sábado, 9 de abril de 2011

PODE HAVER DANÇA NO CULTO? – UMA ANÁLISE BÍBLICA



Nesses últimos anos tem havido um grande questionamento com respeito a danças no culto. Isso se deve ao crescimento de coreografias no louvor nos cultos de igrejas neopentecostais e renovadas.

O que antes as danças vinham espontaneamente na hora do louvor nos cultos, essas igrejas inovaram com uma coreografia concomitante ao louvor. Isso caracterizou-se como uma marca de igrejas neopentecostais levando igrejas históricas a tomarem uma decisão de proibição quanto à essa liturgia no culto. Como para se proibir alguma coisa na igreja precisa-se ter a autoridade das Escrituras, não faltou pastores e estudiosos que tentaram achar que não há base bíblica para danças e coreografias.

O Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil reuniu-se no final de 2010 para examinar a questão de danças, coreografias e o bater palmas em cultos públicos. Chegaram a conclusão que danças, coreografias não podiam porque “as danças e coreografias não fazem parte do culto público oferecido a Deus conforme revelado na Bíblia e que, portanto, as igrejas devem excluir tais práticas de suas liturgias”[1]. Ainda é afirmado no blog que quanto a bater palmas “fica a critério de cada igreja local”. Porém, o concílio chegou a uma conclusão que as cantatas que incluem apresentações teatrais “continuam a ser permitidas”. Embora o Dr. Augusto Nicodemos deixe claro que ainda fica uma dúvida se elas podem ser enquadradas dentro da categoria das danças.

Antes de analisar essa decisão do Supremo Concílio da IPB, gostaria de afirmar o meu respeito por essa denominação. Acredito que é uma das poucas denominações sérias que existem no Brasil nesse conturbado problema doutrinário do evangelicalismo brasileiro. Também, quero dizer que existem mestres e pastores de mais alto nível, mas como estamos todos caídos em Adão, a Palavra de Deus sempre terá a primazia, pois foi o próprio Paulo que disse : “ainda que nós ou um anjo vos pregue evangelho que vá além do que temos pregado seja anátema” (Gl 1.8).

Primeiro, eu quero justificar por que eu estou analisando a decisão do Supremo Concílio da IPB. Uma coisa é uma decisão que a denominação toma deixando claro que a Bíblia deixa livre alguns pontos como foi colocado no bater palmas. Outra coisa é afirmar que as danças não podem em culto público porque não existe base na Bíblia.

Diante dessa afirmação, precisamos analisar a decisão do supremo concílio e buscar analisar as Escrituras abrindo-as e buscando o que ela realmente afirma aos mais incautos que não têm acesso a um exame mais detalhado e exegético, pois existe muita manipulação até nas traduções da Bíblia com respeito a esse assunto para chegar aos interesses doutrinários para que seja agradável a um determinado público cristão.

O que me impressiona é a total incoerência até mesmo sem ao menos tocarmos em um texto bíblico, pois fica evidente que a Bíblia está sendo usada como uma desculpa de proibição na denominação. Notemos: foi achado base para proibição de danças, mas não para teatros em cantatas e palmas. Sendo que é no mesmo VT que existem base para as palmas e danças (embora que rejeitam os textos como tal para base de danças) e não existem nenhuma para representações teatrais. No entanto, as cantatas teatrais são aceitas e as danças não. Difícil não perceber a incoerência e a falta de lógica. Por que as dúvidas são somente para as cantatas teatrais, sendo que não há nenhuma menção na Bíblia sobre elas e não para a proibição das danças em si com textos claros no VT? No entanto, ao contrário, fala-se com toda convicção que “não existe base na Bíblia” para danças no culto. Por que isso?

Facilmente sabemos quando uma doutrina ou uma proibição são humanas, mesmo tendo uma suposta base bíblica. No meio dessas doutrinas, existe uma brecha de incoerência, contradição e o mais grave que acho, desculpas simplistas diante de textos bíblicos claros.

A consequência disso, na minha opinião, é que os pastores da denominação não vão suportar a tamanha incoerência, contradição e base bíblica, embora que todos os textos que dão base ao contraditório da decisão do Supremo Concílio sobre danças estejam já anulados com um pressuposto hermenêutico errado e até perigoso de que a base para o culto é somente o NT o qual iremos analisar nesse texto.

Portanto, meu objetivo é analisar as Escrituras quebrando as falácias em relação a esse tema, pois quando alguém ensina uma proibição do que Deus permite transgride da mesma forma que alguém que ensina fazer o que Deus proibiu. Quando há o silêncio bíblico, podemos até ser flexíveis, mas quando a Escritura coloca como uma permissão e até incentiva a uma determinada coisa, torna-se grave a proibição e são dignos de rejeição total nesse tema.

1.     O problema hermenêutico nesse tema

Todo o problema da base bíblica para as danças está no pressuposto hermenêutico errado dos teólogos que analisam esse tema. Eles afirmam que a base para o culto cristão está somente no NT e que somente nele podemos ter a forma do culto cristão e não no VT.

O Dr. Augusto Nicodemos, em seu blog escreve o seguinte quando fala com respeito a danças:

Vou começar admitindo, por um momento, que o Salmo 150 está falando do templo em Jerusalém e de danças durante o culto. A pergunta, que deveria ter sido feita desde o início, é se o culto cristão toma sua inspiração, gênese e formato do culto do Antigo Testamento. Para mim, a resposta é negativa, embora com qualificações [2].

Ele ainda afirma o seguinte com respeito aos cultos:

Ao que tudo indica, os cristãos deram continuidade ao culto no Antigo Testamento apenas no que se refere aos princípios espirituais: a idéia de encontro com Deus, de adoração, de louvor, de solenidade, de alegria, de serviço espiritual como povo do Senhor... mas foram buscar nas sinagogas o formato para este culto mais simples e despojado. Nas sinagogas, instituição onde cresceram o Senhor Jesus e todos os apóstolos, havia leitura e pregação da Palavra, orações, cânticos e bênção.


Existem muitas dificuldades que o Dr. Augusto Nicodemos não tratou no seu texto. A primeira é que a Bíblia jamais coloca um modelo ou formato para o culto cristão como foi escrito. Isso é completamente sem base bíblica. A prova disso é que a Igreja do NT se reunia no templo de Herodes (At 2.46; 3.1), casas (At 2.46; 12.12; Rm 16.5; 15), em cenáculos (At 20.8) e nas sinagogas (Tg 2.2). Mais na frente, a história registra que a igreja se reunia nas catacumbas. Portanto, afirmar que o formato de culto da igreja é a sinagoga não se sustenta e é no mínimo perigoso, já que não estamos mais ligados a cerimônias e as sinagogas tinha uma certa cerimônia a cumprir. Por outro lado, Jesus deixou claro que o formato é quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome (Mt 18.20). O culto não seguiria mais um modelo de lugar nem do VT nem do NT. A evidência disso é os vários lugares registrados nas Escrituras onde os apóstolos faziam culto e que jamais isso foi exigido pelos apóstolos.

No entanto, o que impressiona é que existem mais versos que falam da igreja se reunindo em casas e no templo de Herodes que com a palavra sinagoga. Existe apenas uma vez com Tiago. Portanto, jamais os apóstolos queriam que tivéssemos como formato e modelo a sinagoga ou qualquer outro lugar, devido os vários textos demonstrando a variedade dos lugares. Portanto, afirmar que o modelo da igreja do NT é a sinagoga é, no mínimo, deficiente de base exegética e bíblica.

