sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A CRÔNICA DOS BICHOS


A CRÔNICA DOS BICHOS

Aconteceu, numa floresta bem distante, um grande problema no reino animal. O Rei desse reino era um Leão chamado Lelu; seus assistentes eram os lobos, hienas, raposas e macacos, mas a maioria era composta de lobos, hienas e raposas.

Houve uma crise no reino depois que souberam que alguns lobos comeram algumas aves da propriedade da Sra. Tartaruga. O principal acusado foi um perigoso lobo que trabalhava no Reino do Leão Lelu. Esse lobo foi visto por um macaco pegando as aves da propriedade da Sra. Tartaruga e então esse lobo contou tudo que sabia aos papagaios, responsáveis pelas notícias na floresta. Com isso, por causa da grande repercussão na Floresta, foi sugerido abrir uma comissão de sindicância no parlamento do Reino do Leão Lelu. O Rei Lelu, junto com os outros bichos começaram a agir para que não tivesse essa comissão. Começou-se a ver benefícios a alguns bichos para que votassem contra, porém, por causa da grande repercussão dos papagaios, até os lobos, hienas e as raposas aceitaram.

Foi aberta a CPF (Comissão Parlamentar da Floresta). O problema era que no parlamento do Reino do Leão Lelu havia macacos, alces, renas; mas os lobos, que eram a maioria, queriam dirigir a própria CPF. Alguns macacos, que eram da oposição, diziam: “como pode isso?” Os lobos julgarem os próprios lobos? Isso não deu resultado. Escolheram para presidir a CPF lobos e como relatores, raposas. Os poucos macacos choravam de ver tanta disparidade e mediocridade, mas os lobos passavam a língua nos focinhos e as hienas riam do restante da bicharada. Foi aí que um lobo disse tudo que sabia, inclusive envolvendo o Rei Lelu. Enquanto isso, o rei Leão Lelu viajava pelo Reino, rindo para os burros e cavalos que não podiam pensar muito. Os burros e jumentos faziam passeata protegendo o Leão Lelu e a sua popularidade estava ainda alta.

O problema disso foi que, para surpresa de alguns bichos, o Leão Lelu não era bem um Leão, mas um lobo também vestido de Leão, pois as denuncias deram a entender que o Leão Lelu, pelo menos aceitou os outros lobos comerem as aves da Sra. Tartaruga.

Bem, o Reino ficou um caos de moralidade. Os papagaios falavam todo dia sobre a CPF que os lobos presidiam e, enquanto isso, os burros e jumentos, que eram muitos, prometiam votar ainda no Leão Lelu. O problema é que, antigamente, o reino era governado por uma Raposa e ela quase acabou com as árvores do Reino e então, a bicharada escolheu um Leão, mas no fundo era um lobo.

O Resultado é que a CPF, como se espera, foi um fiasco. Os lobos acusados fazem chantagem aos outros lobos e raposas buscando sair da punição do STF (Supremo Tribunal da Floresta), composto de Corujas, mas existiam também Urubus, pois estavam dando Habeas Corpus àqueles que eram acusados para falarem o que quiserem na CPF.

Diante desse desespero, o Leão Lelu pediu ajuda a Tigre Dente de Sabre e a um famoso Mamute, os animais mais antigos e ferozes os quais tentaram defender o Rei Leão Lelu.

Afinal, a bicharada não espera nada dessa CPF, mas pelo menos que os burros e cavalos saibam em votar, pois o Leão Lelu diz que vai se candidatar a Rei novamente junto com alguns lobos, crocodilos ou até mesmo entre na disputa uma leoa.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

VOAR DE AVIÃO É UMA ROLETA RUSSA



Dizem que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Segundo a reportagem da revista Veja sobre o Voo 447 da Air France, 13 milhões de pessoas viajam a bordo de jatos comerciais. A revista afirma ainda que esses 13 milhões de pessoas estão mais seguros que estivessem parados na esquina noturna do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Afirmam que quem voa corre menos risco que quem cuida de abelhas, já que mais pessoas morrem a cada ano de picadas de abelha que acidente de avião.

Eu gostaria de questionar algumas coisas sobre isso. Primeiro, não quero ser um pessimista, trazendo medo às pessoas, mas ser realista diante de uma verdade que não se pode negar. Depois, precisamos entender que na vida sempre estaremos diante de riscos, seja de qualquer forma. Há casos de morte de ciclistas, quedas dentro da própria casa etc. Portanto, quero apenas ser um pensador e como alguém que de vez em quando anda de avião também.

Primeiro precisamos pensar que nem todas as pessoas ficam paradas numa rua do Rio de Janeiro ou de São Paulo, nem todas as pessoas são criadores de abelhas. Portanto, essa comparação de segurança não vale para um bom número de pessoas. Isso parece simplista da minha parte, mas apenas quero desfazer essa falácia de um silogismo mal feito. É como se eu dissesse que acertar na loteria é tão fácil como se acertasse a trave de futebol com a bola 2 vezes com apenas dois chutes como o Ronaldinho gaúcho faz. Todos sabem que se houver essa comparação é falaciosa, pois nem todos chutam como Ronaldinho Gaúcho. Portanto, comparar o voar de avião com o estar em um determinado lugar específico sem que muitos não podem estar, constitui uma falácia.

Mesmo que se tenham percentagens pequenas de acidentes para o número de aviões, não se pode esquecer do outro percentual que pode acontecer a qualquer momento. O problema não é o número, mas quando acontecerá. Pode-se ter 1% de possibilidade de alguém ser picado por uma cobra na cidade, mas quando e quem será depende da ocasião. Isso mais ainda constitui uma roleta russa.

