinais, assim, viam-se somente no VT (2Rs 6.17,18). Por isso que o texto afirma que o procônsul ficou maravilhado.

4.7. Os lenços e aventais de Paulo (At 19.11,12)

O próprio texto afirma que Paulo fazia milagres extraordinários. A ênfase no texto grego é grande no verso 11 δυναμεις τε ου τας τυχουσας / “maravilhas jamais encontradas”. O verbo grego τυγχανω traduzido na RA para “extraordinários” está no particípio aoristo. Isso quer dizer que jamais foi encontrado, numa ação que não se repetiu. Eram milagres tão extraordinários que o autor usou uma redundância, pois a própria palavra δυναμεις quer dizer algo extraordinário, mas Lucas ainda colocou que foi jamais visto. O próprio texto afirma que o que estava acontecendo com Paulo era algo que Jesus não fez, pois foram maravilhas jamais encontradas e suplantou o que o Mestre fez.

4.8. Paulo escapou da víbora (At 28.3-6)

Nessa passagem Paulo foi picado por uma víbora. Ao que parece, os habitantes conheciam que Paulo iria morrer em poucas horas, pois esperavam por isso. No entanto, Paulo simplesmente jogou a víbora no fogo. Esse sinal, além de ser maravilhoso e não ter acontecido com Jesus demonstra algo fantástico, pois os habitantes da ilha achavam que ele era um deus.

5. As coisas bizarras das igrejas neopentecostais em relação a esse verso

Temos que admitir que esse verso, como toda promessa de Deus pode ser mal interpretado. Hoje, nós temos vários exemplos de igrejas que encenam coisas estranhas e bizarras. É unção para todo gosto. Unção do Leão, dos quatro seres viventes, do pião, etc. Precisamos admitir que todas as maravilhas que os apóstolos fizeram foram extraordinárias, com uma diferença: Não foram forjadas pelos apóstolos. Nos exemplos das maravilhas, sinais e curas dos apóstolos não há exemplo de que partiu dos apóstolos, mas de Deus. Ou seja, claramente as pessoas se maravilhavam porque viam que foi Deus que tinha feito e não tinha espaço para pensarmos que seria o homem e suas ricas criatividades e influências do seu coração caído (Jr 17.9).

Os exemplos feitos na Bíblia de cenáculo ter um terremoto, pessoas morrerem, Elimas ficar cego, Filipe ser arrebatado de um lugar para o outro não dão espaço em nenhuma hipótese para que pensemos que tenha sido um homem. No entanto, se alguém imitar os animais que os profetas viram como uma visão simbólica, a chamada “unção dos quatro seres viventes” podemos com toda razão duvidar se essas pessoas estão sendo usadas por Deus; ou até mesmo imitar um animal como o leão que foi colocado na Bíblia como um símbolo de Cristo e de Satanás (Ap 5.5; 1Pe 5.8). Essas imitações são completamente duvidosas e dignas de nossa dúvida, já que não vemos uma ação maravilhosa, mas infantil e humana.

Não obstante a isso, precisamos ter todo cuidado em não desprezar as coisas fantásticas que vêm de Deus em nome de uma má análise das imaturidades feitas pela Igreja. Paulo, quando escreveu à igreja de Corinto, ele encontrou uma igreja criança e cheia de divisão por causa dos dons, mas Paulo não negou os dons. Ele escreveu ensinando a Igreja usar esses dons para a glória de Deus.

Vemos nas histórias dos avivamentos coisas extraordinárias que nunca aconteceram como nos avivamentos nas ilhas Fiji e entre os Zulus. Coisas que não se tem como dizer que tenha sido um homem fazer isso. A mesma coisa quando pessoas caíram agarrando-se em colunas pedindo misericórdia a Deus para não irem ao inferno como aconteceu na pregação de Jonathan Edward. Essa ação só pode vir de Deus, pois, pelas Escrituras somente o Espírito Santo pode convencer o homem do pecado. No entanto, se várias pessoas começam a rir num culto e dizem que é uma operação de Deus como chamam “unção do riso”, devemos, com toda razão, duvidar, já que o riso é completamente influenciável e quando estamos diante da presença de Deus, somos convencidos de nossos pecados e insuficiência (Is 6.5).

Portanto, as coisas bizarras não devem nos deixar incrédulos para a promessa de Jesus em Jo 14.12.

CONCLUSÃO:

Meu objetivo foi analisar de uma forma mais profunda o verso de Jo 14.12, pois muitos eruditos interpretam esse verso sem levar em conta alguns princípios hermenêuticos.

Sabemos da grande piedade e zelo de alguns em ter cuidado com respeito aos milagres e sinais; porém, precisamos pensar que se somos mensageiros da Palavra de Deus não devemos procurar agradar a homens, mas a Deus que nos chamou com santa vocação.

Entendemos que a solução para os abusos da igreja não é fugir ao que a Escritura nos diz, mas, ao contrário, devemos buscar uma interpretação correta e ensinar aos líderes cristãos da igreja a sua verdadeira interpretação.

Sola Deo Gloria.

(1) BRUCE, F. F. Introdução e Comentário: João. São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 258.
(2) Ibid.
(3) HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: João. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 660.
(4) CALVINO, John. Commentary on John - Volume 2. Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library, 1999, p. 50-51.
(5) BOOR, Werner. Evangelho de João II – Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2002, p. 88.
(6) HENDRIKSEN, Op. cit., p. 659.
(7) Por causa das limitações de formato de fonte na internet, infelizmente, eu preferi colocar dessa maneira. O ideal seria se colocasse em diagrama exegético.
(8) Ibid., p. 263.
(9) CALVINO, op., cit.