No entanto, precisamos entender que apesar de que os apóstolos não fecharam a questão do formato do culto, eles deixaram princípios que estão tanto no VT como no NT para que haja esse culto. Nesse caso, devemos analisar sempre TODA A ESCRITURA e não somente o NT (2Tm 3.16;17). Acredito que a resposta para isso é que Deus foi sensível às várias culturas que tem suas próprias peculiaridades de cultuá-lo. Por exemplo, os africanos tem uma peculiaridade de cultuar a Deus diferente dos europeus; os brasileiros diferentes dos americanos. Assim, Deus deixou os princípios que estão revelados tanto no VT como no NT, mas deu liberdade para cultuá-lo quanto ao formato de culto.

Notemos que Paulo ao buscar base para a ordem do culto na igreja de Corinto ele usa o VT. Ele escreveu:

1 Coríntios 14:20-21  20 Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos.  21 Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor. 

Notemos que Paulo está falando no contexto de culto e de liturgia para mostrar a total desordem dos coríntios. Mesmo assim, Paulo usou o VT no texto de Is 28.11,12.

No mesmo capítulo Paulo ensina os coríntios a usarem os salmos (cantados ou não, mesmo sabendo que a palavra ψαλμος quer dizer também cânticos). Ele escreveu:

1 Coríntios 14:26  26 Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação.

Todos esses textos demonstram que Paulo fez uso do VT para tirar princípios para o culto do NT. Desta mesma forma, Paulo escreveu aos coríntios falando da ceia e baseando-se na cerimônia do templo no VT (1Co 10.17-21).

Portanto, os princípios precisam ser buscados e analisados por toda a Escritura, pois ela é toda inspirada. No entanto, o NT nos dá a base para sabermos que algumas cerimônias do VT não devem ser mais usadas no culto público. Por exemplo: o sacrifício de animais, uso de shoffar, denominação de levitas aos que cantam no louvor, trazer e levar alguma arca, vestimentas judaicas, etc. O NT ensina que tudo isso se cumpriu em Cristo ou era somente para a nação de Israel. No entanto, no que diz respeito a bater palmas, cantar, tocar e dançar o NT JAMAIS ensina que deveríamos deixar de fazer no culto público. Ao contrário, é incentivado como veremos mais adiante quando analisarmos o salmo 150.

O problema hermenêutico aumenta ainda mais quando alguns fazem diferença entre elemento do culto e circunstâncias do culto. O Dr. Augusto Nicodemos afirma o seguinte:

1)    Os elementos de culto -- são aquelas atividades determinadas pelas Escrituras nas quais o povo de Deus se engaja durante o culto, com o propósito de adorar a Deus, render-lhe graças e louvor, edificar-se internamente e anunciar o Evangelho ao mundo.
2)    As circunstâncias de culto -- se fizermos esta distinção entre elementos de culto e as circunstâncias que atendem estes elementos talvez possamos eliminar boa parte das dificuldades que cercam algumas das questões relacionadas com o culto público… Tais circunstâncias estão relacionadas com o ambiente de culto, e envolvem decisões quanto à amplificação do som, uso de mídia, arrumação do salão, mobiliário adequado e sua disposição no local, a iluminação e decoração do ambiente, entre outros


Até podemos entender essa distinção bem didática. No entanto, essa distinção é completamente arbitrária e digna de um exame detalhado das Escrituras.

As Escrituras não fazem nenhuma divisão entre o que o Dr. Nicodemos chama de elementos e circunstâncias. Na verdade, a Escritura coloca tudo como fazendo parte do culto (Sl 150.1-5). Notemos que, independente como se interpreta o salmo 150, os instrumentos e as danças fazem parte do louvor a Deus no santuário. Tudo faz parte do culto, quando é coerente e cabe base bíblica para tal. Por exemplo, quando se usa um instrumento musical no culto, esse instrumento passa a ser elemento deste culto que é o louvor, assim como a vasilha do pão e o cálice fazem parte do culto na ceia.

Da mesma forma que existem cultos que não tem a ceia do Senhor, pois ela, em algumas igrejas, é celebrada mensalmente, os instrumentos podem deixar de estar num culto e mesmo assim ser culto. Elementos do culto não precisam estar em todos os cultos, mas de acordo que a necessidade exija. Da mesma forma, se não tiver um instrumento no louvor, o culto ainda não perde a sua característica, mas se tiver, esse deve fazer parte dos elementos, pois devemos louvar o Senhor com instrumentos e os instrumentos eram chamados por Davi de “instrumentos de música de Deus” (1Cr 15.16; 16.42; Sl 150.4). Por isso, podemos pensar da mesma forma com o pão e o vinho (ou suco de uva), pois eles fazem parte dos elementos do culto por estarem acompanhando a ceia. Como cantar ao criador dos céus e da terra sem instrumentos, se foi ele que deu a inteligência para tal coisa e ordenou que se faça isso? Talvez por isso a ordem de Deus nos salmos. Portanto, os instrumentos são elementos também como também as danças.

Quando alguém louva a Deus com palmas, essas fazem parte do culto e tornam-se elementos também do culto. Da mesma forma, a Palavra de Deus precisa ser pregada, seja com microfone ou não. Caso tenha, este faz parte do culto como seu elemento também, pois através dele as pessoas estão ouvindo.

No entanto, alguns podem refutar baseado no conceito do próprio Dr. Nicodemus que elemento do culto é aquilo que é essencial no culto e as circunstância, não. Porém, quem é que diz o que é essencial no culto, se não a própria Palavra de Deus? A Bíblia coloca os instrumentos como parte do culto (qualquer que seja a interpretação do Sl 150.4). Como dissemos, se alguém tem microfones, instrumentos para louvor e não os usa, não deixa de prejudicar os elementos do culto, conforme essa interpretação, logo esses objetos são essenciais ao culto. Para ilustrar isso é só lembrar que Deus exigiu objetos na construção da tenda fazendo parte da plena adoração a Deus. Claro que hoje não precisamos dos objetos ritualístico do VT, mas precisamos entender que Deus vê os objetos como essenciais ao culto, se esses podem melhorá-lo, assim como aconteceu no VT. Qual pregador poderia pregar para uma multidão sem um microfone ou uma música que não fosse melhor cantada e ministrada sem um instrumento?

Alguém poderia objetar que os apóstolos não tinham, mas havia as técnicas daquela época e o barulho era inferior ao de hoje com energia elétrica e carros. Seria difícil usar essas técnicas nas nossas cidades cheias de barulho.

No entanto, o que Paulo deixa bem claro é a prioridade do culto, que deve ser a doutrina, sem fazer essa separação entre elementos e circunstâncias. Ele escreveu:

1 Coríntios 12:28  28 A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Afinal de contas, podemos separar elementos e circunstâncias nesse texto? Claro que não. Seria um erro gravíssimo, pois Paulo afirma que Deus estabeleceu na igreja todos. Embora que Paulo coloque como prioridade os apóstolos, profetas, que se referiam à própria Palavra de Deus na época, porém, os mestres, os operadores de milagres, dons de cura e variedade de línguas devem fazer parte também do que Paulo disse sobre o que Deus estabeleceu na igreja.

No entanto, a variedade das línguas não acontece em todos os cultos, os socorros, as operações de milagres. Mesmo assim, não deixa de ter culto se elas não tiverem, mas caso tenham, a prioridade é a Palavra de Deus. Não porque um é elemento e os outros são circunstâncias, mas porque desses elementos, a Palavra tem prioridade, acima mesmo dos louvores. Portanto, quem tem autoridade para dizer que o que Deus ordenou ou estabeleceu na igreja não é elemento do culto?