Voar de avião é um risco porque a segurança sempre dependerá da perícia e perfeição humanas de projeto e trabalho na máquina, coisa que é impossível. Todos devem saber se existe um só homem, pode haver falhas. O voo 447 da Air France tem comprovado exatamente isso, pois um avião com tecnologia de última geração que estava em plena legalidade de revisão e de uso, tendo feito vários voos cruzando o oceano e o mundo foi alvo da maior tragédia do nosso século, até agora, onde 228 vidas morreram em minutos. Esse acidente, juntamente com outros que aconteceram em pouco tempo no Brasil, demonstram que voar de avião é participar de uma roleta russa. Um dia será alguém.

Um dia será alguém porque toda máquina dá defeito, toda fabricação tem falhas, todo ser humano se engana, mesmo com toda a perícia e destreza em fazer a máquina. A revista traz na reportagem que para corrigirem um problema no reverso dos jatos, precisou ter vários acidentes graves na aviação. Ela afirma que em 1991 aconteceu um grande acidente com um Boing 767 depois que os reversos se abriram em pleno voo de cruzeiro. Daí, fizeram os reparos de engenharia chegando a falhar em outro grande acidente da TAM em São Paulo. Olha que não se está nem levando em conta o caos dos aeroportos e dos técnicos que são responsáveis pelas informações dos voos aos pilotos e tripulantes.

A comparação que alguém corre mais risco indo ao aeroporto de carro que viajando de avião não convence. Não convence porque se o motor de um carro parar, temos plena condição de sobrevivermos; agora, se o motor de um avião parar, as chances estarão no nível dos milagres. Se faltar combustível em um carro, temos plena condição de sobrevivência, mas num avião, as chances são remotas como aconteceu no voo da Varig que pousou na floresta amazônica exatamente por falta de combustível.

Portanto, quem voa de avião, deve aprender a orar e ser bem resolvido com o porvir. Um dia será alguém. Espero que não seja ninguém que esteja lendo esse texto, pois voar de avião é uma roleta russa. O revólver pode disparar sem que a bala saia, mas ela sempre estará no pente. Sempre a máquina esperará o dia em que gritará com toda a força que não passa de uma máquina e que somente os pássaros voam com segurança.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

ESTAMOS VIVENDO UM CAOS


Fala-se em terceiro mandato para o presidente Lula, mas como nunca na história do Brasil o caos social está tão explícito como no governo do PT. Parece uma ironia, pois a promessa de fazer pelos pobres e da chamada “Fome Zero” foi a âncora da campanha.

Como nunca, CPI´s foram instaladas, como nunca o PT, ao invés de demonstrar transparência, tenta se livrar dessas CPI´s com vários meios ilícitos. A última, a da Petrobrás é a maior evidência que esse governo está podre pela corrupção. Principalmente como está tentando se livrar desta.

Como nunca na história do Brasil, pessoas têm morrido nos hospitais e a saúde está um caos; greve de médicos do SUS, de policiais; corrupção em várias áreas e em vários setores do governo. Vários ministros foram deposto por que foram descobertos e pressionados pela mídia para saírem. Nada foi feito para que os policiais e professores fossem bem remunerados. Escolas estão decadentes e crianças estão cada vez mais em situação difícil de assistirem a aulas.

Vem a famosa desculpa: “... mas todos são corruptos”.

O que mais impressiona é saber que as pessoas desistiram de procurar, tentar e punir com o voto aqueles que se portam sem escrúpulos com o dinheiro público e ficam sem saber de nada. Elas caem na falácia da generalização: “não vamos punir aquela pessoa porque todos fazem isso”. Com isso, o Brasil está afundado no maior caos de corrupção que já teve.

O terceiro mandato está aí. Quando o caos vier, perguntarei: para quem você votou? Agüente.

terça-feira, 26 de maio de 2009

BRASIL: O PARAÍSO DA IMPUNIDADE


Existem vários tipos de paraíso no mundo: paraísos turísticos, paraísos fiscais. O Brasil é o paraíso da impunidade. Quer cometer crimes e ficar impune, venha para o Brasil. Inclusive, a nossa nação é vista no exterior dessa forma, infelizmente.

Não poderia ser diferente. As nossas leis são obsoletas, mal feitas e trazem muitos privilégios aos criminosos; o sistema penitenciário é falido e sem condições de abrigar decentemente os presos; a nossa polícia é pobre e o salário de um policial é inferior a de um camelô (desculpem-me os camelôs pela comparação); os nossos parlamentares têm a chamada imunidade parlamentar. O problema é que a corrupção e o crime, muitas vezes, partem deles como já noticiado na mídia em geral. As delegacias em profunda decadência e agentes de polícia passando fome sem viaturas ou viaturas em pedaços. Parece até que o governo se contenta com as propinas que os policiais arrancam dos traficantes e de outros meios para não lhes dar salário digno.

A maioridade no Brasil é considerada de 18 anos. Alguns em nome dos direitos humanos rejeitam que a maioridade seja de 16 anos. Afirmam que um “um menininho”, “uma criancinha”, “um adolescente de 16 e 17 anos” não sabe direito o que está fazendo e precisa ser tratado com muita educação deixando-o num abrigo que logo, logo será solto. O problema é que os traficantes, sabendo que os nossos legisladores são néscios e sem muita visão do todo, colocam “esses menininhos de 17 anos” para matarem, cometerem crimes, assumirem a culpa porque sabem que eles têm nas nossas leis privilégios, inclusive das TV’s não mostrarem os rostinhos dos “bebês”. Todos ficaram chocados com um crime bárbaro, que aconteceu recentemente no interior de São Paulo, onde dois assaltantes entraram num condomínio e quando o alarme disparou, um deles de 17 anos atirou numa criança de 8 anos sem dó e sem piedade. Claro! Um país que trata marginais de 16 e 17 anos, pais de família, mais ativos que muitos de maior idade que eles como simples adolescente inocente só tem que acontecer isso mesmo.

A maioridade é convencional e sabe-se que quando se coloca um adolescente com privilégio de impunidade, isso se torna perigoso, além de subestimar a sua moralidade. O crime organizado sabe exatamente isso e, por isso, usa esses jovens. Se falarmos que um jovem de 17 anos não pode ficar no meio de presos perigosos, o problema é do Estado que não proporciona condições precisas. Mesmo assim, para quem comete crimes de estupro e assassinato a crianças é digno de estar entre esses criminosos mesmo.

Alguns dizem que a solução é educação, mas o problema não é só educação, mas de impunidade. Não adianta educação no país se os mais educados no Brasil, os parlamentares, são corruptos e coniventes com o crime em vários fatores (claro que tem exceções).

Portanto, é fácil matar, roubar e corromper no Brasil. Basta ter um bom advogado, ser do PMDB ou do PT, ainda não ter completado 18 anos, ser do MST, ser um parlamentar ou que venha para o Brasil tendo cometido o crime no país de origem. Pode até ser que tenham agências de viagens entre as máfias da Itália e do mundo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

OS LIMITES ENTRE REBELIÃO E ABUSO DE AUTORIDADE



Há um grande dilema e questionamento nesses últimos anos: onde começa um abuso de autoridade de um líder para que não seja um ato de rebelião de um membro da igreja ou onde começa um ato de rebelião sem que um líder não abuse de sua autoridade?
Antes de tudo, precisamos concordar que nesses últimos anos muitas doutrinas estranhas e muitos líderes reivindicam uma autoridade inquestionável tanto de doutrina como de algum ato que não convém, levando os seus ouvintes sem nenhuma chance de questionamento ou de discordância. Para isso, eles afirmam que não se pode ir contra o “ungido do Senhor” e demonstram uma espécie de “inerrância” do que falam ou ensinam, levando temor àqueles que ousarem questionar alguma coisa. Por causa disso, muitos afirmam que a expressão “ungido do Senhor” é uma redundância e não se deve aplicar somente aos pastores e presbíteros, mas a todos os crentes em geral, afirmando que “todos são ungidos do Senhor”.
O objetivo desse texto é demonstrar, através das Escrituras, os limites desse grande dilema e procurar fazer também alguns esclarecimentos exegéticos sobre alguns textos, inclusive sobre a expressão “ungido do Senhor”. Procurarei fazer uma hermenêutica sadia com muito temor e tremor. Pretendo, também, trazer uma pequena exegese do texto de 1Tm 5.19-22 que fala das denúncias contra o presbítero e analisar o ponto de vista do apóstolo Paulo sobre autoridade espiritual e quando uma autoridade é questionável.

1. Sinais de Rebelião

Precisamos analisar quando o pecado da rebelião acontece para definirmos a primeira fronteira desse dilema. A rebelião é o pecado mais antigo, segundo a Bíblia. Começou com Lúcifer (Is 14.11-15; Ez 28.13-15). Desses dois textos, Isaías foi o que mais retratou esse episódio sobre o Querubim caído. Ele afirmou que esse anjo de muito esplendor dizia que “exaltaria seu trono acima das estrelas de Deus, acima das mais altas nuvens e seria semelhante ao Altíssimo” (Is 14.13,14). O texto demonstra que esse querubim queria ser semelhante ao Altíssimo. Essa expressão por si mesmo é cheia de soberba e pecado, pois se Deus é Altíssimo, como alguém pode ser semelhante a ele? A expressão hebraica le´eleyon é usada somente para Deus no Sl 50.14. Esse adjetivo hebraico com a preposição antecedendo significa “ao Altíssimo” e demonstra que Lúcifer queria ter a autoridade que somente Yahweh tem, sendo mais que Deus, pois o adjetivo é superlativo e não dá espaço para duas autoridades com as mesmas características.
A rebelião se manifesta juntamente com a soberba e o desejo de ser e estar no lugar do líder. Dificilmente alguém em rebelião confessaria seu pecado, pois a soberba cega tais pessoas que o pratica, tendo sempre um pretexto que justifique tal prática. Satanás queria ser Altíssimo e tentou fazer isso levando consigo um terço dos anjos (Ap 12.3,4). Geralmente, a rebelião contamina outros também. Para isso, o rebelde precisa vender uma imagem negativa do líder para que ele possa chegar a seus objetivos. Tudo indica, que foi isso que Lúcifer fez para convencer um terço dos anjos. É assim que Absalão fez para fazer a maior rebelião em Israel de todos os tempos (2Sm 15.6). Esse texto afirma que Absalão “furtava” o coração do povo. Isso quer dizer que ele forjava uma conspiração contra Davi, seu pai, convencendo as pessoas e vendendo uma má imagem de Davi. A mesma coisa fez Jeroboão na divisão do reino de Israel (1Rs 12.15-18).
A rebelião é tão forte que Samuel tratou como o pecado da feitiçaria (1Sm 15.23). Isso se harmoniza quando lembramos que a rebelião é o pecado inicial vindo de Satanás e nos assemelhamos a ele, fazendo a sua vontade. A rebelião é agir diretamente contra Deus, pois, com esta prática, afirmamos que aquele que constituiu o líder falhou e automaticamente o rebelde se coloca no lugar de Deus.
Mas vem a pergunta que não se quer calar: quer dizer que devo aceitar tudo que o líder diz e quer fazer? Quando é que eu posso discordar do líder e não agir com rebelião? Para isso, vamos seguir o exemplo de Davi.