Portanto, os elementos do culto segundo as Escrituras eram tudo que dizia respeito à Palavra, oração, louvor, dons espirituais. Isso inclui pão, vinho, instrumentos, danças, microfones, bancos, dons espirituais, pois algumas coisas somente seriam feitas bem feitas fazendo uso destas, pois “quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

O que podemos notar é que o culto a Deus era muito diversificado cabendo cada igreja a agir com bom senso dando prioridade à Palavra de Deus, não porque era usada nas sinagogas, mas porque a própria Escritura a coloca como prioridade. No entanto, a forma de louvar a Deus ficaria para o bom senso das igrejas, louvando a Deus de forma que o glorifique segundo as Escrituras do VT e NT (infelizmente, temos que ser redundantes enfatizando os testamentos)

Portanto, diante disso, pergunto: como alguém pode ter a coragem de afirmar que os princípios nos Salmos não são para ser usados na igreja cristã dos nossos dias no que diz respeito à forma do culto? Com base em que alguém pode afirmar isso? Com qual base do NT podemos dizer que as danças no culto não são mais para hoje? Realmente, é difícil uma pessoa que tenha um mínimo conhecimento de hermenêutica e de Bíblia aceitar essas afirmações sem questionar.

2.     Análise do Salmo 150

Precisamos analisar o Salmo 150, pois devido a clareza que o autor escreve sobre as danças, muitos tentam anulá-lo ou agem de uma forma completamente desonesta traduzindo a palavra “danças” para “flautas”.

2.1. Significado da palavra קדש qodesh no texto

Comecemos pelo significado da palavra קדש qodesh “santuário, coisa santa”. O Dr. Nicodemos afirmou o seguinte:

Mas, na verdade, não é certo que o Salmo 150 esteja falando de danças no templo. Em primeiro lugar, a palavra “santuário” mencionada no verso 1 nem sempre significa o local da adoração em Jerusalém, onde o culto determinado por Deus era realizado de acordo com todos os seus preceitos. A palavra b’kadoshu, significa literalmente “em seu santo”. Logo, sua tradução primeira seria “em seu santuário” e não “em seu Templo”. Precisamos, portanto, considerar a possibilidade de que o santuário de Deus aqui referido não é o local físico do templo, mas o local da sua santa habitação, ou seja, os céus.

Segundo o Dr. Nicodemus, a palavra קדש qodesh que foi traduzida para “santuário” não pode ser usada para o templo de Israel. Ele argumenta que a palavra não dá espaço para afirmar que é para o templo físico e traduz a expressão בקדשו b’kadesho como “no seu santo”. Por isso, não seria o local físico mas seria o céu.

O Dr. Nicodemus seguiu a interpretação de Calvino que afirmou no seu comentário do Salmo 150:

Este salmo, em geral, exalta o culto espiritual de Deus, que consiste em sacrifícios de louvor. Para a palavra “santuário” há pouca dúvida de que o seu significado seja o “céu”, como é frequentemente usado em outros lugares.[3]

Para Calvino, portanto, a palavra “santuário” não corresponde ao templo, mas o lugar de habitação de Deus, embora que ele não se aprofundou para chegar a essa conclusão.

No entanto, com todo respeito à erudição e piedade de Calvino e do Dr. Nicodemos, essa exegese foi completamente precipitada, abrupta e digna de maior análise da palavra discutida.

O substantivo קדש qodesh é muito usado para santuário referindo-se ao templo físico e tem tantas passagens que é de acreditar que não houve pesquisa suficiente sobre esta palavra da parte de Calvino e do Dr. Nicodemus.

Apenas vamos citar algumas de várias: Lv 5.15; 6.23; 7.6; 10.17; Nm 7.9. Em todas essas passagens o substantivo קדש qodesh “santuário” se refere ao templo físico. Portanto, quando se interpreta que o salmista se refere ao santuário do templo, é perfeitamente legítimo e mais coerente exegeticamente, pois Davi confirma esse salmo quando ordenou que os levitas cantassem e tocassem no templo (2Cr 5.13; 7.6).

O dicionário internacional de Teologia do Velho Testamento afirma que a palavra קדש qodesh pode perfeitamente ser usada para objetos sagrados, que no caso seria o templo. Ele afirma o seguinte:

Via-se aquilo que era dedicado a Deus como algo que entrava no domínio do “sagrado”. Isso incluía os vários elementos da adoração levítica denominados “coisas sagradas” (Lv 5.15,16), o fruto da terra (Lv 19.24), bens pessoais (Lv 27.28) e despojos obtidos em ação militar (Js 6.19). Os sacrifícios que deviam ser comidos apenas pelos sacerdotes eram denominados “santos” em virtude de serem totalmente dedicados ao domínio do sagrado, o qual era representado pelo sacerdócio (Lv 19.8).[5]

John Gill no seu comentário do Salmo 150 escreve: “Louvai a Deus no seu santuário; no templo, a casa do seu santuário como está no Targum e R. Judah”[7]. Apesar de que Gill reconheça que pode haver um sentido para os céus também.

Não obstante a tudo isso, essa interpretação é mais inteligente, pois ninguém toca instrumento no santuário de Deus nos céus e a ordem é para que louvássemos com instrumentos de cordas.

O Dr. Derek Kidner, em análise do salmo 150 no seu livro de comentário dos salmos escreve:

O Saltério de Coverdale (PBV) tem “louvai a Deus na Sua santidade” que é uma tradução viável; a linha paralela, no entanto, “no firmamento do seu poder” (ARC), sugere que “santidade” aqui tem o seu sentido secundário: seu santuário (ARA). Desta forma, a chamada é dirigida aos adoradores de Deus na terra, encontrando-se no seu lugar escolhido, como também à sua hoste celestial.[4]

O Dr. Derek demonstra que a palavra “santuário” corresponde ao lugar da habitação de Deus que era o lugar que Deus escolheu de manifestar a sua glória, que é o templo no VT, embora que ele admita que inclui o céu também.

Na verdade, a ordem do salmista é que Deus seja adorado no santuário que estava no templo. Essa é a interpretação mais natural que se pode dar ao salmo 150.1. Um judeu não teria uma visão do santuário-habitação de Deus como os apóstolos tinham no NT. Isso veio com a revelação apostólica do NT (Hb 8.1,2; 9.1-9).

Quando alguém afirma que o salmista quis afirmar “santuário” ou “coisa santa” como a habitação de Deus no céu erra com anacronismo de mais alto grau, porque isso veio somente com a revelação dos apóstolos. No entanto, podemos aplicá-la para isso sabendo que o autor aos Hebreus escreveu que era uma “parábola para época presente” (Hb 9.9), pois agora os verdadeiros adoradores adorariam não mais em um lugar, mas em espírito e em verdade (Jo 4.23).

O que se pode notar na ordenança do salmista é que deveríamos louvar a Deus no seu santuário (no templo) e que lá está o “firmamento do seu poder” (assim está no original hebraico que a ARC traduziu muito bem). O salmista estava convocando que Yahweh fosse louvado no templo que é o lugar da sua santidade e do “firmamento do seu poder”. Seria lá que a sua glória encheria e a sua promessa se cumpriria em atender a oração do seu povo (2Cr 5.14; 7.12-16).

2.2. Análise da palavra “danças” do verso 4

Psalm 150:4  4 Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas.

ומחול בתף הללוהו “Louvai com adufe e dança”

A análise da palavra מחול machol “dança” é fundamental na interpretação desse salmo porque se de fato a palavra diz o que ela quer dizer, a dificuldade aumenta àqueles que advogam que não se pode dançar nos cultos, pois Deus ordena que o louvem com danças.

Algumas traduções traduzem a palavra מחול machol “dança” para “flautas” em uma total desonestidade, na minha opinião, pois mudam o que o texto realmente quer dizer.

Os tradutores também traduziram o Salmo 149.3 da mesma forma colocando a palavra מחול machol “dança” para flauta. O problema disso é que a palavra מחול machol não tem nada a ver com flauta. Essa palavra, segundo Strong, vem de uma raiz que quer dizer “torce-se, revirar-se”. Daí vem a palavra dança.