2. Davi, o paradigma de submissão

Dificilmente alguém que fala de rebelião ou submissão não toca na história de Davi. Geralmente, aqueles que são rebeldes evitam falar nesse texto ou interpretam de uma forma equivocada dizendo que não se aplica para hoje. Por outro lado, há outro extremo em dizer que esse texto da história de Davi é base para evitar todo questionamento ao líder ou para basear-se para um abuso de autoridade. Para isso, precisamos analisar o texto de 1Sm 24.4-15.
Esse texto nos dá uma boa base para entendermos os limites de discordarmos sem que caiamos no erro da rebelião. Precisamos entender, primeiro, o que estava a favor de Davi. Davi fora ungido rei de Israel; Saul estava definitivamente errado em suas ações querendo matar Davi por inveja; Deus havia rejeitado Saul, dito pelo profeta Samuel e Davi sabia muito bem disso; Davi tinha o ônus da legítima defesa; ele foi incentivado pelos seus homens (v.4): “Então, os homens de Davi lhe disseram: Hoje é o dia do qual o SENHOR te disse: Eis que te entrego nas mãos o teu inimigo, e far-lhe-ás o que bem te parecer. Levantou-se Davi e, furtivamente, cortou a orla do manto de Saul”. Tudo isso estava a favor de Davi, mas precisamos analisar como Davi tratou seu maior inimigo a quem ele chamou de “ungido do Senhor”.

2.1. Davi sentiu bater no coração a humilhação de Saul (v.5)

O que podemos notar no texto é que o que Davi sentiu no coração não foi o prejuízo das vestes reais de Saul, mas a humilhação de Saul tendo suas vestes reais rasgadas diante de seu exército. Isso nos traz o princípio que precisamos ter muito cuidado a expor líderes e autoridades à humilhação. Paulo pediu desculpas ao sumo-sacerdote que chamou de “parede branqueada” (toiche kekoniamene) (At 23.2-5). Essa expressão grega demonstrava uma ironia chamando-o de hipócrita. O particípio perfeito do verbo (koniao / kekoniamene) traduzido para “branqueada” acontece uma única vez mais quando Jesus chamou os fariseus de “sepulcros caiados” em Mt 23.27. Embora que o sumo-sacerdote estava errado, mas Paulo, imediatamente, desculpou-se e citou Ex 22.28, onde afirma: “Contra Deus não blasfemarás, nem amaldiçoarás o príncipe do teu povo”. Paulo teve o temor do Senhor em humilhar uma autoridade judaica, mesmo ele tendo razão ou motivos para tal coisa. Nós podemos discordar de uma autoridade, podemos dizer que não concordamos e até afirmar que essa está errada; mas, entre discordar de uma autoridade e humilhá-la são duas coisas totalmente diferentes. Podemos discordar de um pastor ou qualquer líder que está sobre nós, mas jamais poderemos trazer constrangimento e humilhação a esses líderes. Eu mesmo já escrevi criticando algumas doutrinas de alguns pastores, mas jamais ataquei esses pastores, deixando bem claro que falo de suas doutrinas e não de suas pessoas ou ministérios.

2.2.Davi não perdeu o respeito a Saul (v.8)

Não foi à toa que Davi foi chamado “o homem segundo o coração de Deus”. Davi agiu em total respeito a Saul, mesmo na situação desfavorável e em total erro deste. Podemos notar isso pelas palavras como Davi tratou Saul: “Ó rei, meu senhor!”. Mesmo sendo perseguido, com risco de morte e com Saul em suas mãos, ele chama Saul de “rei” e “meu senhor”. Davi, não somente chamou Saul dignamente, mas saudou-o como rei: “inclinou-se Davi e fez-lhe reverência, com o rosto em terra”. Isso nos dá um princípio de que o líder pode estar errado como estiver, mas não devemos perder o respeito à sua pessoa. No caso de problemas em igrejas com pastores, um membro de uma igreja, ao se sentir ofendido ou injustiçado por um líder ou pastor, pode, sem perder o respeito, pedir a sua carta ou afastamento de seu cargo, ou até mesmo uma demissão; mas, jamais, podemos desrespeitar um líder ou autoridade constituída por Deus. Isso se não couber a reconciliação.
O NT nos adverte sobre o cuidado de não perdermos o respeito aos pastores e líderes. O autor aos Hebreus escreveu que devemos ser persuadidos (Hb 13.17), que foi traduzido pela RA como obedecer. O verbo (peitho) pode estar tanto na voz média como na voz passiva no presente. Apesar de que os léxicos colocam esse verbo na voz média, tendo como objeto “aos vossos líderes”, pode-se perfeitamente ser classificado na voz passiva, tendo “aos vossos líderes” como agente da passiva. Tiago escreveu o mesmo verbo na mesma voz passiva para descrever a obediência dos cavalos, tendo como agente da passiva “nós” (pros to peithesthai autous hemin) (Tg 3.3). Portanto, pode-se perfeitamente entender que o autor queria demonstrar um respeito ao líder, mesmo que haja discordância de suas idéias, pois o sujeito é vós e sofre a ação do verbo. Mesmo assim, o autor usa outro verbo para demonstrar que devemos ser submissos aos nossos líderes e autoridades.

2.3.Davi não deixou de expressar sua discordância a Saul (v.9-12)

Davi não deixou de discordar de Saul. Ele afirmou do verso 9 a 12 que a perseguição dele era injusta e se ele fosse mesmo mau como Saul o concebia, ele o teria feito mal. Isso demonstra que discordar do líder não é rebelião de forma alguma. Podemos discordar com muita educação de um líder, pastor, presidente ou qualquer líder que foi constituído por Deus. Contanto que façamos isso com zelo, respeito e sem agredir a pessoa dessa autoridade.
A Bíblia demonstra que aqueles que têm uma mente crítica são considerados nobres como os crentes de Beréia (At 17.10,11). Eles procuraram analisar as próprias palavras dos apóstolos Paulo e Silas para ver se de fato tinham base nas Escrituras. Eles fizeram isso, sem cair no erro da rebelião. Portanto, pode-se, perfeitamente, criticar uma ideologia de um professor, pastor, até de nossos próprios pais com todo respeito e sem atacar sua autoridade diretamente ou atingir a sua reputação. Rebelião é um ataque direto à autoridade. Por isso que em Isaías afirma que Lúcifer queria assentar-se no trono de Deus.

3. A expressão “ungido do Senhor” para pastores

Estaria correto falar que os pastores são “ungidos do Senhor”? Temos base nas Escrituras para falar isso? Precisamos seguir os trilhos da Palavra de Deus e com muito cuidado analisar essa expressão. Primeiro, precisamos concordar que essa expressão não existe no NT para pastores. Segundo, precisamos concordar, também, que todos os crentes são ungidos do Senhor, pois partirmos do princípio que temos a unção de Deus que é o seu Espírito Santo (1Jo 2.20; 27). Precisamos, ainda, demonstrar que muitos usam o texto de 1Cr 16.16 e Sl 105.15 “não toqueis nos meus ungidos” sem levar em conta o seu contexto, pois ele está relacionado a todo o povo de Deus. Embora, que fale “e nos meus profetas” de uma forma enfática, mas a expressão “os meus ungidos” está relacionada a todo o povo de Deus.
Não obstante a tudo isso, precisamos entender alguns princípios que a Bíblia nos ensina sobre o presbítero e pastor:

3.1.O pastor é constituído diretamente pelo Espírito Santo (At 20.28)

O Espírito Santo é aquele que constitui os bispos e pastores. Paulo deixa isso bem claro nesse texto de Atos. Se é o Espírito Santo que os constitui, podemos concluir que é uma espécie de unção para liderança em especial. Por isso que Paulo fez analogia dos bispos e presbíteros com os sacerdotes e levitas aos coríntios (1Co 9.13). Está claro que Paulo não está ensinando um ministério sacerdotal, pois todos os crentes são sacerdotes reais (1Pe 2.9), mas está fazendo uma profunda analogia de quem também foi ungido ou escolhido pelo Espírito Santo como afirmou Paulo aos presbíteros de Éfeso.

3.2.O pastor era reconhecido através de imposição das mãos (1Tm 4.14; 5.22)

A imposição das mãos era uma forma de demonstrar a escolha do presbítero. Por isso, Paulo adverte a Timóteo que não impusesse as mãos precipitadamente. Essa prática foi realizada por Moisés ao seu servidor Josué demonstrando a unção de Deus sobre o seu servidor (Nm 27.22,23). Ananias fez dessa forma com Paulo para indicá-lo ao ministério (At 9.17).
Portanto, podemos concluir que se somente algumas pessoas são escolhidas para que os presbíteros imponham as mãos, que o Espírito Santo que os escolhe e levanta-os para estarem à frente do rebanho; então, não é errado dizer que um pastor é ungido do Senhor, embora que se deixe claro que é no sentido de liderança.
Se alguém reivindica que não existe essa expressão de uma forma direta no NT para pastores, temos também que admitir que não existe para os crentes no sentido geral. Portanto, mais uma vez precisamos interpretar as Escrituras com inteligência levando em conta o todo das Escrituras.
Geralmente, aqueles que estão contaminados pela rebelião não vão aceitar essa expressão para os pastores, mas, pelo menos, temos que admitir que eles foram escolhidos pelo Espírito Santo para pastorearem e sobre eles foram impostas as mãos do presbitério para que estivessem à frente, sendo confirmado pelo próprio Deus (Mt 18.19). Isso não acontece com a maioria dos crentes na igreja local. Portanto, é perfeitamente legítimo chamar um pastor de ungido do Senhor deixando claro que é no sentido de autoridade sobre a igreja local.

4. Sinais de Abuso de Autoridade

Precisamos, primeiramente, conceituar o que vem a ser abuso de autoridade. É quando o líder usa sua autoridade para coagir, controlar, usar e impedir que seu subordinado tenha sua própria opinião. Principalmente, quando esse líder fere um princípio da Palavra de Deus que está acima de qualquer autoridade da terra. Para isso, temos um exemplo muito esclarecedor das Escrituras em At 4.15-20. Os apóstolos foram coagidos, proibidos e ordenados a não falar de Jesus Cristo pelo sinédrio que eram as autoridades naquele momento, mas eles responderam que importava obedecer a Deus. Precisamos analisar que todas as vezes que um líder nos coagir a fazer algo contra a Palavra de Deus, devemos, respeitosamente, negar. Os discípulos fizeram assim. Não desrespeitaram o sinédrio, não os desacataram; mas puderam demonstrar que Deus está em primeiro lugar e ele deve ser obedecido mais que qualquer líder terreno.
Abuso de autoridade se manifesta quando o liderado não tem voz, quando não se admite que o liderado possa discordar de alguma coisa, porém, precisamos ter muito cuidado, pois se uma determinação de um líder não transgride um mandamento de Deus e não ofende a pessoa do liderado, deve ser realizado, mesmo que o liderado não queira ou aceite. É isso que Hebreus 13.17 quer nos ensinar.
Nós, pastores, precisamos estar atentos ao que Pedro ensina na sua epístola (1Pe 5.2,3). Devemos pastorear o rebanho de Deus sem agir por constrangimento, sem sórdida ganância e sem sermos dominadores, mas espontaneamente, de boa vontade, tornando-nos modelos do rebanho. Portanto, Pedro nos ensina que a autoridade de um pastor é conquistada e não imposta. Por outro lado, nada justifica a rebelião, pois está na natureza e orgulho dos seres morais. Basta pensarmos que nem Deus ficou isento de uma rebelião como no caso de Lúcifer, Adão e Eva.
Portanto, facilmente alguém nota um abuso de autoridade. O que podemos fazer quanto a isso? Precisamos analisar com maturidade. Aquilo que é contrário à Palavra, não devemos fazer, se podemos sair da igreja, pedir demissão de um cargo ou evitar ter aquela pessoa como líder, eu posso fazer muito bem isso sem que eu o humilhe, passe por cima da sua autoridade ou aja com desrespeito contra essa autoridade. Caso contrário, podemos cair no pecado da rebelião.
O que fazer quando um líder eclesiástico não andar conforme as Escrituras? Para responder isso, precisamos analisar o que Paulo escreveu a seu filho na fé, Timóteo.