Por isso que os rabinos que fizeram a LXX entenderam exatamente o que a palavra hebraica quer dizer: “dança”. Em todas essas passagens, os rabinos da LXX colocaram a palavra χορός choros “dança” e essa palavra também não tem nada a ver com flautas.

Os rabinos de língua portuguesa também entenderam a palavra como מחול machol como dança. Veja como os rabinos traduziram numa versão judaica dos salmos para a língua portuguesa o verso 4 do Salmo 150:

Louvai-O com melodias e ritmo, louvai-O com a música de órgãos e flautas.[6]

Notemos que os rabinos traduziram para ritmo, pois a palavra quer dizer movimentação em danças e tiveram a sensibilidade de não repetir a palavra “flauta” como alguns tradutores fizeram de uma forma infeliz.

A Vulgata também coloca em todas as passagens desta palavra hebraica o vocábulo latino chorus “dança”, com exceção do Sl 30.12 que traduziram para gaudium “alegria”. Mesmo assim. Fica implícito nessa palavra regozijo em danças.

A maioria das traduções brasileiras e inglesas foi honesta nessa palavra. As traduções brasileiras que têm danças para o Sl 150.4 são: ARA, ACF, BRP, SBP, NTLH, TB, NVI, BV. Ficando somente a tradução da ARC traduzindo para a palavra “flauta”. Já as versões em inglês, que foram honestas, tem a maioria também: CSB, ASV, BBE, CSB, DBY, ERV, ESV, GWN, KJV, NET, NIB, NKJ, NLT, YLT, NRS. Ficando somente as versões DRA que traduz para “organs” e GNV que traduz para “flute”. (Pode até haver uma ou outra versão que complete as listas, mas as principais e mais lidas são essas).

Portanto, facilmente notamos a desonestidade dos tradutores. Notem que מחול machol “dança” é usada apenas seis vezes no VT. Três nos salmos (Sl 30.12; 149.3; 150.4) e três nos profetas (Jr 31.4; 31.13; Lm 31.5). Por que os tradutores traduziram somente nos Salmos para “flautas”, “folguedos” e não “danças” como foi traduzido nos profetas? Somente há uma resposta: a tentativa de desviar o que o texto diz de uma forma clara.

Porém, existem muitas outras incoerências se traduzirmos a palavra מחול machol “dança” para “flauta”. A primeira é que a palavra flauta se repete no mesmo verso fazendo da poesia um pleonasmo patético. Notemos: Louvai ao Senhor com adufe e flauta; louvai com instrumentos de cordas e com flautas. O salmista seria seriamente questionado de sua capacidade poética, devido a redundância e inutilidade da segunda palavra “flauta”, já que já tem a ordem para louvar com flauta no começo do verso.

A outra dificuldade é como separar a ordem de louvar com adufe e a ordem de louvar com danças no culto público. Ou seja, as danças não podem, o adufe como instrumento pode. Realmente isso não é inteligente.

Há aqueles que afirmam que o salmo é uma demonstração que a dança não é pecado em si, mas não dá base para dançar no culto público. Existem vários problemas com essa afirmação. Primeiro é que o salmo é falado no contexto de louvor e adoração, não num contexto de balada ou de uma dança romântica como afirmam esses intérpretes, pois a ordem é para louvar ao Senhor; cantando e dançando para ele, não com mulheres e nem para outras finalidades.

Segundo problema é que o texto afirma claramente quem é o objeto desse louvor. O texto afirma que devemos louvar a Deus “louvai-O com adufes e danças”. Se dissermos que esse texto é para afirmar que danças não são pecado, então como interpretar a ordenança de louvar objetivamente com instrumentos de cordas? As danças seriam para dançar com a namorada e os instrumentos de cordas, seriam para quem? Para as “serenatas”?  Será que alguém desviaria completamente a objetividade do louvor desse salmo para os homens? Realmente não existe interpretação mais patética e desajeitada que essa e digna de total rejeição dos que creem na Bíblia.

Portanto, o Salmo 150 é ainda hoje para a igreja e sempre será, com a única diferença: nós não precisamos ir ao Santuário para louvar a Deus, hoje, porque todas cerimônias se cumpriram em Cristo, mas louvemos com instrumentos, danças, pois é ordem do Senhor e em nenhuma passagem do NT ensina que não deveríamos mais tocar com instrumentos ou deixarmos de dançar. Qualquer desvio disso é erro, pois desmente o próprio Deus que ordena na sua Palavra para louvarmos com instrumentos e com danças.

3.     Outros textos que confirmam o Salmo 150.4

Uma das regras básicas de Hermenêutica é que a Bíblia explica a si mesma. Então perguntamos: existe alguma analogia de outros textos em relação a danças no restante das Escrituras para fundamentarmos o Sl 150.4? A resposta é sim.

Primeiramente precisamos ver que Miriam dançou na presença de Deus (Ex 15.20,21). Miriã era profetiza e ela, para louvar a Deus pelo livramento, dançou com as outras mulheres dizendo: “Exodus 15:21  Cantai ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.

Alguns afirmam que o que Miriã fez não é base para fazermos no culto cristão, pois o motivo era apenas por causa da libertação do Egito. No entanto, Cristo é considerado o nosso Cordeiro Pascal (1Co 5.7) e, da mesma forma que Israel saiu do Egito, fomos libertos para Deus (1Co 10.1-4). Portanto, é perfeitamente legítimo alegrar-nos em Deus dançando e louvando o seu nome pela nossa libertação do juízo de Deus em Cristo Jesus.

Segundo: precisamos ver que Davi dançou em pleno ritual de adoração (2Sm 6.12-22). Notemos que Davi estava diante da arca de Deus. Reverência e respeito eram essenciais àqueles que se aproximavam dela. Não é à toa que Davi sacrificava bois e carneiros em cada seis passos (v.13). Também, Davi trazia a estola sacerdotal demonstrando que era um momento sagrado e especial. No entanto, Davi dançou com todas as suas forças diante do Senhor (v.21).

Portanto, vem a pergunta: podemos dançar no culto cristão como Davi dançou diante da arca? Precisamos analisar as Escrituras para eliminar o que não precisamos mais. Não precisamos mais dos holocaustos e sacrifícios que Davi fazia nesse episódio (Hb 10.9-19); não precisamos mais  de levar a arca, pois a presença de Deus está já em nós pelo Espírito Santo de Deus (1Co 3.16); não precisamos mais de uma estola sacerdotal nem de sacerdotes porque Cristo já nos fez sacerdotes reais (1Pe 2.9; Ap 1.6). No entanto, perguntamos: haveria alguma objeção sobre as danças no NT para que não as façamos, sendo que em todas as épocas sempre as danças fizeram parte das músicas e danças dos povos, inclusive do povo judeu? É claro que não.

Outro texto é o profeta Jeremias 31.4; 11-13. Esse é mais claro e, na minha opinião, elimina qualquer dúvida se as danças são para o culto cristão:

Jeremias 31:4  4 Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam.

Jeremias 31:11-13  11 Porque o SENHOR redimiu a Jacó e o livrou da mão do que era mais forte do que ele.  12 Hão de vir e exultar na altura de Sião, radiantes de alegria por causa dos bens do SENHOR, do cereal, do vinho, do azeite, dos cordeiros e dos bezerros; a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais desfalecerão.  13 Então, a virgem se alegrará na dança, e também os jovens e os velhos; tornarei o seu pranto em júbilo e os consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza.

Notemos que quem está falando é o próprio Yahweh. Não é o escritor Jeremias, mas o próprio Deus através do profeta. Ele chama Israel de virgem e que sairá adornada com os que dançam. Deus que quer que ela saia com os que dançam toda adornada e preparada ao seu Noivo que é o próprio Yahweh.

Usemos a lógica agora: Se o próprio Deus chama Israel demonstrando que ele quer que ela dance com os adufes, como negar que as danças não são para o culto cristão se esse momento é somente para ele? Notemos que esse verso segue o que o Sl 150.4 ordena: louvai com adufes e danças, pois ela sairá com os adufes e com o coros dos que dançam, confirmando assim o salmo 150.4.

Notemos que em Jr 31.11-13 é o Senhor que motivou as danças de sua noiva, Israel, e é ele que fará Israel se alegrar nas danças. Portanto esses textos nos profetas confirmam o Sl 150.4 como Deus ordenando-nos a usarmos as danças para ele.

No NT, há um texto muito interessante no episódio da parábola do filho pródigo:

Lucas 15:25  25 Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.

Podemos perguntar o que esse texto tem a ver com danças na adoração pública? Se pensarmos que o que Jesus contou tinha um propósito e que os apóstolos que eram inspirados por Deus entenderam isso, precisamos entender que ali estava a comemoração da volta daquele filho perdido à comunhão com o seu Pai que era Deus. Portanto, Jesus deixou claro que as danças eram legítimas naquela ocasião.

É verdade que não podemos nos apegar aos detalhes das parábolas, mas é difícil não perceber isso quando temos Miriã que dançou no episódio da libertação do Egito, Davi diante da arca da Aliança celebrando a graça de Deus na sua vida e a ordem do salmista que louvássemos com adufes e danças, pois Jesus queria mostrar que a comunhão com o Pai e o filho perdido era celebrada com danças e muita alegria. Até porque, a palavra que Lucas usou é a mesma usada na LXX –  χορός choros “dança”.

4. Exageros e coreografias nos cultos públicos

Precisamos admitir que existem muitos exageros. No entanto, os erros ou as distorções da verdade não podem eliminá-la. Temos que admitir que algumas coreografias tiram o objetivo central que é concentrarmos em Cristo e somente nele esperarmos. Isto quer dizer que Cristo tem que ser o centro do culto. Existem coreografias de homens que se arrastam como mulheres e mulheres que são jogadas no ar como se fosse um balé num teatro. Claro que isso não é adequado às igrejas.

No entanto, assim como existem coreografias exageradas, também existem pregações superficiais e com pouca base bíblica e heréticas; assim como existem também louvores que exaltam mais o grupo em si que o Cristo que cantam. Da mesma forma as cantatas, elas podem perfeitamente tirar o foco central que é Cristo e o grande objetivo ou a prioridade do culto que é a Palavra de Deus. Existem cantatas que são extensas e tomam muito tempo que deveria ser para a pregação da Palavra de Deus.

Portanto, precisamos entender que os exageros e desvios podem existir em todos os elementos do culto.

Na minha opinião, as danças deveriam ser espontâneas no culto público, pois a ordem no Sl 150.4 é para todos e não somente para um ministério. Precisamos também entender que dança profética não existe, pois isso não tem nenhuma base bíblica.

Portanto, quero convidar a todos a louvar a Deus com instrumentos de cordas e com danças, pois o próprio Deus ordenou para louvá-lo com adufes e danças.




[3] Calvin John. Commentary on Psalms. Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library, 1999, p. 199.
[4] KIDNER, Derek. Salmos 73-150: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1975, p. 495.
[5] HARRIS, R. Laird; ARCHER, Gleason L; WALTKE, Bruse K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1322.
[6] FRIDLIN, Vitor; GORODOVITS, David; FRIDLIN, Jairo. Salmos com tradução e transliteração. São Paulo: Editora Sefer, 2003, 3a ed.
[7] GILL, John. Bíblia On Line. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

E SE O ASSASSINO NÃO TIVESSE MORRIDO?



O Brasil chorou diante da tragédia que aconteceu no Rio de Janeiro, onde um jovem, chamado Wellington, de 23 anos entra no colégio e mata de uma forma premeditada a sangue frio com tiros na cabeça crianças e adolescentes de uma forma mais brutal que existe.

Porém, diante das minhas emoções eu comecei a pensar: ...e se o assassino não tivesse se suicidado ou se ele tivesse se entregado, o que aconteceria com ele com base na justiça brasileira?

Segundo o código de execução penal,

Se ele fosse réu primário poderia receber novamente o privilégio de aguardar pelo julgamento em liberdade por ter residência fixa e não representar ameaça à ordem ou à condução do inquérito.

Diante da repercussão do fato e da configuração do fato, seria difícil o assassino ter esse privilégio. No entanto, por causa disso, também viriam os vários advogados aproveitadores que se esmerariam por um pouco de fama e trabalhariam com todas as suas forças para que acontecesse isso.

Mas vamos imaginar que ele fosse preso com todos os privilégios sendo muito protegido pelos Direitos Humanos, tendo assistência de bons advogados esperando o seu julgamento.

No julgamento, ele seria condenado a 20 anos de prisão (vamos colocar por baixo porque a justiça brasileira é ingênua demais, mas a máxima seria 30 anos por homicídio qualificado). Bem, Conforme o Código de Processo Penal, toda sentença igual ou superior a 20 anos, nos crimes de júri, dá a opção à defesa do réu de solicitar um novo julgamento. O fim do direito a novo júri é uma das bandeiras do MP.

Condenado, o réu pode aguardar em liberdade o julgamento de recursos. Pode postergar sua prisão com recursos em quatro níveis da Justiça: primeira instância, o TJ, o STJ e o STF. Em cada uma dessas instâncias, podem ser apresentados recursos capazes de adiar a decisão final por anos. Até que isso ocorra, o criminoso tem a possibilidade de aguardar pela decisão final em liberdade. Esse direito tem base na Constituição de 1988, que estabelece a presunção de inocência até o trânsito em julgado (condenação sem chance de recurso em todas as instâncias).

Preso e condenado por homicídio a 20 anos de cadeia, o criminoso pode voltar às ruas após três anos de punição. Como sua pena é superior ao limite de oito anos, começa a cumpri-la em regime fechado. Mas, passados apenas três anos e quatro meses (um sexto da pena), já poderá voltar às ruas graças à progressão para o regime semi-aberto. A progressão ficou mais fácil desde que, em 2003, foi abolida a obrigatoriedade do exame criminológico. Assim, o homicida volta ao convívio da sociedade.

Portanto, basta o criminoso ser um pouco inteligente para ficar bem comportado e trabalhar na prisão para logo voltar às ruas para cometer os mesmos crimes.

Para ficar livre, basta:

Cumprir um terço da pena, ou seja, seis anos e oito meses e o condenado pode pleitear o livramento condicional. Esse período poderá ser reduzido ainda mais se o detento trabalhar na prisão. Nesse caso, para cada três dias trabalhados, ele poderá eliminar um da sentença. Ao retornar para o convívio da sociedade, deveria cumprir determinadas condições, como trabalhar para prover o próprio sustento de forma legal, mas isso raramente é fiscalizado no Brasil.

O que diz a lei

Artigo 83 do Código Penal:

O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos, desde que:
- Cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso (intencional) e tiver bons antecedentes.
- Cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso.
- Comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto (...).
- Cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza (...).

Portanto, o assassino só se suicidou porque ele quis imitar até os assassinos dos USA que quando fazem isso, dão um tiro na cabeça porque sabem que se saírem vão ser executados por pena de morte. Ou seja, vão morrer de qualquer forma.

No caso do Brasil, se o criminoso pensasse um pouquinho, ele se entregaria e ganharia até uns trocados dando entrevistas para algumas TV’s na prisão esperando a sua condicional, logo que a repercussão baixe.