5. Análise de 1Tm 5.19-21

19 Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. 20 Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam. 21 Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade.

Precisamos receber esse texto com bastante temor e tremor, pois Paulo estava ensinando a Timóteo, que era pastor da igreja de Éfeso, a lidar com esse problema entre presbíteros ou pastores. Precisamos ver as advertências de Paulo nesse texto:

5.1.Cuidado com as denúncias contra os presbíteros

Paulo alerta a Timóteo que não receba denúncia contra presbítero. A palavra (kategoria) traduzida para denúncia tem uma reivindicação de buscar um tribunal. A palavra é derivada de duas outras palavras que é a preposição (kata) “contra, segundo” e o substantivo (agora), “reunião, assembléia formal. Das 4 vezes que aparece no NT, duas são colocadas nessa acepção (Lc 6.7; Jo 18.29). Portanto, Paulo demonstra uma acusação que tem uma reivindicação para um julgamento formal.
Paulo proíbe qualquer reivindicação de acusação contra um presbítero, exceto, se tiver duas ou três testemunhas. Paulo usa o método da Lei (Dt 17.3-7). Essas duas ou três testemunhas dizem respeito à mesma acusação ou evento específico. Muitas pessoas interpretam errado essa expressão colocando para quando houver várias denúncias de várias acusações, mas implica duas ou três testemunhas da mesma acusação específica. Isto quer dizer: se houver duas denúncias, deve-se ter duas ou três testemunhas de cada denúncia contra o presbítero. Foi isso que o sumo-sacerdote percebeu nas acusações contra Jesus. Eles interpretaram a Lei errado trazendo testemunhas diferentes de acusações diferentes (Mt 26.59,60). Mateus afirma que apresentaram muitas testemunhas contra Jesus (v.60), mas não foram coerentes e aceitas por terem sido de várias ocasiões diferentes. Por isso que Marcos afirma que essas testemunhas não foram coerentes (Mc 14.56). Mesmos assim, apareceram duas testemunhas contra Jesus. O problema agora não é a incoerência nem a mentira dessas testemunhas, mas a interpretação que elas tiveram das palavras de Jesus acerca do templo. Elas estavam afirmando que Jesus queria destruir o templo de Deus quando ele afirmou que se eles destruíssem o templo, ele reconstruiria em três dias. Isso demonstra que as testemunhas, mesmo falando coerentemente podem ser manipuladas e trazer uma má interpretação.
Por causa disso e para preservar a imagem do presbítero, deve-se analisar com bastante cuidado as testemunhas, coerência e veracidade destas de cada denúncia específica.
Não se pode esquecer, antes mesmo de mostrar as testemunhas, do que Jesus ensinou nos evangelhos que se deve questionar e demonstrar ao acusado pessoalmente. Mateus escreve: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. 16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. 17 E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mt 18.15-17). Notemos que antes de tomar duas ou três testemunhas, Jesus afirma que se deve argüir entre o acusado pessoalmente, mostrando provas e questionamentos, sozinho com a pessoa.
William Hendriksen, renomado teólogo e exegeta, no seu comentário exegético de Timóteo escreve:

“os presbíteros são excetuados ainda de responder a uma acusação (cf. Ex 32.1 na
LXX), a menos que esteja imediatamente endossada por duas ou três testemunhas.
Sem esse apoio, a acusação não deve ser levada em conta nem ainda recebida. Não
se deve prejudicar desnecessariamente a reputação de um presbítero, e sua obra
não deve sofrer uma interrupção desnecessária” (Comentário do NT: 1 Tim, 2Tim e
Tito. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 228).


Precisamos entender que Jesus Cristo é o Senhor da Igreja e ele prometeu estar presente quando dois ou três estiverem reunidos em seu nome; ele prometeu, também, que quando alguém ligar acerca de qualquer coisa aqui na terra, terá sido ligado no céu (Mt 18.19,20). Portanto, não se pode esquecer que Jesus Cristo cuida de sua igreja e ele dirigirá os líderes a uma conclusão conforme a sua vontade, pois devemos analisar esses princípios antes de qualquer denúncia ao presbítero.

5.2.A repreensão em público ao presbítero (v.20)

Paulo faz uma advertência a Timóteo forte. Ele afirma que “aqueles que vivem no pecado” (tous hamartanontas). Esse verbo está no particípio presente e tem uma ação constante e clara. Paulo está falando dentro do contexto do verso anterior. Quando forem apresentadas as provas e denúncias ao presbítero, pessoalmente, conforme ensinou Jesus, mesmo assim o presbítero está em plena prática, deve-se, então levar à igreja. Caso seja provado, pois o verbo no verso 20 (elencho) quer dizer provar de uma forma inteligível, então deve ser repreendido publicamente pelo presbítero que está dirigindo a reunião. Não devemos esquecer que é a Timóteo que Paulo está escrevendo e não a um membro comum da igreja e jamais esse texto nos dá base para humilhar, usar de maledicência contra um presbítero, qualquer que seja ele; mas diante de testemunhas de um mesmo caso ou evento.