A nossa sorte é que o assassino pensou que estava nos USA ou porque tinha o peso da grande catástrofe que estava fazendo. Se ele pensasse na justiça brasileira, logo estaria solto a busca de outros crimes.

A segunda conclusão vem de meus pensamentos: Será que os legisladores que fizeram essas leis estavam sonolentos? Ou eles estavam pensando que estavam fazendo leis para mosteiros e conventos?

Os legisladores confundem pena com terapia. O criminoso não vai para a cadeia para cumprir uma terapia como se fosse para um SPA ou para uma sessão de fisioterapia, que o médico diz: “está bom, não precisa mais fazer mais esse exercício”. As terapias podem até ter nas penas, mas essas não podem ser substituídas pelas terapias. Será que esses legisladores e juízes não entendem que um assassino pode simular comportamentos dos mais diversos na prisão? Se alguém cometeu um crime hediondo deve ser punido e pagar com todo rigor sem nenhum privilégio e liberdade condicional. Assim acontece nos países da Europa e nos USA, tendo em alguns lugares até pena de morte.

A prova dessas leis infantis é que milhões de pessoas são mortas por criminosos no Brasil que saem nessas condicionais e matam da mesma forma ou assassinos que estão soltos sem nenhum peso do que fez.

Na minha opinião, nesse caso, o assassino tem dois grandes aliados: os legisladores que fizeram essas leis e o Estado. Para mim, todos são considerados culpados quando ocorre um assassinato vindo de uma condicional ou de uma pena reduzida.

Por isso, oremos para que não apareçam mais assassinos como esses e que eles não percebam a legislação infantil de nossa nação.

quarta-feira, 2 de março de 2011

ATEÍSMO

A alma da ciência te espera,
Teus argumentos te negam,
Estrondo sem ruído:
Impressão do acontecido.

Sela o teu temor
Mela as tuas incógnitas
Ordena o teu grito
Satisfaz tuas órbitas.

Até Einstein te rejeita,
Tudo clama por um começo inteligente,
Espirais de DNA te dizem:
Instinto e sabedoria pingentes

Sabes que precisas de respostas,
Mesmo que doa o ego humano
Ostenta-te dentro do perigo
Segues a lei do insano.

sábado, 8 de janeiro de 2011

THE PROBLEM OF INTELLIGENCE OF THE ATHEISTS





According to new studies of intelligence and education, one of the scholars who has excelled in this area is the American psychologist Howard Gardner of Harvard University. He began his research from a psychobiological perspective to examine cognitive abilities. Garner began analyzing intelligence that some people had some specific things and others did not. He may realize that each person developed a kind of intelligence for any area and, thus, he presents the human brain consists of types of logical-mathematical intelligence, linguistic-verbal, kinesthetic-bodily, visual-spatial, musical, naturalist and "Intra and Interpersonal" [1].

We can see, according to the theories of Howard Gardner that atheists suffer from a problem of intelligence. Apparently, atheists have a serious problem of logical-mathematical intelligence and visio-spatial. To clarify that when I say the problem of logical-mathematical intelligence, I'm not saying there are no good mathematical scientists or atheists, but that these have a great difficulty to understand the logic and mathematical concepts for yourself. This means that atheists are mathematicians or when there is some science that requires some mathematical reasoning, they only use the knowledge studied in a closed circle. They are unable, for example, to realize it in the universe, on a daily or reasoning out a cognitive study circle, as I will demonstrate in this text. When I speak also the problem of logical intelligence, say that atheists do not have the ability to form coherent syllogisms without a grotesque contradiction and child, as I will show too.

Perhaps this perception that led Albert Einstein to criticize atheists as Andrew Robson reports in his excellent book about Einstein that compiled texts of his letters and manuscripts, as well as texts of Stephen Hawking, Arthur C. Clarkr, Philip Glass and others:

"In fact, Einstein criticized repeatedly and wondered how atheists 'before such harmony of the cosmos there are people who say there is no God'" [2]

I want to say instead that although the text seem biased, I'm showing in the arguments because it can not be because I am presenting and arguing why such conclusions. If any atheist reading this text, it may not accept or understand exactly why suffer the logical-mathematical intelligence. However, I invite you to explore and notice something unusual in his epistemology and logic in its analysis of the world and the cosmos, if you can. At least examine with a sound rationale.

The problem of intelligence of the atheist is not noticed by now. The writers of the Bible demonstrate and teach what we can see: an atheist is not intelligent enough to perceive the logic of the cosmos and nature. Both the OT and the NT, written many years ago, come to that conclusion. In fact, God Himself reveals the problem of the atheist.

The psalmist David wrote:

Psalm 14:1 When master corner. Psalm of David The fool says in his heart, There is no God. Corrupt practice and is an abomination, since there is none that doeth good.

This conclusion was so strong that the psalmist repeated again in Psalm 53.1, since it is not surprising that the writers of the Old Testament repeat a principle so overwhelming.

The Hebrew adjective נבל (eared) David used by RA translated as "foolish" is too strong. In several passages that the Hebrew word is translated to mean "crazy, stupid." It seems madness includes a failure to realize the obvious, as can be seen in Deuteronomy 32.6-8 that God speaks to people they did not realize that the deeds of the Lord and also in Isaiah 32.4-6 God says that when the king king, the fool will understand. Therefore, the word relates to cognitive understanding.

In the NT, Paul was no less scathing. He wrote in Romans:

Romans 1:20-22 20 For the invisible things of God, even his eternal power, as well as his own divinity, have been clearly seen, since the beginning of the world, being understood from what has been made. Such men are without excuse, 21 because, they knew God, they glorified him not as God, neither were thankful: but became vain in their imaginations, obscuring them is foolish heart. 22 Professing to be wise, they became fools

Paul had a refined education and knew about the philosophy of Greek and Roman era. He has had several discussions with philosophers and people of all ideologies in his time. However, Paul admits that the natural man can fully realize the Creator through his works. Paul cited two attributes, at least, these men could recognize the Creator's natural: his power and his divinity. Paul says that through the medium of created things. However, for an atheist, all the complexity of the cosmos and of life is not enough to realize that there is one divine and powerful. For Paul, the invisible Creator must be perceived by the creation, especially his divinity and power, because as all the complexity of fine tuning, biological machines with functionality and high level information may have come from random processes? Only the head of an atheist, of course!

Paul says that the reasoning of those people became null. Paul uses the expression αλλεματαιωθησαν εν τοις διαλογισμοις. In this expression is the word in the dative διαλογισμος (dialogues) which means reasoning, purpose, design. That is, the word shows a profound understanding and insight in assembling evidence by reasoning. That word comes our word "dialogue". Paul says these people now have an empty argument. The Greek verb used εματαιωθησαν aorist indicative passive means "to make empty, void." Paul confirms what psalmists already said, anyone who denies the evidence of a personal God and has a powerful argument empty. Paul does not stop there, but still says that the heart of these people is pointless and obscure (v.21). The word comes from the adjective translated ασυνετος which is the addition of a prefix α (negative particle) + συνετος (smart). If nothing else, Paul says these people are in the dark. Of course Paul knew that all are spiritually dead, but he speaks specifically to people who deny the evidence of the Creator in nature, for he speaks in the verses later on those who know the law

Now let's see some of that evidence in practice:

1. The atheist and the difficulty of logical perception of the cosmos and nature

As I wrote above, the atheist has no intelligence that Gardner called the logical-mathematical, because they fail to realize this for yourself in nature.

To understand this we need to go back to the eighteenth century with one of the great philosophers and theologians of the time, William Paley. Paley wrote two books that influenced his time in a phenomenal way: Evidences of the Christianity and Natural Theology. His influence was so great that it reached Darwin himself, as he studied divinity at Cambridge. Many scholars perceive in his book "The Origin of Species" an attempt to refute what he knew of William Paley, it was widely read in his time and especially in his study of divinity.

Paley was known to his description in his book Natural Theology of a watch found in a thicket. He writes that if a forest and suddenly topasse foot on a stone, he would question how she ever got there. However, if he topasse in a watch would be totally different. He wrote:

Why is not admissible in the second case as the first? For this reason and no other: when we examine the watch, we perceive (what we do not notice the stone) that its main parts are adjusted and put together for a purpose. They are so fair and adapted to produce motion and the motion is set to point to the time of day that if the various parties had been formed in a different way than they are, like different size or placed in some other way or at any another order they are placed, then no motion would have been done by machine or anything to do justice to the use of this object ... [3]

What Paley tries to show is that someone who has a minimal intelligence would ever say that clock has got there by accident or has been by evolutionary processes. The most interesting is that when Paley wrote his book, the cell was just a protoplasm and DNA was still little known, had not electron microscopes or nanotechnology that we have today.

For Paley, intelligence requires that we recognize that you have a watchmaker behind that clock. Although it is realized that one can not know who is this watchmaker.

The comparison of the complexity of the cosmos and life with a clock because there is quite feasible in the cosmos what scientists call a fine tune, a perfect synchronism between the physical and biological laws, because the sun could not have a size smaller or larger if otherwise there would be no life, nor a distance between the earth more or less to have liquid water. Likewise, the moon would have to be the right size at the right distance, the land would need to be in a strategic place in the Milky Way so that life would be feasible because of the radiation. The slope of the land would need to be an exact position, otherwise it will be too hot summers and winters too cold for life on earth, the earth has the right size to hold the gases that sustain life as oxygen and carbon dioxide unlike the other planets. As scientists, 99% of the universe is composed of hydrogen and helium, but the land is different because it is made of heavier elements that can form elements essential for life and have a magnetic field that prevents us from harmful radiation. Besides a perfect timing in the orbit of planets revolving forming a perfect balance.

In nature there is what mathematicians call the Fibonacci sequence. This sequence was discovered by Leonardo Pisano Fibonacci known by around the year 1200 BC He discovered a sequence of numbers by adding the two previous numbers. With this pattern of numbers, can make the so-called "golden rectangle." This rectangle shape several other rectangles inside forming a spiral when it is divided with a bow and is known as "Fibonacci spiral". This spiral is found in the human body, in sunflowers, tree branches, sea stars, flower petals, shells, pineapple and in galaxies. All of these things in nature can be certain points of the diagram 1-1-2-3-5-8-13-21 mathematician. This sequence demonstrates how mathematical proof that there is a Designer behind or be a very smart behind the universe, even leading some to call the "fingerprints of the Creator."

When observing life, gives us reason to become more impressed, that is, who has logical-mathematical intelligence, because there are real biological machines with structures similar to a rotary engine outboard, for example: the bacterial flagellum and the protein complex ATP. The DNA contains within itself high level information and a code that is stored, applied and deciphered. All this done with great precision and specific functionality. That's what Michael Behe calls "irreducible complexity" in his book "Darwin's Black Box."

However, atheists do not realize this, oddly enough. To them all this precision, complexity can not have come from an intelligent mind. They fail to realize the obvious. Really are not smart enough to notice signs of intelligence in nature due to its perceived lack of logic in nature.

Atheists apologize to say that theists put God of the gaps that have no explanation, but God is placed exactly in the places that have no gaps, as it appears because of the ample evidence of intelligence. When we say that only God could have created the solar system, the gaps did not come to God, but the evidence that came to mind shows us that only an intelligent designer could have done precisely calculated and laws, theorems, information and sequences in nature that never could have the chance.

However, atheists put "time" and "science" these gaps. They, yes, leave gaps, because they do not know, they say they are giving a lot of time explaining the nature, or that science will one day explain this or that. However, conclude that something was the result of a creation is only one logical conclusion and not put off science, but rather evokes it to demonstrate the wonders of the Creator. For example, using it to William Paley's illustration: if I find a watch on the moon, I immediately conclude that someone was smart in that place. The research will only further clarify this hypothesis core logic. Polls at the clock in the laboratories of NASA will not be to discard whether there was an intelligent being, but more to clear how she got there and the circumstances of the site for that clock was there. So the excuse of the gap is more a matter of lack of intelligence.

2. The atheist and his difficulty in understanding the theoretical and philosophical

There is something funny when we see a debate between an atheist and a theist. Most of the time of the theist to the atheist is trying to show the characteristics of intelligence. I saw a debate between a theist and an atheist theist that looked like a kindergarten teacher teaching children when we perceive characteristics of intelligence or not. Therefore, several issues needed to be explained in the debates because of barrier intelligence of atheists. Conjures up the concept of information theory, have to explain that logic comes into the concept of theory and evidence. And when the atheist with this intelligence think you know the Bible, there's worse, because it needs to be taught about hermeneutics, original languages, remember about archeology, ancient manuscripts and remember that it takes an understanding of each person when it comes to the Bible.

Even worse is when high school students who come in contact through the internet with atheists in Orkut communities and are replaced by the platitudes decorated without even questioning. These just a lot of patience to discuss, because ignorance mixed with a lack of intelligence is going to extreme patience.

One of the atheists that showed this problem was the Nobel Prize winner Jose Saramago. Atheist, Saramago was the kind of atheist who questioned God in the Bible. His two books: "The Gospel According to Jesus Christ" and "Cain" demonstrate that. At first, he claims that Jesus had an affair with Mary Magdalene. At last, he criticizes God and blame him for what happened to Cain. However, we see very serious error of Hermeneutics in the immediate context of the passage, for example, Saramago maintains that God has not given attention to Cain, but if you read in context we can see that God calls Cain to warn him of the possible crime. The striking thing is that it uses as reference the Bible itself or absolutely nothing to prove as in the relationship between Jesus and Mary Magdalene. What could we call it? A deep problem of theoretical and philosophical insight because he used the base as he does not believe.

Yes, he used as a base because it demonstrated that God was to blame for the situation of Cain. For this, at least he would have to bear in mind that the story has some foundation. If not, he would enter an absurdity in its arguments.

To better illustrate what Saramago did, imagine what I try to show that the Big Bad Wolf from Little Red Riding Hood story from there and get angry because he ate the grandmother and tell her the bad wolf granny should have helped rather than eat it and make a book saying that the Big Bad Wolf is a coward, cursing and blaming him for the granny. Obviously, for those who have an intelligent perception, nobody will get that detail, but a lunatic, because everyone knows that the Big Bad Wolf is a fiction.

In the case of Saramago, he takes pains to see Cain inconsistency in the character of God, and that he himself is based on the text that criticizes and the law that God has revealed himself, for he speaks of "innocent children" to show that God is wrong and therefore does not exist. Indeed, only a person with low intelligence in this regard not to notice this inconsistency.

The atheist has difficulty in understanding philosophical about the beginning of everything. Scientists assume a beginning of time, space and the universe. However, atheists advocate who can not accept God as the answer to last question because it leads to another difficulty: who created it. Therefore, they arrive at the conclusion that God does not exist.

It's amazing how the atheists do not realize that this argument is childish. This is exactly the low intelligence of these. It is childish because to know the answer to something, one need not know all the answers of the response. As William Craig science would cease to exist if we consider that. If someone finds a piece of pottery designed with an unknown entry, it becomes obvious that the smart people did. However, one need not know how exactly were the authors and how they arrived there, or pottery like that came up there to reach a conclusion that this application comes from someone smart or had created a home.