Conclusão

Devemos ter o cuidado de não cair no pecado da rebelião e do abuso de autoridade. Para isso, devemos analisar as Escrituras, pois facilmente os rebeldes escolherão textos para justificar a sua rebelião e facilmente, também, os que usam de abusos de autoridade usarão textos para justificar as suas ações, mas quando nos deparamos com o todo da Bíblia e uma interpretação coerente, temos que nos inclinar diante desta Palavra, pois é através dela que somos santificados (Jo 17.17).
Lembremos que o arcanjo Miguel deu o maior exemplo de submissão quando contendia a respeito do corpo de Moisés. Ele respeitou a autoridade da essência do mal, Satanás (Jd 1.8-10). Judas estava ensinando exatamente o respeito às autoridades e usou uma literatura apócrifa sobre Moisés, sendo confirmado pelo Espírito Santo como fiel. Vemos que Miguel tinha tudo para fazer um juízo difamatório do diabo, mas respeitou-o e deixou que o Senhor o repreendesse. Precisamos entender que uma autoridade é um representante de Deus e ministro também (Rm 13.4; Jo 19.11) e qualquer autoridade deve ser respeitada e honrada, mesmo que não concordemos com elas. Portanto, precisamos ter muito cuidado de não cair nesse terrível erro e agir da mesma forma que Satanás. Que Deus tenha misericórdia de nós.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

CRIME DE BRASÍLIA: FALAR A VERDADE


O Brasil foi impactado com as declarações do senador Jarbas Vasconcelos à revista Veja dessa semana nas páginas amarelas com o título, dado pela revista, “o PMDB é corrupto”. O que impressiona é que o senador não afirma uma novidade, mas todos sabem que é uma realidade incontestável. O mais grave disso é que quem se esperava que fosse punido não foi, mas foi o senador Jarbas Vasconcelos que foi alvo de vários processos. Simplesmente por dizer a verdade. Ele afirma que os senadores costumam ser eleitos em troca de cargos e, segundo o senador, “90% deles praticam o clientelismo, de olho, principalmente nos cargos”. Afirma ainda que o senador José Sarney está nesse meio e é um retrocesso para a nação. Na verdade, o senado e a câmara refletem o caráter desse governo que, apesar de sua popularidade, foi o mais corrupto de todos os tempos.


O presidente Lula deu muitas contribuições, não se pode deixar de afirmar isso, mas custou caro para a ética na política brasileira. O pior é que se têm poucas opções. Lula foi beneficiado pelo pensamento relativista ético pós-moderno. Esse pensamento demonstra um pragmatismo sem se importar com nenhum compromisso com a ética. Isso parece bom, mas traz uma cadeia destrutiva imensurável. Os que votam no Lula dizem: “todo governo não é corrupto?”. Isso demonstra uma profunda acomodação, já que não se tem a preocupação de buscar solução para isso. Acontece o que o senador afirmou: “se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?”. Com isso, vem todo tipo de corrupção e acomodação na sociedade. O Collor foi muito pequeno diante das denúncias desse governo, mas, ao contrário, a popularidade do Lula está em alta. A prova desse pensamento pós-moderno é a eleição de Hugo Chaves na Venezuela. Ele ganhou o direito de reeleger-se por mais 10 anos. As pessoas não pensaram nas conseqüências que isso pode acontecer a logo prazo e no que tem acontecido.


Na verdade o senador Jarbas Vasconcelos errou por falar da corrupção de um governo que encobre e que nada faz por moralizar seu governo. A eleição de José Sarney demonstra como está a nossa política e que qualquer um poderá ocupar as tribunas do senado e da câmara federal. Basta ter boas “benesses” para trocar aos seus pares, como afirmam.


Portanto, num país que protege um criminoso italiano, era de esperar que tivesse mesmo como presidente do senado e da câmara os respectivos parlamentares. Era de se esperar também que a popularidade de Lula estivesse em alta, que não fale de ética, de mudança de atitude dos políticos embora que tudo isso traga conseqüências gravíssima à nossa sociedade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

UMA RESPOSTA À CRÔNICA DE ANDRÉ PETRY – LEMBRA-TE DE DARWIN


É assustador como há tanta desinformação e preconceito em alguns que defendem a teoria da evolução (TE). É assustador como um cronista de uma revista tão renomada possa ser tão sectário e tão fechado à antítese. Como diz Karl Popper:


Todos os enunciados da ciência empírica (ou todos os enunciados "significativos") devem ser suscetíveis de serem, afinal, julgados com respeito à sua verdade e falsidade; diremos que eles devem ser "conclusivamente julgáveis". (POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: EditoraCultrix, p.41.)



Segundo Popper, a Ciência não pode ser considerada se ela não for colocada em teste de sua falseabilidade. O jornalista colocou a TE no patamar de um simples dogma e que aqueles que questionarem ou ensinarem algo contrário devem ser considerados como obsoletos, místicos, simples, embrutecidos.
O objetivo desse texto é trazer alguma contribuição àqueles que leram o artigo feito por André Petry. Imagino que será uma contribuição, inclusive, ao autor do artigo, caso ele chegue a ler, pois, ao que parece, o autor desconhece muitas descobertas e estudos científicos que questionam a TE. Se fosse um artigo sério e intelectual, o autor deveria, pelo menos, ter citado alguns cientistas renomados ou descobertas que questionam a TE. O que lemos é uma visão unilateral sem pesquisa trazendo equívocos graves para quem fala no assunto.
O primeiro equívoco do autor é relacionar o Criacionismo diretamente à religião e à Bíblia. Apesar de que a Bíblia traga o relato criacionista, mas hoje em dia o Criacionismo está relacionado diretamente às pesquisas do chamado Design Inteligente (DI) ou, em inglês, Inteligent Design. Isto acontece devido a pesquisas e descobertas por cientistas sobre a possibilidade de haver um designer por trás da criação. O mais destacado cientista e autor que questiona a TE é o PhD em Bioquímica Michael Behe em seu livro “A Caixa-Preta de Darwin”, onde ele dá vários motivos, desde o flagelo bacteriano à complexidade de uma célula demonstrando a impossibilidade de terem vindo da Seleção Natural. Ele chamou isso de “Complexidade Irredutível” e fez uma analogia a uma ratoeira que, para que fosse usada, teria que todas as partes desta fossem feitas com um propósito concomitantemente.
A descoberta do DNA também trouxe muitas dúvidas à TE, pois, como proteínas puderam ser formadas sem o próprio DNA, já que todas as informações para tal estão nele mesmo. Jamais foi comprovado o LUCA (Last Universal Common Ancestor - o suposto ancestral em comum que Darwin afirmou que teria vindo todos os seres vivos). O que se pode ver é que a TE não passa de uma teoria e não passou pelo teste da sua falseabilidade, pois há inúmeras dificuldades que jogam por terra os seus alicerces. Uma delas é a hereditariedade das espécies, pois jamais foi comprovado que modificações por situações sejam hereditárias como, por exemplo, o corte de uma asa, dedo, acomodação de um órgão para mudança de uma espécie totalmente diferente. Há muito tempo, Lamarck defendeu a chamada “Herança dos caracteres adquiridos”, mas foi tristemente frustrado colocando em eco o que Darwin já havia proposto como afirma a revista Scientific American – “Os grandes Erros da Ciência” falando da frustração da herança dos caracteres adquiridos: “Quem fez a primeira investigação sistemática a respeito disso, coletando numerosas informações, foi Darwin” (p.46-47). É difícil pensar na hereditariedade em macroevolução sem a comprovação dos caracteres adquiridos.
O autor num parágrafo afirma que a criação em 6000 anos não é ciência, mas fábula. Com base em que o autor conceituou ciência? Pelo que se pode notar, ele usou um critério circular – ciência é aderir à TE, fora disso não é ciência. Ele não analisou as descobertas e análises de cientistas que colocam os relatos da Bíblia como uma possibilidade, embora que os cientistas do DI não a usem como base para suas teorias. Eles defendem com base em experimentos científicos que a Seleção Natural é completamente inviável, mas que essas pesquisas somente se explicam através de uma criação inteligente.
Outro fator importante: Qual critério o autor usou para chamar de fábula uma literatura que ele, ao que parece, é completamente leigo? Fábula é ficção e que não se tem nenhuma associação com a ciência. Diferente da Bíblia. Existem análises científicas que colocam os seus relatos como a única explicação. Um exemplo disso foram as pesquisas sobre os halos de Polônio que sugerem uma criação e não um estágio evolutivo de muitos anos. Outras experiências demonstram uma complexidade irredutível e fatores que exigem que tenham um designer por trás sem que alguém acredite na patética panacéia da seleção natural.
O autor compara desafortunadamente o Criacionismo com a Numerologia e a Alquimia. O autor não percebeu que essas não são ciências, mas a Bioquímica, Biologia, geologia e outras são ciências e confirmam a possibilidade de uma criação. O que o autor chama de atraso, Karl Popper chama de pesquisa científica; o que o autor chama de atraso, eu chamo avanço, pois precisa-se ter uma mente crítica para qualquer declaração pseudocientífica e isso tem que vir desde já na escola. Se o Criacionismo é apenas uma superstição, é fácil demonstrar. Não se tem o que temer, porém, se os fatos científicos, que crescem cada vez mais, colocam em xeque a TE, eu entendo o medo desses educadores e adeptos em geral.
O autor faz algumas declarações estranhas e imagino que ele esqueceu que estamos na era da cibernética e que o conhecimento é global a todas as pessoas porque seu texto foi tosco, obtuso e cheio de hiatos epistemológicos. Por exemplo, ele afirma: “Darwin foi um gênio. Em seu tempo, não sabia como as características hereditárias eram transmitidas de pai para filho”. Pelas descobertas atuais, talvez, Darwin não fosse nem avante de sua teoria, pois isso foi o calcanhar de Aquiles de Darwin. Com a descoberta do DNA e com o desenvolvimento da tecnologia, descobriram-se complexidades nos seres vivos que a seleção natural jamais responderia à sua organização, função e desenvolvimento. Foi Darwin que disse: "Se pudéssemos demonstrar que tal órgão complexo existisse, o qual possivelmente não pudesse ter sido formado por pequenas modificações sucessivas, minha teoria iria totalmente por água abaixo". Michael Behe demonstrou isso nas suas pesquisas científicas. Portanto, o próprio Darwin foi humilde em reconhecer a vulnerabilidade de sua teoria, coisa que é difícil a alguns hoje em dia.
O autor também afirmou como se fosse algo indubitável que a terra tem 4,5 bilhões de anos. Há fortes controvérsias sobre essa data, pois é uma especulação, já que os métodos de datação radioativa são completamente relativos e não são eficazes dependendo de estimativas especulativas iniciais da rocha que se analisa. A prova disso são as datas que mudam em revistas científicas. Por exemplo, a revista Scientific American, edição no. 42 – novembro de 2005 afirma:


Manuais de geologia afirmam que nosso planeta passou seus primeiros 500 milhões de anos coberto por magma quente, mas essa tese pode estar errada. Cristais de zircão revelam que a superfície da Terra talvez tenha esfriado bem antes, permitindo desde cedo o surgimento de oceanos, continentes e oportunidades para a origem da vida. (ênfase minha)


Portanto, as teorias de datação da terra são especulativas e não passam de uma teoria circular, pois colocam em datas que a TE se enquadre para dar o seu devido tempo. O problema é que não se pode ter como prova essas datas. Existem cientistas que defendem datas recentes da terra e que esses números exorbitantes são apenas teorias. Nada mais.
“Confundido com Criacionismo Darwin parece um macaco tolo”. Essas são as palavras finais do autor. Espero que não tratemos ciência com preconceito, sectarismo; se não, teremos realmente uma mente de macaco. Portanto, quero terminar defendendo o ensino do Criacionismo, pois se o autor tivesse uma aula dessas, ele não faria um texto tão desajeitado deixando, pelo menos, de tocar em alguns assuntos importantes para quem fala em teoria da evolução.