There are many things that science studies and research without knowing its origin. For example, the pyramids of Egypt. All are agreed that those buildings were made by intelligent people. However, it is unclear how they brought those buildings and built so perfectly taken those and as such heavy stones to that desert. There are even people who say they were from another planet have done that before such mathematical precision and planning. One need not know the origin of an answer that will come to a logical conclusion. Likewise God is. Do not need to know whether or not it was created to reach the conclusion that a powerful and divine is behind this universe by the arguments written above.

God is the ultimate cause, as is required unless you are setting up and does not have an explanation for God. If God was created, it would be within the normal pattern of creatures and enter an absurdity, for it would end the questioning. However, if God was not created, it is outside the normal resting the creation of our mind in a beginning of all things.

To illustrate further, everyone knows that the numbers are infinite sets, let us imagine that we know the last number of the set of real numbers. If we knew that number, the numbers would be finite and the last number would no longer be an infinite number and higher. But if we do not know, the last number is still infinity and the beginning and end of all numbers of the set of real numbers becomes a different category from others. It is no accident that Jesus called "the alpha and omega." With this, Jesus was saying he was the first number and last number. The letters representing the numbers for the Greeks led Jesus to say with that, its infinity and its total difference between the Creator and creation.

Another difficulty for the atheist is to realize that God is within an epistemological circle that encompasses all the sciences and that can not compare God with Santa Claus, elves, the Elephant Pink Cap and red as the intelligence of atheists invent. You can not compare because none of these characters evoke science. For example, nobody ever wrote: "Duende, a delusion," "Santa Claus, a invention" as Dawkins wrote his bestseller "The God Delusion." Also, no one was ever called to discuss the university on "The Pink Elephant Red Cap", nor did these characters that scientists on the importance of Einstein, Francis Collins assert their viability as they did about God, while that for both it is different.

An atheist can not see it because it has no intelligence to that. So he compares God with elves, fairies and Santa Claus without taking into account such details because he does not see the obvious can not concatenate the world with mathematical logic and the thoughts that surround them.

3. The atheist and his difficulty in understanding about faith

It is difficult to realize an atheist something related to faith. He lists only authentic religion. He does not conceive that every human being has aspects of faith in his epistemology and knowability. For example, atheists who say they have no faith and do not need it, believe (that's right, believe) in theories still controversial and some even absurd. The Big Bang theory and evolution as the beginning of all biodiversity is still questioned by many scientists. Even the neo-Darwinian theory itself is questioned by many scientists not Christians as the site says www.dissentfromdarwin.org which gives a list of several scientists who sign their skepticism of Darwinism by stating:

We are skeptical of claims for the ability of random mutation and natural selection to explain the complexity of life. A careful examination of the evidence for Darwinian theory should be encouraged [4].

If the theories of the Big Bang and evolution as the beginning of all of life are viewed with skepticism by some scientists, what remains is for atheists only faith that the evidence is true. In truth, faith, every scientist must have. Faith is precisely the ability to trust in someone or something based on some foundation and evidence. For example, all scientists start believing in some deductive hypotheses before examining the evidence to confirm or not their chances. If the evidence does not corroborate the hypothesis and the scientist is sincere and honest, he passes out if the evidence corroborating the hypothesis, he goes forward with the research.

Previously, scientists believed that proteins were responsible for the information in cells. However, when the double helix of DNA was discovered by Watson and Click, that idea has become obsolete since the structure of DNA was studied further and found that all the information of life in him and not the protein, reaching the conclusion that DNA is responsible for the information in the cell. Thus, there are several other studies that reached different conclusions when the beginning was studied. This is evidence that scientists need faith.

The Bible gives the concept of faith that way, since the author to the Hebrews to conceptualize faith uses the two words used for human rationality:

Hebrews 11:1 Now faith is the substance of things hoped for, the evidence of things not seen. (RC)

The apostle uses the words ὑποστασις (hypostasis), which means foundation and ελεγχος (elenchos) means that documentary evidence. The apostle says that faith is the substance of things hoped for, the evidence of things not seen. This means that faith needs ὑποστασις plea and evidence, evidence ελεγχος.

Faith is the same for all who use it. The difference is that the Christian puts his faith in God or the Bible, the atheist or scientist puts his faith in their theories or hypotheses deductible. The atheist and the skeptic, based on evidence that they adhere (which may be incorrect or not), believe the universe came from mere chance and natural forces. However, it is very normal to not know an atheist or not accept it because it is a feature of their intelligence affected.

Faith needs both fundamentals that we can choose who to trust. Generally, when we see someone we trust the rational foundation for it. An application example of faith is that when someone seeks a specialist in certain specific area, one examines the evidence of curriculum, feedback from patients or society in general to be a patient of this. Even so, it will require faith that that doctor is not fooling with his training or if he really knows what he says he knows. The Christian faith is the same. The difference is that it is directed to a personal God or the Bible, the atheist directed to the assumptions or theories based on their naturalistic assumptions.

However, the finding of a God not of faith but of scientific and observational evidence. Faith comes when we accept who is this God and how he created all things with the power of his word, because we must believe in the Bible, however, the conclusion that there is a God is as rational as the conclusion that the Rosetta Stone was written by an intelligent mind.

Richard Dawkins in an interview in the film "Expelled: No Intelligence Allowed" makes claims that confirms everything I have written and what the Bible says about atheists. Dawkins acknowledges that the study of biochemistry and molecular biology lead to a designer of superior intelligence. However, he points out in a total act of faith to be from another place in the universe. He said:

It may be that it will conclude as follows: It may be that at some point in the early days, somewhere in the universe has evolved a civilization for a Darwinian process to a high level of technology and has designed a way of life that has sown, perhaps on this planet. Now, this possibility is an intriguing possibility and think it is possible to obtain any evidence for it if you look at the details, details of biochemistry, molecular biology, we can find some kind of signature designer and that designer might be a higher intelligence of another place in the universe, but that higher intelligence would itself have arisen by some process ultimately explainable [5]

Dawkins does not fail to recognize, to some extent at least, that theists are correct in concluding on the evidence before a Designer of Molecular Biology and Biochemistry and confirms, therefore, that this conclusion is perfectly logical and verifiable.

So Dawkins, this interview confirms its logical intelligence problem, theoretically and on the perception of faith. He can not think like a being from another planet who does not know how he came, God can be the author of the universe and life that we do not know about the beginning. He also did not realize that came in open contradiction to recognize the possibility of a designer in the land, even though he claims that could have come from another planet. On faith because he did not realize that he uses constantly faith at the highest level, but does not admit it.

Conclusion

Atheists prefer undo what man holds most important - rationality. Atheists think about things in a closed form, only conclusions that lead them to think within a discernibility canned. When it requires them to think outside of that circle, they can not.

The problem of intelligence of atheists is related to these main difficulties: logical perception of the cosmos and nature, difficult theoretical and philosophical insight and perception about faith. These three levels of awareness hampering the ability to recognize an intelligent mind behind the cosmos, even if they have countless arguments.

Therefore, I wish that this text reach those who are losing their sense of awareness in these areas, since many adolescents and university students have left their common sense by saying that a more foolish man has said, "God does not exist." Or maybe atheists refuse to accept this evidence just because they're protecting for fear of slamming at one of the basic conclusions - God exists. In this case, further confirms the difficulty of thinking of atheists.
 
[1] Gardner, Howard. The theory of multiple intelligences. Philadelphia: Saunders, 1994.
[2] Andrew Robinson. Einstein: 100 years of relativity theory. New York: Elsevier, 2005, p. 186.
[3] Paley, William. Natural Theology. Boston: Gould and Lincoln, 1852, p. 5-6.
[4] http://www.dissentfromdarwin.org/
[5] Richard Dawkins in an interview in the film "Expelled: No Intelligence Allowed"